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Capítulo 16 de 18
Declamação De Erasmo De Rotterdam — parte 1 de 1 — parte 13 de 14
Elogio Da Loucura
É verdade que Jesus Cristo mandou que os apóstolos arranjassem uma espada, mas não das que servem de instrumento fatal nas mãos dos ladrões e dos parricidas, e sim de uma espada espiritual que penetrasse até ao fundo do coração, que extirpasse todas as paixões mundanas, a fim de que só a piedade reinasse e dominasse no ânimo. Observai agora, por favor, como o nosso célebre Asinus ad lyram esticou o sentido dessa passagem: por espada, entende ele o direito de defesa contra a perseguição; por alforges, entende a provisão de víveres, como se o Salvador, tendo percebido que sem essa medida não atenderia bastante ao esplendor e à dignidade dos seu missionários, tivesse mudado de parecer e se retratado da sua determinação. Não se recordava o nosso legislador da sua moral? Pois declarou formalmente aos seus discípulos que seriam beatos se sofressem pacientemente a infâmia, os ultrajes, os suplícios; disse-lhes que a verdadeira felicidade era reservada aos brandos de coração, e não aos soberbos; exortou-os, enfim, com o exemplo dos pássaros e dos lírios, a se abandonarem à Providência. Esquecera-se, então, o Salvador dessas suas máximas quando, por um espírito inteiramente oposto, mandou que os apóstolos trouxessem uma espada, vendessem o hábito para comprar uma, e preferissem andar nus a andar desarmados?
Assim como o nosso sutil comentador encerra na espada tudo o que pode servir para repelir a força, assim também entende por alforges tudo o que diz respeito à comodidade da vida. Dessa forma, esse intérprete do espírito de Deus faz com que os apóstolos apareçam no teatro do mundo, para pregar Jesus crucificado, todos armados de lanças, balistas, fundas e bombardas. E assim também, para não viajarem em jejum, carrega-os de dinheiro, malas e embrulhos. Mas, porque Jesus Cristo, depois de ter mandado que os seus discípulos vendessem a própria camisa (por honestidade, creio que foi só) para comprar uma espada, ordenou em seguida, com ar de severidade e desdém, que a pusessem na bainha? Porque os apóstolos, ao que saibamos, nunca desembainharam a espada contra a violência dos tiranos?
Seriam obrigados a fazê-lo, em sã consciência, se Cristo expressamente o tivesse determinado. O nosso teólogo, porém, não se atrapalhou diante dessa dificuldade. Um outro doutor, cujo nome discretamente deixo de citar, deu o mais belo salto do mundo. O profeta Abacuc disse: “As peles da terra de Madian serão revolvidas”. Ora, é claro como o sol que o profeta quer referir-se às tendas dos mandianitas; mas, firmandose o bom teólogo no termo peles, disse que a referida passagem era, sem dúvida alguma, uma alusão ao esfolamento de São Bartolomeu.
Não faz muito que intervim numa discussão teológica, pois quase nunca falto a esse gênero de combate. Tendo alguém perguntado como se poderia provar, com as sagradas escrituras, que contra os herejes deviam ser empregados o ferro e o fogo, em lugar da discussão e do raciocínio, logo se levantou um velho, cujo aspecto severo e temerário facilmente indicava tratar-se de um teólogo, e, franzindo as sobrancelhas, respondeu com uma voz altisonante: “Foi o próprio São Paulo que fez esta sábia lei: Evita (devita) o herege depois de uma ou duas admoestações”. Como fosse repetindo muitas vezes e em voz alta essas palavras, todos o julgaram dominado por um acesso frenético. Mas, ele acabou explicando o enigma: “Sereis — exclamou — tão ignorantes que não noteis que esse vocábulo devita (evita), é formado, em latim, pela preposição de, mais o nome substantivo vita, significando fora da vida? Portanto, São Paulo mandou queimar os hereges e jogar suas cinzas ao vento”.
Alguns puseram-se a rir ante tão nova e inesperada etimologia, mas outros acharamna profunda e verdadeiramente teológica. Percebendo o barbado que não eram por ele todos os sufrágios da assembléia, lançou mão do argumento decisivo: “Está escrito, — disse ele, — está escrito: Não permitirás que viva o malfeitor; ora, o herege é malfeitor, por conseguinte, etc.”. Então, todos admiraram o talento do doutor, e o seu juízo por conseguinte é universalmente aplaudido. Não passa pela cabeça de ninguém que a citada lei dizesse respeito unicamente aos feiticeiros, aos bruxos, aos magos e a todas as pessoas que os hebreus chamavam de malfeitores, porque, do contrário, seria preciso ainda condenar ao fogo a embriaguez e a fornicação. Mas, é uma tolice perder-me em semelhantes frioleiras, cujo número é tão grande que nem Dídimo nem Crisipo disseram tantas, embora tenham publicado uma enorme quantidade de volumes, o primeiro tratando da dialética e o segundo da gramática.
Apenas vos peço que me façais justiça numa coisa: se é permitido que esses divinos mestres se afastem tanto do bom senso e da verdade, não condenais, com mais forte razão, a minha insensatez nas citações, pois não passo, afinal, de uma sombra em confronto com os teólogos. Volto de novo a São Paulo. Falando de si mesmo, diz esse apóstolo: Suportai pacientemente os tolos... Considerai-me também um tolo... Não falo segundo Deus, mas como se fosse tolo...
Somos tolos por Jesus Cristo. Que glória para mim é o fato de um autor de tanto peso referir-se tão favoravelmente à Loucura! No entanto, o mesmo São Paulo, não contente com isso, passa a recomendar a loucura como coisa sumamente necessária à salvação. Aquele, dentre vós, — diz ele, — que quiser parecer sábio, deve tomar-se louco, para poder fazer-se sábio. Não chamou Jesus Cristo loucos, em São Lucas, àqueles dois discípulos com os quais se encontrou na estrada, depois da resurreição?
Não obstante, isso não me causa tanta surpresa como o que disse o apóstolo das gentes: A loucura de Deus é melhor que a loucura dos homens. Ora, de acordo com a interpretação de Orígenes, não se pode aplicar essa loucura à opinião dos homens. Do mesmo gênero é esta passagem: O mistério da cruz é uma loucura para os que perecem. Mas, porque hei de me cansar invocando tantos testemunhos? O homem-Deus, voltando-se para o seu Pai, já lhe disse nos salmos: Conheces minha loucura?
Não é, pois, sem motivo, ou melhor é visivelmente por essa razão que os loucos são os prediletos de Deus. Nesse particular, o Ser Supremo assemelha-se aos príncipes da terra, pois que, em geral, essas divindades imortais não gostam nada das pessoas sensatas e honestas. Com efeito, César temia mais Cássio e Bruto do que ao glutoníssimo Antônio (101); Nero não podia tolerar Sêneca (102); Platão disiludiu-se com Dionísio, o tirano (103). No entanto, apreciaram muito os estúpidos, os simples e os imbecis. O Homem-Deus, igualmente, condena sempre e detesta os sábios que só confiam na própria filosofia.
São Paulo disse nítida e claramente: Deus escolheu tudo o que há de tolo no mundo... Deus julgou conveniente salvar o mundo da loucura. E assim o fez, decerto, porque não teria podido fazê-lo com a sabedoria. O próprio Deus diz pela boca do profeta Isaías: Eu confundirei a sabedoria dos sábios e reprovarei a prudência dos prudentes. E a humanidade de Jesus não dá graças a Deus por ter ocultado aos sábios o mistério da salvação, para revelá-lo aos pequenos, isto é, aos maluquinhos, com toda a força e energia do vocábulo grego?
Pela mesma razão, podemos explicar ainda a contínua guerra que, segundo o evangelho, fez o Salvador aos doutores da lei, aos escribas e aos fariseus, ao mesmo tempo que tomava o partido do vulgo ignorante. Desgraçados de vós, — dizia ele, — oh escribas e fariseus! Não significará essa imprecação o mesmo que desgraçados de vós, oh sábios? Finalmente, o Senhor do universo só costumava conversar com os meninos, as mulheres e os pescadores. Também Jesus Cristo preferia, entre tantas espécies de animais, os que mais se afastavam da sagacidade da raposa: escolheu um burrinho para o seu carro de triunfo, quanto teria podido cavalgar um soberbo leão.
O Espírito Santo desceu sobre a segunda pessoa da Santíssima Trindade, não em forma de águia ou de gavião, mas de pomba, que é o mais simples dos pássaros. Além disso, as sagradas escrituras falam freqüentemente de animais que têm um instinto muito limitado, que são os veados, os enhos e os cordeiros. E não é de ovelhas que Jesus Cristo chama os que são eleitos para gozar com ele do reino dos céus? Ora, onde haverá animal mais estúpido do que a ovelha? Antigamente, por desprezo e injúria, costumava-se dar esse nome às pessoas estúpidas e idiotas.
Ainda mais: em virtude da comparação dos eleitos com as ovelhas, Jesus Cristo vangloria-se do título de pastor e gosta muitíssimo do nome de Cordeiro. De fato, é com esse nome que São João Batista o faz conhecer, quando diz: Eis o Cordeiro de Deus! E sob essa forma é ele igualmente representado em diversas visões do Apocalipse. Mas, quais são as nossas conclusões do que aqui fica dito? Ei-las: Os homens são malucos, sem excetuar mesmo os que fazem profissão de piedade.
Jesus Cristo, que é a sabedoria do Pai, procede como tolo ao unir-se à natureza humana da forma por que o fez, isto é, tornando-se pecador para redimir o pecado. Observai como o Salvador executou dignamente o seu projeto. Tendo estabelecido, em seus decretos, que salvaria os homens com a loucura da cruz, utilizou nessa tarefa apóstolos grosseiros e idiotas, recomendando-lhes calorosamente que evitassem a sabedoria e seguissem a loucura, e indicando-lhes o exemplo dos meninos, das gralhas, e dos pássaros, seres sem nenhum artifício e sem inquietações que só se orientam pelas leis da natureza e pelo mecanismo do instinto. Esse legislador proibiu-lhes que se preparassem para comparecer perante os tribunais dos reis e os presídios, e não quis que pensassem no dia seguinte nem observassem a medida do tempo, com receio de que, fiando-se na própria sabedoria, se abandonassem inteiramente à sua providência. E foi por essa razão que o grande Arquiteto do universo proibiu que o primeiro e lindo par de esposos, por ele feitos e unidos em matrimônio, provassem o fruto da árvore da ciência do bem e do mal, sob pena de sua desgraça e morte.
É a melhor prova de que a ciência é o veneno da felicidade. São Paulo rejeita-a como perniciosa, ao dizer que ensoberbece o coração, e creio que São Bernardo exprimiu o mesmo sentimento desse apóstolo, ao chamar monte do saber àquele monte no qual o soberbo Lúcifer fixou sua morada. Não me parece que deva silenciar sobre o sumo crédito de que gozo no céu, pois que aí facilmente se obtém o perdão com o meu nome, ao passo que não é favorável o da sabedoria. Pecou um homem com conhecimento de causa? Não penseis que procure alegar suas luzes, pois pode considerar-se feliz quando pode cobrir-se com o manto da loucura.
É por isso que Adão, no livro XII dos Números, se não me engano, querendo implorar o perdão para si e para a sua mulher, exclama: Rogo-vos, Senhor, que não nos condeneis por esse pecado que tolamente cometemos! O mesmo fez Saul, para desculpar-se com Davi. Logo se vê — diz ele — que agi como louco! O próprio Davi procurando evitar a vingança divina, exclamou: Senhor! Suplico-vos que canceleis a iniqüidade da partida do vosso servo, pois agimos como loucos!
Bem vedes que não podia esperar ser favorecido, se não aduzisse como desculpa a sua tolice e a sua ignorância. Mas, de todas as provas, a que corta a cabeça do touro é a prece do Salvador na cruz pelos seus crucificadores: — Perdoai-lhes, Pai, — disse ele, e o Deus moribundo não aduziu em favor deles outra desculpa senão a da loucura, acrescentando: porque não sabem o que fazem. Disse São Paulo a Timóteo: Deus usou de misericórdia para comigo porque a minha incredulidade era efeito da minha ignorância. Mas, que significa essa ignorância? Não significará mais estultice do que malícia?
Qual é o sentido destas palavras: Deus usou de misericórdia para comigo porque, etc? Não será, talvez, o de demonstrar claramente que, sem o crédito e a recomendação da loucura, São Paulo não teria obtido nenhuma misericórdia? O místico salmista mostrou-se, igualmente, da minha opinião naquela passagem que eu me esqueci de pôr no seu lugar: Dignai-vos Senhor, esquecer os delitos da minha juventude e das minhas ignorâncias. Refletistes bem sobre esse divino cantor? Escusase por dois títulos: um, pela juventude, idade de que sou a fiel e inseparável companheira; outro, pela ignorância, e notai que exprime a sua ignorância no plural, o que mostra a força imensa da sua loucura.
Para terminar logo uma enumeração que por natureza não acabaria nunca, quero vos fazer ver, sucintamente, que a religião cristã se coaduna perfeitamente com a loucura e não tem a menor relação com a sabedoria. Como essa proposição pareça um verdadeiro paradoxo, não serei tão irrazoável que pretenda me acrediteis baseados apenas em minha boa fé. Vamos, pois, às provas. Em primeiro lugar, vemos os que, com maior solicitude, intervém nos sacrifícios e outras cerimônias do culto, não são as pessoas mais sensatas, mas os meninos, os velhos as mulheres e os ignorantes. E de onde lhes vêm o desejo de se aproximarem tanto do altar e o transporte que experimentam pela devoção?
Vêm de um impulso totalmente mecânico da natureza. Em segundo lugar, os fundadores da religião cristã, fazendo profissão de uma maravilhosa simplicidade, eram os inimigos mais declarados do estudo das ciências. Finalmente, é impossível achar loucos mais extravagantes que os que se abandonam inteiramente ao ardor da piedade cristã. Jogam fora o dinheiro como a água, desprezam as injúrias, deixam-se enganar, não vêem nenhuma diferença entre os amigos e os inimigos, sentem horror pela volúpia: a abstinência, as vigílias, as lágrimas, os padecimentos, os ultrajes, eis todas as suas delícias; além disso, odeiam a vida e desejam a morte, ao ponto de parecerem absolutamente privados de senso comum, não passando de corpos sem alma e sem sentimento. Que nome lhes daremos, se o de loucos não lhes fica bom?
Não devemos, pois, estranhar que os judeus tenham considerado os apóstolos como borrachos. O juiz Festo não teria razão ao tomar São Paulo por um extravagante. Uma vez que, sem o perceber, me arvorei em sábia e em raciocinadora, quero ir até ao fim do assunto. Coragem, meu belíssimo espírito! Sustentemos, diante desses ouvintes, diante dessa ilustre sociedade de loucos, uma tese inteiramente nova e inesperada.
Sim, meus caros senhores, quero mostrar-vos que a felicidade dos cristãos, essa felicidade almejada com tantas penas e tantos trabalhos, não é senão uma espécie de loucura e de furor. Como! vós me olhais de soslaio e com desdém? Devagar, devagar: não nos apeguemos às palavras, que não passam de sons articulados e arbitrários. Limitemo-nos ao exame da coisa. Entro no assunto.
O sistema do cristianismo, acerca da felicidade da vida, muito se avizinha aquela dos platônicos. Segundo o princípio fundamental desses dois sistemas, a alma está encarcerada no corpo, ligada pelos nós da matéria e de tal modo oprimida pelo peso da máquina orgânica que muito dificilmente pode descobrir e apreciar a verdade. É por essa razão que Platão definiu a filosofia como sendo a meditação da morte, porque tanto a filosofia como a morte destacam nossa alma das coisas visíveis e corporais. Por isso, quando a alma emprega os órgãos do corpo de acordo com a economia natural, costuma dizer-se sábia e sã; mas, quando, rompendo os liames, procura fugir do cárcere, pôr-se em liberdade, então se diz em estado de loucura. Quando essa desordem provém de enfermidade ou alteração dos órgãos, dão-lhe todos o nome de furor.
Por outro lado, vemos esses felicíssimos loucos que predizem o futuro, que conhecem línguas e ciências sem nunca as terem aprendido, e que mostram ter em si mesmos algo de divino. E de onde provém esse prodígio? Creio não haver dúvida de que provém da alma, que, tornando-se um pouco mais livre da servidão do corpo, começa a utilizar sua força natural. Creio provir igualmente dessa causa a faculdade que têm os moribundos de dizer coisas prodigiosas, como que inspirados. O amor e o zelo da piedade produzem também essa alienação dos sentidos, que não parece ser, é verdade, o mesmo gênero de loucura, mas desta se aproxima de tal forma que em geral se lhe dá o mesmo nome.
Com efeito, quem não trataria como loucos, e como loucos em último grau, aqueles homenzinhos que levam uma vida totalmente diversa da dos outros mortais? E aqui vem muito a propósito a idéia de Platão. Imaginou ele uma caverna repleta de pessoas presas, da qual conseguiu fugir um dos prisioneiros. Este, depois de levar muito tempo vagando sem destino, voltou e gritou em altas vozes aos companheiros: — Meus caros amigos! Como me inspirais piedade!
Só vedes sombras e fantasmas, em suma, sois verdadeiramente tolos. Bem diversa é a minha situação, pois só vi coisas sensíveis existentes, reais. — Então, do seu canto, os encarcerados, que nunca mais saíram do subterrâneo, entreolhando-se com surpresa, exclamaram: — Que nos quer dizer com isso esse louco? Com certeza perdeu o juízo. — O mesmo costuma suceder com homens: os mais sensuais têm maior admiração pelas coisas materiais, quase acreditando que não existam outras; os que se consagram à piedade, ao contrário, quanto mais relação com o corpo tem um objeto, tanto menos lhe dão valor e passam a vida sempre imersos na contemplação das coisas invisíveis.
A principal ocupação dos mundanos é acumular sempre riquezas e contentar em tudo e por tudo o próprio corpo, pouco ou nada se importando com a alma, cuja existência, por ser ela invisível, muitos chegam mesmo a pôr em dúvida. Já as pessoas inflamadas pelo fogo da religião seguem um caminho totalmente oposto e depositam toda a sua confiança em Deus, que é o mais simples de todos os seres: depois dele e dependendo dele, pensam na alma, como sendo a coisa que mais próxima está às divindades. É assim que não pensam no corpo e não só desprezam os bens da fortuna como até os recusam. E quando, por dever, são obrigados, como pais de família, a pensar nos interesses temporais, por aí enveredam contra a vontade e experimentam um vivo pesar, porque têm como se não tivessem e possuem como se não possuíssem. Existem ainda muitos outros graus de diferença entre os que se ocupam somente com o corpo e os que se entregam inteiramente à pia cultivação da alma.
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.