Voltar ao livro Lei Graça e Verdade

Capítulo 13 de 13

Índice — parte 12 de 12

Lei Graça e Verdade · Osvaldo Polidoro

Este jovem, com a sua faculdade passiva, bom para certos esclarecimentos e de especial tendência ao receituário, desde que se irmanara aos serviços do discípulo e passara a contar com as palavras esclarecidas da jovem ex-protestante, vinha se elevando gradualmente na escala das forças psíquicas. Qualifico, segundo a linguagem da Sabedoria Antiga, precursora do Batismo de Espírito para toda a carne, como sendo a chamada força psíquica algo que não pode ser confundida com algumas simples mediunidades facultativas. A força psíquica é valor espiritual adquirido, é hierarquia, é grau na escala da edificação íntima. Ela vem como conseqüência das vidas e dos trabalhos, é o produto das obras, é penetração nas escalas vibratórias superiores. Algumas mediunidades, no entanto, são facultativas, são graças e ferramentas adiantadas, são talentos emprestados. Como lei ou como recurso, a mediunidade está a serviço da GRANDELEI, servindo para efeitos múltiplos. Vamos dizer, por ora, que se revela em dois pólos dialéticos, fazendo ou perfazendo uma unidade completa, assim como se passa com todos os fenômenos do plano relativo ou da chamada CRIAÇÃO. Em cada um dos pólos, revela-se em alguns gêneros, graus e matizes de grau. Quanto à mediunidade no pólo ativo ou positivo, temos as faculdades mais conscientes, como sejam a vidência, a audição, o desdobramento, a inspiração e a intuição; embora variando muito no campo das intensidades, pertencem ao pólo ativo. No outro pólo estão as faculdades passivas, em que o espírito encarnado fica sujeito a servir, sem ter o direito de saber, muitas vezes, como e para que serviu; outras vezes, desejando mesmo nada fazer, é a isso obrigado, ou indo parar em manicômios, ou sofrendo horrores, pois o caráter de prova ou de expiação aí estão evidentes, com mais precisão. Cumpre não esquecer, entretanto, que a mediunidade fundamental é LEI DE REVELAÇÃO, cumpre função na ORDEM DIVINA, toma parte em tudo quanto diga respeito à LEI e à JUSTIÇA. Tenha-se em conta excelentemente, ou em sua essência, é um dos atributos de DEUS, da UNIDADE DIVINA, que como herança cabe aos filhos de DEUS, vindo a se manifestar em todas as escalas da VIDA e nos mais vários matizes. Tudo, na CRIAÇÃO, é questão de variação no campo das intensidades, ou das hierarquias, ou dos graus vibratórios; porque tudo partiu da UNIDADEDIVINA e tudo tende ao retorno para a UNIDADE DIVINA. Ao espírito, como deveis saber, é obrigatório reingressar na UNIDADE em consciência; isto é, em estado de perfeita harmonia com a DIVINA ESSÊNCIA, a fim de vir a ser executor de Suas designações, nos infinitos departamentos do Infinito. E a mediunidade, saibamos, é uma das VIRTUDES ACIONANTES ou agentes da marcha progressiva. Ela funciona, podeis estar certos, onde sabeis um pouco e onde por ora muito ignorais. Quando tiverdes crescido bastante espiritualmente, sabereis o que ela chega a ser e realizar, desde os primórdios do automatismo inconsciente até aos páramos da máxima iluminação celestial. De modo geral, ou acompanhando a marcha progressiva, ela se vai revelando cada vez mais positiva e consciente. Crescer na ordem da força psíquica é, sem dúvida, forçar a mediunidade nos rumos da máxima consciência, da plenitude das leis de contatos ou de relação. O jovem sírio, como dissemos, vindo a penetrar noutros domínios do saber, por injunção dos dois novos companheiros encarnados, penetrava também noutras esferas de aplicação. Os resultados já se faziam mais imediatos e positivos, quando se propunha a atender àqueles que o procuravam, para fins educativos e curativos, pois além disso, como cristão que era, negava-se a ir, com justíssima razão. E como, em verdade, o plano espiritual fica aguardando as convocações dos encarnados, porque a estes cumpre a deliberação de optar pelo caminho a seguir, conforme o relativo livre arbítrio, eis que fomos encarregados, alguns de nós, para atendê-lo em seus chamados, sempre que o prazer de servir, ou os impulsos santificantes da piedade, o fizessem apelar aos nossos trabalhos de assistência. Ele pedia pelos outros, armado de boa vontade e muita fé; punha em função a sua faculdade passiva, movida pela grande força de vontade. E nós, dependentes do Plano Superior, através das escalas e dos departamentos de serviço, íamos procurando colher e dar, receber e transmitir, com grande alegria espiritual. Porque a graça de servir é, em qualquer esfera de paz, e para qualquer espírito de boa vontade, uma bênção de DEUS! Ele foi aumentando o seu círculo de atividades, como é natural. Cada vez que alguém se beneficiava; sempre que algum coração aflito sentia, pelos seus trabalhos e atenções, um pouco de alívio; ou desde que alguma lágrima estancasse pela oferta de sua mediunidade posta a funcionar, eis que outras tantas medidas de trabalho apareciam. Foram, portanto, sobrando trabalhos na carne e fora da carne... Foram crescendo em número os amigos deste lado... Cresceram, também, os nossos prazeres espirituais, porque estávamos aptos a repetir aquelas palavras de Paulo, quando afirmou que o Evangelho não era de palavras, mas de fatos, e de sinais e prodígios em virtude do Espírito Santo; isto é, da REVELAÇÃO. Naquela madrugada, caberia a mim, em particular, atendê-lo num dos pedidos feitos; porque outros fariam, nas horas anteriores, a parte que lhes cumpria. Nossos trabalhos, tal qual como os vossos, dividem-se com o tempo e com os indivíduos. E também temos muito gosto em servir, além da medida de obrigação, quando calha de ser possível, desde que alguém o mereça. Quando chegamos, já os servidores da hora anterior haviam feito a respectiva parte, rumando para outros rincões e trabalhos, e também para suas folgas, estudos e diversões. — Vamos? — falei-lhe, assim que o tivemos ao dispor. Tantos eram os casos, que ele perguntou: — Qual o caso em vista? — Aquela pobre mãe que, com a responsabilidade de esposa e de quatro rebentos, paira num leito, curtindo suas dores e sofrimento, tristes apreensões, porque lhe crescem pela frente o desalento da família, o desconforto e a impressão da orfandade em que poderá deixar os filhos. Tristeza mortal invadiu a alma daquele humilde servidor encarnado; porque havia estado naquela casa, medindo a extensão da pobreza, do sofrimento exposto e daqueles que jaziam latentes na alma daquela pobre mãe. Acima de tudo, aquelas pequerruchas, uma das quais tinha apenas cinco meses de idade. Por que sofria a mulher e a família? Por que vinha o socorro na hora certa? Ninguém se iluda pensando em possíveis acasos! Para resumir, diremos que primeiro estiveram as grandes culpas do passado; e que, depois, compareceram as dores conseqüentes, os resgates e os serviços consoladores. Tudo questão de JUSTIÇA e de ORDEM, nada mais. Tudo simples, tudo normal e justo. Pedimos compreensão das leis e dos fatos, não aceitação passiva ou cega. Se a confusão aparecer, quando olharem as questões de baixo para cima, façam o favor de, com algum esforço, focalizar as questões de cima para baixo. Tudo quanto estamos expondo, e é muito pouco, tem apenas a finalidade de fazer conhecer as verdades da GRANDE VERDADE. Não estamos tratando da GRAÇA e da VERDADE, que foram trazidas pelo CRISTO, para toda a carne, e que agora se apresentam, restauradas, na Doutrina Espírita? Ou, como pretendeis conhecer o TODO, desconhecendo as partes constituintes? Aquele caso, portanto, resumia e testemunhava a lei de CAUSA e EFEITO, lei que abrange as liberdades relativas e as finalidades absolutas. Um caso que serve de termo analítico para todas as questões humanas, com referência aos trabalhos evolutivos, onde se revelam normais os erros e as devidas reparações, para que o espírito vá subindo, vá galgando o grau crístico ou sintonização com a VERDADE LUZ. Chegados ao local, todos dormiam, menos a doente, que, para não molestar o sono repousante dos outros, gemia em surdina. — Primeiro, — determinamos, — tratemos de afastar o vingativo. Porque quatro deles, as leis de acesso à redenção converteram em filhos, pelos quais eles, os pais ou grandes devedores do passado, hão de trabalhar e sofrer, para alimentar, para curar de seus males, para educar, etc. E a este outro, que ficou para esta parte do programa ressarcitivo, tratemos de dar o rumo também justo e necessário. — Sabe de tudo, então? — perguntou-me o jovem, admirado. Respondi conforme a realidade: — Eu não sabia. Mas como esse homem que aí está, que agora é marido e antes foi companheiro de graves faltas, procurou-te, e tu nos convocaste ao trabalho de assistência, claro é que procuramos atender. E para atender da melhor forma, fomos procurar os motivos, nos arquivos das regiões a que pertencem. E como poderíamos servir a DEUS, através da Lei e da JUSTIÇA, desconhecendo as causas? Ou desconheces, acaso, que as organizações de assistência estão divinamente aparelhadas, em diferentes gradações e departamentos de serviços, para atender com exatidão, consoante a JUSTIÇA? E que é a JUSTIÇA, que a LEI faz movimentar, senão a engrenagem, o instrumento, que mede com presteza, que atua com harmonia, a ponto de reclamar a paga dos débitos, sem esquecer aos clamores do arrependimento e do trabalho redentor? O Mensageiro, que se mantivera calado, anuiu: — Em verdade, a LEI e a JUSTIÇA agem equilibradamente, oferecendo sempre as justas oportunidades de paga e de avançamentos. De qualquer modo, as faltas serão resgatadas até o último ceitil, conforme a lição do CRISTO; mas, em conformidade com o grau de culpa, de paga, de arrependimento e de propósitos evolutivos, são oferecidos os amparos necessários e as oportunidades condizentes. Ninguém ignore, entretanto, que a LEI faz girar os mancais da JUSTIÇA, de maneira tão precisa e eficiente que, aos espíritos pouco evoluídos, encarnados ou desencarnados, os pormenores, as minúcias ou matizes de oportunidades passam despercebidos. O maior número, na crosta, não atina com as causas e os efeitos, embora não consiga escapar de suas malhas inexoráveis, impassáveis e intransferíveis. E como ficasse o servidor encarnado a observá-lo, desejando beber naquela fonte límpida, o Mensageiro emendou: — Pensas no recurso a ser usado, para vencer o desconhecimento dos pormenores legislativo-judiciário? O recurso é constituído de prudência, pela observância da LEI. De paciência, pelo conhecimento da prudência. E de confiança, pela certeza dos efeitos da paciência. Daí, então, derivam a mansidão, a tolerância e o perdão, que vão aos extremos da renúncia. E com a palavra a expressar a consciência que tinha de realidade, completou: — Não nos esqueçamos, amigos e irmãos, Aquele mesmo Divino Modelo, que afirmou estar na paciência a medida de vitória, Ele mesmo recebeu a crucificação, sem reclamar direitos humanos, e, lá de cima, rogou perdão para Seus algozes. Em Jesus, para todos os efeitos, não temos apenas o Portador da Igreja Viva, mas também o Programa a ser observado. E se Ele apelou para a prudência, a fim de ser paciente, e daí extrair a vitória final, como devemos nós agir? Ou poderá alguém vencer num ambiente inferior como este Planeta, sem usar de toda a paciência possível? Não estamos, acaso, lidando com espíritos endividados, sofredores e carentes de muita paciência? Ninguém disse palavra, porque o silêncio resumiu tudo. Fomos, pois, ao caso. Retiramos o feroz vingador, fazendo com que o servidor encarnado, a seguir, transmitisse a ela seus fluidos especialmente curadores. A distribuição foi operada pelo Mensageiro, cuja capacidade, em amor e vontade, estava muito acima da minha, bem como da dos demais irmãos presentes. Quando alguém pensar nas aplicações técnicas, vá até certo ponto... Porque o GRANDEAMOR, quando começa a se revelar nalgum filho de DEUS, por evolução realizada, aí opera outros poderes, outras ativações, maravilhosas funções! A técnica vai até certo ponto, bem o sabemos; o AMOR vai tão longe, sobe a tais alturas, que nós estamos longe de precisar! Quero discutir as questões técnicas, com todo o respeito que merecem; mas faço questão de me curvar diante do AMOR! E aquela irmã, aquela mulher outrora tão vil, depois de resgatar através de muitas dores elevada soma de culpas, tendo batido um dia, quando chegou a hora, à porta de uma casa consoladora, teve para atendê-la, para servi-la, o AMOR! Sendo assim, ingressaria, como ingressou, na escola da VERDADE. Mais tarde, tendo nela se manifestado faculdade servidora, procurou atender a terceiros, lembrando o tempo em que fora servida. E mais, porque seus filhos e o tal espírito vingativo, outrora vítimas de suas maldades, também entraram para o CAMINHO DO SENHOR.

Capítulo XIII

Termino a minha exposição, de informações contributivas, a bem do conhecimento da VERDADEe da GRAÇA, que por Jesus foram trazidas a toda carne; tendo certeza de que dois fatores merecem consideração: um, que transmiti o melhor possível, a fim de fazer compreender a função missionária de Jesus; outro, que não é possível passar ao papel a majestade gloriosa das questões tratadas. Quando muito, fala-se delas, fazendo ver ao longe a nesga de LUZ DIVINA que a tudo engendra, sustenta e destina. Mais não é possível, por mais que se queira e se façam esforços de aplicação. A cada um cumpre desabrochar, na intimidade, o CRISTO REDIVIVO, a libertação final! O triunfo sobre a MORTE! A união celestial! Quem o fizer, saberá o que tivemos em mente executar, por ordem superior; porque a palavra faz saber, mas a prática faz viver! Os caminhos foram indicados, as lições foram citadas e os exemplos foram expostos; desde os Vedas, as primeiras Grandes Revelações foram reverenciadas, precursoras do Batismo do Espírito, da Igreja Viva e Universal, edificada sobre a REVELAÇÃO. Por isso dizemos, ao finalizar a exposição: compreendei a função de Jesus, para que possais viver o Cristianismo! Vivei o Cristianismo, para que possais despertar o CRISTOINTERNO! OCRISTOé AMOR e SABEDORIA! Por que motivo fizemos esta exposição das Grandes Revelações, para significar a função de Jesus, que foi a de trazer a GRAÇA e a VERDADE para todos? Em que se fundamentou a nossa iniciativa, afinal de contas? Daremos a explicação, de modo geral, sem entrar em minúcias explicativas. Reuniram-se nas Altas Regiões, sob a tutela do Cristo Planetário, os Imediatos de Sua Magnânima e Justa Administração, para tratar de várias questões referentes ao Planeta, na hora em que este transita para uma nova era, sofrendo convulsões tremendas, defrontando problemas e situações angustiosíssimas. Como a ORDEMRELIGIOSA é aquela que sintetiza as demais ordens de atividade, foram compulsados todos os fatores; foram feitas revisões acuradas sobre o curso das Revelações; foram considerados todos os elementos aproveitáveis; e ficou decidido que seriam envidados esforços, todos quantos possam ser arregimentados, a fim de tornar o homem de boa vontade conhecedor da SÍNTESE GERAL, da VERDADE em sua expressão mais simples, mais objetiva, mais ao alcance de sua capacidade assimilativa. Não houve necessidade de recorrer a fatores adventícios, alheios ao processo informativo; nenhuma fórmula estranha; nenhum instituto para ser acrescentado. Foi aprovado, como sendo justo, normal e contínuo, o informe através da REVELAÇÃO, da comunicabilidade dos anjos ou espíritos. Foi, por isso, em conclusão, feito uso da Alma das Revelações, do Espírito das Profecias, do Cerne das Bíblias! A GRAÇA e a VERDADE foram, mais uma vez, os instrumentos de aviso e alerta! Para estudos e confrontos, estão de pé, nem mais e nem menos, do que os fáceis e simples Livros Sagrados da Humanidade; basta que haja boa vontade, para que a VERDADE transpareça e a libertação se faça, simples e racional, estribada nos mancais de uma SABEDORIA que jamais se desmentiu: a MORAL que enobrece e a REVELAÇÃO que esclarece! Eis a que conclusão chegaram, os Imediatos do Senhor Planetário, a fim de lançar aos homens de todos os rincões do Planeta, a palavra amiga e convidativa, palavra simples e meiga, sem protestos e sem ameaças. Nos meandros da exposição, deveis compreender as necessárias observações; porque a Lei de Causa e Efeito, por si movimentará a JUSTIÇA, quando for necessário e no devido tempo. Disso já o sabeis. Conhecendo, normalmente ouvireis crepitar em vossas almas a voz da prudência! Evitareis, então, os procedimentos condenáveis, para evitar que a JUSTIÇA intervenha de maneira cominativa. Observai a LUZ que ainda verte das Antigas Revelações! Compreendei a função de Jesus, abrindo as portas dos Templos Iniciáticos! Vivei a LEI, para terdes a PAZ! Cultivai a REVELAÇÃO, para terdes o conhecimento da VERDADE! Amalgamai o AMOR e a SABEDORIA, para crescerdes em AUTORIDADE! E ireis triunfando sobre a Dor e sobre a Morte, passo a passo, assim como fizerdes para exaltar o CRISTO INTERNO, a SÚMULA DE TODASAS VERDADES, que ainda se acha dormente, sujeito a múltiplos embargos e percalços! Tende, por EXEMPLO DIVINO, a quem sabeis que não estacou nas fronteiras do túmulo; em Seus ensinos bebei, em Suas práticas crescei, em Seu batismo procurai o máximo esclarecimento! Apontando-vos o CRISTO, aponto-vos a LEI VIVA, que contém a MORAL que harmoniza e a REVELAÇÃO que ilustra. Eis o CAMINHO DO SENHOR!

Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.