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Capítulo 12 de 18

Declamação De Erasmo De Rotterdam — parte 1 de 1 — parte 9 de 14

Elogio Da Loucura

Os filósofos nem ao menos se conhecem, porquanto, ao tentarem elevar-se às mais sublimes especulações, caem num buraco com que não contavam e quebram a cabeça contra uma pedra. Estragando a vista na contemplação meticulosa da natureza e com o espírito sempre distante, vangloriam-se de distinguir as idéias, os universais, as formas separadas, as matérias primas, os quid, os ecce, em suma, todos os objetos que, de tão pequenos, só poderiam distinguir-se, se não me engano, com olhos de lince. Em nenhuma outra ciência se despreza tanto o vulgo profano como nas matemáticas, que consistem em triângulos, quadrados, círculos e outras figuras geométricas semelhantes, que se sobrepõem uma às outras, confundindo tudo como um labirinto. Por fim, atordoam os idiotas com diversas letras dispostas como um exército em ordem de batalha e subdivididas em várias companhias. Mas, não esqueçamos os astrólogos, aos quais o céu serve de biblioteca e os astros servem de livros.

Graças a esse estudo, compreendem tudo muito bem e revelam o futuro, predizendo maiores prodígios do que os magos. E o mais bonito é que ainda têm a fortuna de encontrar crédulos. Talvez fosse melhor não falar dos teólogos, tão delicada é essa matéria e tão grande é o perigo de tocar em semelhante corda. Esses intérpretes das coisas divinas estão sempre prontos a acender-se como a pólvora, têm um olhar terrivelmente severo e, numa palavra, são inimigos muito perigosos. Se acaso incorreis na sua indignação, lançam-se contra vós como ursos furibundos, mordem-vos e não vos largam senão depois de vos terem obrigado a fazer a vossa palinódia com uma série infinita de conclusões; mas, se recusais retratar-vos, condenam-vos logo como hereges.

E, mostrando essa cólera, chamando de herege, de ateu, conseguem fazer tremer os que não concordam com eles. Embora não haja ninguém que, tanto como eles, dissimule os meus favores, não é menos verdadeiro que me devem muito. Eis porque impus ao meu amor próprio favorecê-los mais do que a todos os outros mortais, e de fato são eles os meus maiores prediletos. É por isso que, do alto da sua elevação e à maneira de tantos anjos que habitam o terceiro céu, consideram o resto dos homens como outros tantos animais bajuladores e têm piedade deles. Cercados de uma série de magistrais definições, conclusões, corolários, proposições explícitas, em suma, de tudo o que compõe a malícia da escola sacra, usam de tantos subterfúgios que o próprio Vulcano não conseguiria embrulhá-los, mesmo empregando a rede de que se serve para mostrar aos deuses os seus cornos nascentes.

Não há nó que esses senhores não saibam desfazer de um golpe com a mais que tenédia bipene do distinguo: bipene formada de todos os novos vocábulos sonoros e empolados que nasceram no seio da sutileza escolástica. Observemos os nossos oráculos em meio às suas mais sublimes funções; observemolos, repito, a interpretar a seu talante os ocultos mistérios da salvação e por que motivo foi criado e ordenado o mundo. Trata-se de saber por que canais passou à posteridade a mancha do pecado original? Trata-se da Encarnação e da Eucaristia? Ah! tais mistérios são muito batidos e dignos apenas de teólogos noviços!

Eis as questões dignas dos grandes mestres, dos mestres iluminados, como dizem eles, os quais, ao tratar desses argumentos, se agitam e tomam fôlego: — Houve algum instante na geração divina? — Jesus Cristo tem muitas filiações? — É possível esta proposição: — Deus padre odeia o seu filho? — Ter-se-ia Deus unido pessoalmente a uma mulher, ao diabo, a um burro, a uma abóbora, a uma pedra? — No caso de Deus se ter unido à natureza de uma abóbora, como fez com a natureza humana, de que maneira essa beata e divina abóbora teria pregado, feito milagres e sido crucificada?

— Como teria ela consagrado São Pedro, se este tivesse dito missa quando o corpo de Jesus Cristo estava pregado na cruz? — Poder-se-ia dizer, então, que o Salvador era um verdadeiro homem? — Será permitido comer e beber depois da ressurreição? (Essa dúvida existe no íntimo dos nossos reverendos, que muito satisfeitos ficariam com uma resposta a essa pergunta). Mas, não consiste somente nisso o armazém teológico; há ainda inúmeras outras argúcias, não menos frívolas e sutis do que as supracitadas. Tais são, por exemplo, o instante da geração divina, as noções, as relações, as formalidades, os quid, os ecce, e tantas outras quimeras de natureza semelhante.

Duvido que alguém seja capaz de descobri-las, a não ser que tenha uma vista tão penetrante que lhe permita distinguir, através de densas nuvens, objetos inexistentes. Acrescentemos a tudo isso a sua moral estranha e contraditória, diante da qual são um nada os paradoxos estóicos. Sustentam, por exemplo, que concertar o sapato de um pobre em dia de domingo é um pecado maior do que estrangular mil pessoas; que seria preferível deixar cair o mundo no nada de onde veio a proferir a menor mentira, etc. Além disso, contribuem para sutilizar ainda mais essas sutilíssimas sutilezas todos os diversos subterfúgios dos escolásticos; e assim é que seria menos difícil sair de um labirinto do que desembaraçar-se do embrulho dos realistas, dos noministas, dos tomistas, dos albertistas, dos occanistas, dos scotistas, — ai de mim! já me falta a respiração, e, contudo, só citei as principais seitas da escola, não falando de muitíssimas outras. Em todas essas facções, são tantas as erudições e tantas as dificuldades, que, se os próprios apóstolos descessem à terra e fossem obrigados a discutir com os teólogos modernos sobre essas sublimes matérias, sou de opinião que teriam necessidade de um novo espírito totalmente diverso daquele que, em seu tempo, lhes dava a possibilidade de falar.

São Paulo tinha fé, mas não deu uma definição da fé bastante magistral quando disse: A fé é a substância da coisa esperada e o argumento da que não aparece. No mesmo apóstolo ardia o fogo da caridade, mas ele não se mostrou bom lógico ao omitir a definição e a divisão dessa virtude no capítulo XIII da sua primeira epístola aos coríntios. Os apóstolos consagravam com devoção e com piedade o sacramento da Eucaristia: se tivessem, porém, de explicar como Deus pode passar de um lugar para outro por meio da consagração; como se dá a transubstanciação; como um mesmo corpo pode encontrar-se ao mesmo tempo em vários lugares; que diferença existe entre o corpo de Jesus Cristo no céu, na cruz e na Eucaristia; em que momento se verifica a transubstanciacão, de vez que a fórmula sacramental, como dizem eles, sendo composta de sílabas e de palavras, só pode ser pronunciada sucessivamente, — creio eu que, se esses primeiros teólogos do cristianismo tivessem de dirimir tais dificuldades, teriam necessidade da agudeza dos scotistas, que são verdadeiros Mercúrios na arte de argumentar e definir. Tiveram os apóstolos, é verdade, a sorte de conviver com a mãe de Jesus, mas nenhum deles a conheceu tão bem como os nossos teólogos, que provaram geometricamente ter sido a Virgem fecunda preservada da mancha do pecado original. São Pedro recebeu as chaves das próprias mãos do Homem-Deus, sendo de supor-se que este não tivesse tido a intenção de colocá-las em más mãos; mas, não sei se o beato pescador conhecia bem o significado daquelas místicas chaves.

Nós, porém, sabemos, com certeza, que ele nunca perguntou a Deus seu mestre como poderia um grosseiro e ignorante pescador ter as chaves da ciência. Os apóstolos batizavam continuamente, mas, apesar disso, nunca ensinaram a causa formal, material, eficiente e final do batismo, nem fizeram menção do caráter delével e indelével do mesmo. Esses fundadores da religião cristã adoravam a Deus, mas a sua adoração apoiava-se neste princípio fundamental do evangelho: Deus é um espírito puro e é preciso adorá-lo em espírito e verdade. Parece, igualmente, não ter sido revelado aos apóstolos que o culto, nas escolas chamado latria, possa prestar-se tanto a Jesus Cristo em pessoa como às suas imagens rabiscadas na parede com carvão, bastando que representem o filho de Deus dando a bênção com os dois dedos, índice e médio, da mão direita levantada, e com a cabeça ornada por uma longa cabeleira e um tríplice círculo de raios. Mas, como poderiam os apóstolos possuir tão grande e salutar erudição?

Eles não encaneceram no fatigante estudo das ciências físicas e metafísicas de Aristóteles e dos scotistas. Os apóstolos costumam falar da graça, mas não distinguem a graça gratuita da graça gratificante; exortam às boas obras, mas não distinguem a obra operante da obra operada; inculcam a caridade, mas não separam a infusa da adquirida, além de não explicarem se essa amável e divina virtude é substância ou acidente, criada ou incriada; detestam o pecado, mas eu quisera morrer se eles já foram capazes de definir cientificamente o que chamamos de pecado, a não ser que tenham sido inspirados pelo espírito dos scotistas. Se São Paulo, pelo qual devemos julgar todos os outros apóstolos, tivesse tido uma boa teoria do pecado, teria ele condenado com tanta insistência as polêmicas, as contendas, as querelas, as discussões em torno de palavras? Digamos, pois, com franqueza, que São Paulo não conhecia as argúcias e as qualidades espirituais que distiguem os modernos, tanto mais quanto as controvérsias surgidas na primitiva Igreja não passavam de pueris mesquinharias diante do refinamento dos nossos mestres, que, em matéria de sutileza, ultrapassaram de muito o próprio sofista Crisipo (87). — Façamos, porém, justiça à sua modéstia, pois não condenam o que os apóstolos escreveram com pouco acerto e precisão, mas se limitam a interpretá-lo de modo favorável, para usar de certa consideração para com a venerável antigüidade e para com o apostolado.

Não seria, aliás, razoável pretender que os apóstolos tratassem dessas difíceis matérias, quando o seu divino mestre nunca lhes disse uma palavra a respeito. Já não têm a mesma consideração para com os Crisóstomos, os Basílios, os Jerônimos, os pais da Igreja, não encontrando dificuldade em pôr em certas passagens de suas obras: Isto não foi recebido. É preciso considerar que esses antigos doutores deviam refutar os filósofos pagãos e, naturalmente, os obstinadíssimos judeus: faziamno, porém, mais pelo exemplo e pelos milagres do que com argumentos, tanto mais quanto os primitivos inimigos do cristianismo eram de gênio tão limitado que nunca poderiam conceber um único princípio de Scot. Mas, adiantem-se agora, se quiserem; e os incrédulos, os pagãos, os judeus, os hereges, todos, todos sem exceção, deverão converter-se e ceder à forca das ínfimas sutilezas dos teólogos modernos. É preciso ser estúpido ou impudente para não conhecer o valor das suas argúcias ou desprezá-las.

Acho prudente aconselhar a rendição ao primeiro assalto ou a aceitação do desafio quando houver igualdade de armas. Mas, nesse caso, seria o mesmo que lançar um mago contra um mago, ou empregar uma espada encantada contra outra espada encantada. Seria, em suma, o mesmo que tecer o pano de Penélope (88). A propósito de combate, parece-me que os cristãos deveriam mudar as suas tropas na guerra movida contra os infiéis. Se em lugar da grosseira e material soldadesca, que há tanto tempo empregam inutilmente nas cruzadas, expedissem, contra os turcos e os sarracenos, os clamorosos scotistas, os obstinados occanistas, os invencíveis albertistas e toda a milícia dos sofistas, quem poderia resistir ao assalto dessas tropas coligadas?

Bem ridícula seria, a meu ver, uma tal batalha, e inteiramente nova a vitória. Quem seria tão frio ao ponto de não acender-se ao fogo das disputas? Quem seria tão poltrão ao ponto de não acorrer aos golpes dessas esporas? Quem pode gabar-se de ter tão boa vista que não se perturbe com o esplendor dessas sutilezas? Pensais que eu esteja brincando?

Não vos iludais. Uma tal armada seria ainda menos numerosa do que se supõe, porque, entre os próprios teólogos, existem homens de uma doutrina sólida e judiciosa, aos quais causam náuseas essas frívolas e impertinentes argúcias, e os há ainda de uma consciência tão reta que experimentam por elas horror, como que por uma espécie de sacrilégio. — Que horrível heresia! — exclamam eles. — Em lugar de adorarem a impenetrável obscuridade dos nossos mistérios (que justamente por isso são mistérios), pretendem explicá-los.

E de que maneira? Com uma linguagem imunda e argumentos não menos profanos que os dos gentios. Arrogam-se insolentemente o direito de definir e discutir verdades incomprensíveis, profanando assim a majestade da teologia com as palavras e sentenças mais insulsas e triviais. No entanto, esses insignificantes faladores envaidecem-se com sua vazia erudição e experimentam tanto prazer em ocupar-se dia e noite com essas suavíssimas nênias que nem tempo lhes sobra para ler ao menos uma vez o evangelho e as cartas de São Paulo. E o mais bonito é que, enquanto assim cacarejam em suas escolas, imaginam-se os defensores da Igreja, que cairia na certa, se cessassem um momento de sustentá-la com a forca dos seus silogismos, exatamente como Atlante, segundo os poetas, sustenta o céu com as costas.

Contam ainda os nossos discutidores com outro grande motivo de felicidade. As escrituras são, em suas mãos, como um pedaço de cera, pois costumam dar-lhes a forma e o significado que mais correspondam ao seu gênio. Pretendem que as suas decisões acerca das sagradas escrituras, uma vez aceitas por alguns outros escolásticos, devam ser mais respeitadas do que as leis de Solon e antepostas aos decretos dos papas. Erigem-se em censores do mundo e, se alguém se afasta um pouquinho das suas conclusões, diretas ou indiretas, obrigam-no logo a se retratar, sentenciando como oráculos: Essa proposição é escandalosa, esta aqui é temerária, aquela cheira à heresia, aquela outra soa mal. Dessa forma, nem o evangelho, nem o batismo, nem Paulo, nem Pedro, nem Jerônimo, nem Agostinho, nem o próprio Tomás de Aquino, embora aristotélico fanático, saberiam fazer um ortodoxo sem o beneplácito desses bacharéis, tão necessário é a sua sutileza para bem decidir da ortodoxia.

Quem teria suspeitado que não fosse cristão alguém que sustentasse serem igualmente boas as duas proposições: Sócrates, corres e Sócrates corre, se os teólogos de Oxford não tivessem querido fazer sabê-lo, fulminando as duas proposições condenáveis? Como se teria purgado a Igreja de tantos erros, se não tivesse podido distingui-los antes de ter sido aplicado o grande sigilo da universidade às proposições condenadas? Não considerareis felicíssimas essas pessoas? Mas, prossigamos ainda um pouco. Quantas lindas lorotas não vão esses doutores impingindo a respeito do inferno?

Conhecem tão bem todos os seus apartamentos, falam com tanta franqueza da natureza e dos vários graus do fogo eterno, e das diversas incumbências dos demônios, discorrem, finalmente, com tanta precisão sobre a república dos danados, que parecem já ter sido cidadãos da mesma durante muitos anos. Além disso, quando julgam conveniente, não se poupam o trabalho de criar ainda novos mundos, como o mostraram formando o décimo céu, por eles denominado empíreo e fabricado expressamente para os beatos, sendo mais do que justo que as almas glorificadas tivessem uma vasta e deliciosa morada para aí gozarem de todo o conforto, divertindo-se juntas e até jogando a péla quando tivessem vontade. Os nossos finos pensadores têm a cabeça tão cheia, tão agitada por essas bobagens, que decerto não estava mais cheia a cabeça de Júpiter quando, ao querer parir Minerva, implorou o socorro do machado de Vulcano. Não vos admireis, pois, ao vê-los aparecer nas defesas públicas com a cabeça cuidadosamente cingida com tantas faixas, pois não fazem senão procurar impedir, por meio desses respeitáveis liames, que ela arrebente de todos os lados em virtude da porção de ciência de que o seu cérebro se acha sobrecarregado. Não posso deixar de rir (podeis, agora, ver se não se trata de um grande argumento, pois que a Loucura raramente ri), não posso deixar de rir ao escutar essas célebres personagens, que nem sequer falam, mas balbuciam.

Só se reputam teólogos quando perfeitos senhores de sua bárbara e porca linguagem, que só pode ser entendida pelos da arte; gabam-se disso, chamando-lhe agudeza e dizendo com arrogância que não falam para o vulgo profano; e acrescentam que a dignidade das santas escrituras não permite subordiná-las às regras gramaticais. Admiremos a majestade dos teólogos! Somente a eles é permitido falar incorretamente e, quando muito, se concede que o vulgo lhes dispute essa prerrogativa. Finalmente, os teólogos se colocam imediatamente depois dos deuses e quando, por uma espécie de religiosa veneração, se ouvem chamar nossos mestres, imaginam ver nesse título alguma coisa daquele inefável nome composto de seis letras e tão adorado pelos judeus. Nessa presunção, querem que se escreva MESTRE NOSSO, com letras maiúsculas, sendo esse título tão misterioso que, se em latim se modificasse a ordem das duas palavras e se pusesse o Nosso antes do Mestre, tudo estaria perdido, ou pelo menos sofreria um grande vexame a majestade do nome teológico.

Depois desses, segue-se imediatamente a espécie melhor do gênero animal, isto é, os que vulgarmente se chamam monges ou religiosos. Seria, porém, abusar grosseiramente dos termos chamá-los, ainda hoje, por tais nomes. Com efeito, por via de regra, não há pessoas mais irreligiosas do que essas e, como a palavra monge significa solitário, parece-me não se poder aplicá-la mais ironicamente as pessoas que se encontram em toda parte, acotovelando-se a cada passo. Sem o meu socorro, que seria desses pobres porcos dos deuses? São de tal forma odiados que, quando por acaso são vistos, costumase tomá-los por aves de mau agouro.

Isso não impede que cuidem escrupulosamente da sua conservação e se considerem personagens de alta importância. A sua principal devoção consiste em não fazer nada, chegando ao ponto de nem ler. Sem dar-se ao trabalho de entender os salmos, já se julgam demasiados doutos quando lhes conhecem o número, e, quando os cantam em coro, imaginam enlevar o céu com a asnática melodia. Entre esse variegado rebanho, alguns se encontram que se gabam da própria imundície e da própria mendicidade, indo de casa em casa esmolar, mas com uma fisionomia tão descarada que parecem mais exigir um crédito do que pedir a esmola. Albergues, botequins, carros, diligências, todos, em suma, são por eles importunados, com grande prejuízo dos verdadeiros necessitados.

Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.