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Capítulo 10 de 11
Parte 10 de 10
A Vida no Outro Mundo · Cairbar Schutel
_ É de admirar que o mesmo acontecesse ao Espiritismo, que é a mais ampla revelação que a Humanidade tem recebido? _ É de estranhar que Deus não quisesse, também desta vez, revelar a Sua Palavra ao mundo, como aconteceu outras vezes, por meio de “sábios” e de “sacerdotes”, mas os escolhesse por sua indefectível Justiça? _ E quem não vê que essas revelações são progressivas, as últimas corroborando os preceitos das primeiras e trazendo um complemento característico de mais elevado ensino, em virtude das circunstâncias de progresso que a Humanidade tem realizado? Disse o Cristo: “Eu não vim derrogar a Lei e os Profetas, mas sim dar-lhes cumprimento”. É assim que a Lei se vai tornando cada vez mais conhecida, à medida que os homens crescem no seu conhecimento, e os (profetas=médiuns), ou intermediários da Vontade Divina, também sentem aumentar e diversificar em si mesmo os seus dons, na razão direta da expansão da Lei em sua sublimidade moral e espiritual. A Primeira Revelação, dada por intermédio de Abrão, não diz mais que a existência do Deus Único, Deus Vivo que está em toda parte e em quem devemos crer e confiar. A Segunda Revelação, vinda por intermédio de Moisés, a Revelação do Sinai, já é um Código de mandamentos e preceitos, além de, em sua primeira ordenação, repetir a Revelação Abraâmica.
Como se vê, a Revelação Mosaica não veio destruir a Revelação Abraâmica, mas cumpri-la e ampliá-la, prescrevendo ordenações que não se achavam prescritas na revelação anterior. Por outro lado, observem-se os tempos abraâmicos e mosaicos, quanto às manifestações do Além dadas pelos profetas, e ver-se-á, claramente que as revelações pessoais tiveram, nessa época, grande repercussão; os médiuns (profetas) se multiplicaram tanto, e tanto abusaram de suas faculdades, que Moisés chegou a proibir os encantamentos, as adivinhações, as invocações dos mortos, impondo, como legislador e chefe do povo de Israel, penas severas a quem transgredisse o seu decreto. A Lei se completa sempre com os Profetas, e os Profetas não podem exorbitar a Lei: têm de submeter-se a ela. “Os encantamento, as adivinhações, a invocação dos mortos” para fins de que se utilizavam os médiuns populares daqueles tempos, eram práticas contrárias à Lei do Decálogo; essencialmente politeístas, iam de encontro ao preceito de amor e de adoração ao Deus Vivo, Deus Uno, bem como infringiam os demais preceitos do Decálogo referentes ao “amor ao próximo”. Os fins especulativos e supersticiosos, visados pelos mistificadores, praticados, então, como ainda hoje, por pessoas sem critério e despidas de todo sentimento do Bem, é que determinaram a proibição.
A Lei manifesta-se sempre pelos Profetas e, assim, há mistificadores da Lei, há profetas de mentira que semeiam pelo mundo o erro, a desarmonia e a incredulidade. Foi o que levou também o Apóstolo João a recomendar severamente: “Examinai se os Espíritos vêm de Deus, porque muitos falsos profetas têm aparecido no mundo”. _ Poderia, a seu turno, haver Lei sem Profeta? _ O que era Moisés quando recebeu a Lei no Sinai? _ Que papel desempenhou esse Salvador dos Israelitas, se não o de Profeta? Todas as manifestações da Vontade Divina, seja nas Artes, nas Ciências, na Religião, têm os seus profetas, porque, como disse o Apóstolo: “Deus fala ao homem pelo homem: O Espírito do Profeta está sujeito ao Profeta”. Em Elias e Eliseu vemos o exemplo desta doutrina; em Cristo Jesus e Paulo, salienta-se também este princípio: “Já não sou eu mais quem vive, mas Cristo que vive em mim e tudo realiza”. Mas a Revelação não parou no Sinai; as suas luzes deviam ampliar-se e intensificar-se porque a Religião, com dissemos, é progressiva.
Cerca de dois mil anos após a explosão do Sinai, uma nova e mais intensa luz brilhou na Palestina, irradiando-se, depois, pelo mundo todo. Já havia nascido, em tosca alfombra, e crescia em tugúrio humilde, aquele que, alheio a todas as congregações religiosas, empunharia o facho Divino para iluminar a Revelação Mosaica e cumpri-la, pois não vinha revoga-la, mas
aumentar-lhe a intensidade do clarão, desde que já era mais acentuada a madureza da Humanidade. De Moisés em diante, a despeito da proibição, os Profetas de Deus não cerraram seus lábios e outra coisa não fizeram senão chamar a atenção dos homens da Terra para as coisas dos Céu. Cada página do Velho Testamento, confirma nossa asserção. Em todas elas observam-se fenômenos metapsíquicos de natureza diversa, bem como se salientam magnificamente os dons mediúnicos de que eram dotados aqueles homens que resistiram como verdadeiros heróis à guerra tremenda que lhes moveram os grandes da sua época, os sacerdotes do seu tempo. Leia-se a história dos próceres da Verdade Religiosa: Ezequiel, Daniel, Isaías, Elias, Eliseu; desenterre-se a Bíblia dos escombros dogmáticos e dos “mistérios” que a retêm desconhecida do povo, e ver-se-á que essa luz, que brilha atualmente no Espiritismo, não é mais do que aquela pequena chama, que teria de estender-se, mais tarde, e abranger o mundo inteiro. A Advento do Cristianismo, tem absoluta paridade com a época atual, de 80 anos a esta parte23, na qual os Espíritos, com hoje, tudo fazem para positivar as manifestações mediúnicas intelectuais e de efeitos físicos, que se alastram e há de desenrolar-se, justificando as palavras do Precursor: “Os tempos são chegados! Preparai as veredas do Senhor, porque os vales será nivelados e os outeiros arrasados!”
23 Hoje (1981), 124 anos, pois a Codificação Kardequiana data de 1857, ano da publicação de “O Livro dos Espíritos”.
A vida de Cristo, do nascimento à morte, é uma série ininterrupta de manifestações proféticas ou sejam, mediúnicas, que revelam bem claramente a Missão do filho de Deus. Esta singular individualidade personifica perfeitamente a Lei e os Profetas, e pois, talvez, por essa razão que, para dar a conhecer-se categoricamente a seus principais discípulos, subiu ao alto do monte e, num apelo supremo, lhes fez aparecessem as duas principais figura que representaram os maiores expoentes da Lei e dos Profetas – Moisés e Elias, para servirem de testemunhos vivos da sua singular missão. Esta verdade mais se confirma com as sucessivas aparições do Senhor, depois da crucificação, lembrando a Lei e exortando os Profetas a cumprirem a sua tarefa. E convém não esquecer, de passagem, o prenúncio dado pelo próprio Cristo, de uma Revelação ainda mais ampla, cuja Missão, sob a égide do Espírito da Verdade, do Espírito consolador (João, XIV, 26)24 seria relembrar, fazer cumprir a Revelação Messiânica e ensinar-nos todas as coisas, dado que não seriam compreendidos, naquela época, ensinos mais elevados, mais complexos do que os que haviam sido ministrados por Jesus. Aí está a Nova Revelação, A Revelação Espírita, desempenhando esse dever, esclarecendo os homens de proporcionando-lhe gatos extraordinários, admiráveis
24 Mas aquele Consolador, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, vos ensinará todas as coisas e vos fará lembrar de tudo quanto vos tenho dito.
fenômenos, tais como os que deram motivo às inúmeras obras do Espiritismo e da parapsicologia. Não é de admirar, pois, a freqüência acentuada da diversidade dessas manifestações, que tendem a multiplicarse mais e mais, mostrando-nos a ampliação incessante desses fenômenos, que marcarão uma nova era no estabelecimento das verdadeiras relações da Humanidade Visível com a Humanidade Invisível, entre o Mundo Terreno e o Mundo Espiritual. É o caso de repetirmos com o Apóstolo Paulo: “Em parte conhecemos e em parte profetizamos; mas, quando vier o que é perfeito, aquilo que é em parte, será posto à margem”. Ainda estamos “vendo tudo por espelho de enigma, mas veremos face a face”. Por isso, ao concluir este trabalho, entrevemos um progresso mais elevado e mais profícuo para a nossa própria felicidade. O túmulo não é o ponto final da existência. Nosso destino é grandioso. Existem mundos de luz, onde reina a verdade; mundos que serão nossas futuras moradas! Assim como o progresso caracteriza perfeitamente a evolução gradativa do nosso planeta, que será um dia paraíso terrenal, assim também essa Lei inflexível, que rege os mundo que se balouçam no Éter, nos prepara moradas felizes, dispersas na Casa de Deus, que é o Cosmo Infinito. Tenhamos fé e estudemos! Porque do estudo e da pesquisa vem a verdade que esclarece a inteligência, e, desta, a evolução espiritual, que nos guinda às alturas, para
compreendermos as coisas do Espírito, coisas que Deus reserva para todos os que procuram crescer no Seu conhecimentos e na Sua graça. Que as luzes da caridade, que vamos conquistando, nos ilumine toda a Ciência, toda a Religião, toda a Filosofia, para podermos, com justos títulos, observar as magnificências do Universo e cientificarmo-nos da Imortalidade e da Eternidade da Vida.
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.