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Capítulo 7 de 10

Editora Feesp — parte 6 de 8

Bezerra de Menezes · Canuto Abreu

Entre os novos recrutas de 1894 mais papáveis para rejuvenescer a diretoria havia três, que se destacaram rejuvenescer desde a entrada: Antonio Alves da Fonseca, Leopoldo Cirne e João Lourenço de Souza. Eram três pedras preciosas de cor diferente. No plano que se traçou de moldurar o vulto de Bezerra de Menezes, o cronista vem sentindo a cada passo a necessidade de fazer ressaltar do fundo do quadro as personagens que mais animaram o ambiente e mais concorreram para o desempenho da missão do biografado. Cumpre-lhe, porém, relatar apenas os feitos que se relacionem com a vida de Bezerra de Menezes, deixando de lado tudo quanto, ainda que interessante, seja estranho ao tema histórico em desenvolvimento. Mas nesta altura abre por exceção um espaço à margem da biografia para não deixar passar em silêncio um ensinamento, que a vocação destes três homens, ainda vivos, exemplifica de uma sorte especial. De tal ensinamento há uma lei moral a recolher e que será de algum proveito para os propagandistas dos tempos presentes.

Convidado por José Seabra Monteiro, foi Antonio Alves da Fonseca uma noite à Federação ver o que era o Espiritismo. A palavra erudita e eloqüente de Dias da Cruz, a prece "Cáritas" recitada com unção religiosa pelo propagandista Carlos Joaquim de Lima e Cirne, o recolhimento do auditório impressionaram a sua imaginação religiosa mas deixaram de ferir a sua conversão. E quando viu correr pelos assistentes, como nos templos protestantes, uma sacola em busca de cobres e níqueis, o ambiente se lhe tornou desfavorável, pensando estar entre espertos e crédulos. Não voltaria mais ali se não verificasse, depois, que também naquela casa existia, quase oculta, de acordo com o mandamento de Jesus, a Assistência aos Necessitados. Logo que a percebeu, converteu-se. O seu ponto fraco era a caridade. E pondo de lado como coisa secundária a

retórica de sexta-feira e o palavrório do Reformador, tornou-se prestimoso elemento da Assistência, agindo ali com tal perícia cristã que muitos beneficiados ignoraram longo tempo e alguns jamais vieram a saber a verdadeira origem de certas espórtulas oportunas, que lhes chegavam em nome da Assistência. Compreendendo a necessidade vicentina de pedir esmolas para esmolar aos necessitados, combateu a sacola durante a sessão e pregou a cooperação por outros meios menos antipáticos. Assim, convertido pela caridade e não pela ciência nem pela filosofia, tornou-se modelo de espírita-cristão, que pode ser imitado e igualado mas jamais excedido nas mesmas circunstâncias e contingências em que tem levado a sua vida exemplar. A fé, o desassombro da opinião, o desinteresse da atitude não lhe suplantam a prática de ações bondosas, que atestam a origem do seu convertimento. É, e será até o fim de sua passagem pela Terra, um dos mais lindos ornamentos morais da Federação, à qual deu o seu mais eficiente concurso... por causa da Assistência.

João Lourenço de Souza veio para o Espiritismo atraído pelo maravilhoso e pelo oculto, que lhe feriam a prodigiosa imaginação. Inteligente, ativo, com grande senso prático das coisas, viu no Espiritismo uma face que até aquele momento estava sendo desprezada. A propaganda não se podia fazer sem dinheiro e este podia ser tirado diretamente do Espiritismo, como se fazia na França. O lado utilitário do Espiritismo era e é o mais perigoso, o que mais tem queimado gente no facho da propaganda. E indispensável o máximo cuidado ao manejá-lo, pois o zinabre é um narcótico para o Espírito, tal como o timbó para o peixe. A Federação, porém, precisava de recursos materiais para viver. Souza organizou-lhe o comércio, estabeleceu-lhe a Livraria, editou-lhe as obras basilares, fez-lhe traduções, obteve-lhe direitos autorais e outros favores, criando-lhe em poucos anos uma fonte de renda honesta. Ninguém pode contestar o valor de seu concurso e esconder a dívida da Federação para com João Lourenço de Souza.

Mas quando o operoso diretor se viu contrariado nos seus planos comerciais, deixou a sociedade para não mais voltar. Qual a causa fundamental da sua saída? A Assistência. Os lucros da Livraria não iam para o fundo de reserva que ele imaginava para o êxito mercantil da Federação; iam para os necessitados... Ele tinha razão do ponto de vista em que se cola cara. Mas a Assistência gritava mais alto

e venceu. Leopoldo Cirne foi seduzido pela filosofia. Alfredo Pereira o levara a uma sessão de sexta-feira. Nada sabia Cirne de Espiritismo e era materialista. Discutia-se naquela noite de 1894 a tese: "Como conciliar o livre arbítrio com o determinismo da prova". Terminada a sessão, em vez de transmitir sua impressão primeira sobre o meio, como em geral se faz, Cirne entrou a discutir com Alfredo Pereira a tese do dia como se fora um veterano. Grande psicólogo, Alfredo percebeu a espontânea conversão do materialista e seu grande talento. Deu-lhe um "O Livro dos Espíritos" e pediu-lhe que usasse da palavra na próxima sexta-feira, em que voltaria a debate o mesmo assunto. Cirne fora tocado em seu ponto fraco: a filosofia. As forças latentes de seu formoso Espírito despertaram para a missão, como raios do sol de meio dia, renascido da nuvem. Não conseguiu ler em "O Livro dos Espíritos", mais do que a Introdução, essa obra prima de Kardec. Pôs de lado o Livro, como se encerrasse um assunto sabido. Era "espírita de nascença", como Bezerra de Menezes.

E quando Dias da Cruz na sessão seguinte botou em discussão a tese, foi com desconfiança e curiosidade geral que aquele novato de olhos azuis, queixo saliente sobre colarinho alto, bonito e elegante, pediu a palavra, tirou do bolso umas tiras de papel e falou. O presidente sussurrou ao ouvido de Alfredo Pereira: — Quem é esse moço? — Um amigo de Pernambuco, que me veio recomendado pelo Teodureto Duarte. — Agarra-o para nós; precisamos dele. — Já está seguro! Vai ajudar-me no Reformador. E assim foi. Durante vinte anos o Reformador teve nele uma pena de mestre. O melhor de sua vida: toda a sua mocidade foi sacrificada à propaganda oral e escrita da filosofia que o empolgara desde o primeiro instante. Ninguém o excedeu em sacrifício de tempo, de saúde, de renúncia aos prazeres mundanos em holocausto à Doutrina. Mas, quando veio a luta entre a Assistência, que Pedro Richard comandava, e a Federação, que Cirne dirigia, luta cujo desfecho encerrou, em 1914, o sexto período da história do Espiritismo no Brasil, quiseram os desígnios de Deus que a Assistência triunfasse e submetesse a Federação ao seu

jugo. Cirne saiu com o pesar de todos e dele próprio para ficar fora daquele tabernáculo, onde todos, sem exceção, sem absolutamente exceção alguma, desejariam vê-lo ativo e útil até o derradeiro dia de vida. Não cabe aqui apreciar a causa teológica do acontecimento. Quem se interessar por ela deve procurá-la nos livros de Cirne, sobretudo no Anticristo. O que nos interessa é a lição dos fatos. Dissemos que uma lei moral podia ser retirada da vocação desses três neófitos de 94. A lição é esta: Os que sustentaram a Federação por causa da Assistência permaneceram em ambas até o fim. A lei talvez seja esta: Os que defendem o Espiritismo, não pelo que encerra de científico, filosófico, religioso ou utilitário, mas pela caridade que ele pode praticar, esses ficarão fiéis até o fim. E serão salvos... Possam deste exemplo tirar corolários quantos pretendam organizar sociedades espíritas duráveis.

Júlio César Leal

Voltemos a 1895. Júlio Leal, na presidência, Dias da Cruz, na vicepresidência, e Alfredo Pereira, na tesouraria, representavam os veteranos. Leopoldo Cirne e João Lourenço de Souza, 1° e 2° secretários respectivamente, os novos. Antonio Alves da Fonseca incorporou-se à Assistência, que ainda não tinha representante na diretoria. A plataforma presidencial consistiu numa conferência intitulada: "A unidade de Deus e a divindade de Jesus", em que Júlio Leal definiu uma orientação diversa da estabelecida por Dias da Cruz no ano anterior. Em vez de permanecer no meio termo, num terreno de Espiritismo puro, descambou com todo entusiasmo para o kardecismo, dando assim apoio aos "científicos" e afastando todos os "místicos". Não era possível esconder o perigo de uma próxima luta, que a diretoria passada se empenhara em evitar. O Reformador, nas mãos de Cirne e Arnaldo Pereira, abriu rumo oposto com uma série de artigos intitulados "Nossa Missão", inclinando-se para os "místicos".

As duas atitudes eram no fundo e na forma antagônicas e coincidiam apenas num ponto, pacífico em todas as administrações: tornar a Federação o fulcro do movimento espírita. Esta concordância, porém, não obstava à luta intestina. A falta de harmonia na direção dividiu a sociedade em dois grupos, tal como sucedeu no Confucius, na Deus, Cristo e Caridade, na Fraternidade, na União, no Centro, etc. Sendo radical a divergência, cada grupo pretendendo vir a ser a célula mater do Espiritismo brasileiro, a separação interior tinha que atingir o exterior. O grupo dos "científicos" encabeçado pelo professor abandonou a Federação e a Assistência e foi para a rua Visconde do Rio Branco n° 67 instalar, em fase nova (naquele tempo tudo se refazia da dispersão de 93), o Centro da União Espírita de Propaganda do Brasil, que seria composto de representantes de todas as sociedades, segundo o plano fracassado de Bezerra de Menezes, e teria uma caixa de

propaganda em vez de uma assistência a necessitados. A inauguração se deu solenemente em 24 de maio de 1895, com sala enfeitada, discursos, banda de música e... coleta de dinheiro. (Ficou assentado desde logo que a receita seria contada à vista dos doadores e levada à caderneta n° 118.383 da Caixa Econômica, para ser movimentada à medida das necessidades da propaganda.) Júlio César Leal, solidário com o professor T, e sem perceber talvez o alcance moral de seu ato, aprovou a dissidência e nomeou Manoel Joaquim Moreira Maximino representante da Federação junto ao Centro. Tomou, portanto, uma posição de esquerda, incompatibilizando-se com os diretores "místicos" e tornando-se um elemento perigoso para a finalidade da Federação, cujo programa ia ser executado pelo Centro. A nova agremiação dos científicos principiou a funcionar ruidosamente. Aos domingos, suas sessões tinham números musicais, literários e outras amenidades, numa preocupação de mundanizar o Espiritismo, tirando-lhe o caráter reverencial e religioso que lhe dava, em contraste, a reunião espírita dos "místicos".

Júlio Leal emprestava-lhe o concurso de sua presença e de sua palavra, relaxando os trabalhos da Federação, onde quase não aparecia. Em julho a crise chegou ao seu ponto agudo. Dias da Cruz tentou fazer a volta ao programa de meio termo, em que depositava confiança e soltou o primeiro foguete, num artigo epigrafado "Tolerância e Bondade", que refletia um pensamento nobre e conciliador: "Uma das virtudes que devem constituir o fundo do caráter de um espírita e que o devem distinguir dos religionários de outra qualquer doutrina é sem contestação a tolerância, porque o Espiritismo é uma tenda a cujo abrigo se podem acolher todos os que, no recesso de sua alma, aninham um sentimento de religião, quaisquer que sejam as formas de que seu culto externo se revista".

Examinadas as peças dessa época e buscando debaixo da letra o espírito, não é possível negar à corrente "tolerante", à testa da qual estava Dias da Cruz, um raro bom senso. Estamos bem distantes e falando sem qualquer paixão e quem se puser na mesma neutralidade verá que o trecho

transcrito encerra uma verdade para fora e uma verdade para dentro. Para fora, quando parece falar a gentios; para dentro, quando se aplica aos próprios espíritas. O Espiritismo, diz o articulista, é uma tenda a cujo abrigo se podem acolher todos, qualquer que seja o seu ponto de vista em matéria de fé. Sim, tomando-se o Espiritismo em sua pureza, tal como nasceu e serviu de base a "O Livro dos Espíritos". Recalcada a fé religiosa ao fundo da consciência de cada um, onde deve permanecer respeitada e viva, todos poderão associar-se em torno dos princípios fundamentais do Espiritismo puro, estabelecendo uma fraternidade inteligente e política. Dizemos Espiritismo puro, repetimos, para o distinguir do kardecismo, Rustanismo, Antonismo, Swdemborgismo, Oxonismo, e outras seitas formadas depois de "O Livro dos Espíritos" e à custa de seus princípios fundamentais. Dentro dele todas as seitas poderão viver, e estão vivendo, irmanadas, pois o Espiritismo puro não tem preferência por nenhuma. Sob seu pálio podem ficar não somente as seitas nascidas dele próprio, como todas as religiões deístas e animistas do mundo, que se contam para mais de 2.000.

Só o Espiritismo puro, que considera todas as crenças como simples bandeiras de tribos, goza desse espírito universal de tolerância. Ora, estavam os federacionistas e os centristas em condições de se tolerarem mutuamente? Não, porque eram com raras exceções sectaristas rubros e assim iguais a todos os "religionários", que primam sempre pela intolerância. Sejamos um pouco mais explícitos neste ponto, ainda que fora de nosso tema principal, pois vimos à diferenciação entre Espiritismo e Kardecismo aceita por muitos mas repelida in limine por alguns, e nosso maior desejo é ser compreendido por todos. Sem a noção clara dessa diferença perderia todo o sentido esta crônica, e a história da luta em que Bezerra de Menezes encontrou a glória seria apenas uma fantasia.

Denominamos com Allan Kardec (*) doutrina espírita a que "O Livro dos Espíritos" contém, e chamamos Kardecismo a doutrina que não se encontra no referido livro e sim nas diversas obras que Allan Kardec escreveu Segundo o Espiritismo, isto é, segundo outra doutrina, que ele mesmo denominou espírita. (*) Notada Editora: A Doutrina Espírita não consiste apenas no que está contido em "O Livro dos Espíritos", mas é formada pelas cinco obras básicas que constituem a Codificação Kardequiana: "O Livro dos Espíritos", "O Livro dos

Médiuns", "O Evangelho Segundo o Espiritismo", "O Céu e o Inferno" e "A Gênese", além de outras obras subsidiárias. Espiritismo e Doutrina Espírita são sinônimos, devendo-se evitar a denominação Kardecismo, pois o vocábulo Espiritismo foi criado pelo próprio Allan Kardec para denominar a Doutrina por ele codificada. O Espiritismo tem princípios fundamentais, que servem a muitas religiões. Adaptando esses princípios à moral de Jesus e explicando uma parte da doutrina cristã à luz do Espiritismo, Kardec criou uma nova interpretação do Cristianismo. Assim, Kardecismo é o espiritismo cristão, ou Cristianismo espírita. E uma aliança de princípios espíritas com princípios cristãos. No Kardecismo todos são "irmãos em Jesus". O kardecista diz: quem não é por Jesus é contra Jesus. Portanto, o espírita que toma para Mestre a Buda, por exemplo, não é kardecista, não é "irmão em Jesus". Mas é espírita desde que aceite os princípios fundamentais da Doutrina Espírita. A fé cristã é uma fé particular e não é a única no mundo. Já dissemos, há mais de duas mil que não são cristãs.

Sendo a fé cristã a única tolerável no Kardecismo, segue-se que todas as demais lhe estão de fora. No entanto, podem ficar dentro do Espiritismo. No Kardecismo a tolerância só existe para os que possuam a mesma fé cristã. Acontece no Rustanismo o mesmo com agravantes. Neste a intolerância ainda é maior, pois não lhe bastam as credenciais kardecistas, isto é, não basta para ser rustanista acreditar no Espiritismo e no Cristianismo. É imprescindível crer também em certos dogmas, como, por exemplo, a virgindade de Maria, a concepção imaculada, a natureza extrahumana da carne de Jesus, a divindade do Cristo, etc. Para o Kardecista, Jesus é um chefe espiritual, a quem coube a segunda revelação, tal como Moisés, a quem Deus confiou a primeira. Para o rustanista "é a maior essência espiritual depois de Deus". Muitos não querem "ver" diferença entre Kardecismo e Rustanismo, entre Kardecismo e Espiritismo. São geralmente os que não são nem kardecistas nem rustanistas, nem espíritas, mas crédulos. "O Livro dos Espíritos" está para o Espiritismo, o Kardecismo, o Rustanismo, o Antonismo, etc., como a Bíblia está para o Judaísmo, o Cristianismo, o Islamismo, e outras seitas que se fundam no Velho

Testamento. Na Bíblia está a Palavra de Eloim, de Jeová, de Adonai, que foi interpretada de modos diferentes pelos judeus, pelos cristãos e pelos islamitas. Em "O Livro dos Espíritos" está a Palavra de diversos Espíritos, que podem ser interpretada também pelos judeus, pelos cristãos e pelos islamitas. Cada interpretação terá um nome e constituirá uma seita, reunindo adeptos pela propaganda, que não pode ser senão combatente e, portanto, intolerante. Dada a divergência profunda entre os "científicos" e os "místicos" consumou-se a crise em meado de julho. Júlio Leal renunciou à presidência e foi para o Centro. Dias da Cruz, alegando a sua incompatibilidade com a Assistência e com qualquer programa sectário, não quis o cargo que lhe competia, preferindo recolher-se a voluntário ostracismo. Dos veteranos ficou só Alfredo Pereira na diretoria. Chegara a oportunidade dos "místicos". Para fazer triunfar definitivamente este partido na Federação e varrer daí todos os opositores de Ismael bastava, em primeiro lugar, encontrar um presidente místico e, logo em seguida, lançar um plano de organização, que anulasse o do Centro.

O presidente com as qualidades necessárias não podia ser procurado fora do Grupo Ismael, o viveiro dos místicos. A organização tinha que ser preparada desde logo pelo Reformador. Alfredo Pereira não perdeu tempo. Levou a Dias da Cruz, Elias da Silva e Fernandes Figueira a candidatura de Bezerra de Menezes. Inclinaram-se. Era um nome respeitável e um valor indiscutível. Sábio, bondoso, diligente, humilde, possuía ainda a seu favor a velhice, que o cobria de veneração. Foram juntos convidá-lo. A presidência era naquele momento um verdadeiro presente de gregos. Bezerra de Menezes desculpou-se, por isso, como pôde. Estava cansado e cheio de obrigações espíritas. Insistiram. Não era um convite, era um apelo. Bezerra salientou então a dificuldade, senão impossibilidade, de acomodar místicos e científicos. Além disso, só compreendia o Espiritismo como complemento do Cristianismo, e era rustanista. Replicaram que todos confiavam no seu espírito de Tolerância e conciliação. Estavam certos de que faria o possível para harmonizar a família espírita dentro dos princípios fundamentais. Entretanto, agiria com

plena liberdade e carta branca. Teria poderes discricionários. Faria o que quisesse e até, para ficar inteiramente à vontade, nenhum dos quatro aceitaria qualquer cargo administrativo, continuando embora todos seus amigos e companheiros. Diante de tamanho cerco, pediu um prazo para responder ao convite, precisando primeiro ouvir o seu guia espiritual. E, com esse intuito, rumou para o Grupo Ismael.

Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.