[user_registration_my_account]
Capítulo 3 de 10
Editora Feesp — parte 2 de 8
Bezerra de Menezes · Canuto Abreu
recuar, entendendo que era melhor não me expor a uma vergonha e, mesmo na melhor hipótese, não contrair uma dívida, que me cativaria por muito tempo. Mas o caixeiro, que me conhecia, veio a mim saber o que queria. "Ala jacta est" Vencer ou morrer. Perguntei-lhe: O Sr. Faria está? Respondeu-me ele: "Embarcou ontem para a Europa, mas, se precisa de alguma coisa, está aí o contra-mestre". Foi uma punhalada, que me dissipou as fumaças de flamejar no Itaboraí; mas foi ao mesmo tempo um calmante para minha agitação, quer de passar por uma vergonha, quer de contrair uma dívida, que é sempre um cancro, de que poucos, quando se torna um hábito, se salvam. Dever, para quem se presa, é sempre uma escravidão moral, que se não resgata senão por sacrifícios e que perturba a alma durante toda a sua permanência. Dei costa a casa, onde ia prender grande parte do meu futuro, porque cinqüenta mil-réis, para mim, eram tanto como cinqüenta contos para outros. Voltei mais alegre do que triste, lembrando-me do que ouvia à minha Mãe: "Boa romaria faz quem em casa fica em paz".
Certo dia, em que tivera de pagar à Faculdade a taxa de exame para não perder o ano, ficara limpo e com o aluguel do quarto vencido. O senhorio, que conhecia por longa experiência a força e a lábia dos estudantes, era atrevidaço. Bezerra não tinha livro vendável para levar ao "sebo", nem jóia a pôr no "prego". Sensitivo, brioso e impulsivo, disfarçava a angústia numa esperança sem revolta, confiando a Deus o que lhe viesse em prova de sua virtude. Bateram à porta. O seu coração agita-se, como se fora criminoso procurado pela polícia. O espírito conturba-se pelo receio de não saber se ouviria resignado, sob o ardor da vergonha, a ameaça grosseira do cobrador. Mas abre a porta resoluto. Era um moço que o vinha procurar para lições de matemática, justamente a matéria que Bezerra detestava. O novo aluno, enquanto ele hesitava em o aceitar, tirou a carteira do bolso e disse: — Como posso esbanjar a mesada e preciso das suas lições, vou pagálas adiantadamente. E ato contínuo meteu nas mãos de Bezerra certa quantia e partiu,
prometendo vir à hora marcada para a lição. Bezerra, que não tinha livros sobre a matéria, saiu para ir estudar o ponto à Biblioteca Pública, passando pela casa do senhorio. O moço não veio à hora. Nunca mais lhe apareceu. Bezerra, que lhe não pedira sequer o nome, jamais o reviu na vida e dizia, como filósofo: — Foi a única vez em que estudei a fundo uma lição de matemática e ela me valeu de alguma coisa.
Concluiu o curso aos 25 anos, em 1856. Abriu com um colega consultório no centro do comércio, onde esteve espantando moscas longos meses. Mas, em sua casa, a clínica ia crescendo, pois era de gente que não paga. "Foram caindo na rede alguns peixinhos, mas, coitadinhos, tão magros, que não davam para a consoada dos rapazes." O Dr. Manoel Feliciano Pereira de Carvalho estava chefiando o corpo de saúde do Exército e o convidou para médico militar com o posto de cirurgiãotenente, dedicou-se então à cirurgia, em que chegou a ser notável. No ano seguinte, 1857, foi recebido como sócio efetivo da Academia Nacional de Medicina, à qual apresentou uma Memória, considerada excelente. Eleito redator dos seus Anais, durante quatro anos conservou com brilho o honroso posto. Não abandonou, entretanto, a sua clientela pobre. Ela foi ao contrário crescendo ao ponto de não lhe dar tempo para comer: se não lhe pagava, dava-lhe "o mais glorioso dos títulos: o médico dos pobres". A pouco e pouco foi a fama realçando o seu nome e o escritório da cidade passou a render.
Ganhava aqui para despender lá "tão exatamente que, ao chegar o fim de ano, o balanço acusava grande lucro, mas o cofre estava tísico". O coração, porém, estava contente e a consciência nadando em alegria. "Oh! esta exultava, banhada num oceano de eflúvios tão leves, tão límpidos, como deve ser o ar que respiram os habitantes dos mundos celestiais." Encontrava satisfação em não ter dinheiro para ir ao teatro por havê-lo gasto com os pobres. Não ia "ouvir a Lagrura, a Charton, o Tamberlick espalharem as harmonias divinas das composições de Verdi ou de Bellini", mas sentia soar-lhe "aos tímpanos acordes muito mais arrebatadores do que os do Trovador, muito mais dolentes do que os de
Norma". Não se negava a ver um doente, onde quer que ele se achasse, nos morros, nas praias, quer chovesse, quer fosse a desoras. Ele mesmo se definiu: "O médico verdadeiro é isto: não tem o direito de acabar a refeição, escolher a hora, de inquirir se é longe ou perto... O que não acode por estar com visitas, por ter trabalhado muito e achar-se fatigado, ou por ser alta noite, mau o caminho ou o tempo, ficar longe, ou no morro; o que sobretudo pede um carro a quem não tem com que pagar a receita, ou diz a quem lhe chora à porta que procure outro - esse não é médico, é negociante de medicina, que trabalha para recolher capital e juros dos gastos da formatura. Esse é um desgraçado, que manda para outro o anjo da caridade, que lhe veio fazer uma visita e lhe trazia a única espórtula que podia saciar a sede de riqueza do seu espírito, a única que jamais se perderá nos vaivéns da vida".
Casou-se por amor. A esposa querida passou então a oferecer o melhor de sua vida. Queria dar-lhe conforto, alegria, posição social, felicidade, enfim. Não lhe faltavam recursos intelectuais e morais para isso a par de grande capacidade de trabalho. Pensando nela, fazia literatura. Gostava de escrever. Conhecido o seu grande prestígio sobre a massa como 'médico dos pobres' e 'jornalista elegante', não tardou a ser namorado pela Política. Um dia um dos chefes cariocas entrou pelo seu consultório adentro e à queima roupa, sem circunlóquios, lhe ofereceu um lugar na chapa liberal. O pleito ia ser caloroso e as forças políticas, liberal e conservadora, se igualavam. Era no tempo em que um voto podia fazer pender a balança. Bezerra teve o pressentimento do perigo a que a serpente o arrastava. Mas sua esposa adorada viu com orgulho o convite. E o fruto, que lhe haveria de amargar a vida, foi provado. Era em 1860. Bezerra tinha 29 anos, idade em que principia a pujança mental. Eleito pelos liberais de São Cristóvão, seu diploma foi impugnado por Haddock Lobo, chefe do partido conservador, sob o pretexto de ser Bezerra um militar. Foi o primeiro choque. Estava em jogo de um lado a garantia do seu lar, um emprego vitalício, e doutro lado uma posição
política talvez efêmera, dispendiosa e combatente. O lar! Num gesto repentino, renunciou ao posto militar, trocando a segurança pela incerteza. E lançou-se à luta com ferocidade inesperada. A campanha, que acendeu, fez arder-lhe todas as qualidades. Batalhador violento e irreverente, contra ele voltaram-se os ódios do partido conservador. Era o alvo. Os mais bárbaros adjetivos passaram desde então a acompanhar o seu nome nas verrinas da imprensa. Mas estava à altura da situação. Orador de argumentos formidáveis e recursos fortes, de atitudes definidas e inflexíveis, seu caráter era indobrável e essa independência o tornava a melhor tábua de lavar roupa suja política. Pôde triunfar durante todo o mandato, que lhe foi renovado. Não recusava a pugna. Não o intibiavam os ataques. Mas quase renunciou a tudo um dia. Um dia cruel para seu coração amoroso. Em menos de 20 horas, a esposa o abandonava para sempre, deixando-lhe dois órfãos, um de 3 anos e outro de um. "As glórias mundanas, que havia conquistado mais por ela do que por mim, tornaram-se-me aborrecidas senão odiosas..." (13). Conseguiu vencer a crise. Todavia, ao voltar à luta política, já era outro homem. Havia ficado religioso, como veremos adiante. (13) "Reformador", 15-7-92.
Bezerra de Menezes - Deputado Geral
Em 1867, foi eleito deputado geral. Zacarias teve nele um adversário temível, que era preciso eliminar. Com a vitória do partido conservador, Bezerra caiu. Dez anos ficou na oposição. Dez anos combateu diariamente o Governo pela imprensa ("A Reforma", órgão do partido liberal) e pela tribuna popular, em conferências. Casara-se em segundas núpcias, ainda por amor, com aquela que estava destinada a ser o anjo do lar nas horas mais tristes, nas horas mais alegres, nas horas de descidas, nas horas de subidas, até lhe fechar os olhos. A par da medicina e da política ocupava-se também de algumas empresas. Era presidente da Companhia Carris Urbanos e foi o fundador da Estrada de Ferro Macaé a Campos. Em 1878, voltou deputado e, no ano de 1880, foi também presidente da Câmara Municipal e líder do seu partido. Havia atingido um ponto elevado da sua carreira política. Podia ser chamado de um instante a outro a organizar gabinete. Mas seus ardores de reformar tudo e suas idéias adiantadas sobre município impediram sua ascensão. Para subir mais, seria preciso dobrar a espinha, conformar-se com a situação.
Durante sua atividade política nenhuma questão social deixou de ter nele um pioneiro: o capital, o trabalho, a escravidão, a saúde pública, a universidade. Combateu os desmandos, as roubalheiras, os escândalos. Por isso, foi combatido a rigor. A "imprensa, já e declínio para o vergonhoso estado de hoje — vasa imunda onde se deposita o lixo de todas as paixões ignóbeis; sentina onde a ralé tem certeza de encontrar os mercenários instrumentos para satisfazer os seus mais depravados instintos; mas também o sexto sentido dos povos, como disse Sycies; o fio dourado da transmissão do pensamento, que já foi uma luz e nossa terra, quando dirigida pelos homens mais respeitáveis da sociedade — era dirigida agora pela vasa
social e acolhia e fazia sua a causa torpe dos especuladores, que o presidente da câmara tinha por dever enxotar do templo" (14). São dignas de apreço, ainda hoje, suas meditações sobre política municipal. "Árvore podre com folhagem verde... Não ressuscitará ao terceiro dia, nem ao terceiro mês, nem ao terceiro ano. O veneno que a consome está na atmosfera que a envolve. Só a podem respirar as almas pequeninas, eivadas da consumpção moral... Levado pelo princípio de que o elemento municipal é a célula geradora da verdadeira liberdade e da sábia direção dos povos, alimentei a ilusão de erguer o templo abatido. Em vão lutei. A onda, levantada pelo sopro furioso do Euro de todas as corrupções, envolveu o baixel em que me arrisquei." E mais longe: "Tu, meu querido Brasil, tens andado sem leme e sem bússola precisamente porque nunca tiveste, e tão cedo não terás, em sua verdadeira base, a municipalidade. Cumpri meu dever, mas era cedo ainda (15)." (14) "Cas. e Mort." (15) "Cas. e Mort." A sua missão política tinha chegado ao ápice, como dissemos. Outra mais alta, para a qual já se vinha inconscientemente preparando, o aguardava, não para o coroar de louros, que perecem, mas para trazer à sua memória a imortalidade, em que vive, conservando-o como médico das almas ao serviço duma clientela que cresce todos os dias.
Os primeiros Homeopatas
Ainda não existia Allan Kardec no mundo filosófico e M. Léon Rivail era apenas um ilustre professor de Humanidades em Paris, e já a Corte do Império Brasileiro possuía um núcleo neo-espiritualista, formado de elementos cultos e de responsabilidade, que irradiava por todo o país, por toda a América do Sul e até pela Europa as ondas do seu saber. A esse núcleo de cientistas se deve, somos o primeiro talvez a afirmá-lo, o preparo do terreno, onde mais tarde seria lançada a semente do Espiritismo. Era o círculo homeopático. Desde 1818, (16) o Brasil principiara a ouvir falar da Homeopatia. O Patriarca da Independência correspondia-se com Hahnemann. A história não registra ainda o nome dos adeptos senão a partir de 1840, ano em que chegaram ao Brasil dois homens extraordinários, que não devem ser esquecidos pelos espíritas: Bento Mure, francês, e João Vicente Martins, português, depois brasileiro. A ação desses dois super-homens não pode ser contada aqui.
Baste dizer: tudo quanto é raiz, tudo quanto é tronco, tudo quanto é galho na frondosa árvore homeopática brasileira, tudo se deve aos dois pioneiros. Outros gozaram as flores, os frutos, o perfume. Outros plantaram em campos novos as sementes colhidas. (16) Dr. Galhardo, "História da Homeopatia". Bento Mure e Martins eram profundamente neoespiritualistas. Ambos possuíam o dom da mediunidade. Mure, clarividente; Martins, psicógrafo. Não se conheciam então as leis metapsíquica. (16a) Reinava o empirismo nos trabalhos de inspiração. Mas quem ler Mure (17) verificará que, antes de chegar a nós a Doutrina dos Espíritos, ele se dava a transes mediúnicos. Foi devido a uma assistência invisível constante que puderam os dois, numa terra estranha e ingrata, que tanto amaram, amargar um apostolado inesquecível, recebendo em paga do bem que faziam o prêmio
reservado aos renovadores: a perseguição, os ataques traiçoeiros, as ofensas morais e o encurtamento da própria vida. Foram os maiores médicos dos pobres, que o Brasil conheceu. É ainda a Martins que devemos a introdução, em nosso país, das irmãs de caridade e dos princípios vicentinos (1843). Ambos tinham como divisa Deus, Cristo e Caridade. Em 1848, Mure deixou o Brasil para não mais voltar. Martins assumiu sozinho a direção da propaganda, atraindo grande número de adeptos para a Homeopatia. Entre estes lembramos dois nomes, que se tornaram notáveis também, como pioneiros, no Espiritismo: Melo Morais e Castro Lopes. (16a) Ainda não existia a Doutrina Espírita. (17) Mure, "Filosofia Absoluta".
A cura homeopática envolvia, como envolve ainda hoje, certo mistério para o leigo. Nada mais estranho do que a ação rápida, segura e suave de um medicamento diluído até o absurdo. O médico mais materialista, mais ateísta, aparecerá sempre diante do doente, com uma auréola de misticismo. "Aquilo não pode ser ciência humana": é a idéia popular. Ora, Bento Mure e Martins falavam ainda em Deus, Cristo e Caridade quando curavam e quando propagavam. Aplicavam aos doentes os passes como um ato religioso. Não o faziam por charlatanismo. Hahnemann recomendava esse processo auxiliar da Homeopatia. Foram os homeopatas que lançaram os passes, não os espíritas. Estes continuaram a tradição. Esse ambiente era favorável às idéias espíritas, que principiaram a irradiar, em 1848, da América do Norte. Não é para estranhar, portanto, que os primeiros experimentadores das mesas girantes tivessem saído das fileiras hahnemanianas. É interessante constatar que José Bonifácio de Andrada e Silva aparece na História da Homeopatia e na História do Espiritismo, em nossa terra, como dos primeiros experimentadores. Contudo, o grupo espírita mais antigo, que se teria reunido no Rio de Janeiro, foi o de Melo Morais, homeopata e notável historiador. Isso se teria dado antes de Kardec, por
volta de 1853, segundo uma tradição, que o "Reformador" de 1° de maio de 1883 registrou. Freqüentavam esse grupo o Marquês de Olinda, o Visconde de Uberada, o General Pinto "e outros vultos notáveis da época". Por isso, o primeiro período espírita é contado desse ano até 1863. O segundo, de 1863 a 1873, o terceiro de 1873 a 1883. O quarto é contado de 1884 a 1894, o quinto 1894 a 1904, o sexto de 1904 a 1914. Neste trabalho em torno de Bezerra de Menezes, para bem o destacar, é necessário recordar rapidamente esses períodos, exceto o último.
Olímpio Teles de Menezes
Graças ao fato de começar o Espiritismo pela nata social, (18) as primeiras notícias de imprensa lhe foram favoráveis, ou pelo menos não lhe foram contrárias. Quando "O Livro dos Espíritos", em edição francesa, chegou à Corte, já encontrou um meio propício para sua divulgação. Além de comentários de imprensa, começaram a circular folhetos sobre a Doutrina. Em 1860, apareceram os dois primeiros livros em português: o do professor Casimir Lieutand, "Os tempos são chegados", o primeiro talvez na América do Sul, e o "Espiritismo na sua expressão mais simples", sem nome do tradutor, que só apareceu na terceira edição, em 1862, professor Alexandre Canu. Ao terminar o primeiro período, em 1863, o Espiritismo já era um assunto sério.
"O Jornal do Comércio", o maior órgão da época e o mais prestigioso, dava, em 23 de setembro, desenvolvido comentário favorável à novel Doutrina, embora pela conclusão demonstrasse que o escritor ainda não estava senhor da matéria quanto à finalidade. (18) "O Eco d'Além Túmulo", n° 1: "... e isso não é difícil de provar, se observa que o Espiritismo fez adeptos principalmente nas classes elevadas da sociedade". O segundo período começou em 1863 com a primeira contestação de espíritas a um comentário desfavorável ao Espiritismo. Em 27 de setembro, o "Diário de Bahia" transcrevera um artigo do Dr. Déchambre, extraído da "Gazette Médicale". Artigo debochativo e burlesco. Os Drs. Luís Olímpio Teles de Menezes, José Álvares do Amaral e Joaquim Carneiro de Campos subscreveram uma réplica, publicada no dia 28 do mesmo mês. Foi esse artigo que colocou o Brasil em destaque aos olhos de Kardec, (19) e marcou, por isso, o início de uma nova fase, na qual apareceram os primeiros centros espíritas nos moldes preconizados por
este (Revue Spirite, 1864), quer na Bahia, quer no Rio, em Sergipe e outros Estados. Em 1869 saiu a nossa primeira revista espírita: "O Eco de Além Túmulo", "monitor do Espiritismo no Brasil", mensário de 6 x 6 páginas in-oitavo sob a direção de Luís Olímpio Teles de Menezes, membro do Instituto Histórico da Bahia e taquígrafo, depois, na Câmara dos Deputados, além de publicista estimado. Assim, tivemos um meio neo-espiritualista anterior a Kardec e um meio espírita contemporâneo dele. (19) "Revue Spirite", vol. 8, pág. 334. Ao entrar o Espiritismo mundial na sua segunda época, que principiou com a morte de seu codificador, em 31 de março de 1869, não havia ainda entre nós, como quiçá em parte nenhuma, salvo Paris e América do Norte, senão esses grupos particulares, mais ou menos cultos. Já era, entretanto, crescido o número de adeptos, contados principalmente entre médicos, engenheiros, advogados, militares, professores e artistas. Bezerra de Menezes, a esse tempo, se entretinha apenas com livros religiosos. A viuvez levara-o a ler a Bíblia e esta lhe dera particular entusiasmo pela religião comentada.
Como toda a gente culta, naquela grande aldeia que era a Corte ao tempo do Concílio do Vaticano, discutia e estudava religião e ouvia falar da doutrina de Allan Kardec. "Mas repelia semelhante doutrina, sem conhecê-la nem de leve, pelo temor de perturbar a tal e qual paz que me trouxera a volta à religião de meus maiores, embora com restrições" (20). Estas restrições eram relativas à Igreja e ao Estado. Esse período de cristalização ideológica deveria durar nele o tempo necessário para reunir sólido conhecimento em teologia. Graças a tal preparo, a sua conversão foi um mero fenômeno de recordação. Ele chegou ao Espiritismo sem o saber. (20) "Reformador", 15-7-92.
O Grupo Confucius
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.