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Capítulo 5 de 18
Declamação De Erasmo De Rotterdam — parte 1 de 1 — parte 2 de 14
Elogio Da Loucura
E acaba por extinguir-se neles o natural vigor. Por tudo isso, observai, senhores, que, quanto mais o homem se afasta de mim, tanto menos goza dos bens da vida, avançando de tal maneira nesse sentido que logo chega à fastidiosa e incômoda velhice, tão insuportável para si como para os outros. E, já que falámos de velhice, não fiqueis aborrecidos se por um momento chamo para ela a vossa atenção. Oh! como os homens seriam lastimáveis sem mim, no fim dos seus dias! Mas, tenho pena deles e estendo-lhes a mão.
Não raro, as divindades poéticas socorrem piedosamente, com o divino segredo da metamorfose, os que estão prestes a morrer: Fetonte transforma-se em cisne, Alcion em pássaro, etc. Também eu, até certo ponto, imito essas benéficas divindades. Quando a trôpega velhice coloca os homens à beira da sepultura, então, na medida do que sei e do que posso, eu os faço de novo meninos. De onde o provérbio: Os velhos são duas vezes crianças. Perguntar-me-eis, sem dúvida, como o consigo.
Da seguinte forma: levo essas caducas cabeças ao nosso Letes (porque, entre parênteses, sabeis que esse rio tem sua nascente nas ilhas Fortunadas e que um seu pequeno afluente corre nas proximidades do Averno) e faço-as beber a grandes goles a água do Esquecimento. E é assim que dissipam insensívelmente as suas mágoas e recuperam a juventude. Alegar-se-á, contudo, que deliram e enlouquecem: pois é isso mesmo, justamente nisso consiste o tornar a ser criança. O delírio e a loucura não serão, talvez, próprios das crianças? Que é que, a vosso ver, mais agrada nas crianças?
A falta de juízo. Um menino que falasse e agisse como um adulto não seria um pequeno monstro? Pelo menos, não poderíamos deixar de odiá-lo e de ter por ele um certo horror. Há muitos séculos, é trivial o provérbio: Odeio o menino de saber precoce. Quem, por outro lado, poderia fazer negócios ou ter relações com um velho, se este aliasse a uma longa experiência todo o vigor do espírito e a força do discernimento?
Por conseguinte, por obra da minha bondade, o velho se torna criança, devendo-me a libertação de todas as fastidiosas aflições que atormentam o sábio. Além disso, o meu criançola não desagrada companhia, nem sente aversão pela vida dificilmente suportada na idade robusta. Torna a soletrar, muitas vezes, as três letras daquele tolo velho a que alude Flauto: A. M. O..
Ora, se ele fosse um pouquinho sábio, não é certo que seria o mais infeliz dos mortais? Mas, por efeito da minha bondade, uma vez isento de todo aborrecimento e inquietação, recreia os amigos e é agradável na conversação. E não vemos, em Homero, o velho Nestor falar mais doce do que o mel, enquanto o feroz Aquiles prorrompe em excessos de furor? O mesmo poeta não nos pinta alguns velhos sentados nos muros e fazendo lépidos discursos? Afirmo, pois, de acordo com esse raciocínio, que a felicidade da velhice supera a da meninice.
Não se pode negar que a infância é muito feliz; mas, nessa idade, não se tem o prazer de tagarelar, de resmungar por trás de todos, como fazem os velhos, prazer que constitui o principal condimento da vida. Outra prova do meu confronto é a recíproca inclinação que se nota nos velhos e nos meninos, e o instinto que os leva a manterem entre si boas relações. Assim é que se verifica que todo semelhante ama o seu semelhante. De fato, essas duas idades têm uma grande relação entre si, e não vejo nelas outra diferença senão as rugas da velhice e a porção de carnavais que os primeiros têm sobre a corcunda. Quanto ao mais, a brancura dos cabelos, a falta dos dentes, o abandono do corpo, o balbucio, a garrulice, as asneiras, a falta de memória, a irreflexão, numa palavra, tudo coincide nas duas idades.
Enfim, quanto mais entra na velhice, tanto mais se aproxima o homem da infância, a tal ponto que sai deste mundo como as crianças, sem desejar a vida e sem temer a morte. Julgue-me, agora, quem quiser, e confronte o bom serviço que prestei aos homens com a metamorfose dos deuses. Não preciso recordar, aqui, os horríveis efeitos do seu ódio; falarei apenas dos seus benefícios. Que graças concedem eles aos que estão para morrer? Transformam um em árvore, outro em pássaro, este em cigarra, aquele em serpente, etc., que são, na verdade, grandes esforços de beneficência!
Chega a parecer que a passagem de um ser para o outro é o mesmo que morrer. Quanto a mim, é o homem em pessoa que eu reconduzo à idade mais bela e mais feliz. Se os mortais se abstivessem totalmente da sabedoria e só quisessem viver submetidos às minhas leis, é certo que não conheceriam a velhice e gozariam, felizes, de uma perpétua juventude. Observai, por favor, aquelas fisionomias sombrias, aqueles rostos torturados e sem cor, mergulhados na contemplação da natureza ou em outras sérias e difíceis ocupações: parecem envelhecidos antes de terminada a juventude, e isso porque um trabalho mental assíduo, penoso, violento, profundo, faz com que aos poucos se esgotem os espíritos e a seiva da vida. Reparai, agora, um pouco, como os meus tolos são gordos, lúcidos e bem nutridos, ao ponto de parecerem verdadeiros porcos acarnânios (27).
Esses felizes mortais não sentiriam nenhum incômodo na velhice, se nenhum contato tivessem com os sábios. Infelizmente, porém, isso acontece. Que fazer? Vê-se claramente que o homem não nasceu para gozar aqui na terra de uma felicidade perfeita. Tenho ainda em meu favor o importante testemunho de um famoso provérbio que diz: Só a loucura tem a virtude de prolongar a juventude, embora fugacíssima, e de retardar bastante a malfadada velhice.
Compreende-se, pois, o que em geral se diz dos belgas; ao passo que em todos os outros homens a prudência cresce na proporção dos anos, neles, ao contrário, a loucura está na proporção da velhice. Pode-se dizer, portanto, que não há no mundo nenhuma nação mais jovial nem mais alegre do que essa no comércio da vida, nem que sinta menos o aborrecimento dos anos. Citemos porém, além dos belgas, os povos que vivem sob o mesmo clima e cujos costumes são quase os mesmos: quero referir-me aos meus holandeses, que eu posso gabar-me de ter entre os meus mais fiéis adoradores. Nutrem por mim tanto afeto e tanto zelo que foram julgados dignos de um epíteto derivado do meu nome e, muito longe de se envergonharem, o consideram sua glória principal. Invoquem tudo isso os estultíssimos mortais, invoquem Circe, Medéia, Vênus, a Aurora, e procurem também aquela não sei que fortuna que tem a virtude de rejuvenescer, virtude que somente eu, contudo, posso e costumo praticar.
Só eu possuo o elixir admirável com o qual a filha de Menão prolongou a juventude de Titão, seu avô. Fui eu quem rejuvenesceu Vênus, assim como Faão, por quem Safo andou perdidamente apaixonada. São minhas aquelas ervas, se é que existem, meus aqueles encantamentos, minha aquela fonte, que não só restituem a passada juventude, mas, o que é mais desejável, a tornam perpétua. Se, portanto, concordais que não há nada mais precioso do que a juventude e mais detestável do que a velhice, posso concluir que reconheceis a dívida que tendes para comigo, sim, para comigo, pois que, para vos tornar felizes, sei prolongar tamanho bem e retardar um mal tão grande. Mas, porque falar ainda mais dos mortais?
Percorrei todo o céu, analisai todas as divindades: ficarei satisfeita por me insultarem o belo nome que tenho a honra de trazer, se for encontrada uma só divindade que não deva exclusivamente a mim todo o seu poder. Por favor: por que Baco tem sempre, como um rapazinho, o rosto rubicundo e a longa cabeleira loura? É porque passa a vida fora de si, embriagado nos banquetes, nos bailes, nas festas, nos folguedos, recusando qualquer relação com Minerva. E tão alheio é à ambição de trazer o nome de sábio que gosta de ser venerado com escárnios e zombarias. Nem mesmo se ofende com o provérbio que lhe dá o sobrenome de Ridículo, sobrenome que mereceu porque, sentado à porta do templo, e divertindo-se os camponeses em emporcalhá-lo de mosto e de figos frescos, ele se ria de arrebentar os queixos.
E quantos golpes satíricos não desferiu contra esse deus a Comédia Antiga? (28) — O estólido, o insulso deus! — exclamava-se. — Indigno de nascer no meio da rua! — Mas, dizei-me sem simulação: quem de vós, a ser esse deus, estólido e insulso, mas sempre alegre, sempre jovem, sempre feliz, sempre motivo de prazer e alegria gerais, preferiria ser aquele Júpiter simulador, terror do mundo inteiro, ou o velho Pã, que com o seu barulho espalha temores pânicos, ou o defeituoso Vulcano, todo enfumarado e cansado do estafante trabalho, ou a própria Palas, terrível pela lança e pela cabeça de Medusa, e que a todos encara com um olhar feroz? Passemos a outras divindades.
Sabeis porque Cupido se conserva sempre moço? É porque só se ocupa com bagatelas, porque está sempre brincando e rindo, sem juízo e sem reflexão alguma, correndo puerilmente de um lado para outro, sem saber ao menos o que se faz ou o que se diz. Porque a áurea Vênus mantém sempre florida a sua beleza? Não o sabeis? É porque é minha parente próxima, conservando sempre no rosto a áurea cor de meu pai Plutão.
Além disso, se devemos prestar fé aos poetas e aos seus rivais os escultores, essa deusa aparece sempre com uma expressão risonha e satisfeita, sendo com razão chamada por Homero de áurea Vênus. E Flora, mãe das delícias, não era, talvez um dos principais objetos da religião dos romanos? Das divindades dos prazeres já falámos bastante. Fazeis questão, agora, de conhecer a vida dos deuses tétricos e melancólicos? Interrogai Homero e os outros poetas, e eles poderão dizer-vos, a esse respeito, belíssimas coisas, fazendo-vos ver que os deuses são pelo menos tão loucos quanto os mortais.
Júpiter deixa os seus raios, abandona as rédeas do universo, para entregar-se aos amores, o que para vós não constitui novidade. Esquece o seu sexo a altiva e inacessível Diana, para consagrar-se inteiramente à caça, o que não impede que se apaixone loucamente por seu ardoroso Endimião, a ponto de se dar, muitas vezes, ao incômodo de descer do céu, em forma de Lua, para cumulá-lo com seus favores. Mas, prefiro que as suas indecências sejam reprovadas por Momo (29), cujas censuras são eles os únicos a ouvir. Foi, pois, bem feito que os deuses, enraivecidos, o precipitassem à terra juntamente com Ates (30), porque, importuno com a sua sabedoria, ele perturbava sua felicidade. E, longe de encontrar acolhimento nos paços monárquicos, não acha uma alma que lhe preste hospitalidade em seu exílio, ao passo que a Adulação, minha companheira, ocupa sempre o primeiro lugar, essa mesma Adulação que sempre esteve de acordo com Momo como o lobo com o cordeiro.
E assim, livres da importuna censura de Momo, os deuses se entregaram com maior liberdade e alegria a toda sorte de prazeres. Com efeito, quantas palavras chistosas não pronuncia aquele Priapo de uma figa? Quanto não faz rir Mercúrio com suas ladroeiras e seus feitiços? Que não faz Vulcano (31) nos banquetes dos deuses? Põe-se a correr para chamar a atenção sobre o seu andar claudicante, brinca, diz asneiras, em suma, faz tudo para tornar o banquete alegre.
E que direi daquele velho imbecil que se apaixonou por Sinele e gosta de dançar com Polifemo e com as ninfas? E daqueles sátiros semibodes que em suas danças praticam cem atos imodestíssimos? Pã provoca o riso dos deuses com suas insípidas cantilenas: eles o escutam com grande atenção e preferem cem vezes a sua música à das musas, principalmente quando os vapores do néctar principiam a perturbar-lhes a cabeça. Mas, porque não hei de recordar as extravagâncias que fazem as divindades depois dos banquetes, sobretudo depois de terem bebido muito? Asseguro-vos, por Deus, que, embora eu seja a Loucura e esteja, por conseguinte, habituada a toda espécie de extravagâncias, muitas vezes não consigo conter o riso.
Mas, é melhor que me cale, porque, se algum deus desconfiado e prevenido me escutasse, também eu poderia ter a mesma sorte de Momo. Mas, já é tempo de que, seguindo o exemplo de Homero, passemos, alternadamente, dos habitantes do céu aos da terra, onde nada se descobre de feliz e de alegre que não seja obra minha. Primeiro, vós bem vedes com que providência a natureza, esta mãe produtora do gênero humano, dispôs que em coisa alguma faltasse o condimento da loucura. Segundo a definição dos estóicos o sábio é aquele que vive de acordo com as regras da razão prescrita, e o louco, ao contrário, é o que se deixa arrastar ao sabor de suas paixões. Eis porque Júpiter, com receio de que a vida do homem se tornasse triste e infeliz, achou conveniente aumentar muito mais a dose das paixões que a da razão, de forma que a diferença entre ambas é pelo menos de um para vinte e quatro.
Além disso, relegou a razão para um estreito cantinho da cabeça, deixando todo o resto do corpo presa das desordens e da confusão. Depois, ainda não satisfeito com isso, uniu Júpiter à razão, que está sozinha, duas fortíssimas paixões, que são como dois impetuosíssimos tiranos: uma é a Cólera, que domina o coração, centro das vísceras e fonte da vida; a outra é a Concupiscência, que estende o seu império desde a mais tenra juventude até à idade mais madura. Quanto ao que pode a razão contra esses dois tiranos, demonstra-o bem a conduta normal dos homens. Prescreve os deveres da honestidade, grita contra os vícios a ponto de ficar rouca, e é tudo o que pode fazer; mas os vícios riem-se de sua rainha, gritam ainda mais forte e mais imperiosamente do que ela, até que a pobre soberana, não tendo mais fôlego, é constrangida a ceder e a concordar com os seus rivais. De resto, tendo o homem nascido para o manejo e a administração dos negócios, era justo aumentar um pouco, para esse fim, a sua pequeníssima dose de razão, mas, querendo Júpiter prevenir melhor esse inconveniente, achou de me consultar a respeito, como, aliás, costuma fazer quanto ao resto.
Dei-lhe uma opinião verdadeiramente digna de mim: — Senhor, — disse-lhe eu — dê uma mulher ao homem, porque, embora seja a mulher um animal inepto e estúpido, não deixa, contudo, de ser mais alegre e suave, e, vivendo familiarmente com o homem, saberá temperar com sua loucura o humor áspero e triste do mesmo. Quando Plutão pareceu hesitar se devia incluir a mulher no gênero dos animais racionais ou no dos brutos, não quis com isso significar que a mulher fosse um verdadeiro bicho, mas pretendeu, ao contrário, exprimir com essa dúvida a imensa dose de loucura do querido animal. Se, porventura, alguma mulher meter na cabeça a idéia de passar por sábia, só fará mostrar-se duplamente louca, procedendo mais ou menos como quem tentasse untar um boi, malgrado seu, com o mesmo óleo com que costumam ungir-se os atletas. Acreditai-me, pois, que todo aquele que, agindo contra a natureza, se cobre com o manto da virtude, ou afeta uma falsa inclinação, ou não faz senão multiplicar os próprios defeitos. E isso porque, segundo o provérbio dos gregos, o macaco é sempre macaco, mesmo vestido de púrpura.
Assim também, a mulher é sempre mulher, isto é, é sempre louca, seja qual for a máscara sob a qual se apresente. Não quero, todavia, acreditar jamais que o belo sexo seja tolo ao ponto de se aborrecer comigo pelo que eu lhe disse, pois também sou mulher, e sou a Loucura. Ao contrário, tenho a impressão de que nada pode honrar tanto as mulheres como o associálas à minha glória, de forma que, se julgarem direito as coisas, espero que saibam agradecer-me o fato de eu as ter tornado mais felizes do que os homens. Antes de tudo, têm elas o atrativo da beleza, que com razão preferem a todas as outras coisas, pois é graças a esta que exercem uma absoluta tirania mesmo sobre os mais bárbaros tiranos. Sabereis de que provém aquele feio aspecto, aquela pele híspida, aquela barba cerrada, que muitas vezes fazem parecer velho um homem que se ache ainda na flor dos anos?
Eu vo-lo direi: provém do maldito vício da prudência, do qual são privadas as mulheres, que por isso conservam sempre a frescura da face, a sutileza da voz, a maciez da carne, parecendo não acabar nunca, para elas, a flor da juventude. Além disso, que outra preocupação têm as mulheres, a não ser a de proporcionar aos homens o maior prazer possível? Não será essa a única razão dos enfeites, do carmim, dos banhos, dos penteados, dos perfumes, das essências aromáticas, e tantos outros artifícios e modas sempre diferentes de vestir-se e disfarçar os defeitos, realçando a graça do rosto, dos olhos, da cor? Quereis prova mais evidente de que só a loucura constitui o ascendente das mulheres sobre os homens? Os homens tudo concedem às mulheres por causa da volúpia, e, por conseguinte, é só com a loucura que as mulheres agradam aos homens.
Para confirmar ainda mais essa conclusão, basta refletir nas tolices que se dizem, nas loucuras que se fazem com as mulheres, quando se anseia por extinguir o fogo do amor. Já vos revelei, portanto, a fonte do primeiro e supremo prazer da vida. Concordo que alguns existam (sobretudo certos velhos mais bebedores que mulherengos) cujo supremo prazer seja a devassidão. Deixo indecisa a questão de saber se é possível um bom banquete sem mulheres. O que é certo é que mesa alguma nos pode agradar sem o condimento da loucura.
E tanto isso é verdade que, quando nenhum dos convidados se julga maluco ou, pelo menos, não finge sê-lo, é pago um bobo, ou convidado um engraçado filante que, com suas piadas, suas brincadeiras, suas bobagens, expulse da mesa o silêncio e a melancolia. Com efeito, que nos adiantaria encher o estômago com tão suntuosas, esquisitas e apetitosas iguarias, se os olhos, os ouvidos, o espírito e o coração não se nutrissem também de diversões, risadas e agradáveis conceitos? Ora, sou eu a inventora exclusiva de tais delícias. Teriam sido, porventura, os sete sábios da Grécia os descobridores de todos os prazeres de um banquete, como sejam tirar a sorte para se saber quem deve ser o rei da mesa, jogar dado, beberem todos no mesmo copo, cantar um de cada vez com o ramo de murta na mão (32), dançar, pular, ficar em várias atitudes? Decerto que não: somente eu podia inventá-los, para a felicidade do gênero humano.
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