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Capítulo 6 de 13
Índice — parte 5 de 12
Lei Graça e Verdade · Osvaldo Polidoro
Ao entrar em sua casa, deparou o discípulo com a jovem protestante, que sofria de ataques e que fora ali por ele atendida. — Como tem passado? — perguntou-lhe. — Nunca mais tive ataques, graças a DEUS! O discípulo esclareceu: — As graças de DEUS derramam-se através de leis e por meio de Seus filhos. É de bom alvitre considerar a obra de cooperação e fraternidade. Quem despreza o que vem de DEUS, seja como for, certamente despreza o próprio DEUS. Contrafeita, a jovem perguntou-lhe: — Por que me fala assim? Resoluto, o discípulo respondeu-lhe: — A ignorância gera o orgulho; o orgulho gera a vaidade; a vaidade gera a presunção; a presunção faz a criatura acreditar na própria ignorância, que deu motivo a tantos defeitos, construindo o pior dos círculos viciosos. Devemos compreender, antes de mais nada, se estamos acreditando na VERDADE e procurando a VERDADE, ou se estamos apenas adorando as nossas próprias e erradas convicções. Um tanto enervada, falou-lhe a jovem: — O que julga você estar fazendo? Pretende estar absolutamente certo? — O absoluto não é o relativo, senhorita. Quanto ao mais, pretendo ser um homem de portas abertas... Não fico na porta, sem entrar e sem deixar entrar os que poderiam fazê-lo, consoante o ensino de Jesus. — Jesus! — fez ela — E que faço eu com o Evangelho?! O Mensageiro falou no ouvido do discípulo, ordenando-lhe dizer: — Os Livros Sagrados falam sobre a VERDADE, mas não são a VERDADE. Cumpre-se os leia, para aprender e realizar de modo prático. O Jesus que convém ser amado e imitado não é o Jesus teórico, que vive nas palavras de quem se diz cristão, na crença vazia dos que tecem ladainhas ao Evangelho escrito e insultam as leis e os fatos do Evangelho experimental ou prático. É preciso lembrar, e lembrando ponderar, e ponderando praticar a seguinte verdade — o Evangelho e os espíritos existem em função da VERDADE e não a VERDADE em função deles. Portanto, procuremos conhecer a LUZDIVINA e as leis que determinam os fenômenos universais, entre os quais a REVELAÇÃO. Porque, em verdade, quem nega e destrata a REVELAÇÃO comete um dos maiores crimes contra DEUS e contra si mesmo. Julgando-se em razão, a jovem alegou, convicta: — A Bíblia é a REVELAÇÃO! O Mensageiro ordenou dizer-lhe: — A Bíblia foi escrita graças à REVELAÇÃO; a Bíblia é, de todos os chamados Livros Sagrados, o único que profetiza e promete a REVELAÇÃO para toda a carne; mas a bíblia não é a REVELAÇÃO. Já o disse, tudo existe em função da VERDADE e não a VERDADE em função do que é relativo. Confusa, a jovem inquiriu, gaguejando: — Que é... Que é, então, a VERDADE?! O discípulo, sorrindo, passou adiante o recado; a mensagem: — DEUS, Sua CRIAÇÃO e Suas leis... Sucede, porém, que sem evoluir ninguém atinge o CONHECIMENTO da VERDADE. Aceitar uma fé e um Missionário, de maneira empírica e formal, não significa ter o conhecimento das leis que regem e determinam os fenômenos. Os chamados Grandes Iniciados, por certo não foram apenas crentes empíricos e formais. Jesus nada fez, à custa de simplesmente possuir a Sua fé cega. Por evolução, conhecia; por conhecer, sabia aplicar; e por saber aplicar, determinava e executava. Quase perplexa, a jovem exclamou: — Então creio que não temos um discípulo de CRISTO em toda a Terra! A resposta veio seca e imediata: — Nem o Jesus que nós conhecemos Se fez de um golpe... Cristão é quem procura honrar as leis usadas pelo Divino Mestre, para obrar os fenômenos que obrou em face do mundo. Honrar as leis é conhecê-las e aplicá-las... Aqueles, entretanto, que se dizem cristãos e atribuem ao diabo tudo quanto o fanatismo sectário lhes proíbe conhecer, por certo não são cristãos. Assim sendo, tem razão ao dizer que poucos são os cristãos verdadeiros sobre a Terra. Quanto ao CRISTO, convenhamos, é grau hierárquico, é função modeladora. Aos poucos o CRISTO brilhará em nós mesmos, porque somos CRISTOS em fazimento. Ele, o já evoluído, veio trazer-nos a medida e o programa, o conhecimento e o processo de fazimento. Por esse motivo, saiba quem quiser, importa desabrochar o CRISTOinterno! Ainda sem compreender, a jovem sentenciou: — Temos procurado ter Jesus no coração! Mansa e grave, a resposta surgiu: — Há muita diferença entre aceitação empírica e conhecimento de causa de modo prático-experimental. Aceitação sentimental ou razoável não é conhecer e ter a posse das leis que originam, sustentam e determinam os fenômenos. Basta acreditar na Medicina para ser médico? Basta ver estrelas para ser astrônomo? Chega falar em alimentos para saciar a fome? Ó filha de DEUS!... Por que falas na VERDADEe ao mesmo tempo negas a VERDADE? Por que afirmas o Jesus que teu coração aceita, para negar o Jesus que, por evolução, tinha o CONHECIMENTO das leis regentes e o poder de acioná-las? Perturbada, a jovem murmurou: — Não entendo semelhantes coisas... Não entendo... Foi-lhe dito, em tom de advertência: — Naquele tempo, quem não O entendeu encravou-O numa cruz... Jesus ainda continua sendo a VERDADE mal compreendida, a VERDADE que serve para condenar a VERDADE, pelo erro daqueles que se dizem crentes e não sabem no que acreditam. Repara que o CÉU, para quem não o conhece, pode tomar a configuração do inferno... O mesmo Jesus que para uns era o Filho de DEUS, para outros era o representante de Belzebú... Estaria em Jesus a diferença, ou estaria naqueles que o julgavam discípulo de Belzebú, por causa dos fenômenos que produzia, não fariam melhor estudando a origem dos mesmos, do que dando-se a julgar mal e a caluniar e condenar? Ou devemos chamar à VERDADE mentira, pelo simples fato de não a reconhecermos? Ou existirá alguém sobre a Terra, que tenha o direito de não desconfiar do pouco que sabe e do muito que não sabe? Houve quietude na sala, após as últimas perguntas. Todos pareciam meditar, inclusive o discípulo, que estava surpreendido com as questões debatidas, cujas palavras procurava transmitir, sem a perda de uma sílaba. — Como teria que começar, para saber melhor? — disse a jovem, pouco depois. O Mensageiro mandou dizer-lhe: — Estudar o Evangelho, ao invés de lê-lo viciosamente. Procure saber qual a missão que Jesus devia cumprir. Chegando a saber o que foi o Batismo de Espírito, ou a GRAÇAe a VERDADE que Ele veio trazer a toda a carne, tudo o mais será muito fácil de entender. Ou julga que Jesus tenha dito tudo quanto tinha a dizer? Ela afirmou, prontamente: — Ele mesmo disse que muitas outras verdades tinha a dizer, verdades que seriam ditas pelo Espírito de Verdade ou Consolador, que é o Espírito Santo. O Mensageiro mandou perguntar-lhe: — E você já conheceu o Espírito Santo e as verdades que lhe cumpre ensinar? — Não. Só conheço o Evangelho e nada mais. Francamente, nunca entendi certas partes da Escritura... O Livro dos Atos e as Epístolas estão cheios de relatos a respeito da comunicação do Espírito; mas eu não sei como isso poderia dar-se e nem tampouco por que não continuou a dar-se. Já lhe disse, não entendo certos pontos da Escritura. — Já perguntou isso a seus pastores? — Eu não, pois aqueles que o fizeram foram advertidos, tendo havido irmãos que foram para outras Igrejas, por terem sido proibidos de cogitar de tais assuntos. — Esses homens nunca leram sobre aqueles que ficam nas portas, não entram e proíbem a entrada dos que poderiam fazê-lo? A jovem, sorrindo, balbuciou: — Meu pai costuma dizer, quando fica bravo, que a Igreja para uns é Religião e para outros é meio de vida. E que olhando uma coisa por muitos lados, nem sempre aparece ela do mesmo modo ou com a mesma configuração. Gostaria que Jesus de novo passasse pela Terra, e de novo batizasse em Espírito, para eu saber como é e para que serve. Afinal, se Jesus pelo Espírito Santo instruiu os Apóstolos, e disse que estaria sempre conosco, por que não o está agora? Por que não tem estado? Onde está o Consolador? Foi sob forte comoção, que o Mensageiro ordenou dizer-lhe: — Vá para casa hoje, com o intento de ler os capítulos doze, treze e quatorze, da Primeira Carta de Paulo aos Coríntios. Hei de fazer-lhe sentir a minha presença, porque é uma filha de DEUS que anseia pela VERDADE. A jovem estranhou o modo de expressar, indagando: — Por que disse: “hei de fazer sentir a minha presença”?! O discípulo contou-lhe: — Tenho sido a boca de um Mensageiro espiritual... Eu falo, mas é ele quem dita as palavras. É a GRAÇA trazida por Jesus... Na antiguidade, os ensinos da REVELAÇÃO eram conhecidos como a VERDADE. Tendo vindo Jesus abrir as portas da iniciação, ou derramar do Espírito sobre a carne, Dele foi dito que recebeu de DEUS a GRAÇA e a VERDADE e transmitiu-a a toda a Humanidade. Assinalando a afirmativa com o brilho de seus muito bonitos olhos, a jovem emendou: — No capítulo dois do Livro dos Atos, defronte ao clamor formidável do Batismo de Espírito, Pedro disse as palavras que você vem de recitar! É um capítulo maravilhoso, que ficou com letra morta... Salvo, é claro, se estamos defronte ao mesmo fenômeno, estando você a transmitir palavras de um Mensageiro, como diz. A palavra do Mensageiro foi repetida: — Leia, hoje, os três capítulos já mencionados. E não tenha medo, se acontecer alguma coisa pouco ou muito estranha. Em tom meigo e confidencial, disse a jovem: — O evangelho tem sido o travesseiro de minha vida... O Mensageiro mandou dizer: — E o CÉU encaminhou os seus passos... Nutrida de santos desejos evangélicos, a GRAÇAe a VERDADE farão crescer, nas suas mãos, as flores do AMORe da SABEDORIA. Algum dia, quando voltar ao mundo espiritual, colherá as bênçãos da piedade e da candura que tenha esparramado no mundo. Não foram ataques aquilo que sofria, mas avisos do CÉU... Se tem dado graças pelo pouco que recebeu, quanto mais não sentirá nas profundezas da alma, a ventura gloriosa de ter espargido os benefícios de DEUS entre Seus filhos menos esclarecidos! Porque, assim como em todos os tempos, o SENHOR necessita de servos e profetas... Diante de tais palavras, a jovem caiu em pranto, comovida que ficou. A gente da casa envolveu-a em seu costumeiro carinho, fazendo-lhe ver que em tudo aquilo estava apenas a mesma e eterna VERDADE de todos os tempos; que jamais a Humanidade teria Livros Sagrados para ler, se nunca tivessem existido criaturas capazes de comungar com os anjos ou espíritos, que sempre foram os Mensageiros de DEUS. Quando a jovem se foi, tinha o coração pleno de elevados sentimentos, o cérebro referto de idéias sublimes e o ânimo alçado aos páramos da esperança sublimada. Acompanhei-a, envolto nas dobras do invisível, procurando auscultar as palpitações daquela alma embutida na carne, e nos enfronhos de um sectarismo bem intencionado, porém ungido de prevenções contra a REVELAÇÃO, alma que mantinha nos alicerces da estruturação evolutiva, nas fissuras da vivência histórica, belos florões espirituais a lhe ornamentarem a personalidade. Sim, a lhe ornamentarem a personalidade, essa personalidade da qual falam mal os ignorantes e da qual usam pior ainda os inconscientes de sua sagrada finalidade. Aqueles porque acreditam em nirvanas errados, onde o indivíduo se acaba a bem do SER TOTAL que o reabsorve, depois da tremenda escalada através das vidas, das lutas e dos sofrimentos, quando chega a hora de colher os proventos benditos da vastidão dos esforços empregados. E os últimos, porque acreditam que personalidade seja instrumento de menoscabo aos irmãos, ferramenta que garanta o direito de pretender ser mais e melhor do que os irmãos em natureza e destino. Errados porque, afinal, a personalização é a conscientização do indivíduo espiritual, da centelha que começou simples e ignorante, com todos os valores em estado potencial. Bem-aventurado é aquele que atingiu a verdadeira personalização, que tanto evoluiu, a ponto de ser mais um UNO com o SER TOTAL; que se tornou parte da Sua gloriosa e infinita ubiqüidade! Aquele que é, que vive para ser reflexo do SER TOTAL, sem deixar de ser Seu filho! Não é contra a personalidade que se devem levantar os verdadeiros crentes; é contra a estupidez!... E tanto mais devem lembrar a importância dessa verdade, pelo fato de ser búdico o conceito nirvânico, assim como búdico é o conceito que assegura conter a mentira elementos de bondade, enquanto que a estupidez nunca é capaz de conter vantagem alguma. A roda do destino, que faz nascer e morrer tantas vezes quantas sejam necessárias, para atingir o Nirvana, é a mesma roda que faz o espírito UNO sustentar a personalidade que se emprega na divina função de refletir a SOBERANA VONTADE! Quem responde pelas obras até o último ceitil, tanto o faz para descer às trevas do mais terrível ressarcimento, como o faz para subir aos altos e unificadores empírios celestiais. Para tudo, e acima de tudo, quer DEUS que Seus filhos cheguem a ter a consciência da VERDADE. E a consciência da VERDADE não precisaria ser alcançada, e à custa de tamanhos esforços e sofrimentos, para ao fim ser eliminada e tornada sem efeito individual. Jamais Buda algum pregou semelhante coisa. Pregou, sim, e com todos os foros de realidade impassável, que Nirvana é grau crístico, é sintonia perfeita com o SER TOTAL ou Pai, acontecimento que motiva a entrada na DIVINA UBIQÜIDADE. Este acontecimento, saibam quantos tiveram vontade de conhecer a VERDADE, não pode ser explicado; nenhuma linguagem humana poderia jamais consegui-lo, fugidiamente que fosse.
Capítulo VII
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.