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Capítulo 11 de 24

Federação Espírita Brasileira — parte 10 de 23

Ação e Reação · Chico Xavier, pelo espírito André Luiz

próprio Cristo aconselhou: – “Ajudai aos vossos inimigos.” Muitas vezes, penso que semelhante afirmativa, corretamente interpretada, quer assim dizer: ajudai aos vossos inimigos para que possam pagar as dívidas em que se emaranharam, restaurando o equilíbrio da vida, no qual tanto eles quanto vós sereis beneficiados pela paz. Via-se que o Assistente, com a simpatia conquistada na véspera e com a argumentação despretensiosa e límpida, lograra inequívoca superioridade moral sobre o ânimo dos obsessores de sentimento enrijecido. Ainda assim, Leonel perguntou a medo: – Que considerações são essas? será você algum padre disfarçado? intentará, porventura, a nossa modificação? – Engana-se, meu amigo – informou o Assistente –; se algo procuro, em nossa comunhão fraterna, é a minha própria renovação. E talvez porque longa pausa se fez sentir em nosso grupo, Silas continuou:

5 André Luiz põe nos lábios de sua personagem uma síntese dos v. 27 e 28 do cap. 6 de Lucas, para ser mais facilmente compreendido por aqueles Espíritos cheios de ódio, aos quais repugnaria o verbo "amar". Eles se rebelariam diante do texto completo. Seria inabilidade falar em "amar" naquele momento; mas "ajudar" a pagar foi bem aceito, porque eles queriam receber. (Nota da Editora.) Francisco Cândido Xavier – Ação e Reação – pelo Espírito André Luiz 110

– Pela sedução do dinheiro, também caí na última passagem pela Terra. A paixão da posse governava-me todos os ideais... A fascinação pelo ouro tomou-me o ser de tal modo que, apesar de ter recebido o título de médico numa universidade venerável, fugi ao exercício da profissão para vigiar os movimentos de meu velho pai, a fim de que nem ele mesmo viesse a dispor, com largueza, dos bens de nossa casa. O apego às nossas propriedades e aos nossos haveres transformou-me num réprobo do paraíso familiar, convertendo-me, ainda, num verdugo intratável, naturalmente odiado por todos os que viviam em subalternidade no vasto círculo de minha temporária dominação... Para amontoar moedas e multiplicar lucros fáceis, comecei pela crueldade e acabei nas malhas do crime... Abominei a amizade, desprezei os fracos e os pobres e, no temor de perder a fortuna cuja posse total ambicionava, não hesitei adotar a delinqüência como sócia infernal de meu terrível caminho... Ante as palavras do Assistente, enorme surpresa me tomara de improviso.

Estaria Silas reportando-se à verdade crua ou se utilizava naquela hora de recursos extremos, incriminando indevidamente a si próprio, para regenerar os carrascos que nos ouviam? De qualquer modo, eu e Hilário havíamos prometido não lhe comprometer a tarefa e, por isso, tacitamente, nos limitávamos a escutá-lo com atenção. Sentindo, decerto, que Leonel e Clarindo se mostravam um tanto comovidos, dando ensejo à assimilação de pensamentos novos, Silas convidou-nos a todos à retirada do ambiente. Pretendia dizer-nos algo de sua experiência – falou ele –, mas preferia conversar conosco ante o altar abençoado da noite, a fim de que a sua memória pudesse evocar tranqüilamente os fatos que buscaria relatar. Lá fora, as constelações resplendiam, como lares pendentes da Criação, e o vento perfumado corria, célere, como quem se Francisco Cândido Xavier – Ação e Reação – pelo Espírito André Luiz 111

propunha transportar-nos a oração ou a palavra para a Glória do Céu. Incapaz de penetrar o verdadeiro sentido da inesperada atitude que o Assistente vinha de assumir, notei-o efetivamente emocionado, qual se fixasse os olhos da alma em painéis distantes. Clarindo e Leonel, naturalmente dominados pela simpatia a se lhe irradiar do semblante, observavam-no, submissos. E Silas começou em voz pausada: – Tanto quanto posso abranger com a minha memória presente, lembro-me de que, em minha última viagem pelos domínios da carne, desde a meninice, me entreguei à paixão pelo dinheiro, o que hoje me confere a certeza de que, por muitas e muitas vezes, fui usurário terrível entre os homens da Terra. Hoje sei, por informações de instrutores abnegados, que, como de outras ocasiões, renasci na derradeira existência, num lar bafejado por grande fortuna, a fim de sofrer a tentação do ouro farto e vencê-la, a golpes de vontade firme, na lavoura incessante do amor fraterno, caindo, porém, lamentavelmente, por minha infelicidade. Era eu o filho único de um homem probo que herdara dos avoengos consideráveis bens.

Meu pai era um advogado correto que, por excesso de conforto, não se dedicava aos misteres da profissão, mas, profundamente estudioso, vivia rodeado de livros raros, entre obrigações sociais, que, de alguma sorte, lhe subtraiam a personalidade às cogitações da fé. Minha mãe, porém, era católica romana, de pensamento fervoroso e digno, e, embora sem descer conosco a qualquer disputa na esfera devocional, tentava incutir-nos o dever da beneficência. Recordo-me, com tardio arrependimento, dos reiterados convites que nos dirigia, bondosa, para que lhe palmilhássemos as tarefas de caridade cristã, convites esses que meu pai e eu recusávamos, sem discrepância, encastelados em nossa irreverência enfatuada e risonha. Minha genitora cedo percebeu que meu pobre espírito trazia consigo o azinhavre da usura e, reconhecendo que lhe seria extremamente difícil colaborar na Francisco Cândido Xavier – Ação e Reação – pelo Espírito André Luiz 112

renovação íntima de meu pai, homem já feito e desde a infância habituado à dominação financeira, concentrava em mim seus propósitos de elevação. Para isso, buscou estimular-me ao gosto pelos estudos de medicina, alegando que, ao lado do sofrimento humano, poderia eu encontrar as melhores oportunidades de auxílio ao próximo, tornando-me agradável a Deus, ainda mesmo que não me fosse possível entesourar os recursos da fé. Intimamente eu escarnecia das sagradas esperanças de quem me era a criatura mais cara ao espírito; contudo, sem poder resistir-lhe ao cerco afetivo, consagrei-me à carreira médica, muito mais interessado em explorar os enfermos ricos, cujos agravos do corpo, indiscutivelmente, me facultariam amplas vantagens materiais. Entretanto, em vésperas da vitória estudantil esperada, minha mãe, relativamente moça, despediu-se da experiência física, vitimada por um acidente de angina. Nossa dor foi enorme. Recebi meu diploma de medicina, qual se me fora ele detestada recordação, e, não obstante os estímulos da bondade paterna, não cheguei a ingressar na prática da profissão conquistada.

Recolhi-me à intimidade doméstica, de que me ausentava tão-somente para as estações de entretenimento e repouso, então mais que nunca chafurdado na sovinice, porquanto acompanhei o inventário de minha mãe, com vigilância tão rigorosa que as minhas estranhas atitudes chegaram a surpreender meu próprio pai, egoísta e displicente, mas nunca avarento quanto eu. Compreendi que a fortuna herdada me situava, para meu infortúnio moral, a cavaleiro de qualquer necessidade da vida física, por largos anos, desde que não me confiasse à dissipação... Ainda assim, quando vi meu genitor inclinado às segundas núpcias, quase aos sessenta de idade, fiz quanto pude, indiretamente, para dissuadi-lo, afastando-o de tal intento. Ele, todavia, era um homem resoluto nas decisões e desposou Aída, uma jovem da minha idade, que mal se avizinhava dos trinta anos... Recebi a madrasta como intrusa em nosso campo doméstico, e, tomando-a por aventureira comum, à caça de fortuna fácil, Francisco Cândido Xavier – Ação e Reação – pelo Espírito André Luiz 113

jurei vingar-me. Apesar das carinhosas requisições do casal e não obstante o tratamento gentil que a pobre moça me dispensava, exibia sempre um pretexto para fugir-lhe à convivência. O novo matrimônio, no entanto, passou a exigir do esposo mais dilatados sacrifícios no mundo social de que Aída não pretendia afastar-se, e foi assim que, ao término de alguns meses, meu genitor era obrigado a procurar o socorro médico, recolhendo-se, então, a necessário repouso. Acompanhava-lhe a decadência orgânica, tomado de vivas apreensões. Não era a saúde paterna que me feria a imaginação, mas sim a extensa reserva financeira de nossa casa. Na hipótese do súbito falecimento do homem que me trouxera à existência, de modo algum me resignaria a partilhar a herança com a mulher que, aos meus olhos, indebitamente ocupava o espaço de minha mãe. O Assistente fez longa pausa, enquanto lhe fixávamos o semblante melancólico. De mim mesmo, atônito, diante do que me era dado ouvir, indagava, no intimo, se tudo aquilo de fato se passara...

Fora Silas realmente o homem a quem se reportava ou compunha ele aquela história para alterar o ânimo dos perseguidores? Contudo, não me foi possível desfechar qualquer interrogação, porquanto o nosso amigo, como que desejoso de castigar-se com a dolorosa confissão, prosseguiu, pormenorizando: – Passei a arquitetar planos delituosos, quanto à melhor maneira de alijar Aída de qualquer possibilidade de ingresso futuro ao nosso patrimônio, sem melindrar meu pai doente... E nos projetos criminosos que me visitavam a cabeça, a própria morte da madrasta comparecia como solução. Entretanto, como suprimi-la sem causar maior sofrimento ao enfermo que eu desejava conservar?... Não seria aconselhável desmoralizá-la, antes de tudo, aos olhos dele, para que não padecesse qualquer saudade da mulher, condenada por mim à desvalia? Tramava no silêncio e na sombra, quando a ocasião esperada veio ao meu encontro... Convidado a Francisco Cândido Xavier – Ação e Reação – pelo Espírito André Luiz 114

comparecer com a esposa numa festividade pública, meu pai chamou-me e insistiu para que eu acompanhasse Aída, representando-lhe a autoridade. . . Pela primeira vez, acedi com prazer... Pretendia conhecer-lhe agora, de mais perto, as afeições... Funestos propósitos nasciam-me no crânio... Desse modo, durante alegre ágape, tomei contacto com Armando, primo de minha madrasta e que a cortejara em solteira. Armando era um rapaz pouco mais velho que eu, perdulário e fanfarrão, que dividia o tempo entre mulheres e taças espumantes, a quem contrariamente aos meus hábitos, ofereci premeditada comunhão afetiva... Tanto quanto possível, dominando moralmente o ânimo de meu pai, desde então o associei ao nosso campo doméstico, favorecendolhe o mais amplo retorno à intimidade com a criatura de quem se havia enamorado, anos antes. A praia, o teatro, o cinema, bem como passeios de variados matizes, eram agora os pontos costumeiros de nossa presença, nos quais intencionalmente eu atirava os dois primos nos braços um do outro... Aída não me percebeu a manobra e, embora resistisse, por mais de um ano, à galanteria do companheiro, acabou por ceder à constante ofensiva dele...

Fingi desconhecer-lhes as relações até que eu pudesse conduzir meu pai ao testemunho direto dos acontecimentos... Inventava jogos e distrações para reter o sedutor em nossa casa... Captei-lhe a confiança absoluta, de modo a usá-lo como peça importante em meu criminoso ardil e, certa noite, em que, cauteloso, aparentei completa ausência de nosso templo familiar, sabendo os amantes segregados em determinado aposento contíguo ao meu, procurei meu pai em sua dependência de enfermo e, mascarando-me com intensa dignidade ofendida, chamei-o a brios, numa exposição sintética dos fatos... Lívido e trêmulo, o doente exigiu provas e nada mais fiz que conduzi-lo, cambaleante, até à porta do quarto, cujo fecho eu próprio deixara enfraquecido... Bastou um empurrão mais forte e meu genitor, desolado, encontrou o flagrante que eu desejava... Armando, cínico, não obstante o desapontamento, Francisco Cândido Xavier – Ação e Reação – pelo Espírito André Luiz 115

afastou-se, lépido, ciente de que não poderia esperar qualquer golpe grave de um sexagenário abatido... Minha madrasta, porém, profundamente ferida em seu amor próprio, dirigiu ao velho esposo acusações humilhantes, procurando os seus aposentos particulares, numa explosão de amargura. Completando a obra terrível a que me devotara, mostrei-me mais carinhoso para com o enfermo, intimamente aniquilado... Duas semanas arrastaram-se pesadas para a nossa equipe familiar... Enquanto Aída ocupava o leito, assistida por dois médicos de nossa confiança, que nem de longe nos conheciam a tragédia oculta, afagava meu pai com lamentações e sugestões indiretas para que os bens de nossa casa fossem, na maioria, guardados em meu nome, já que o segundo matrimônio não poderia desfazer-se, perante as autoridades legais. Prosseguia em minha faina delituosa, quando minha madrasta apareceu morta... Os clínicos de nossa amizade positivaram um envenenamento fulminante e, constrangidos, notificaram a meu pai tratar-se de um suicídio, decerto motivado pela insofreável neurastenia de que a doente se via objeto. Meu genitor estava mais sombrio nos aparatosos funerais, contudo, em meus destruidores propósitos, regozijei-me...

Agora, sim... a fortuna total de nossa casa passaria a pertencer-me... Minha satânica alegria, porém, durou muito pouco... Desde a morte da segunda mulher, meu pai acamou-se para não mais se erguer... Debalde, médicos e padres amigos procuraram oferecer-lhe melhoras e consolações... Ao fim de dois meses, meu pai, que nunca mais sorriu, entrou em dolorosa agonia, na qual, através de confidência entrecortada de lágrimas, me confessou haver envenenado Aída, administrando-lhe violento tóxico no calmante habitual. Isso, no entanto – assegurava-me vencido –, impunha-lhe também a morte, de vez que não conseguia perdoar a si mesmo, passando a carregar consigo um fardo de remorso constante e intolerável... Pela primeira vez, minha consciência doeu fundo. O apego aos bens da carne arrasava-me a vida... O velho querido morreu nos meus braços, crendo que os Francisco Cândido Xavier – Ação e Reação – pelo Espírito André Luiz 116

meus soluços de arrependimento fossem pranto de amor. Deixando-lhe o corpo fatigado na terra fria, tornei a nossa casa solarenga, sentindo-me o mais infortunado dos seres... O ouro integral do mundo não me garantiria agora o mais leve consolo. Achava-me sozinho, sozinho e... infinitamente desgraçado. Todos os recantos e pertences de nossa habitação falavam-me de crime e remorso... Muitas vezes, a sombra noturna pareceu-me povoada de fantasmas horripilantes a escarnecerem de minha dor, e, em meio da malta de insensíveis demônios, a investirem contra mim, tinha a idéia de escutar a voz inconfundível de meu pai, clamando para minhalma: – “Meu filho! meu filho! recua enquanto é tempo.” Fiz-me arredio, desconfiado... Em pavorosa crise moral, demandei à Europa, em longa viagem de recreio, mas o encanto das grandes cidades do Velho Mundo não conseguiu aliviar-me as chagas interiores. Em toda a parte, a refeição mais nobre amargava-me na boca e os mais belos espetáculos artísticos deixavam-me apenas ansiedade e desolação. Regressei ao Brasil, mas não tive coragem de retomar a intimidade com a nossa antiga residência.

Amparado pela afeição de velho amigo de meu genitor, aceitei-lhe o acolhimento, por alguns dias, até que minha saúde orgânica me permitisse pensar numa transformação radical da existência... Embalado pelo carinho familiar daquele amigo, deixei que longos meses passassem, tentando imerecida fuga mental... até que, numa noite inolvidável para mim, na qual minha gastralgia se transformara num azorrague de dor, tomei de um frasco de arsênico na adega de meu anfitrião, acreditando usar o bicarbonato de sódio que ali deixara na véspera, e o veneno expulsou-me do corpo, impondome sofrimentos terríveis... Qual acontecera à minha madrasta, que desencarnara em padecimentos atrozes, eu também passei pela morte em condições análogas... E os amigos que me asilavam no templo doméstico, desconhecendo o equívoco de que eu fora vítima, admitiram, sem qualquer sombra de dúvida, que eu buscara no suicídio a extinção das penas morais que me castigavam a Francisco Cândido Xavier – Ação e Reação – pelo Espírito André Luiz 117

alma de “moço rico e entediado da vida”, segundo a versão a que deram curso. Silas relanceou o olhar tristonho sobre nós, como quem procurava o efeito de suas palavras, e prosseguiu: – Isso, porém, não bastou para ressarcir minhas tremendas culpas... Dementado, depois do sepulcro, atravessei meses cruéis de terror e desequilíbrio, entre os quadros vivos a se me exteriorizarem da mente algemada às criações de si própria, até que fui socorrido por amigos de meu pai, que se achava igualmente a caminho da sua recuperação, e, unindo-me a ele, passei a empenhar todas as minhas energias na preparação do futuro... Transcorridos alguns instantes de pesado silêncio, concluiu: – Como vêem, a fascinação pelo ouro foi o motivo de minha perda. Tenho necessidade de grande esforço no bem e de fé vigorosa para não cair outra vez, porquanto é indispensável me consagre a nova experiência entre os homens... Leonel e Clarindo não se achavam mais surpreendidos que eu e Hilário, habituados a encontrar, em Silas, um admirável companheiro, aparentemente sem aflição e sem problemas.

Foi Leonel quem rompeu a pausa, perguntando ao Assistente que emudecera, qual se fora subjugado pela força das próprias reminiscências: – Voltará, então, para a carne, assim tão breve? – Oh! quem me dera a ventura de regressar tão apressadamente quanto possível!... – suspirou o chefe de nossa expedição, algo ansioso. – O devedor está inelutavelmente ligado ao interesse dos credores... Assim, antes de tudo, é imprescindível venha a encontrar minha madrasta, no vasto país de sombra em que nos achamos, para encetar a difícil tarefa de minha liberação moral. – Como assim? – perguntei, emocionado. Francisco Cândido Xavier – Ação e Reação – pelo Espírito André Luiz 118

– Sim, meu amigo – falou Silas, abraçando-me –, meu caso não aproveita simplesmente a Clarindo e Leonel, que procuram a justiça pelas próprias mãos, o que, muitas vezes, apenas significa violência e crueldade, mas também a Hilário e a você que estudam presentemente a lei do carma, ou seja, da ação e reação... Aqui somos impelidos a recordar novamente a lição do Senhor: “ajudai aos vossos inimigos”, porque, sem que eu mesmo auxilie a mulher em cujo coração criei uma importante adversária de minha paz, não posso receber-lhe o auxílio fraterno, sem o qual não reconquistarei minha serenidade... Vali-me da fraqueza de Aída para arrojá-la ao despenhadeiro da perturbação, fazendo-a mais frágil do que já era em si mesma...

Agora, eu e meu pai, que lhe complicamos o caminho, somos naturalmente constrangidos a buscá-la, soerguê-la, ampará-la e restituir-lhe o equilíbrio relativo na Terra, para que venhamos a solver, pelo menos em parte, a nossa imensa dívida... – Seu pai? referiu-se a seu pai? – inquiriu Hilário, afoito. – Sim, como não? – retrucou o Assistente – meu pai e eu, assistidos por minha mãe, hoje nossa benfeitora nas Esferas Mais Altas, estamos associados no mesmo empreendimento – nossa própria regeneração moral, em busca do levantamento de Aída –, sem o que não conseguiremos desintegrar o visco envenenado do remorso que nos aprisiona o campo mental nas faixas inferiores da vida terrestre. É assim que nos cabe reencontrá-la, a beneficio de nós mesmos... Tão logo a Divina Misericórdia nos permita semelhante felicidade, meu genitor, envolvido no amor e na renúncia de minha mãe que, com ele, retornará às lides da carne, vestir-se-á de nova expressão corpórea no plano das formas físicas e, ambos, na mocidade terrena, retomando os laços humanos do casamento, recolher-nos-ão por filhos abençoados... Aída e eu seremos irmãos nas teias consangüíneas... Consoante nossas aspirações que o Céu protegerá, à face da Magnanimidade Divina, Francisco Cândido Xavier – Ação e Reação – pelo Espírito André Luiz 119

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