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Capítulo 12 de 13

Índice — parte 11 de 12

Lei Graça e Verdade · Osvaldo Polidoro

Não estava a jovem junto ao corpo, como já o prevíamos, por isso, fomos encontrá-la em companhia de seis outros irmãos, nossos parceiros de trabalhos, lidando em um cemitério, a fim de levar a um pobre irmão a palavra conselheira, o germe da recuperação futura. Porque, seja como for, ninguém se faz mais ou menos edificado, sem o trabalho direto de sua mente, posto ela em atividade pelo esforço voluntário. Mistérios e milagres não existem, de maneira alguma, para quem conhece a LUZ DIVINA, que a tudo engendra, sustenta e destina, conforme ensinava o antigo hermetismo egípcio; tudo é segundo leis fundamentais, nada é por acaso; e, assim sendo, quando o espírito ultrapassa os reinos inferiores, onde agia por força dos automatismos inconscientes, e penetra no círculo hominal, ou da consciência individual, deve tomar tento com a sua função mental, com o jogo das análises comparativas, a fim de lançar-se na trilha certa. A trilha certa é a concordância com a LEI; e a LEI não é teórica, apenas, pois é a FORÇA BÁSICA, o PODER EQUILIBRADOR, que tange de dentro para fora. A LEI escrita, que informa de fora para dentro, lembra ao discípulo a necessidade inalienável de acertar os passos com a FORÇA BÁSICA. O espírito que desconhece essa realidade simples e fundamental; que não vibra em função de um PODER DIVINO que tudo engendra, sustenta e destina; esse espírito é, ainda, naturalmente, primário, nos domínios educativos. Aqueles, entretanto, que vierem a conhecer essa realidade fundamental, devem atender a ela com todo o seu poder deliberativo. Para esses foi que o CRISTO EXTERIOR ou EXEMPLAR sentenciou: “Aquele que meter a mão ao arado, não olhe para trás”. Quem olhar para trás, ou recuar, estará apenas dificultando, atrasando a marcha evolutiva do CRISTO INTERNO. Estará fazendo contra si, pessoalmente, aquilo que nenhum inimigo exterior poderia fazer. Convém, portanto, enfrentar o problema da evolução consciente, ou intelecto-moral, com todo o critério, sem exageros, sem precipitações, sem fanatismos sectários. Ninguém pecará, pelo fato de meditar no critério das Escolas Antigas, ocultando o conhecimento da VERDADE aos incapazes; essas Escolas queriam, assim, evitarlhes maiores faltas e agravos. Desde, porém, que o DIRETORPLANETÁRIO veio derramar o Espírito sobre a carne toda, ou abrir as portas dos Templos Iniciáticos, ou Rasgar o Véu do Templo, é errôneo pretender manter a conduta secreta. Desde então, ninguém tem o direito de ficar na porta, não entrar e dificultar a entrada aos que podem fazê-lo... Entre os muitos erros, conta-se aquele que é filho da presunção, do juízo temerário. É melhor evitá-lo. Ensine-se, portanto, aquilo que é necessário ensinar. Que os mais sábios ofereçam os melhores exemplos. E a LEI dará, a cada um, segundo o seu merecimento. Em face do conhecimento da VERDADE, coisa bem difícil é um irmão julgar o outro, qualificando-o superior ou inferior, capaz ou incapaz. A justa medida, pois, é aquela que contém o melhor conhecimento e o mais puro exemplo. O que passar disso, embora seja até mesmo bem intencionado, pode conter grande falha e vir a custar severos constrangimentos. De resto, quem vier a conhecer a VERDADE, faça coisas de bom conhecedor. Se vier a cometer faltas, não atire a culpa sobre terceiros. Quem é capaz de tomar a iniciativa de conhecer, que se responsabilize pelo seu mesmo proceder!

Como dissemos, fomos encontrar a jovem e mais seis companheiros, entretidos num trabalho motivador. Quem estava, debaixo da terra, travando luta medonha, brigando de permeio com os vermes, com alguém que se armava de todos os poderes vingativos? Qual o motivo daquele tremendo espetáculo? Eis aí, em verdade, um caso semelhante a milhões de outros, embora variando na escala das especificações. Quem erra num mínimo contra a LEI, ensinou Jesus, nem por isso deixou de errar. O mais, tudo é simples questão de variação intensiva. Aquele homem que ali estava, debaixo da terra, no meio dos vermes, travando a luta que ele julgava ser de vida ou de morte, fora apenas um grande feiticeiro. O seu mal fora, simplesmente, empregar o mal após conhecer parte da VERDADE. Conheceu leis e forças de DEUS e da CRIAÇÃO. Valeu-se de seus poderes psíquicos e facultativos, para fazer o mal. Articulou-se com elementos astrais de baixíssimo padrão vibratório. E, conseqüentemente, encheu-se de trevas, marcando registrações cármicas dolorosas. Ali estava, pois, às voltas consigo mesmo, com as suas obras, com os inimigos que criara. Em lugar de trabalhar pela exposição da LUZ DIVINA, trabalhou pela tenebrosa caracterização da personalidade. Tendo a LUZ por princípio, engendrou a treva pela falsa aplicação de si mesmo! Não soube orar e vigiar, entregando a várias tentações o dever de ser fiel e prudente para consigo mesmo! Metido naquela terrível contenda, dava luta a todos os vultos e a todas as imagens horrorosas que sobre ele vinham. E como estava totalmente entregue ao vício dos revides e das prevenções vingativas, enquanto lutava xingava e prometia mortíferas represálias, desconhecendo que havia passado para os rincões do mundo espiritual. Unidas as forças daqueles irmãos socorristas com as vantagens dos recursos oferecidos pela irmã encarnada, foi ele num momento suspenso, tornado o mais lúcido possível, a fim de ser informado. Apenas informado, como ficou dito, pois as medidas de amparo viriam, com o tempo, segundo as proposições que ele viesse a tomar. — Aqui estamos, — disse-lhe um dos servidores, — para fim informativo. Deve saber que desencarnou, que esta lutando em vão e que deve tomar outras iniciativas de ordem mental. Contido na sua fúria pelos poderes superiores, ainda assim queria ele arremessar-se contra os servidores da LEI, por julgá-los inimigos, tomando-os como se fossem ferozes adversários, em plena obra de ludíbrio, a fim de o apanharem à traição. Disse-lhes os piores palavrões, porque não os pode agarrar, preso que estava, por forças que o mantinham longe de conhecer e dominar. E os trabalhadores da LEI volveram à carga, apontando: — Olhe para baixo! Veja o seu corpo somático em decomposição! Ele olhou, estarreceu e bramiu: — Meu DEUS!... Livra-me deste horrível estado!... Um dos companheiros falou-lhe: — Existem, pelo menos, três condições de erro: o erro por negligência, quando a criatura pouco sabe, e usa mal do pouco que sabe, por desconhecer o montante de efeitos calamitosos, no porvir dos tempos, das vidas e das provas expiatórias; existe o erro espontâneo, quando a criatura, por não ter conhecimento de causa, pode produzir o mal, pensando que está produzindo o bem. Virá a responder, é claro, mas lhe será levado em conta a ignorância e o bom ânimo. E existe o erro proposital, calculado, daquele que se deixa arrastar pelos aranzéis do mundo. Este erro será julgado a rigor, porque mais será exigido, como o ensinou Jesus, daquele que mais conhece. Se pouco antes, confundindo os propósitos, queria ele arremessar seus ódios contra os servos da LEI, agora, reconhecendo os fatos, caiu em si, rogando misericórdia, querendo forçar a solidariedade que não merecia. — Por DEUS!... Não me abandonem!... Salvem-me!... — gritava ele. Perguntaram-lhe: — Podes alegar ignorância das leis e dos meios aplicados para o mal? — Peço misericórdia e não justiça... Tende piedade para comigo!... Replicaram-lhe: — A glória é para os gloriosos; a paz é para os pacíficos; a misericórdia é para os misericordiosos e o socorro é para aqueles que já o merecem. Porque fizeste mau uso dos conhecimentos da VERDADE, ou de recursos chamados transcendentes, viemos avisar-te, de ordem superior, para que o remorso te compila ao mais acendrado arrependimento. Cometeste um grande crime contra ti mesmo, aplicando mal os valores psíquicos já desabrochados; outro grande crime fizeste, amparando falanges de irmãos errados, e induzindo ao erro aqueles que foram caindo em tuas malhas infernais; e ainda outro erro, aquele que se caracteriza pela traição. Verdadeiramente, todos aqueles que usam de faculdades mediúnicas e de irmãos maldosos ou inferiores, para efeitos maldosos ou vingativos, responderão em muito maior conta. Essa é sem dúvida, a pior forma de blasfêmia contra a VERDADE. Alucinado, realmente espavorido, rogou: — Tende piedade!... Prometo o mais profundo arrependimento!... Enquanto foram largando as forças que o sustinham acima da tremenda tragédia em que estava envolvido; enquanto ele foi descendo ao seu infernal tugúrio, foram eles repetindo as palavras da LEI e da JUSTIÇA: — Arrepender não é o suficiente; cumpre sofrer as conseqüências do mau propósito e ressarcir as faltas acumuladas. Cada crime é uma nódoa e cada nódoa é um fantasma vivo e tétrico, ao qual cumpre eliminar no curso das vidas e das expiações. Se queres aceitar um conselho, não traves luta contra as visões macabras, nem contra os infelizes que caem sobre ti, embalados pela sanha vingadora. Concentra-te e ora; confessa-te perante DEUS no templo da consciência; e lembra-te com amor, de todos aqueles contra quem atiraste os dardos infames de tuas práticas hediondas! Cumprida a tarefa, que já continha o germe da caridade, fomos dali nos retirando. Como havia algum tempo, demos para observar o que se passava num dos recantos do cemitério. E notamos que uma jovem encarnada, procurando observar o que ocorria por ali, mal continha a angústia que a dominava. — Não te preocupes, querida, — disse-lhe o Mensageiro, — que atrás de tudo isso está a LEI. Não existem, aí, inocentes a sofrer. E aos pecadores capazes de arrependimentos profundos, envia DEUS a Sua Misericórdia, em forma de avisos oportunos. — Como no caso do feiticeiro? — perguntou ela. — Como em todos os casos, quando haja reconhecimento dos erros e da capacidade de acendrada penitência. Nunca leste, na Escritura, que se faz bemaventurado o pecador penitente? Depois de a jovem ter dito de suas leituras, um dos servidores, em quem se reconheciam ainda as marcas da pouca evolução, ou da precariedade objetiva, pediu a atenção do Mensageiro, para indagar: — Como atender aos ditos escriturísticos, com inteireza de fé, se alguns dos chamados Livros Sagrados contém fortes lacunas, falhas evidentes e contradições francamente expostas? — Leste, sem dúvida, muitos dos chamados Livros Sagrados. — atendeu-o o Mensageiro, fitando-o com simpatia e inteligência. — Pelo menos, — emendou o companheiro, — sei de todos alguma coisa. Envolvendo-o em carinhoso olhar, falou-lhe o Mensageiro: — Através da REVELAÇÃO, enviou o SENHOR PLANETÁRIO, desde os primórdios humanos, as lições necessárias, condizentes com o meio. Os melhores homens falaram pelo SENHOR, segundo a feição histórica das raças, dos povos e das famílias humanas. E alguns dos Livros Sagrados foram escritos por muitos Missionários, através de séculos, depois de muitas lutas, de permeio com intocáveis percalços. E se é certo que um dia veio o próprio SENHOR PLANETÁRIO, vivendo a renúncia máxima que é possível a um espírito encarnado, e, por isso mesmo, revelando a VERDADE e trazendo a GRAÇA para toda a carne, bem patente é, como sabemos, que nem todos os Missionários foram como Jesus. Concordas com isso? — Plenamente! — respondeu o companheiro — Mas eu falo dos Livros Sagrados e não dos Missionários, bondoso Mensageiro. Quero considerar as falhas dos Missionários inerentes à humanidade, porém desejo, muito mais ainda, acentuar as falhas que os Livros contêm, as terríveis contradições que ostentam. O Mensageiro, como que aguardando as ponderações do companheiro, esclareceu: — Apesar das falhas humanas contidas nos chamados Livros Sagrados; apesar dos erros posteriores, por causa das traduções e complicações; e até mesmo apesar dos erros propositais, para acobertar interesses clericais e sectários, ainda assim ninguém se perde por influência dos Livros Sagrados. As muitas falhas, de variada ordem e extensão, que neles podemos reconhecer, não bastam para empanar o brilho e a santidade de suas diretrizes fundamentais. Não acredita nisso? O companheiro nem sequer respondeu, tocado de feliz emoção, agradeceu a atenção que o Mensageiro lhe dera; e este, amigo e dócil, acrescentara: — Ainda mais, e para todos os efeitos, devemos considerar que a Súmula das Revelações, que é a Igreja Viva, edificada sobre a REVELAÇÃO, poderá em qualquer tempo restaurar as lições corrompidas. Lembremo-nos, com inteligência, que CRISTO não escreveu, nem prometeu Livros Sagrados, porque sabia sobre que bases informativas deixaria a Sua Igreja Viva. Que mais poderiam desejar os estudiosos, que o próprio instrumento revelador? — Perfeitamente! — anuiu o companheiro, atencioso e satisfeito. E quando menos esperava, perguntou-lhe o Mensageiro, a fim de focalizar diretamente a promessa do CRISTO: — Quando lhe perguntam os encarnados alguma coisa, referente aos poderes espirituais, que responde você? Prontamente, respondeu o companheiro: — Respondo, consoante as lições recebidas, que resolvam em si mesmos os problemas do AMOR e da SABEDORIA. — E alguém duvida de quais sejam os frutos do AMOR e da SABEDORIA? — tornou a perguntar-lhe o Mensageiro. — Não é possível duvidar. O AMOR e a SABEDORIA resumem a essência de tudo aquilo que já foi revelado, e aquilo que ainda não foi, devendo sê-lo no curso dos tempos que virão. Isso eu compreendo perfeitamente. — Então, — disse-lhe o Mensageiro, — estão vivas e produzindo seus frutos imortais, as palavras de todos os Grandes Reveladores e as promessas do CRISTO PLANETÁRIO? O companheiro, satisfeito pela explicação dada, abraçou o Mensageiro, cheio de gozo espiritual, satisfeito e agradecido. Dali saímos, para entregar a jovem ao seu corpo, fazendo empenho de que tivesse alguma lembrança dos acontecimentos. Ela ainda estava se iniciando, vindo por isso a se chocar com algumas recordações. Mantínhamos, para com ela, os cuidados que bem merecia. Ao pé do leito, falou-lhe o Mensageiro, o mais hierarquizado de todos nós: — Se te lembrares de algo horripilante, não te esqueças, também, das graças que o SENHOR te concede; faz três mil e quinhentos anos que Moisés desejou para todo o Povo a GRAÇA da REVELAÇÃO, e ainda está aguardando a compreensão desse mesmo Povo, mesmo depois de Jesus ter vindo batizar em Espírito. Ela olhou bem para o rosto feliz e inteligente do Mensageiro, dizendo: — Compreendo, querido Mensageiro, a tua linguagem de bondoso servidor. Havendo ela acordado, fomos dali em busca do jovem sírio.

Capítulo XII

Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.