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Capítulo 1 de 11
Parte 1 de 10
A Vida no Outro Mundo · Cairbar Schutel
Cairbar Schutel
Cairbar Schutel
A vida no Outro
Mundo
Capa de: Alzira Martins Appollo Tela da linha Pararrealismo
6.ª edição CASA EDITORA 5.000 exemplares O CLARIM
Composto e Impresso Nas oficinas gráficas da Casa Editora O Clarim (Propriedade do Centro Espírita “Amantes da Pobreza”) C.G.C. 52313780/0001-23 – Inscr. Est. 441002767 Rua Rui Barbosa, n.° 1070 – Cx. Postal, 9 CEP. 15990- Fone 82-1066 (DDD-0162) – Matão – SP. Impresso em Off-set
Ficha Catalográfica
(C.D.D.) Classificação Decimal Dewey
Cairbar Schutel, 1869 – 1938 A VIDA NO OUTRO MUNDO Espiritismo Casa Editora O Clarim Matão – SP. – Brasil 160 páginas – 13 x 18 cm. 1 Espiritismo – I Título
Índices para catálogo sistemático 133.9 Espiritismo 133.901 Filosofia e Teoria 133.91 Mediunidade 133.92 Fenômenos físicos 133.93 Fenômenos psíquicos
Índice
Páginas Prefácio 006 Ciência Materialista 008 O Problema da Imortalidade 012 Em Busca da Verdade 016 A Revelação Espírita 019 Estudos Anímicos 025 Exteriorização da Sensibilidade e da Motricidade 028 Efluviação Ódica 032 Existência do Perispírito e desdobramento da Personalidade 034 O Perispírito nos Seres inferiores 043 O Mistério da Morte 048 O Passamento, ou o desprendimento do Espírito do corpo 065 A Sobrevivência Individual 075 A Inconsciência da Vida no Além 079 Sala de Reuniões e Casas no mundo dos Espíritos 083 Os planos do Mundo Espiritual 087 O plano da vida após a morte 091 Revelações sobre a vida no outro mundo 098 As revelações de Swedenborg 104 A complexidade do mundo espiritual 107 Os planos subseqüentes ao mundo espiritual 112 Trabalho e ocupações dos Espíritos 119 Considerações Imortalistas 122 Agradecimentos 135
Prefácio
Quando escrevi – O Espírito do Cristianismo – julguei seria a última obra que teria de dar à publicidade, e me alegrei por haver desinteressadamente levado aquela insignificante contribuição para o erguimento do Verdadeiro Templo Espiritual, que o Espiritismo veio construir para abrigar a Humanidade. Na verdade, não me passava pela mente a idéia de um novo livro; satisfazia-me com a publicação de artigos filosóficos e doutrinários, com os quais procurava manter acesa a lâmpada da Fé nos corações daqueles que me têm dedicado a sua amizade e simpatia. Um dia, porém, lembrei-me de que há muito tempo havia eu escrito uma conferência, cujos ensinos eram inéditos naquela época e vinham trazer nova luz sobre a vida além da morte. A doutrina expendida nessa conferência fora ilustrada com alguns mapas, que formavam um esquema de confronto entre os mundos do nosso Sistema Planetário e outros, representativos das estrelas, majestosos sóis centros de outros tantos sistemas, que representam as “muitas moradas da Casa de Deus”, lembradas por Jesus segundo refere o Evangelista João. Assim também os desenhos faziam lembrar os asteróides, os cometas, os mundos que
sulcam os Universos quais frótas flutuantes, levando em seu dorso Humanidades que caminham para a Perfeição – o Bem e o Belo – para a glorificação do Supremo Criador. Passados alguns anos, verifiquei que a doutrina expendida nessa conferência não era ficção, nem mera fantasia de uma exaltação pela Imortalidade, que porventura me afagasse o coração, visto que outros tantos escritores e médiuns nos haviam transmitido as mesmas verdades, embora em países diversos e distantes do nosso, bem assim em outros idiomas. Esse fato me incitou a escrever novo livro, que, com justa razão, deveria intitular-se – A Vida no Outro Mundo –. Pus mãos à obra e eis que consegui, com o valoroso auxilio dos meus protetores e dos caros Espíritos que dirigem nosso Movimento, entregá-la à publicidade. Como nas demais obras, não me incomodei com a forma; unicamente fiz questão de que as expressões que traduzem os conhecimentos, que me foram dado receber, exprimissem exatamente as ideias que desejo ver propagadas e conhecidas de toda gente.
Esforcei-me o mais possível para usar de uma linguagem popular, acessível a todas as intelijências, porque sei que esta obra terá mais divulgação entre os humildes e desprovidos da literatura que adórna os que tiveram tempo e dinheiro para se ilustrar na arte de falar bonito. O meu fim é levar a consolação aos aflitos, a fé aos descrentes, a verdade aos que por ela anseiam e trabalham.
Se este livro concorrer para estancar lágrimas de amor pela separação de entes caros, e para a iluminação de cérebros que se consideravam vazios de espiritualidade, eu me darei por satisfeito com o meu trabalho.
Ciência Materialista
O grande mal da nossa época é o Materialismo deprimente que envolve as massas. Por toda parte a descrença e a ignorância fazem vítimas, matando corpos e adormecendo almas. Mesmo no seio das igrejas que se dizem cristãs, não haverá, talvez, dez por cento de “religiosos” que acreditam firmemente na sobrevivência. O materialismo penetrou no âmago dos corações, e a ignorância lavra, tristemente, obscurecendo espíritos. Afinal, no que se funda o Materialismo?? Quais são os seus princípios, considerados dignos de tanta consideração e obediência?? Em uma palavra – o que é a matéria?? “A matéria é uma coisa inerte e tangível, composta de átomos”. Diversos sábios acrescentaram a “indestrutibilidade e irredutibilidade à matéria, bem como a sua ponderabilidade e imponderabilidade”, o que levou Berthelot a dizer que “esses atributos da matéria permaneceram registrados na História como um romance engenhoso e sutil”.
Como se sabe, a matéria era pouco conhecida; só se percebiam os seus três estados: sólido, liquido e gasoso. Foi em 1878 que o estudo da matéria recebeu influxo mais positivo. Na mesma ocasião em que Davi fazia conhecer a dissociação dos compostos químicos por uma corrente elétrica, William Crookes, no seu trabalho sobre Física Molecular, demonstrou a existência de um quarto estado da matéria metagasoso, ou seja, radiante. E acrescentou, em suas conclusões, que este estado (radiante) é absolutamente material, concluindo, por isso, que a matéria não é senão um modo de movimento, que passa do estado sólido ao etéreo donde veio. Logo depois, o ilustre físico inglês Sir Oliver Lodge, fez uma comunicação à Sociedade Real de Londres, sobre a matéria, cujas conclusões assim resume: “A evolução ou transmutação da matéria foi experimentalmente posta em evidência pelos fatos da radioatividade. Os átomos pesados dos corpos radioativos parecem desagregar e lançar no espaço átomos de peso atômico mais fraco”.
Eram para Lodge cargas iônicas, que outros cientistas entre os quais William Crookes, chamaram de elétrons. Por tudo isso se vê que a matéria não tem as propriedades com que a brindaram os sábios doutro tempo. O seu estado primordial e seu último estado resumem-se no éter, e, como disse Sir Oliver Lodge, não se pode deixar de concluir que o éter é tudo, a fonte de que Deus se serve para criar tudo quanto existe, porque o éter, por si mesmo, não é inteligente,
e não passa de um reservatório infinito, eterno, de forças que se materializam e modelam, e se desmaterializam, dependentes de uma Vontade Superior, de uma Intelijência Suprema, Eterna, que chamamos Deus. Se dermos, uma olhadela nos trabalhos do Dr. Gustave Le Bom, veremos que, segundo a idéia deste ilustre homem de ciência, como de outros físicos, a matéria não é senão “energia concretizada”. Como se vê, os próprios materialistas têm perdido os seus princípios; não relutam, entretanto, em afirmar, embora sobre bases movediças, a realidade da sua doutrina. Mas o interessante é que cada um deles mantém teorias meramente pessoais e discordantes uma das outras. Uns acham que o Organiscismo e a Histologia são suficientes para explicar os fenômenos vitais pelo mecanismo dos órgãos. Neste caso entram em cena os efeitos das forças psicoquimicas, considerando a sensação, o pensamento, a vontade, como uma propriedade dos neurônios. Outros são materialistas porque não concebem um espiritualismo de acordo com a ciência experimental que aconselha o estudo, a investigação, o livre-exame.
Estes são os epicuristas, que afirmam: “Post mortem nihil est, espsaque mors nihil”, traduzindo “Depois da morte nada há, a morte é mesmo nada”. Sem a mais ligeira noção de psicologia, olham indiferentemente todos os fenômenos objetivos e subjetivos que se vão verificando todos os dias em toda parte, e, em face dessas manifestações inteligentes,
que revelam conhecimentos muito superiores aos do indivíduo, repetem loucamente o velho aforismo aristotélico, de que “nihil est in intellectu quod prius non fuerit in sensu”, traduzindo “Nada há na intelijência que não haja passado pelos sentidos”, como se esses conhecimentos tivessem sido recebidos pelo sujeito, através dos seus sentido físicos e na existência presente. Eles não podem ver que esse adágio, tal como aplicam, é absolutamente falso, princípio sem sanção em Ciência com também em Filosofia. Enfim o Materialismo, felizmente, está na sua derradeira agonia. Combatido através dos tempos por intelijências de escol, como Voltaire, Malebranche, Leibnitz, Swendenborg e muitos outros, o Materialismo não pôde deixar de se dar por vencido, em face dos fenômenos metapsíquicos e espíritas, constatados atualmente pelos maiores sábios do mundo. O Espiritismo chegou no tempo propício para escalpelar a ciência materialista, dissecando-lhe todos os nervos, e fazer ver às gentes a impotência dos princípios que ela ensina, absolutamente contrários à veracidade dos fatos. Damo-nos por felizes em assistir a essa derrocada e concorrer, embora com minúscula parcela, para que breves sejam os dias em que as águas movimentadas da nova ciência que surge, atirem nas voragens insondáveis essa outra “barca” tripulada por “piratas” que tem levado a desolação ao mundo.
O Problema da Imortalidade
A humanidade, deslocada dos legítimos preceitos da moral. – Moral Divina, Religião de todos os tempos e de todos os povos, que foi substituída criminózamente por mandamentos humanos e cultos esdrúxulos, não cogita, mormente nos tempos em que nos-achamos, dos seus deveres e seus destinos. São relativamente poucos os que pensam no dia de amanhã a não ser para auferir bastardos lucros. Entretanto, a pequena, a insignificante fração que constitui esses poucos, esforça-se e trabalha, uns para a conquista de uma crença verdadeira que bem lhes oriente no caminho da vida, outros, para verem resolvido, no nosso planeta, o grande problema, o problema máximo cuja resolução é de fato, o que nos oferece maiores promessas, mais valorosos benefícios. A Imortalidade é, como efeito, o pivô sobre o qual se devem movimentar todos os cometimentos para uma orientação segura da vida. A sabedoria e as virtudes nunca terão grande razão de ser enquanto os homens se desinteressarem pela imortalidade. A resolução do grande problema, afeta por tal forma, todas as ramificações do saber humano, que permaneceremos estacionários se a humanidade, ou antes, os homens continuarem a pôr à margem esta questão de interesse político, religioso, científico e social, pois, de fato é ela, a
imortalidade, a base fundamental de todos os problemas que inflamam o cérebro e fazem palpitar o coração; é, na verdade, o ponto de partida para todos os estudos; é sobre essa rocha que se deverá erguer o grande edifício, o enorme Monumento onde pontificarão: a Ciência, a Religião, a Filosofia, as Artes. A própria Paz, interna e externa, não se conseguirá, nos países e nas nações, sem a Luz da Imortalidade, assim como sem ela é impossível manter a Fraternidade entre os povos. Pascal dizia com suma razão: “A imortalidade é o nosso primeiro interesse, é uma coisa de tal importância que é preciso ter perdido toda a sensibilidade para ser indiferente ao seu conhecimento”. Pergunta-se com efeito se essa, não é a solução do problema que aclara a nossa razão, ilumina o nosso destino, dá sentido ao nosso futuro pessoal à nossa, existência? Pergunta-se ainda se essa não é a solução desse problema que nos dá uma orientação firme, norteando a nossa vida ao influxo de nobres paixões, de uma moral lejítima e edificante?
Pergunta-se ainda Poderá a negação e a dúvida produzir semelhante milagre, formar caracteres, arregimentar-nos para enfrentar os dissabores da existência, as decepções cotidianas que nos assaltam e oprimem? Ainda nos perguntamos - Quem não se viu diante do desespero, quem não se deteve à porta fechada de um túmulo, quem não viu desaparecer do seu convívio um ente
querido, quem, nos momentos angustiósos, não disse para si mesmo, – a morte é o fim de toda essa tragédia que os homens representam no grande palco do mundo? Tragará ela os bons como os ruins, os virtuosos, os abnegados, os sábios que, debruçados sobre livros ou absorvidos em seus laboratórios, trabalham pela coletividade, pelo bem geral, pela comunidade? Perguntamo-nos sobre os nossos entes amados, objetos da nossa afeição, aqueles que constituíram nossos melhores afetos, nossa veneração, nosso amor, serão dissolvidos, extintos nos abismos do nada? Nos questionamos, será que não somos mais que um volume de carne cobrindo um esqueleto, formando ao todo uma combinação de oxigênio, hidrogênio, azoto e carbono? Será que não somos mais que uma armação de ossos coberta de albumina e fibrina, com uma rede de nervos imersa num lago de água? Os pensadores, os que procuram encarar a vida tal como é, questiona-se se: não teriam meditado nunca? Não lhes teria passado pela mente essas naturalíssimas conjecturas, essas considerações que surgem no nosso cérebro e em nosso coração nos momentos difíceis que atravessamos, quando sentimos a vida pesada, quando o aguilhão das contrariedades nos assalta e oprime? E como responder a todas essas pergunta sem resolver o grande problema que é a chave principal, a chave ““mágica””, que abre todas essas portas fechadas à nossa
razão, à nossa intelijência, ao nosso sentimento, ao nosso coração? Continuamos a questionar. Darão, porventura, as religiões sacerdotais uma resposta a esses quesitos que ensombram a Humanidade? A ciência catedrática, com todos os recursos que lhe têm vindo das novas descobertas e invenções, será ela capaz de responder-nos positiva e categoricamente de modo a satisfazer o nosso entendimento e pôr um paradeiro às ânsias que se acentuam todos os dias em nossa alma? Finalmente, somos ou não somos? Existimos ou não existimos? Continuaremos a viver após o último ato da nossa existência terrestre? Ao cair o pano, restará de nós alguma coisa, ou tudo se extinguirá? Será a vida uma farsa que começa no berço e termina no túmulo? Será a vida uma sucessão contínua de micróbios, um combate sem tréguas de animálculos que se entredevoram e se sucedem, tendo por epílogo a desagregação do “Eu” debaixo de uma laje fria, dentro de um sepulcro? Meditemos sobre tudo isso, pensemos: eis o primeiro trabalho a realizar. Esqueçamo-nos por um momento das ilusões que nos fascinam e embrutecem; encaremos a realidade sem temor, porque, dela nos desviando, só teremos ilusões e desenganos. Tomemos a sério a vida, para que a vida se nos mostre tal como é, sem enganadoras aparências.
Fiquemos certos de que não teremos paz, nem saúde, nem religião, nem sabedoria, nem felicidade, sem que o grande mistério do “ser” ou “não ser” fique resolvido.
Em Busca da Verdade
Em todos os tempos, ilustres pensadores e grandes filósofos têm dedicado vidas inteiras para solucionar o problema da vida. Infelizmente, porém, as suas pesquisas não ultrapassaram os limites corporais, deixando de lado os fenômenos psíquicos, que atribuíram, na maioria das vezes, a causas sobrenaturais e miraculosa. O problema anímico aparecia obscurecido aos estudiosos, que baseavam suas perquirições em torno do homem no pressuposto de que ele era uma alma criada juntamente com o corpo As Escolas de Leucipo e de Epícuro, por exemplo, admitiam a alma; mas diziam que ela se compunha de átomos que se desagregavam, e era, portanto, incapaz de sobreviver à morte do corpo. Esta idéia, mais tarde apresentada com modificações sucessivas por Locke, Condillac, Helvetius e Holback, degenerou em absoluto negativismo, proclamando a Escola Materialista o seguinte “artigo de fé”; “Somente no organismo humano a matéria pode sentir e perceber”. Foi também está a divisa adotada por Molleschot, Buchner, Karl Vogt, Broussais, Haeckel e outros príncipes
da Ciência, aplaudido pelos homens mais eminentes do século. Karl Vogt afirmava: “o pensamento é uma secreção do cérebro”, e acrescentava: “as leis da Natureza são inflexíveis, não conhecem moral nem bondade”. Haeckel dizia: “a alma, isto é, a atividade espiritual, nada mais é que uma função fisiológica, produto de fenômenos mecânicos”. Parece ser ainda corrente entre os sábios oficiais e seus adeptos que a “consciência é determinada pelos elementos constitutivos do sangue e as obras da virtude e do gênio não passam de uma questão de hereditariedade, ou seja, o resultado da física e da química dos corpos”. Foi o que levou um ateísta a dizer que o homem não passa de um Oxinitrocarbureto de hidrogênio coloidal, e nada mais existe nele a não ser matéria. As doutrinas espiritualistas de Aristóteles, de São Tomás de Aquino, de Descartes, que brilharam com verdadeiro fulgor secundadas pelas de Jouffroy, Cousin, Villemain, e as quais, no terreno filosófico, demonstraram a existência e imortalidade da alma, não conseguiram, entretanto, deter a onda dos nihilistas, que se avolumava cada dia mais. A velha concepção da alma não dava lugar a provas positivas, disso resultando, não só entre os materialistas que negavam, como entre os espiritualistas, a adoção de um panteísmo comodista, que fazia estes cuidarem somente da
vida corporal em detrimento da vida espiritual, do presente, com exclusão do futuro. Com efeito, perdida a orientação da vida, limitado o espírito às coisas materiais, sem esperança de uma vida melhor, a sociedade teria forçosamente de precipitar-se num abismo, onde nenhuma aquisição duradoura lhe poderia melhorar a situação. A Razão, desvirtuada dos seus princípios, não pode permanecer ao lado da Moral da Ciência. Foi em tais circunstâncias que se fizeram sentir, em nosso planeta, as manifestações paranormais, de ordem extrafísica, que haveriam de, submetidas ao método experimental, proclamar o estabelecimento definitivo da alma como fator do organismo corpóreo, sua pré-existência ao nascimento do corpo e sobrevivência à morte deste.
O Espiritismo mostra que, no homem, a aliança dos dois elemento – alma e corpo – intimamente unido, reagem um sobre o outro, como o prova o testemunho diário dos sentidos e da consciência; e tem por intermediário o invólucro do espírito, que Allan Kardec houve por bem denominar perispírito, elemento este já previsto pelo Apóstolo Paulo, que o chamou corpo esperitual, e pelo inglês Cudworth, que o intitulou medidor plástico. A Teoria Espírita, trazendo uma nova idéia da alma, estendeu a sua ação ligando os dois mundos, o mundo da vida corpórea e o mundo da vida espiritual, facilitando, assim, a solução do grande problema do “ser”, com os seus
princípios de evolução entrevisto por Darwin, Lamarck e Haeckel, mas infundindo nas concepções evolucionistas o espírito, sem o qual não poderão prevalecer. Com a inestimável contribuição que o Espiritismo a todos proporciona, livre das injunções do feudalismo intelectual, todos os homens de boa vontade, num esforço supremo para sua melhoria, podem e devem abordar, agora, com orientação mais firme, aquilo que, antigamente, era privilégio dos sábios e sacerdotes. Favorecidos pelos fenômenos psíquicos, pela evocação dos Espíritos e suas manifestações, ainda mais, auxiliados por uma enorme biblioteca de obras que tratam do assunto, muito fácil será ao homem de boa vontade encontrar a Verdade fora das academias e das religiões sectárias que têm retardado o progresso humano.
A Revelação Espírita
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.