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Capítulo 11 de 13
Índice — parte 10 de 12
Lei Graça e Verdade · Osvaldo Polidoro
Diz o refrão que o hábito não faz o monge; que para ser monge é preciso mais realidade e menos aparência; mais alma e menos corpo; mais cerne e menos casca. E todos podem compreender isso perfeitamente, apesar de que, no caso dos monges, sempre se procurou encontrar o CÉU pelos caminhos do exteriorismo formal, quando a ele só se vai, normalmente, pelos caminhos da SABEDORIA e do AMOR. Todavia, para aqueles que se fazem devotos do hábito, em detrimento da essência, surte daí uma vantagem falsa: é que, na hora do choque de retorno, ou do ajuste de contas, poderão culpar o hábito e não a si próprios, e não ao culto falso da fé. Sempre foi ensinado aos espíritos, retardados em matéria de coisas do espírito ou psíquicas, que eles sempre poderão atirar a responsabilidade de suas faltas e agravos nas costas de algum outro responsável. Em nome da VERDADE, a mentira prossegue vencendo muitas almas! Em nome dos Grandes Reveladores, a mercância idólatra se faz respeitar como se fosse coisa sagrada! Em nome da VIRTUDE, a LEI de DEUS continua a ser espezinhada. Porque os ditos crentes, quando medíocres de entendimento, no lugar das práticas virtuosas colocam os fetiches, os engodos, as artimanhas formais e exteriores, os invencionismos de homens. Pretendem, assim como a si mesmos se iludem, iludir também a LEI, trapacear com a DIVINA JUSTIÇA. E quando a hora sobrevem, remetendo-os aos fundões onde reinam as trevas e as reencarnações dolorosas, então arremetem irados contra a VERDADE, ou com especial atenção no mestre de sua fé, ou ao seu profeta. Poucos são aqueles que aceitam suas próprias tristes encomendas... Alegam que foram crentes em DEUS, que tiveram fé no seu profeta, que se cingiram aos rituais da sua religião. Não perguntam se DEUS pôde confiar neles. Não querem saber se o Profeta esteve concorde com a forma de crer; se também retribuiu a crença em forma de confiança. Não pensam na essência da LEI, reconhecendo que ela não pede engodos religiosistas, mas sim respeito à REVELAÇÃO e retidão de conduta. Respeito à REVELAÇÃO, pelo fato de ter sido sempre o instrumento informativo; à retidão de conduta, em virtude da recompensa vir segundo as obras de cada um. Continua, enfim, para todos os efeitos, aquela adoração de que falou a Escritura: a falsa adoração, aquela adoração que é apenas de conversa e de rituais pagãos, adoração que serve muito bem para acobertar toda sorte de cavilosidades. E nós fomos encontrar, uma vez mais, oportunidade formidável desta infeliz observação; fomos topar com o crime em plena acusação à LEI, imbuído de que estava com a razão, tão afeito e viciado andava nas coisas corruptas e pervertidas. — Vamos! — disse o Mensageiro ao discípulo — Vamos procurar aquele por quem fizeram orações e nos reclamaram atenções. E fomos à zona astral a que ele pertencia, em busca de informes, a fim de localizá-lo. Como deveis saber, todos os espíritos pertencem a uma única organização. Esta única divide-se em muitas outras, pois tendo que dar a cada um segundo as suas obras ou merecimentos, opera vastíssima escalação, capaz de atender a todas as necessidades. Fomos, pois, ao plano a que pertencia o tal espírito, antes de reencarnar; e o chefe do departamento nos informou: — Daqui saiu, para uma romagem de setenta anos, pouco mais ou menos. Espírito marcado pelas próprias faltas, possuidor de carma gravoso, foi em função de prova, tentando rebater o tremendo egoísmo que tantos males lhe causara em vidas anteriores. Cedendo em muito aos embalos do passado, meteu-se em transações ilícitas e terminou a vida envolvido nas malhas do fracasso e da treva. Está em região inferior, febrilmente acometido das piores ilusões. Agarrado ao dinheiro, fechou os olhos para todas as expressões da graça e da beleza, da fraternidade e da renúncia, caindo em cheio nas malhas da alucinação usurária. Para acréscimo dos males, fez de cada filho um porta voz de suas tendências; e influindo mal sobre os amigos e conhecidos, prolongou a sanha egoística, incitando aos mesmos erros. — Rogaram por ele, — informei, — sendo essa a razão pela qual viemos em busca de informes. — Quando muito, — respondeu-nos o chefe, — poderão influir indiretamente, a fim de que se faça, pelo arrependimento, merecedor de breve encaminhamento ressarcitivo, em condições que lhe garantam não poder repetir tão clamoroso fracasso. O Mensageiro propôs: — Faça-nos conduzir ao local onde se encontra, pois queremos averiguar a real situação, a fim de providenciar a medida consentânea com a LEI. E foi assim que fomos ter, depois de algumas peripécias, a um local trevoso, onde muitos irmãos, atraídos entre si pela ordem vibratória, na escuridão procuravam guardar seu dinheiro, seus cofres e seus documentos de posse. Assim como se fizeram, assim se tinham, nada mais. Vivos estavam, para se agitarem no mundo que para si próprios criaram. Tinham, no exterior, aquele justo ambiente que para si mesmos criaram no interior. — A que escola religiosa pertenceu ele? — perguntou o discípulo. — Muçulmana. — respondeu o Mensageiro, sorrindo — Maomé virá a ser, dentro em pouco, acusado de uma porção de falhas. Porque os culpados reais sempre necessitam de terceiros sobre quem descarregar as culpas; e, quase sempre, quando escapa de DEUS, a culpa recai no Profeta da raça, da fé ou da simpatia pessoal. Uma vez focalizado o descendente de Ismael, procuramos falar-lhe, a fim de sondar o verdadeiro estado psicológico-mental. E o pobre irmão contou-nos mil e uma histórias, alegando culpas, acumulando razões, confrontando situações. Referiu-se a dezenas de amigos e companheiros de atividade, acusando a uns, defendendo a outros, numa descarga contínua e terrível de impugnações e reivindicações. — Que faz você por aqui? — perguntou-lhe o Mensageiro, a fim de lhe auscultar a posição mental. — Doente! Muito doente! Olhe onde me atiraram os falsos amigos, aqueles que estavam e estão com o olho no meu dinheiro, nas minhas posses! Miseráveis! Ladrões! Usurpadores!... — Irmão, você desencarnou... Seu corpo carnal já há muito foi enterrado... É conveniente pensar de outro modo, não xingar seus semelhantes, fazer orações e considerar os fatos reais... — foi-lhe ensinando o Mensageiro, todo paciência e magnanimidade. — Morto!?... Fatos reais?!... — bramiu ele, estentórico e perplexo, como se lhe caíssem sobre a alma, num jacto, todas as tragédias do mundo. E o Mensageiro, piedoso, repetiu: — Sim, você não está doente, como pensa estar... A desencarnação é uma lei, é um fato, e foi isso o que lhe ocorreu... — E estas trevas?!... — replicou, interrompendo-o, — Para que estas trevas? Para que esta angústia na alma? Por que, então, querem a minha fortuna? Brando, cheio de comiseração na voz, respondeu-lhe o Mensageiro: — Pecados fazem trevas e angústias, assim como a compreensão e a bondade fazem luzes e graças de DEUS. — DEUS!... DEUS!... — exclamou ele, colérico. — Sim, lembre-se de DEUS... Lembre-se da Lei... — repetiu o Mensageiro, com o propósito de lhe enveredar bem o pensamento. Mas o antigo senhor de muitíssimas posses, num assomo de raiva, despejou contra DEUS a soma total de suas ridículas razões; alegou seus trabalhos, recomendou sua imensa fortuna, defendeu seus processos, achando que no mundo todos podem mentir e usar de certas especulações, a fim de vencer na vida. Quando terminara o seu inútil discurso, aconselhou-o o Mensageiro: — Irmão, a LEI prescinde dos arrazoados de quem quer que seja. Não procure a sua defesa, que ela está garantida fundamentalmente, em sua justeza, para quando for hora. Lembre-se, antes, que é preciso ter confiança em DEUS... E ele, todo revolta, rompia com as suas alegações: — Quanto fui eu religioso!... Onde está DEUS?... Quero falar com esse DEUS, quero fazer-Lhe ver as minhas razões!... Terei cometido faltas, mas também tive a minha fé!... Oh!... Maomé!... Maomé, onde estás?... Não Te lembras de mim, das esmolas que fiz à mesquita, das quantias que dei a teus muftis?... E enquanto nós pensávamos em dizer-lhe da JUSTIÇA DIVINA, que é acima de cogitações e que verte de dentro da criatura, na hora exata, ele agarrou-se ao Mensageiro, berrando como alma danada: — Pelo amor de Hallah!... Não estaria Maomé errado?!... Quem sabe se ensinou erros aos crentes?!... Por Hallah! Acudam!... OMensageiro consolou-o, falou-lhe com brandura e carinho, porém sem deixar para trás as verdades simples e fundamentais; e o pobre usurário, caindo em si, começou a rogar: — Quem me irá amparar?... Deus me perdoará?... Tenho dinheiro... Tenho com que fazer o bem... Dar esmolas!... Muitas esmolas!... — Não tem mais dinheiro, nada mais lhe resta da fortuna imensa; tudo aquilo que é do mundo, no mundo fica. Temos que saber usar os instrumentos do mundo, as ferramentas capazes de engendrar a grande vitória espiritual. Quem passa pela difícil prova da fortuna, deve aprender a dominá-la, para não ser por ela dominado e prostrado. Assim mesmo, ninguém deve deixar-se dominar pelas causas exteriores, pois os instrumentos de vitória, quando mal usados, transformam-se em instrumentos de crime, em fontes de erros e de fracassos. Aparvalhado, realmente horrorizado, perguntou: — Como farei, então?!... Contarei com que, para remediar as coisas?... Docilmente, falou-lhe o Mensageiro: — Não penses, agora, em esmolas e ofertas... Considera os fatos, conversa em teu íntimo com DEUS... Lembra-te de Maomé, dos ensinos que legou, apesar das falhas contidas... Confessa-te em consciência, promete vir a ser melhor... Procura a paz, constrói a tua paz. DEUSreside no íntimo de todos nós; todos nós somos filhos da LUZ DIVINA, e nenhum recurso há, melhor, do que amar ao próximo e conhecer as leis fundamentais, para libertar o espírito. Religião não é atender a cleros e nem fazer ofertas exteriores; Religião, em verdade, é o culto do AMOR e da SABEDORIA, porque essas virtudes é que iluminam os espíritos. Repentinamente, quando menos se esperava, e depois de breve pausa, perguntou ele, fremente de esperanças: — E se eu me fizer cristão?... Não é possível?... Responda, vamos!... Com alguma serenidade, respondeu-lhe o Mensageiro: — As religiões e os homens, no mundo, inventam rituais e sacramentos, superstições e fetiches, com os quais pretendem salvar e absolver as almas; tudo isso, entretanto, é comércio do mundo e no mundo fica. Nós, que aqui estamos, para ensinar a respeitar a VERDADE é que viemos, pois ela é que livra, quando o filho de DEUS procura vivê-la. ODIVINO EXEMPLO foi dado pelo CRISTO, e ao CRISTO não dispensou o PAI o cumprimento dos deveres, consoante a LEI GERAL preceitua e determina. Mal o Mensageiro findara a sua explicação, volveu o infeliz, alegando: — Pois não dizem que o CRISTO é o REDENTOR?!... Prontamente, esclareceu o Mensageiro: — Em princípio, como já disse, a cada qual será dado segundo suas obras; essa lei nunca sofrerá soluções de continuidade. Quanto ao CRISTO, forneceu o DIVINO EXEMPLO, vivendo a LEI DE DEUS. Não mandou a cada um tomar a sua respectiva cruz e procurar vencer? Não profligou aos que clamam “Senhor! Senhor!’’ e obram a iniqüidade? Como, então, podem alegar que Se tenha dito o REDENTOR gratuito de quem quer que seja? Ademais, saiba, a função missionária de Jesus foi batizar em Espírito, foi trazer para toda a carne a GRAÇA da REVELAÇÃO, a fim de que, pelo conhecimento da VERDADE, cada qual saiba como lutar e vencer. Sei que esta questão é para ti indiferente, como indiferente o é para milhões de seres encarnados e desencarnados; sei, porém, que ninguém blasfema contra qualquer VIRTUDE, sem pagar justamente pelo crime cometido. Porque de tudo chega a hora, quer seja para fazer justiças ou injustiças, quer seja para responder pelos feitos, recebendo a devida recompensa. E antes que o pobre usuário dissesse algo, avisou-o o Mensageiro: — Temos avisado, irmão, sobre a tua verdadeira situação. Fica-te por aí, com as tuas razões, ou com os teus arrependimentos; quando vieres a merecer, naturalmente virão buscar-te. Depende de ti, agora, apressares ou retardares a tua saída deste local. E, para que saibas, viemos por causa de tua filha... Rogou pela tua sorte, e nós fizemos questão de servi-la, porque é desejosa de boas realizações... Admirado ao extremo, quis saber ele: — Como pode ser isso?!... Como lhes poderia falar?!... Mais uma vez, explicou-lhe o Mensageiro, feito à imagem da bondade: — Através do Consolador, que se acha restaurado no mundo e em pleno funcionamento esclarecedor. Não te disse eu, faz pouco, que a função de Jesus foi batizar em Espírito? Ou nunca ouviu falar em Espiritismo? Prontamente, afirmou o infeliz: — Maomé fez Espiritismo!... Foi o Anjo Gabriel quem Lhe falou!... E a palavra simples e verdadeira do Mensageiro, tornou a esclarecer: — Todos os Grandes Iniciados, todos os “Fundadores de Religião”, todos quantos vieram, no curso dos tempos, ensinar verdades espirituais aos homens, fizeram-no através da REVELAÇÃO. Ela sempre foi o instrumento informativo das gentes, independente de questões raciais, regionais, sectárias, etc. E por mais que alguns Grandes Mestres tenham permitido ao erro entrar em seus ensinos, jamais deixou a REVELAÇÃO de enveredar os filhos de DEUS ao Reino do Céu, pelos caminhos do AMOR e da SABEDORIA. Quanto a Jesus, como já vo-lo disse, tendo vindo para derramar do Espírito sobre toda a carne, por conseguinte veio para forçar uma Era de grandes renovações de variada ordem. Entretido com as suas trevas e amarguras, balbuciou o pobre irmão: — Então minha filha deixou Maomé?... Tem certeza disso?... E foi necessário, ao Mensageiro, adiantar: — No Batismo de Espírito estão contidas todas as Grandes Revelações; porque Jesus Cristo não veio ao mundo para escandalizar a VERDADE, naquilo que já era conhecida. Veio, sim, para torná-la ostensiva a toda a carne. E nós damos disso o testemunho verdadeiro, afirmando que não ficará em trevas aquele que procurar imitá- Lo, cultivando a um tempo a LEI que enobrece e a REVELAÇÃO que ilustra. Porque sem MORAL não poderá haver PAZ e sem conhecimento de causa jamais haverá AUTORIDADE. Antes que ele pudesse deter-nos, fomos embora, deixando-o bastante avisado. Rente ao leito, onde repousava o corpo do discípulo, por um pouco estivemos a trocar idéias; e foi com muito prazer, que ouvimo-lo dizer: — Realmente, a VERDADE não pertence aos mundos, não é propriedade das religiões e nem jamais será objeto de falcatruas humanas; ela está em tudo, nas profundezas de tudo e de todos, ao dispor de quem faça questão de encontrá-la e nela edificar-se. E todo aquele que estiver com ela, como Jesus o esteve, encontrará a fortaleza e o triunfo, a redenção final e as glórias de DEUS. Virá a ser UNO com o PAI, segundo a interpretação da chamada SABEDORIA ANTIGA, interpretação a qual Jesus deu integral confirmação. E o Mensageiro anuiu, satisfeito: — A LUZ DIVINA é a ESSÊNCIA da qual partimos, simples e ignorantes, com todos os valores psíquicos em potencial; fazemos escala nos reinos inferiores, enfrentando situações e condições quase infinitas, a fim de levar a termo o necessário desabrochamento; a esse desabrochamento é que se chamou, nas Antigas Revelações, o despertar do CRISTO interno; e, finalmente, finda-se o processo evolutivo na UNIDADE estabelecida, na sintonização total com o PAI. Quando se chega a esse estado hierárquico, atinge-se o brilho de DEUS, representa-se a SUA DIVINA AUTORIDADE. São as falanges de espíritos crísticos que tutelam as metagaláxias, as galáxias, os sistemas planetários, os mundos e suas Humanidades. Em linhas gerais, podemos afirmar, tudo se resume em realizar a UNIDADE VIBRATÓRIA, a perfeita consonância com o PRINCÍPIO SAGRADO. E como toda a LUZ vem de DEUS, o espírito que atinge tal estado torna-se refletor de SUALUZ e do SEU PODER. Não existem palavras, entretanto, que consigam revelar tais elevadas realidades; as palavras são como as filosofias, que podem tratar de tudo no campo teórico, mesmo que nada resolvam de fato, por ausência de trabalhos práticos. Cumpre, portanto, que se façam esforços reais, contínuos e bem orientados, a fim de se atingir a VERDADE em sua própria essência. E para que o discípulo tivesse noção exata dos fatos ocorridos, colocou-lhe o Mensageiro a mão direita sobre a cabeça, com o propósito de recolocá-lo no corpo. A par desse processo posto em prática, foi-lhe dizendo, com todo o vigor possível: — Procura conhecer nos livros, nas palavras e nos diferentes elementos informativos; mas não esqueças, jamais, que deves a realização aos trabalhos íntimos. Conserva a mente ligada ao PAI, que é o FUNDAMENTO; mantém perene ligação com o CRISTO, que é o DIVINO MODELO; e, como medida de ordem construtiva, agarra-te aos trabalhos de fraternidade. Aprende e ensina, sempre que seja possível. Liberta-te das formas inferiores de culto espiritual, ensinando e cooperando, para que teus irmãos também se libertem. A falsa fé é como o alimento deteriorado, que tendo aparência de nutritivo, serve apenas para envenenar! Deixamos o discípulo, e fomos procurar a jovem ex-protestante.
Capítulo XI
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.