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Capítulo 7 de 13
Índice — parte 6 de 12
Lei Graça e Verdade · Osvaldo Polidoro
Quando a jovem chegou a seu domicílio, pensou em não dar informes a seus familiares, de tudo quanto se dera; suas maneiras, entretanto, faziam perceber que algo de anormal e agradável ocorrera. Estava muito alegre, vibrante, imaginosa e risonha, distraída e distante, sonhadora e expectante. Sua mãe, indo-lhe no encalço, sorrindo, perguntou-lhe: — Encontraste o teu amor minha filha? Teu semblante fala a linguagem que tua boca não quer pronunciar. Sou tua mãe... Dize-me o que se passa contigo, para que eu parti-lhe de tuas alegrias e, se necessário, possa dar-te algum conselho. Ela olhou bem para o semblante materno, ávido de informes, titubeando em dizer o que lhe ia pela alma. Todavia, concluiu que mais tarde ou mais cedo teriam todos que vir a saber, tendo então explicado: — Mamãe, não foi o meu amor o que encontrei, mas sim, creio, um pouco mais de verdades, dessas verdades que, acumuladas, perfazem a VERDADE. Na casa onde tratam de mim, por causa de meus ataques, há um rapaz que tem o dom de ver os espíritos. Esse rapaz transmitiu-me palavras de real elevação, creio que verdadeiras mensagens do CÉU... Antes que a moça terminasse a sua exposição, a mãe interferiu: — Espiritismo?! A jovem replicou, mansamente: — REVELAÇÃO... Grandes conhecimentos da Escritura e a GRAÇA da REVELAÇÃO. O que nós temos, os protestantes, é medo da palavra Espiritismo, é superstição, é o produto da ignorância. A mãe, estupefata, perguntou-lhe: — Será?... Será, minha filha?!... Nossos pastores dizem outras coisas... Sem bosquejar, a jovem perguntou-lhe: — Outros pastores, também presumidos, não deram antes a morte aos profetas e a Jesus Cristo? A mesma VERDADE que glorificou a vida de Jesus, pelo fato de conhecê-La, não foi aquela que armou o braço dos assassinos, pelo fato de a ignorarem? Tudo não é questão de conhecer ou ignorar? Jesus não era o mesmo para os Apóstolos? Entretanto, por que motivo Judas O entregou, Pedro O negou e Tomé necessitou apalpá-Lo, para crer? — Minha filha! — disse a mãe, perturbada — És inteligente e mais conhecedora do que eu. Estudaste mais, tens lido muito... Mas, pensa, que dirão teu pai e irmãos, nossos parentes e os crentes? Abanando a cabeça, em sinal de pena, a jovem perguntou à genitora: — É possível servir a dois senhores, sem fazer obra de hipocrisia? Se Jesus rompeu com o Templo, a ponto de vir a encontrar em seus donos os Seus assassinos, se abandonou Sua família, para tratar da imensa família humana; e se encontrou em doze homens três falhas, por que devo eu temer os juízos do mundo, quando se trata de respeitar a GRAÇAe a VERDADE trazida por Jesus Cristo? — Acaso não tens o Evangelho, minha filha?! — perguntou-lhe a mãe, admirada. — Que é o Evangelho, mamãe? — disse-lhe a filha, sorrindo com doçura. Sem raciocinar, respondeu-lhe a mãe: — É a VERDADE, não é?... — O evangelho, mamãe, fala sobre a VERDADE, ensina o CAMINHODAVERDADE, mas não é a VERDADE. As obras de Jesus Cristo é que são exemplos vivos de VERDADE. E as obras de Jesus tiveram por base a LEI e a REVELAÇÃO. — E quem nega isso? — perguntou-lhe a mãe, perplexa. Pronta foi a resposta, porque a jovem estava sendo inspirada: — Negam isso, mamãe, aqueles que agora dizem ser o contato com os espíritos coisa diabólica, mesmo sabendo que Jesus Cristo veio ao mundo para batizar em Espírito; mesmo sabendo, mamãe, que a igreja de Jesus é fundamentada na REVELAÇÃO, como o provam os dois primeiros capítulos do Livro dos Atos e os capítulos doze, treze e quatorze da Primeira Carta de Paulo aos Coríntios. Negam isso, mamãe, todos aqueles que se dizem cristãos, enquanto fazem a obra do antiCristo, porque negam a REVELAÇÃO, praticam a idolatria e a conversa fútil, a superstição e o comercialismo clerical. — Que Jesus te guie, minha filha, pelos caminhos da VERDADE... Eu não sei como te falar, sabendo apenas que sempre foste inteligente e muito boa filha. A filha abraçou a mãe, beijou-a ternamente, murmurou-lhe no ouvido: — Jesus continua sendo crucificado pelas convenções do mundo... Se alguns homens ficam a par dos verdadeiros Apóstolos, outros ficam ao lado dos Arimatéias e Nicodemos, ficando a maioria com os donos do Sinédrio, com Caifás e Anás, com os Pilatos e os Herodes... Eu irei, minha mãe, procurar a VERDADEonde quer que esteja, para bem servir a DEUS através de Seus filhos. Alegra-te comigo, porque a mentira não vicejou jamais na minha alma. Soube até hoje o que pude, e honrei o que soube, vivendo para acreditar nos meus pais e nos meus pastores. Creio que é chegada a hora, mamãe, em que devo pensar por mim mesma, para melhor acreditar em DEUS e melhor servir a Jesus Cristo. Julgando estar certa, disse-lhe a mãe: —Jesus já está servido, minha filha; nós é que não estamos, porque ainda estamos no mundo, sem saber como terminaremos nossos dias, se com mais ou menos pecados na alma. A filha abanou a cabeça, em sinal desaprovador, explicando: — Não está certo isso, mamãe. O Evangelho de Jesus Cristo, que é o cultivo da LEI e da REVELAÇÃO, deve se estender até às extremidades da Terra, conforme está escrito. E como a senhora sabe, tudo isso ainda não se realizou, porque a corrupção tomou o lugar do verdadeiro Cristianismo. Devemos, portanto, empreender o serviço apostolar, com todas as forças do cérebro e do coração, para iluminar o mundo com as luzes da VERDADE. E, como é concludente, o instrumento de ilustração deixado por Jesus foi a GRAÇA por Ele trazida, que é a REVELAÇÃO. Pensativa, a progenitora balbuciou: — Paulo diz, numa de suas Cartas, que não pregou o Evangelho de palavras, mas com grande evidência de sinais e prodígios, em virtude do Espírito Santo. Todavia, minha filha, que seria o Espírito Santo? Inspirada, a jovem respondeu, esclarecendo: — O velho testamento está cheio de referências a anjos ou espíritos que transmitiram mensagens aos homens, através dos profetas ou médiuns; um anjo ou espírito, chamado Gabriel, anunciou o nascimento de João Batista e de Jesus Cristo; mais tarde, no alto do Monte Tabor, Jesus e três discípulos tiveram contato com Moisés e Elias; o Divino Mestre continuou, depois de morto na cruz, a se comunicar com os discípulos; o Livro dos Atos e as Epístolas estão cheios de contato com o mundo espiritual, além de João Evangelista advertir, numa das suas Epístolas, para que se observe o melhor discernimento, a fim de saber se os espíritos são ou não de DEUS. Como a senhora poderá ver, a Bíblia é um Livro que tudo deve à REVELAÇÃO. Se contém suas falhas, porque sofreu queimas e corrupções, traduções e desvios, além de ter sido feita por muitos homens, sendo que cada qual entende como pode, isso tudo prova que ela é o produto da REVELAÇÃO. Demais, outros Livros Sagrados existem, escritos por outros Grandes Mestres, que também foram Missionários sobre a Terra, milhares e milhares de anos antes da vinda de Jesus Cristo. Ora, como DEUS nunca foi diferente, devemos respeito a tudo quanto é de DEUS. E sem os espíritos comunicantes, como haveria a Revelação? Apaziguada em seu ânimo de mãe, falou à filha: — É incontestável que DEUS tem sido sempre igual e que Jesus teve muitos precursores. Também nós, minha filha, temos João Huss e Lutero como grandes Missionários, pelo fato de terem trabalhado pela reforma, a fim de por paradeiro aos erros de Roma e encher a Terra de Evangelhos e Bíblias. Carinhosa, a filha disse-lhe: — Depois das pregações de Jesus, houve o derrame de Espírito sobre a carne; depois da Reforma temporal, e da disseminação dos Livros Sagrados pela Humanidade, tinha de vir a nova e maior eclosão mediúnica da História. Ninguém poderia deter a VONTADE de DEUS; poderia? Encarando a filha com atenção, perguntou-lhe a mãe: — Que sentes, minha filha? Estás muito pálida e com os olhos brilhantes. Custou para falar, porque não sabia ao certo como dizer, mas respondeu: — Sinto-me leve, sublime, deslumbrada... Parece que o CÉU está em mim... — Deita-te minha filha, que logo mais te chamarei para o jantar. Deve ser a emoção das novidades que te disseram. — Ou alguma ajuda de DEUS, pois não? Um Mensageiro disse-me, faz pouco, que me iria demonstrar a sua presença e auxílio. Quem sabe se é ele, mamãe? A mãe fitou-a com todo carinho de sua alma, sem responder. Mas nós sabiamos que a jovem estava certa e que aquela mãe era uma alma cheia de fé e ternura. Se tinha falhas no plano dos conhecimentos, por culpa dos homens corruptores da sã Doutrina, certo era que o seu coração pertencia a Jesus. Estava com a Reforma, em tudo quanto ela possuía de verdadeiro, não lhe cabendo culpa, se ainda não tinha conseguido ir além, através da renovação do Batismo de Espírito, de sua reposição no devido lugar, conforme Jesus profetizara que aconteceria. Fomos com a jovem, para o seu dormitório, impondo-lhe o desejo de apanhar a Bíblia; ela o fez, começando a ler os textos indicados pelo Mensageiro que falava ao jovem discípulo. Aliás, foi ele quem se avizinhou da jovem, colocando-lhe as mãos sobre a cabeça, com o intuito de fazê-la adormecer, a fim de falar-lhe face a face, em sinal de gratidão. Cansada que estava, e tão fortemente pressionada através do seu próprio conduto mediúnico, logo adormeceu. O Mensageiro tomou-a pela mão espiritual, ergueu-a e falou-lhe, alegre e carinhosamente. A seguir fê-la tomar o corpo, mantendo as mãos em sua cabeça, para não perder a lembrança do que lhe ocorrera. A jovem acordou, levantou-se de um salto e ficou a meditar, sorrindo. O Mensageiro havia cumprido a sua palavra e ela estava cheia de imenso gozo espiritual. Eu também andei pelas raias do sublime, porque tinha meus encargos em execução. DEUS não fez anjos de guarda especiais, mas a todos confere o direito e a obrigação de se tornarem mutuamente anjos guardiães. Demais, cumpre notar que a função do chamado anjo de guarda está em relação com as possibilidades do espírito encarnado, suas lutas e expectativas. Isso quanto menos, porque os graus de parentesco em tempos idos ou recentes, tanto mais achegam as criaturas e fazem compreender suas causas e questões, seus anseios e suas necessidades. De resto, as condições e situações, a esse respeito, variam ao infinito. Proteções têm todos, assim os Grandes Mestres como os últimos da escala evolutiva; mas em termos, segundo a LEI, no plano de todo o respeito que se deve ao relativo livre arbítrio, sem olvidar os reflexos decorrentes da ação, dos atos de cada um. Ninguém é anjo de guarda para truncar a LEI! Ninguém é anjo de guarda para fazer favores! Quanto muito, inspira-se em extremo e fica-se na expectativa, porque a vontade do encarnado é, até certo ponto, inviolável. Enfim, a função do chamado anjo de guarda é inspirar no sentido da LEI. Eis o que convém a todos saber, para efeito de contribuição feliz. Quem contraria a LEI MORAL dificulta a função do seu anjo de guarda e chafurda nos carrascais da treva! É difícil entender semelhantes verdades simples? Todavia, cumpre dizer, a REVELAÇÃO facilita a todos, porque estabelece contato entre os dois planos; isto é, torna direta e até imediata a obra de advertência. Não foi sem razão que Moisés desejou que o SENHOR desse do Seu Espírito a todo o povo, para que todo o povo profetizasse; não foi por acaso que Jesus entregou-se ao martírio, para merecer a função de PORTADOR da GRAÇA! Doloroso é dizer, entretanto, que homens imperialistas e sangüinários corromperam a DOUTRINADAGRAÇA, do aviso celestial, colocando em seu lugar homens fingidos, clerezia comercialista, supersticiosa e idólatra. Crime tremendo cometeram tais homens, porque enquanto o Apocalipse manda ouvir o que diz o Espírito às reuniões de crentes, e aos filhos de DEUS em particular, tais corruptores apresentam engodos, vestes fingidas, estátuas de pau, de pedra, tudo que é mudo e cala diante dos erros, das falhas e dos crimes! Capítulo VIII
Chegara o tempo de ser feita a quinta exposição. O discípulo havia lido quanto possível sobre as profecias. Compreendera vir, de muito longe, a promessa de um derrame de Espírito, para servir de roteiro luminoso, e consolador de portas abertas, livre de esoterismos quaisquer. Na última reunião feita, juntamente com o jovem sírio, que passara a tomar parte nos estudos e trabalhos, com vigorosa força de vontade, disse o Mensageiro ao discípulo: — Por estes dias será feita a quinta exposição e última, nesse sentido. Que a vossa conduta seja boa, exemplares os vossos atos, a fim de que o equilíbrio espiritual concorra para a melhor lembrança dos acontecimentos. Sugiro que leiam regularmente bons livros, para que vossas mentes permaneçam em perene contato vibratório com o mundo espiritual, e assim possam colher benefícios vários. Se é certo que as boas obras redundam em boas recompensas, também é certo que primeiro vem o conhecimento e depois a realização. Procurai, pois, conhecer, a fim de que possais realizar. As boas leituras fazem as grandes almas, porque preparam mentes superiores, inteligências cultivadas e carateres nobres. Realmente, o pequeno grupo espargia sua atividade, contribuía para a iluminação de quantos ali aportavam, tangidos pela dor ou movidos pela natural vontade de conhecimentos. Aos que vinham pela dor, o Mensageiro ordenava estudos e reforma íntima. Deviam deixar os vícios e as más palavras; a inveja, o ódio, a mentira, a calúnia, o ciúme, o adultério, o alcoolismo, o jogo, o egoísmo. Que se dedicassem às obras de auxílios mútuos, de paz, de tolerância, de perdão, a fim de que o equilíbrio psíquico forçasse a cura carnal e o saneamento dos envolvimentos espirituais. Dera-lhes, para ser lida e meditada, a seguinte Oração, que vale por um portento de compreensão das leis de origem, de plano evolutivo e de finalidades a serem atingidas:
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.