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Capítulo 9 de 15

D E U S — parte 8 de 14

O Céu Maravilhoso · Osvaldo Polidoro

O antigo pastor ficou atônito, e com doçura o médico falou, ao despedirse: – Faça como Jesus ensinou, tomando a cruz dos próprios deveres evolutivos, lembrando-se de que Ele não recorreu a expedientes ilusórios. E para assim fazer, procure sujeitar os interesses sectários às Verdades Divinas, em lugar de querer em contrário, como o fazem os religiosismos terrestres. Lembre-se dos Fatos de Deus, em lugar de andar lendo como regras absolutas, os conceitos de homens que, embora bem intencionados, disseram e dizem, através das Escrituras, coisas que não representam verdades absolutas. Saiba que muitos dos que escreveram de um modo, nos longínquos dias, tiveram que voltar à arena do mundo, para dizer de modo diferente, para tratar da Verdade com outros quilates interpretativos. E se quiser ser mais prudente, lembre-se dos infindos mundos e das infindas humanidades, pois Deus não é Pai Divino de uns e padrasto de outros. – Isto é maravilhoso!... – exclamou alguém do grupo. E o médico, já subindo, acrescentou: – Os homens inferiores, de diferentes mundos, continentes, países, raças e povos, dividem-se e brigam por suas diversas mesquinharias, mas terão que responder, queiram ou não, perante Uma Única Justiça Divina! Já em certa altura, perdeu a personagem de Bezerra, porque transformou-se no Apóstolo que fora médico e pintor. Nós ficamos rente ao chão, a meditar, reconhecendo que ele sabia muito mais, da Doutrina da Verdade e do Cristo Modelo, do que sabem, pensam e fazem, os fanáticos das igrejinhas terrenas. Os outros médicos fizeram trabalhos, com instrumentos e elementos astrais, nos respectivos corpos astrais dos encarnados precisantes. E quando chegou a hora de rumar aos nossos respectivos lugares e afazeres, Celestino fez um breve comentário e agradeceu a Deus e a Jesus Cristo, os aprendizados do momento. – Sabia – perguntou-lhe alguém – que viria encontrar aqui o Apóstolo do coração e da mulher?... Celestino respondeu, de pronto: – Eu não sabia, mas estou sempre pronto a receber as bênçãos de Deus, que chegam através de Seus filhos maiores. E mais ainda, pois vivo sentindo a presença de Deus, a Essência que emana, sustenta e destina, acima e fora de manias sectárias. Os sectarismos são armas boas para os exploradores da fé cega, mas jamais para os servidores da Verdade, do Amor e da Virtude. E ali terminou a jornada, pois sempre havia, para depois de tais aprendizados um longo período meditativo, um tempo oferecido pela

Administração, para que os aprendizes pudessem raciocinar à vontade, para irem mudando de opinião.

Capítulo XII

No dia seguinte, segundo as medidas terrenas de tempo, que são determinadas pela rotação da Terra ao redor do Sol, fomos visitar um Centro Espírita, uma reunião de cultivadores do Batismo de Espírito, mas em moldes diferentes da anterior, onde prevaleciam faculdades muito mais interessantes. Poderíamos planar na luz espiritual, fora da feia escuridão reinante imposta pelos encarnados, mas o fato de terem que lidar os Guias com o plano carnal, obrigou-nos a todos ao rebaixamento do nível vibratório. Tudo escuro e segundo a incorporação, nada mais do que isso, com duas doutrinações de espíritos inconscientes, tal foi o que se viu. Também, não fora de melhor padrão o nível vibratório geral, porque o Guia do Centro, sendo um espírito de nome retumbante, era na hierarquia espiritual bem pouco suficiente. Muito de rótulo e pouco de essência, e é bom que se note isto, porque muito influi no modo geral dos trabalhos, em virtude de tudo girar em torno do Patrono. Podem dizer os encarnados como bem queiram, interpretando a questão a seu talante, mas o fator imperativo é de ordem intelecto-moral, e, conseguintemente, os dois presidentes, o encarnado e o desencarnado, imperam diretamente na construção do padrão vibratório reinante. E ninguém estranhe, dizendo eu que, sendo o propósito de reunir de ordem humana encarnada, ter que prevalecer a determinante vibratória ditada pelos encarnados, principalmente pelo que presidir os trabalhos. E com isto, dizemos da indispensável moralização dos dirigentes de Centros, além de lembrar a necessidade de bons conhecimentos doutrinários. O farisaísmo pode aparecer e aparece, de fato, em todos os campos de atividade, ressaltando as aparências, os longos discursos histéricos, as manias de mandonismo, as futricas, os linguarudismos, os ciúmes, as invejas, as vaidades, de modo que, aos poucos, um grupinho de petulantes acaba se acreditando a guarda dos princípios doutrinários e da consciência dos espíritas em geral. Depois de assim estarem desequilibrados, perdido o senso da

autocrítica, perdem a noção do ridículo e nada lhes custa pensar que, se não fossem eles, a Doutrina estaria perdida. Muitos são os que começam dizendo que a Verdade não é propriedade particular de quem quer que seja, e por fim acabam se acreditando os tais que representam a Verdade. A história das iniciações está empanturrada desses tristes episódios; sempre foi esse o modo de corrupção mais fácil. Falam demais, exigem dos outros tudo quanto podem e nada realmente sabem e podem, porque os fatos provam que são os vazios de Espírito, os distanciados das boas atenções do mundo espiritual superior. Quase sempre, como pode ser observado por quem tenha faculdades para tanto, são escribas e fariseus de outros tempos, que pediram novas oportunidades no campo doutrinário e de novo fracassam, porque cedem a espíritos iguais, paralelos vibratoriamente. Querem falar em nome do Céu, tomam atitudes patéticas, mas atrás deles são vistos os enegrecidos sacerdotes, escribas e fariseus hipócritas de outros tempos. É de bom alvitre pensar bastante sobre a Doutrina da Verdade que Livra, como realidade que é do Infinito e da Eternidade, dos mundos e intermundos, das humanidades encarnadas e desencarnadas, e que um homem ou um grupo deles, quando muito pode ser partícula infinitesimal da Seara, grão de areia no cômputo da Obra Total. E se alguém quiser saber o modo mais fácil de evitar os mais feios atos de petulância, evite os postos de mando, ou mande como quem está obedecendo a Deus, que através das Duas Testemunhas, a Lei e o Cristo Modelo, de tudo encareceu as obrigações a serem cumpridas, porque os resultados dependerão, sempre, da Imaculada Justiça, com a qual ninguém jamais irá discutir. Isto dizemos por quê? Simplesmente porque, saindo a visitar muitas Casas Espíritas, de falácias e aparências muito encontramos, porém de Espiritismo, de Profetismo Generalizado, quase nada vimos. Os médiuns ou profetas, ou aqueles que, por suas faculdades, as gentes realmente poderiam entrar em contato com o Céu, esses foram encontrados em tão pouco número, que deu para alguém dizer, da comitiva, que os espíritas, já contando com tantos livros, nem por isso fazem menos coisas erradas. Aparências e superficialidades, ignorâncias e dúvidas, invejas e ciumeiras repugnantes, isso sim, comanda a grande parte, lidera o movimento de indivíduos e de grupos. Entretanto, fomos encontrar bons trabalhadores nas gentes mais simples e sem contato com os ambientes rotulados e mandonistas. Elementos simples, muitas vezes pobrezinhos, afastados de pseudo-importâncias, mas onde o caráter e as faculdades se manifestavam e se manifestam intensamente, e, bem por isso, servem à Causa servindo aos precisados de bons trabalhos proféticos ou mediúnicos, isso que define e caracteriza a Doutrina da Verdade que Livra, pois os outros campos de trabalho têm os seus apóstolos. Disto

deviam capacitar-se, de uma vez para sempre e de modo marcante, os que militam na Seara da Verdade: que aos mediunismos em geral, e ao Espiritismo em particular, cabe a tarefa de advertir, ilustrar e consolar, reconhecendo que, para consolar de fato, faz-se mister as verdadeiras filtrações mediúnicas. Caso contrário, virão a ser como os rotulismos clericais e as fanáticas manias protestantes, onde nada sai da casca ou do rótulo, sem ser quanto ao fato de, em nome de um diabo que nunca existiu, porque Deus não tem concorrente, andarem a explorar e a burrificar legiões de tolos e simplórios que existem realmente. Foi diante de uma irmã, em casa paupérrima, que o antigo pastor ficou encantado. Ela apanhou a Bíblia e leu cinco trechos do Livro dos Atos, depois entrou a comentá-los, afirmando que Jesus veio transmitir a Divina Modelagem e a Generalização da Revelação, e que os cristãos, por serem falsificados, vivem falando que o Divino Molde realmente existiu, mas esquecem-se de imitá-Lo nas obras e de cultivar a Revelação, o instrumento de advertência, ilustração e consolo. – Realmente – disse ele – os cristãos vivem para afirmar que Jesus disse e fez isto e mais aquilo, mas na hora de imitar, ou procurar saber como fez, de que leis e elementos lançou mão e o porquê de ter feito, ficam de longe, curtindo ignorâncias e hipocrisias, mentindo a si mesmos e aos semelhantes. Celestino, sorrindo, comentou: – Jesus, deixando a Divina Modelagem e o Batismo de Revelação, é o Fato Divino que os homens, por ignorância ou hipocrisia, transformam em fábrica de divisionismos, comercialismos idólatras e até mesmo em blasfêmias contra a Vontade de Deus. Enquanto ativou leis e elementos, para produzir fatos comprovantes de que dispunha realmente do Espírito Sem Medida; enquanto, no Pentecostes, Batizou em Espírito ou Revelação, para deixar uma Doutrina Viva e Permanente; enquanto os Seus seguidores foram mundo afora levando a notícia do Cristo, do Batismo de Espírito e dos seus práticos resultados proféticos, que passaram a fazer os homens depois que Roma, no quarto século, corrompeu a Doutrina Pura? Vivamente interessado, o antigo pastor considerou: – Devemos reconhecer, a bem do respeito que devemos ao que é Verdade por Deus e não pelos homens, que os três pilares do Cristianismo são: a Lei de Deus, a Divina Modelagem do Cristo e o Batismo de Espírito ou Generalização da Revelação. E como venho a reconhecer a lei das vidas sucessivas, para a união vibratória com o Princípio Sagrado, e não para as salvações de favor, afirmo o meu desejo de voltar à carne, para trabalhar a bem do Cristianismo do Cristo. Se for da Vontade de Deus, que eu volte e trabalhe para esse fim, muito ficarei satisfeito.

Celestino sorriu e fitou-o, sem falar. E o antigo pastor, curioso, perguntou: – Que significa, bondoso irmão, esse enigmático sorriso? Com tristeza, o instrutor respondeu: – É mais um que chega e se arrepende... Bom seria que o fizesse por lá, antes de vir para cá... Nada mais, meu caro irmão. O antigo pastor baixou a cabeça, todos ficamos a meditar e sob contrição despedimo-nos. A Justiça Divina, que não faz discursos, mais uma vez falava alto sobre a Verdade que livra.

Capítulo XIII

Uma Lei Geral, de Ordem Moral, rege a Emanação; e é por isso que afirmamos aos homens, nossos irmãos, que a função do Profetismo Generalizado é dar testemunho da Suprema Ordem, que é a Ordem Moral do Universo. Porque tudo, e todos os movimentos, estão sujeitos a essa Ordem Fundamental. É lastimável quando, em nome da Verdade Fundamental, alguns trabalhadores, ou que pensam ser, dão-se a terçar divagações pseudocientíficas, ou a encher livros com palavras técnicas do plano material ou temporal, querendo com isso significar que são mestres de espiritualidade, ou que a Ordem Moral com isso é que terá de contar, para divinizar os espíritos. Fica bem lembrado isto: ao entrar na fase de conclusão dos trabalhos restauradores da Excelsa Doutrina, cumpre saber que a VERDADE é mais do que a Ciência, o AMOR é mais do que a Filosofia e a VIRTUDE é mais do que a Religião. Isto é, a Essência é mais do que o simples rótulo! Como a humanidade está marchando, dentro do período de transição, para a fase de maturidade, ou segunda meia-idade, importa considerar a Ordem Moral acima de tudo, pois os desmoralizados não serão contados entre as ovelhas que hão de herdar a Terra dos futuros ciclos, ainda que sejam ou pensem ser sábios do mundo. E assim reconhecendo, ressaltamos bem, importa atender à Lei Única e Geral, que Governa a chamada Criação, deixando de dar importância aos divisionismos que caracterizam os movimentos superficiais. Chegou a hora, neste planeta, de dar importância ao que é Fundamental, para deixar atrás ao que é superficial. O que é Divino deve subir e o que é humano deve baixar. E assim fazendo, ou agindo, os homens estarão divinizando suas consciências, para merecer a Terra dos melhores dias, e no plano espiritual, ao desencarnar, deixarem de ser habitantes das trevas ou dos planos inferiores, embora de paz.

Estávamos dando ouvidos ao Apóstolo que desceu ao nosso plano, para falar de tais questões no recinto de conferências, quando se achegou a nós um dos servidores do departamento de socorros aos recém-desencarnados, e ali ficou, calado e aguardando a hora de falar. Assim que o Apóstolo terminou a fala, ele disse ao antigo pastor: – O reverendo X acaba de chegar, e, como foram bons amigos, a direção manda dizer-lhe para que vá até ele, para uma boa conversa de boas-vindas. O antigo pastor ficou algo de intrigado, indagando: – Mas ele também só merece isto aqui?!... O informante respondeu, perguntando: – Desde quando a Justiça Divina se engana? O antigo pastor murmurou: – Era um excelente homem!... O informante advertiu: – Mas não era um cristão de fato, e sim de certo quilate... Apenas de certo quilate... E por isso, mereceu o que lhe é dado. Perguntamos se era possível acompanhar o antigo pastor na visita ao reverendo recém-vindo. E como o informante disse que tudo tinha caráter de aula, ficamos satisfeitos e fomos com ele. O pavilhão onde se encontrava era o dos alucinados, e, sabendo disso, fomos ao encontro do reverendo com algum cuidado. O doente porta-se como doente e quem com ele tiver tratos, deve saber como fazê-lo. E é bom salientar, que nem todos nem sempre, se está bem para lidar com certa classe de doentes ou desequilibrados. – Vá sozinho a ele – comandou o médico-chefe do pavilhão – pois está variando um pouco. Cumprimente-o, apenas, assim que ele abrir os olhos, e se achar a medida certa, para aconselhá-lo, faça-o do melhor modo. O pastor foi, ficou perto do leito alvíssimo onde se encontrava acamado o reverendo e aguardou que o mesmo abrisse os olhos. Entretanto, quando este abriu os olhos e viu o pastor, alucinado começou a gritar: – Vai-te Satanás!... Vai-te Maligno!... Eu sei que o pastor já foi para Jesus!... O antigo pastor ficou imóvel, aturdido, e o reverendo continuava a gritar, mas agora gesticulando e procurando algo: – Quero uma Bíblia!... Hei de lhe enfiar a Bíblia na boca!... Tragam-me a Bíblia!... A Bíblia!... O médico-chefe convidou-nos:

– Vamos rodeá-lo e orar. Rodeamo-lo e começamos a orar, enquanto o pobre reverendo continuava a gritar por uma Bíblia. Sucede que, passando o tempo, e vendo ele mais pessoas ao redor do leito, começou a olhar com ares investigadores, até que perguntou: – Onde estou e que faço aqui?!... O antigo pastor adiantou-se e disse, com bondade e observação: – Está morto, se assim quiser falar, ou desencarnado, e hospitalizado num dos hospitais do Espaço, ou de um dos Céus. E procure compreender o que Deus quer que seja, para não dizer coisas ridículas. Eu sou o seu irmão e amigo, e aqui fui convidado a vir, para que reconheça a própria desencarnação... – Mas isso é dos espíritas!... – bramiu ele, com os olhos esbugalhados. Sorrindo, o antigo pastor atalhou: – Não, não. Desencarnar não é privilégio de quem quer que seja. Todos os que encarnam, um dia deverão desencarnar, e é bom você começar a pensar de outro modo, porque as manias do mundo por aqui não formam de modo algum, nas pessoas que pretendem ser decentes... Num repente, sentou-se o reverendo na cama, olhou para os lados e perguntou: – E onde está Jesus!... Não é Jesus quem recebe os crentes?!... O antigo pastor foi-lhe dizendo: – Deus tudo rege através de leis fundamentais e a função dos Diretores Planetários é dirigir a parte intelecto-moral, através dos escalões hierárquicos ou dos Seus imediatos. Não faltam por aqui as organizações socorristas e os departamentos de ensino, e quem quiser estar bem o mais depressa possível, deve procurar compreender o que Deus manda, através de Suas Divinas Leis. – Mas os crentes não saem prontos do mundo, para o Reino de Jesus?!... – bradou ele, revelando tremenda desconfiança. – Todos temos tido muitas vidas, e muitas teremos que ter ainda, antes de chegar ao Reino de Jesus. O problema não é de salvação e sim de autocristificação, e a esse conhecimento e a essa realidade todos deverão chegar, custe o que custar. A essa explicação do antigo pastor, o reverendo nada respondeu, tendo baixado a cabeça e caído em meditação. E foi o médico-chefe quem foi a ele, para dizer: – Lembre-se de que está no Reino de Jesus, embora em mínima porcentagem. Não poderá gozar de toda a Paz e de toda a Glória daquele

Reino, mas deve ir-se preparando para isso, como todos os que ainda se encontram em processo evolutivo, e isso terá que fazê-lo, respeitando os Fatos de Deus. – Estou desarvorado!... Desarvorado!... – gemeu ele, abanando a cabeça. – Procure orar... – aconselhou o médico-chefe. – Adianta orar depois de morto?!... – replicou ele, provando com isso que estava realmente escravizado aos conceitos errados do seu modo de credo. O médico-chefe ensinou: – Deus é Onipresente, Onisciente e Onipotente, e Seus filhos, encarnados ou desencarnados, da Terra ou do Infinito, de Agora ou da Eternidade, onde quer que estejam, podem e devem orar, porque a oração é o exercício intelecto-moral que facilita entrar em sintonia com Suas Divinas Virtudes. Quem ora com pureza faz vibrar dentro de si mesmo, os Poderes Divinos que ali estão. E é por isso que a oração é, como alguns dizem, o pão das almas, sejam encarnadas ou não, pois as Leis Divinas pairam acima dessas mediocridades religiosistas. – Francamente!... – disse o reverendo, calando-se a seguir. O antigo pastor olhou para o médico-chefe e encolheu os ombros, como quem diz que não sabe mais o que fazer; e o médico aconselhou: – Convém que o irmão reverendo durma algumas horas, para acordar com melhores disposições e vontade de aprender as verdadeiras verdades de Deus. – Estou realmente cansado... – disse ele. O médico colocou-lhe a mão sobre a cabeça e começou a orar, e enquanto uma suave música se fazia ouvir, e umas azulinas ondas bailavam no ar, o reverendo foi caindo em sono profundo. – Podemos ir agora – comandou o médico-chefe – pois é mais um que mereceu ser recolhido, embora tenha que se adaptar à realidade, com mais ou menos custo, em virtude das falsas lições do religiosismo terreno. O antigo pastor, sorrindo com malícia, interpôs: – Dentro de breves dias, será mais um a querer se comunicar com os encarnados, para lhes dizer que a razão está com Deus!... E os encarnados, embrutecidos pelos seus recalques religiosistas, dirão que o diabo não cessa de tentá-los! E com isso, a todos os segundos, a morte fornecerá ignorantes e desiludidos aos planos espirituais. – É lastimável – acrescentou o mais idoso do grupo, e homem que nada tivera com religiosismos quaisquer, pois se dizia descrente enquanto encarnado – é lastimável que os fanatismos sectários embruteçam nas

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