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Capítulo 20 de 24
Federação Espírita Brasileira — parte 19 de 23
Ação e Reação · Chico Xavier, pelo espírito André Luiz
tando com o tempo apreciáveis lauréis que lhe valeram a volta à esfera humana, com o direito de iniciar o pagamento da larga dívida em que se onerou, desavisado. Cultuando a prece com a renovação do mundo íntimo, renasceu de espírito inclinado à fé religiosa, ardente e operante, encontrando no Espiritismo com Jesus, ao influxo dos amigos desencarnados que o assistem, precioso campo de fortalecimento moral e trabalho digno, no qual tem sabido estender, com louvável aproveitamento das horas, o seu raio de ação no estudo edificante e na caridade pura, atraindo em seu favor as mais amplas simpatias, por parte de irmãos encarnados e desencarnados, que lhe devem generosidade e carinho. Atirado a imensas dificuldades materiais, desde cedo cresceu órfão de pai, de vez que não valorizou no passado a ternura paterna, lutando com extrema pobreza e com enfermidade constante... Custodiado, porém, por benfeitores da nossa Mansão, foi conduzido a um templo espírita, ainda muito jovem, onde, submetido a tratamento da epiderme esfogueada, entrou no conhecimento de nossa Renovadora Doutrina...
A leitura dos princípios espíritas, ao sol do Evangelho do Senhor, constituiu para ele recordações naturais dos ensinamentos assimilados em nossa casa, antes da reencarnação. Desde aí, aceitou nobremente a responsabilidade de viver e buscou, acima de tudo, aplicar a si próprio as diretrizes regeneradoras da fé que abraça. Disciplinou-se. Rendeu sincero preito às suas obrigações e, não obstante os entraves orgânicos, muito moço se dedicou às representações comerciais, de cujos labores retira os abençoados recursos que sabe repartir com necessitados numerosos, reservando para si tão-somente o indispensável. Não é um rico da Terra, na acepção do conceito, mas um trabalhador da fraternidade que sabe dar o próprio coração naquilo que distribui. Trilhando o caminho da simplicidade e da renúncia edificante, modificou as impressões de muitos dos companheiros de outro tempo, que, nas baixas camadas da sombra, se lhe haviam transformado em perseguidores e desafetos, obsessores Francisco Cândido Xavier – Ação e Reação – pelo Espírito André Luiz 211
esses que, em lhe observando os exemplos novos, se sentiam moralmente desarmados para os conflitos que se propunham manter. É assim que não deixa de ressarcir as suas culpas, sofrendo-lhes o gravame em si mesmo. Entretanto, pelos valores que entesoura, devotado ao bem alheio, resgata o pretérito com o alívio possível, ganhando tempo e adquirindo novas bênçãos. Ajudando aos outros, desbasta, dia a dia, o montante dos seus débitos, de vez que a Misericórdia do Pai Celestial permite que os nossos credores atenuem o rigor da cobrança, sempre que nos vejam oferecendo ao próximo necessitado aquilo que lhes devemos... Silas confiou-se a pausa breve, mas Hilário, tanto quanto eu fascinado por sua exposição clara e sensata, rogou, sedento de ensino: – Continue, Assistente. Esta lição viva ilumina-nos de esperança... Como se explica estar Adelino ganhando tempo? Nosso amigo sorriu e acrescentou: – Correia, que não merecia a ventura do lar tranqüilo por haver arruinado o lar paterno, casou-se e padeceu o abandono da companheira que lhe não entendeu o coração.
Avançando para a terna Marisa que dormia, acentuou: – Assim, pela vida útil a que se consagra e pela caridade incessante que passou a exercer, atraiu para junto de si, como filha da sua carne, a antiga madrasta que desviou dos braços paternais, hoje reencarnada junto dele para reeducar-se ao calor de seus exemplos nobres, guardando a dor de saber-se filha de pobre mulher que renegou o tálamo conjugal, tanto quanto ela mesma o menosprezou no passado recente. Mas... não é apenas essa a vantagem de Adelino... Silas pousou levemente a destra nos pequenos que ressonavam e prosseguiu: Francisco Cândido Xavier – Ação e Reação – pelo Espírito André Luiz 212
– Dedicando-se de alma e corpo à sua renovação com o Cristo, nosso amigo recolheu como filhos adotivos os dois cúmplices do parricídio tremendo, os antigos capatazes Antônio e Lucídio, que, abusando de humildes donzelas escravizadas, de quem furtavam os filhinhos para exterminar ou vender, não encontraram senão o alcoice por berço, vindo para o círculo afetivo do companheiro de outro tempo, no sangue africano que tanto enxovalharam, de modo a lhe receberem o amparo moral à reforma precisa. Enquanto nos edificávamos com o precioso ensinamento, Silas observou: – Como é fácil de reconhecer, nosso irmão, através da responsabilidade espírita-cristã, corretamente sentida e vivida, conquistou a felicidade de reencontrar os laços do pretérito criminoso para o necessário reajuste, ao passo que, se houvesse desertado da luta pela irreflexão da companheira ou se tivesse cerrado a porta do coração a dois meninos infelizes, teria adiado para futuros séculos o nobre trabalho que está fazendo agora... Dispúnhamo-nos a formular novas indagações, mas Correia despedira-se da mãezinha e viera ocupar um leito modesto, não longe das crianças.
Demonstrando hábitos respeitáveis, sentou-se em prece. Foi quando Silas, recomendando-nos cooperação, abeirou-se dele e aplicou-lhe passes magnéticos, esclarecendo-nos, logo após: – Ainda pela utilidade que sabe imprimir aos seus dias, Adelino mereceu a limitação da enfermidade congenial de que é portador. Tendo sofrido, por longo tempo, o trauma perispirítico do remorso, por haver incendiado o corpo do próprio pai, nutriu em si mesmo estranhas labaredas mentais que, como já lhes disse, o castigaram intensamente além-túmulo... Renasceu, por isso, com a epiderme atormentada por vibrações calcinantes que, desde cedo, se lhe expressaram na nova forma física por eczema de mau cará- Francisco Cândido Xavier – Ação e Reação – pelo Espírito André Luiz 213
ter... Semelhante moléstia, em face da dívida em que se empenhou, deveria cobrir-lhe todo o corpo, durante muitos e angustiosos lustros de sofrimento, mas, pelos méritos que ele vai adquirindo, a enfermidade não tomou proporções que o impeçam de aprender e trabalhar, porquanto granjeou a ventura de continuar a servir, pelo seu impulso espontâneo na plantação constante do bem. A essa altura, talvez porque o dono da casa se dispusesse ao refúgio dos travesseiros, o Assistente convidou-nos à retirada. De volta à Mansão, prosseguiu nosso amável mentor tecendo brilhantes comentários em torno do “amor que cobre a multidão dos pecados”, como ensinou o Apóstolo, quando Hilário, interpretando-me as indagações, considerou de improviso: – Assistente, com uma elucidação assim tão clara, é justo aspiremos a saber determinadas minudências que a ela digam respeito. Poderemos, acaso, inteirar-nos quanto à situação de Martim Gaspar, o genitor que padeceu o martírio do fogo em sua carne? Porque Silas se detivesse em silêncio, meu colega continuou: – Terá ciência do trabalho renovador de Adelino?
Devotarlhe-á, ainda, menosprezo e ódio? – Martim Gaspar – respondeu por fim o interlocutor –, infatigável que era na violência, foi igualmente tocado pelos exemplos de nosso amigo. Observando-lhe a transformação, abandonou as companhias indesejáveis a que se adaptara e rogou asilo, em nosso instituto, vai para alguns anos, onde aceitou severas disciplinas... – E onde se encontra agora? – insistiu Hilário, ansioso – porventura será permitido vê-lo, para anotar-lhe as alterações? Nesse instante, porém, varávamos a entrada do santuário de nossas obrigações, e Silas, sem mais possibilidades de alongar-se, afagou os ombros de nosso companheiro, dizendo: Francisco Cândido Xavier – Ação e Reação – pelo Espírito André Luiz 214
– Acalme-se, Hilário. É possível estejamos de regresso ao assunto em breves horas. Despedimo-nos, conservando as anotações, à maneira de estudo interrompido, aguardando seqüência. No dia seguinte, porém, grata surpresa visitou-nos o coração. Quando o relógio anunciou alta noite na extensa faixa planetária em que se mantinha o nosso domicílio, o Assistente veio buscar-nos, prestimoso. Demandaríamos à esfera carnal, mas, naquela hora, em companhia de Druso, o orientador da instituição. Regozijamo-nos, embora curiosos. Era a primeira vez que viajaríamos junto ao grande mentor que nos conquistara a mais ampla reverência. E, se é verdade que o privilégio nos alegrava, ao mesmo tempo indagávamos do motivo pelo qual se ausentaria ele da casa que não lhe dispensava a presença. Entretanto, não houve oportunidade para longas divagações.
Em companhia de Druso, que se fazia seguir por Silas, por duas das irmãs altamente responsáveis em serviços da Mansão e por nós outros, utilizamo-nos do meio mais rápido para a excursão, cujo objetivo desconhecíamos, porquanto a maior autoridade nos trabalhos normais do instituto decerto não disporia de tempo para uma viagem que não fosse a mais curta possível. Grande era o meu desejo de provocar o verbo do Assistente para a conversação educativa em torno do problema que abordáramos na noite anterior; todavia, a presença de Druso como que nos inibia a disposição de ferir qualquer tema que não partisse dele mesmo, cuja dignidade não nos privava da expressão livre, mas nos infundia incoercível respeito. Francisco Cândido Xavier – Ação e Reação – pelo Espírito André Luiz 215
Foi assim que no trajeto ligeiro lhe ouvimos a conceituação oportuna e sábia, em torno de múltiplas questões de justiça e trabalho, admirando-lhe, cada vez mais, a cultura e a benevolência. Espantado, no entanto, reconheci que a nossa equipe estacionou à porta do lar de Adelino, que deixáramos na véspera. Dois auxiliares que conhecíamos de perto esperavam-nos no limiar. Depois de recíprocas saudações, um deles avançou para Druso e anunciou, reverente: – Diretor, o pequenino recém-nato estará conosco, dentro de meia hora. O grande mentor agradeceu e convidou-nos a acompanhá-lo. Na paisagem doméstica que nos era familiar, o relógio marcava duas horas e vinte minutos da madrugada. Atônitos, seguimos o orientador que tomara a vanguarda, penetrando o aposento em que Adelino, ao que nos foi permitido supor, começava a dormir. Druso acariciou-lhe a fronte por momentos e vimos Correia erguer-se do corpo de carne, qual se fora movido por alavancas magnéticas poderosas, caindo nos braços do grande orientador, à maneira de criança enternecida e feliz. – Meu amigo – disse-lhe Druso, entre grave e terno –, chegou a hora do reencontro...
Correia começou a chorar, aterrorizado, sem conseguir desenfaixar-se-lhe dos braços acolhedores. – Oremos juntos – acrescentou o bondoso amigo. E, levantando os olhos para o Alto, sob nossa profunda atenção, Druso suplicou: – “Deus de Bondade, Pai de Infinito Amor, que criaste o tempo como incansável guardião de nossas almas destinadas ao Teu seio, fortalece-nos para a renovação necessária!... Francisco Cândido Xavier – Ação e Reação – pelo Espírito André Luiz 216
“Tu, que nos conheces os crimes e deserções, concede-nos a bênção das dores e das horas para redimi-los, unge-nos com o entendimento de Tuas leis, para que não repilamos as oportunidades do resgate! “Emprestaste-nos os tesouros do trabalho e do sofrimento, como favores de Tua misericórdia, para que nos consagremos à reabilitação dolorosa, mas justa... “Nós, os prisioneiros da culpa, somos também operários de nossa libertação, ao bafejo de Teu carinho. “Ó Pai, infunde-nos coragem para que nossas fraquezas sejam esquecidas, inflama em nosso espírito o entusiasmo santo do bem, para que o mal não nos apague os bons propósitos, e conduze-nos pelo carreiro da renunciação para que a nossa memória não se aparte de Ti!... “Que possamos orar como Jesus, o Divino Mestre que nos enviaste aos corações, a fim de que nos rendamos, de todo, aos Teus desígnios!...” Depois de leve pausa, repetiu em pranto a prece dominical: – “Pai Nosso, que estás nos Céus, santificado seja o Teu nome. “Venha a nós o Teu reino. “Faça-se a Tua vontade, assim na Terra como nos Céus.
“O pão nosso de cada dia dá-nos hoje. “Perdoa-nos as nossas dívidas, assim como perdoamos aos nossos devedores. “Não nos deixes cair em tentação e livra-nos de todo mal, porque Teus são o reino, o poder e a glória para sempre. “Assim seja.” Francisco Cândido Xavier – Ação e Reação – pelo Espírito André Luiz 217
Quando a sua voz emudeceu, profunda emotividade exercia sobre nós inexpressável domínio. Reconduzido ao veículo carnal, Adelino acordou em copiosas lágrimas... Reconhecia-se-lhe o júbilo intimo, se bem não pudesse guardar a consciência integral da comunhão conosco. Findos alguns minutos de expectação, que transcorreram céleres, escutamos lá fora o choro convulso de uma criança tenra... Enlaçado por Druso, o dono da casa ausentou-se do leito e, incontinenti, abriu a porta que comunicava o interior com a calçada externa, em cujas lajes, vigiado por amigos da Mansão, pobre recém-nato vagia aflitivamente. Tomado de surpresa, Correia ajoelhou-se, enquanto o grande orientador lhe dizia com segurança: – Adelino, eis o pai ofendido que, enjeitado pelo coração materno que ainda não mereceu, vem ao encontro do filho regenerado! Correia não lhe ouviu a palavra, na acústica da carne, mas registrou-a no templo mental, como apelo do amor celeste que lhe trazia ao coração mais uma criança abandonada e infeliz...
Tomado de alegria, para ele inexplicável, abraçou o pequerrucho com espontâneo gesto de amor e, após conchegá-lo de encontro ao peito, voltou para dentro, gritando jubiloso: – Meu filho!... meu filho!... Silas, entre Hilário e eu, comunicou-nos, emocionado: – Martim Gaspar retorna à experiência física, asilando-se nos braços do filho que o desprezou. Não tivemos, contudo, qualquer ensejo a mais dilatada conversação. Druso, enxugando as lágrimas, advertiu-nos em voz alta, qual se estivesse falando para si mesmo: Francisco Cândido Xavier – Ação e Reação – pelo Espírito André Luiz 218
– Oxalá, quando estivermos de novo em pleno nevoeiro da carne, possamos, também nós, abrir o coração ao excelso amor de Jesus, para que não venhamos a falir nas provas necessárias!... E havia tanto recolhimento e tanta angústia naquele olhar que nos habituara ao mais doce enternecimento e ao mais profundo respeito que, de volta à Mansão, nenhum de nós ousou quebrarlhe o doloroso e expressivo silêncio. Francisco Cândido Xavier – Ação e Reação – pelo Espírito André Luiz 219
Dívida expirante Era agora num hospital, em triste pavilhão de indigentes, a nova lição que Silas nos reservava. Ganhando o interior, diversos companheiros acolheram-nos, gentis. E, após saudações amigas, um deles, o Atendente Lago, avançou para o mentor de nossos estudos, cientificando: – Assistente, o nosso Leo parece gastar os derradeiros recursos da resistência... Silas agradeceu a informação e explicou que vínhamos justamente para colaborar no descanso de que se fazia credor. E atravessando longa fila de leitos pobres, nos quais enfermos jaziam padecentes, ao pé de alguns desencarnados em trabalho assistencial, estacamos junto de um doente esquálido e angustiado. A mortiça claridade de pequena lâmpada, destinada à vigília da noite, vimos Leo, que uma tuberculose pulmonar arrastava ao cepo da morte. Não obstante a dispnéia, mostrava o olhar calmo e lúcido, revelando perfeita conformação aos padecimentos que o conduziam ao termo da experiência.
Recomendou-nos Silas observar-lhe o corpo, entretanto, não havia muita particularidade a destacar, porquanto os pulmões quase destruídos, através de sucessivas formações cavitárias, haviam provocado tamanho abatimento orgânico, que o vaso físico sob nossos olhos não era mais que um trapo de carne, agora aberto à multiplicação de bacilos vorazes, aliados a exércitos microbianos de variada espécie, a se apinharem, dominadores, na intimidade dos tecidos, assim como inimigos implacáveis a se lhe apoderarem dos restos, senhoreando todos os postos-chaves da defensiva. Francisco Cândido Xavier – Ação e Reação – pelo Espírito André Luiz 220
Achava-se Leo, desse modo, no veículo denso, à maneira de um homem irremediavelmente condenado à expulsão da sua própria casa. Todos os sintomas da morte patenteavam-se, iniludíveis. O coração fatigado assemelhava-se a motor exausto, incapaz de liquidar os problemas da circulação sangüínea, e todos os implementos da aparelhagem respiratória esmoreciam, desnorteados, sob inexorável asfixia. Leo, moribundo, era um viajante habilitado à grande romagem, tão-somente à espera do sinal de partida. Ainda assim, estava sereno e portava-se com bravura. Tão acentuada se lhe evidenciava a acuidade mental, que quase nos percebia a presença. Silas, que lhe acariciava a fronte com a destra generosa, disse-nos, atencioso: – Já que vieram para anotar um processo de divida expirante, podem algo perguntar ao companheiro, cuja memória se revela, tanto quanto possível, consciente e vigilante. – Ouvir-nos-á, porém? – inquiriu Hilário, entre surpreso e compungido. – Não com os tímpanos da carne, contudo, assinalar-nos-á qualquer indagação em espírito – esclareceu o Assistente, afetuoso.
Dominado de intensa simpatia, inclinei-me sobre o irmão em rude prova, atraído pela fé que lhe abrilhantava as pupilas e, abraçando-o, indaguei, em voz alta: – Leo amigo, reconhece-se você no limiar da vida verdadeira? Sabe que deixará o corpo em breves horas? O interpelado, crendo raciocinar por si mesmo, registrou-me a inquirição, palavra por palavra, qual se lhe fossem transmitidas ao cérebro por fios invisíveis. E, como se conversasse a sós consigo, falou findo: Francisco Cândido Xavier – Ação e Reação – pelo Espírito André Luiz 221
– Oh! sim, a morte!... Sei que, provavelmente esta noite, chegarei ao justo fim... Desdobrando o nosso diálogo, acrescentei: – Não tem receio? – Nada posso temer... – refletiu muito calmo. E, movendo os olhos com esforço, buscou fitar na alva parede da enfermaria uma pequena escultura do Cristo crucificado, refletindo de si para consigo: – Nada posso recear, em companhia do Cristo, meu Salvador... Ele também foi vilipendiado e esquecido... Terá vomitado sangue na cruz do martírio, Ele que era puro, varado pelas chagas da ingratidão... Por que não me resignar à cruz do meu leito, suportando, sem reclamar, as golfadas de sangue que de quando em quando me anunciam a morte, eu que sou pecador necessitado da complacência divina?!... – Você é católico romano? – Sim... Meditei na sublimidade do sentimento cristão, vivo e sincero, seja qual for a escola religiosa em que se exprima, e prossegui, afagando-lhe o peito opresso: – Nesta hora de tanta significação para o seu caminho, sinto a ausência de seus familiares humanos... – Ah! meus familiares... meus afetos. . . – respondeu, falando mentalmente – meus pais teriam sido no mundo os meus únicos amigos...
No entanto, demandaram o túmulo, quando eu era simplesmente um jovem enfermo... Separado de minha mãe, vi-me entregue aos desajustes orgânicos... Logo após, meu irmão Henrique não hesitou em declarar-me incapaz... Por direito à herança, cabiam-lhe grandes bens, contudo, prevalecendo-se do meu infortúnio o mano obteve da Justiça, com meu próprio assentimento, a Francisco Cândido Xavier – Ação e Reação – pelo Espírito André Luiz 222
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.