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Capítulo 8 de 10

Editora Feesp — parte 7 de 8

Bezerra de Menezes · Canuto Abreu

Contou-nos Pedro Richard que, quando findou a prece inicial feita por Bittencourt Sampaio, todos notaram que Bezerra de Menezes tinha as cãs abundantemente orvalhadas de lágrimas, que lhe desciam ainda dos olhos. Conservou-se comovido durante o recebimento das mensagens psicográficas e foi com voz trêmula que, falando sobre a lição do dia (Parábola da vinha e dos obreiros da primeira e última hora), disse a certa altura o motivo de sua emoção: — Querem que eu volte para a Federação. Como vocês sabem, aquela velha sociedade está sem presidente e desorientada. Em vez de trabalhos metódicos sobre o Espiritismo ou sob o Evangelho, vive a discutir teses bizantinas e a alimentar o escrito de hegemonia. São poucos os seus sócios e pouquíssimos os assinantes do Reformador. Por maiores que hajam sido os esforços de alguns nada se tem conseguido no terreno duma harmonia de vistas. Não me sinto, por isso, com forças para a colocar na posição que merece. — O trabalhador da vinha — disse Bittencourt — é sempre amparado.

A Federação pode estar errada na sua propaganda doutrinária, mas possui uma Assistência aos Necessitados, que basta por si só para atrair sobre ela as simpatias dos servos do Senhor. — De acordo. Mas a Assistência está adotando exclusivamente a Homeopatia no tratamento dos enfermos, terapêutica que eu adoro em meu tratamento pessoal, no de minha família e recomendo aos meus amigos, sem ser, entretanto, médico homeopata. Isto aliás me tem criado sérias dificuldades, tornando-me um médico inútil e deslocado que não crê na medicina oficial e aconselha a dos Espíritos, não tendo assim mais

o direito de exercer a profissão. — E por que não te tornas médico homeopata? — disse Bittencourt. — Não entendo patavina de Homeopatia. Uso a dos Espíritos e não a dos médicos. Nisto o médium Frederico Junior, incorporando o Espírito Agostinho, deu um aparte: — Tanto melhor. Ajudar-te-emos com maior facilidade no tratamento de nossos irmãos. — Como, bondoso Espírito!? Tu me sugeres viver do Espiritismo? — Não, por certo! Viverás de tua profissão, dando ao teu cliente o fruto do teu saber humano, para isso estudando Homeopatia como te aconselhou nosso companheiro Bittencourt. Nós te ajudaremos de outro modo: trazendo-te, quando precisares, discípulos de matemática... Bezerra compreendeu em que consistiria o auxílio e contou ao Grupo aquele episódio do tempo de estudante, que já narramos. Prometeu aceitar o conselho e estudar e praticar a ciência homeopática. Continuando a falar da Federação disse: — O convite é insistente e prometi uma resposta para depois de ouvido o conselho de meu querido guia. Pode o bom amigo dizer-me algo a respeito? — Aceita o convite — respondeu o médium incorporado. — É um chamado.

Já te dissemos mais de uma vez que a união dos espíritas e a sua orientação te foram confiadas. Não duvides, nem te preocupes com as dificuldades. Faze o trabalho do homem, sem cuja boa vontade nada podemos. Cumpre o teu dever e cumpriremos o nosso. — Neste caso, aceitarei e espero não me faltem o amparo de Jesus, a proteção de nossos guias, assim como o concurso de todos os companheiros de Grupo. — Iremos todos contigo! — disse o Espírito.

"Iremos todos contigo"

O leitor talvez não possa compreender sem uma rememoração especial o alcance desta promessa que se compriu: "Iremos todos contigo". O Grupo Ismael (por extenso Grupo de Estudos Evangélicos do Anjo Ismael), em virtude dos acontecimentos já conhecidos do leitor, tornara-se o herdeiro moral e universal da extinta Fraternidade (por extenso Sociedade Espírita Fraternidade) e detinha exclusivamente a bandeira de Ismael, isto é, do guia espiritual supremo do Espiritismo no Brasil, segundo a tradição jamais desmentida. Esta bandeira, representada pela trilogia Deus, Cristo e Caridade, como já se sabe, foi erguida pela primeira vez em 1874 no Grupo Confucius, de onde saiu para a Sociedade de Estudos Evangélicos, fundada especialmente para defendê-la. Dada a cisão entre "místicos" e "científicos", a bandeira e o estudo sistemático dos Evangelhos passaram com os "místicos" para a Fraternidade, transformando-se a Sociedade de Estudos Evangélicos em Sociedade Acadêmica, para ficar com os "científicos". Desta forma, o Grupo Ismael era naquele momento a tenda legítima e única onde, segundo as Instruções do Espírito Kardec, deviam os espíritas cristãos ou Ismaelinos erguer o templo do Cristianismo Espírita.

Portanto, aquela promessa categórica, proferida solenemente pelo Espírito Agostinho, guia espiritual de Bezerra de Menezes, principal fundador do Kardecismo em França e um dos mais estimados guias do Grupo Ismael, tinha uma altíssima significação. Anunciava que a falange de Ismael, representada na Terra pelo seu pequeno grupo, mas formada no Espaço de um forte contingente de Espíritos cristófilos, ia com Bezerra de Menezes para a Federação. Naquela noite memorável de julho de 1895, o que se concluía no Grupo

Ismael, à revelia de seus humildes operários, cegos e coxos instrumentos do Invisível, era um tratado espiritual de aliança entre as três mais fortes correntes espirituais que atuavam em nossa terra e cujos pólos eram a Federação, o Grupo Ismael e a Assistência. Bezerra de Menezes ia ser o delegado desta aliança espiritual, à qual ficava daquela hora em diante confiada a bandeira Deus, Cristo e Caridade e a tarefa de erguer sobre os três pólos o templo do Cristianismo Espírita no Brasil. Quem ia dirigir a Federação e a Assistência era o Grupo Ismael. Muitos serão os chamados e poucos os escolhidos. Foi esse um dos temas estudados naquela noite. Bezerra de Menezes, como exemplo vivo da lição evangélica, havia sido chamado pelos homens, mas já era um escolhido dos Espíritos. Com estas credenciais, que jamais outro presidente havia logrado antes (que saibamos), era natural que as correntes invisíveis, hostis ao plano de Ismael, se agitassem, preparandose para o combate. O toque a rebate foi dado pelo Reformador.

Antecipando-se talvez, porque o general estava escolhido, mas ainda não havia sido nomeado oficialmente pela assembléia, anunciou o combate do editorial de 1° de agosto: "É para lastimar que, tendo-se difundido admiravelmente no Brasil as idéias espíritas de modo a não haver quase ninguém que não as aceite, seja a sua propaganda feita sem ordem nem sistema". Era um aviso ao Centro de Propaganda e uma reprovação ao que havia feito até então o partido dos "científicos" na própria Federação. E depois de criticar "os métodos inconvenientes à falta de unidade de vistas e de orientação", esboçou um plano de luta, como veremos.

O leitor desta crônica viu que a renúncia do presidente Júlio César Leal e a recusa por parte do vice-presidente Dias da Cruz de assumir a direção na forma dos estatutos, provocaram a crise que permitiu aos místicos dominarem a Federação. Viu também que, antes mesmo da posse legal do presidente Bezerra de Menezes, deram eles, pelo Reformador de 1° de agosto de 1895, um sinal de combate sectarista.

Assim foi. Esses apóstolos de Ismael estavam decididos, sob a inspiração de Espíritos cristófilos, a romper de frente com os adversários de seu misticismo. E a conquista inesperada da Federação — a sociedade mais conhecida dentro e fora do país — foi recebida como sinal de que a hora de principiar a luta de hegemonia doutrinária, anunciada havia cinco anos, tinha chegado. Hora providencial e decisiva, era imprescindível aproveitá-la em todos os minutos, desde os primeiros. Por isso não aguardaram o cumprimento da formalidade estatutária, que se daria em 3 de agosto, data marcada para a eleição de Bezerra de Menezes. Encetaram desde logo a propaganda de suas idéias. Estas não eram mais as idéias espíritas primitivas, como brotavam dos trabalhos de Allan Kardec. Não se radicavam na singeleza do Cristianismo espírita segundo o kardecismo. Vinham de uma concepção particular da finalidade do Espiritismo, no mundo inteiro e particularmente em nosso meio. A primeira necessidade da arrancada estava satisfeita.

A Federação, até aquele momento uma estéril sociedade de livres estudos espíritas, ia ser transformada numa cidadela de espíritas evangélicos, orientados por uma falange mística. As demais necessidades seriam vencidas facilmente, uma vez que consideravam, na sua fé ardente, o lábaro DEUS-CRISTO- CARIDADE como um novo in hoc signo vinces. Hasteada esta bandeira na Federação, a capital do mundo espírita brasileiro, era quase arvorá-la em todos os grupos, bastando para isso uma propaganda sistemática pelo Reformador. Desse entusiasmo resultou que, mal haviam obtido a aquiescência de Bezerra de Menezes — o chefe de prestígio moral e intelectual para uma campanha de tão vasta envergadura contra o Espiritismo científico — logo trataram de divulgar o que pretendiam fazer. Por isso, o editorial do Reformador de 1° de agosto de 1895 é considerado uma verdadeira plataforma. Foi com ela que se estrearam os místicos. A sua leitura é imprescindível para quem deseje entrar no exato conhecimento da reforma espírita realizada sob a direção de Bezerra de Menezes. Não a daremos, entretanto, sem algumas observações postas sob as principais passagens. Esses comentários refletem, debaixo da análise do cronista, a crítica contemporânea, chegada a nós pela imprensa e, sobretudo, pela tradição

das testemunhas mais notáveis, algumas ainda vivas neste momento (34). (34) Depois de escrita esta crônica, desencarnou, no Rio de Janeiro, uma delas, o dr. Francisco de Menezes Dias da Cruz.

*** Assim começava a plataforma: "É para lastimar que, tendo-se difundido admiravelmente no Brasil as idéias espíritas de modo a não haver ninguém que não as aceite, seja a sua propaganda feita sem ordem nem sistema". Os místicos principiavam, como se vê, por uma crítica à orientação de todos os grupos e sociedades, sem excetuar a Federação. Davam, porém, no fundo de seu pensamento, um ataque em cheio e inesperado ao Centro de Propaganda, reduto dos "científicos", que funcionava desde 24 de maio na rua Visconde do Rio Branco n° 67. A finalidade deste Centro, como o próprio nome indica, era propagar o Espiritismo, mas a propaganda se fazia sem ordem nem sistema. A crítica pareceu a muitos improcedente. Se as "idéias espíritas", já "difundidas admiravelmente", deviam doravante ser divulgadas, não mais em sua espontaneidade, como se vinha fazendo, mas com "ordem e sistema", era óbvio que os místicos pretendiam regulamentar a propaganda e defender um sistema. Ora, sistema, na boca dos místicos, equivalia a sectarismo. Estabelecer um, seria condenar os demais.

No consenso geral dos adeptos fiéis a Kardec, o que mais importava, no meio brasileiro, ainda não emancipado dos preconceitos católicos e do fetichismo indo-africano, não era divulgar este ou aquele sistema espírita — fruto de concepções humanas — mas espalhar as idéias espíritas em sua singeleza, isto é: a crença na imortalidade da alma, a verdadeira natureza dos Espíritos, as suas relações com os homens pela mediunidade, as suas revelações mais universais sobre Deus, a justiça divina, a reencarnação, etc. O propagandista, que tenha em mente o bem geral e não o triunfo de uma determinada seita, deverá agir como o semeador da parábola evangélica. Cumpre-lhe divulgar as idéias, os princípios fundamentais. O trabalho de defender uma certa doutrina pertence à outra categoria de missionários. A dos que chegam depois de feita a seara para a colheita e a seleção. O bom semeador de verdades novas não deve contrariar as leis e os Profetas de

religião nenhuma. Imitando o da parábola, lançará de passagem, à esquerda e à direita, a sua boa nova, para que medre, cresça e frutifique segundo a natureza do terreno onde cair, isto é, no caso das idéias espíritas, conforme os sentimentos de cada coração e os conhecimentos de cada cérebro. Parecia, portanto, a uma grande ala de propagandistas, que nada havia a lastimar da aparente desordem e da falta de sistema na vulgarização do Espiritismo, tanto mais que vinha produzindo frutos, que a própria plataforma registrava com admiração. "Nos Estados — continuava o editorial — há grupos dispersos... Na Capital as associações estão desligadas... Empregam-se, nos Estados principalmente, métodos inconvenientes, tudo à falta de unidade de vistas... Cada grupo tem a sua orientarão"... etc. A crítica não parecia também procedente neste ponto, uma vez que tal situação derivava da maneira de propagar, acima comentada. Nada mais natural do que se formarem grupos de acordo com a orientação dos diretores.

A dispersão era inevitável e o será sempre, enquanto a necessidade de defesa da liberdade de crer não se tornar imperiosa diante de uma política hostil e perseguidora. Só a política, e jamais a convenção particular, fará com que um dia, se Deus tiver marcado essa hora para a Humanidade, se unam os grupos espíritas numa só nacionalidade, como aconteceu ao judaísmo, ao Cristianismo, ao Islamismo, a Xintoísmo e a todas as seitas combatentes. Os métodos de trabalho, por sua vez, não devem ser criticados como grosseiros ou primitivos. Dependem da ilustração dos diretores de grupos e são conforme as necessidades do meio onde proliferam. Na sua diversidade está a sabedoria divina. As manifestações dos Espíritos, por uma lei eterna e imutável, estarão sempre de conformidade com o círculo em que se derem. Se essa lei de afinidade fosse um mal, a natureza não baseava nela a multiplicidade de suas obras.

Mas vamos dar de barato que, em matéria de Espiritismo, não deva prevalecer a lei divina e sim a da unidade de vistas e de orientação idealizada pelos místicos. Nesta hipótese, de onde a orientação espírita deveria partir para manter perpétua a unidade de vistas: da ciência ou do misticismo? A Doutrina espírita contém em seu próprio seio a resposta, formulada pelo seu fundador. A humanidade, à medida que progride, cada vez mais se afasta do misticismo em busca da realidade científica. E

mesmo quando penetra o campo da fé é com a ciência que deseja examinar os princípios fundamentais da Doutrina. Se, no futuro, depois de reduzida a mais completa ruína a atual civilização, surgir um Regenerador, que venha inaugurar a Nova Era, como se anuncia, somente uma religião baseada na ciência ligará todos os homens numa só verdade. ***

"Tudo progride e parece-nos que já é tempo de entrar o Espiritismo, entre nós, em nova fase analítica de que deverá subir à sintética, que unificará o Espiritismo do Brasil com o de todo o mundo". Eis aí o ponto nevrálgico da plataforma. Era preciso criticar os costumes para os regenerar. Os místicos tinham em vista dar novo molde ao Espiritismo brasileiro a fim de o ligar um dia ao Espiritismo universal. Que seu intuito era de reformas, nenhuma dúvida seria possível ante o sentido de suas palavras. De fato, que se podia entender por uma "nova fase analítica", que haveria de surgir a unidade da doutrina espírita? Dentro da lógica, fase analítica, se estamos certos, é aquela em que o conhecimento paira sobre os princípios, sobre cada um dos princípios, isoladamente, tomados em seu valor próprio. Inversamente, fase sintética é aquela em que o conhecimento não se debruça mais sobre o princípio, destacado, mas sobre o conjunto deles, procurando uma generalização. São as duas velhas operações que o Espírito emprega para adquirir conhecimento.

Segundo o método clássico, o conhecimento de uma coisaem-si — a qual os filósofos chamam um nômeno — vem depois do exame parcelado de todos os seus efeitos, ou fenômenos. Assim sendo, forçoso era admitir que os místicos consideravam chegado o tempo, "entre nós", de se proceder à nova análise dos fenômenos espiríticos para se estabelecer, em seguida, nova síntese. Isso importava, nada mais e nada menos, em declarar que a síntese de Allan Kardec estava, senão em caducidade, por força em insuficiência. Bem se pode imaginar o arrepio que tal suspeita provocou nos kardecistas, para os quais a obra genial do codificador do Espiritismo era uma relíquia sacrossanta. O propósito reformista dos místicos tornou-se-lhes alarmante. Tentavam organizar um novo Espiritismo! "Para passarmos do estado de confusão, em que nos achamos, ao de

ordem bem regulada, para chegarmos ao de sistema, que será o último trabalho humano, faz-se mister uma série e bem compreendida organização." Que se tinha em vista a reforma do kardecismo, nenhuma dúvida podia haver diante desta passagem. Sem qualquer equívoco, os místicos pretendiam acabar com o "estado de confusão", em que todos se achavam no regime da Doutrina dos Espíritos, levando os espíritas, por mais divergentes nos seus sentimentos e nos seus conhecimentos, a um regulamento, isto é, a uma "ordem bem regulada". E esse regulamento não seria de caráter transitório, nem progressivo, mas definitivo, por isso que o sistema ideado pelos místicos "será o último trabalho humano". Examinemos imparcial e friamente os principais aspectos dessa proposição. Em primeiro lugar, "organizar" não é senão reunir esforços de muitos sob o comando de um só. Não há organismo normal com mais de uma cabeça. Cada cabeça, cada organismo. Logo, "séria organização", como queriam, seria, afinal de contas, direção única e obediência geral — o grande sonho de todos os tiranos.

Os grupos e as sociedades teriam, portanto, de fazer parte duma única aliança, perdendo a autonomia e independência em matéria de externação da Doutrina, para que por toda a parte prevalecesse, imperialmente, uma só ortodoxia. Em segundo lugar, a nova teologia espírita não seria mais a de "O Livro dos Espíritos", ou Doutrina Espírita propriamente dita, nem a dos mais livros de Kardec, ou Doutrina Kardecista, ou, ainda, Espiritismo Aplicado, mas a que fosse constituída expressamente pela nova síntese, que seria tirada após uma nova análise dos fenômenos espiríticos. Em terceiro lugar, "ordem bem regulada" só poderia ser aquela que derivasse de decretos, de imperiais "ordenações" para o bem geral. Importava, conseqüentemente, na existência de uma autoridade. Nem o relegado Kardec tão injustamente acusado, no seu tempo, de pretensão pontificial sonhou com tamanho poder, quando pensou na organização espírita. Um regulamento dessa natureza autoritária exigiria, preliminarmente, a exemplo do que fizeram as religiões de autoridade, a interdição do comércio com os Espíritos. Nada, portanto mais contrário à índole do Espiritismo. Nada mais impossível. A propaganda eficiente das idéias espíritas depende muito menos dos homens do que dos Espíritos, que sopram onde podem como

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