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Capítulo 8 de 13
III — Coleção de Preces Espíritas
A Prece Segundo o Evangelho · Allan Kardec
PREÂMBULO 1. Os Espíritos têm dito sempre: «A forma da prece nada significa, o pensamento é tudo. Cada um que ore, de conformidade com as suas convicções e da maneira que mais lhe toque o íntimo. Um bom pensamento vale mais do que grande número de palavras, com as quais nada tenha de comum o coração.» Nenhuma fórmula absoluta de prece nos prescrevem eles. Quando nos dão alguma, é com o objetivo de fixar idéias e, principalmente, com o de chamar a atenção para certos princípios da Doutrina Espírita. É também com o intuito de vir em auxílio daqueles que se sentem embaraçados para exprimir suas idéias, pois muitos há que não acreditam ter orado realmente, desde que não formularam seus pensamentos. A coleção de preces que este capítulo encerra é o resultado de uma escolha feita entre as que os Espíritos ditaram em diversas ocasiões. Poderiam ter ditado outras, concebidas em termos apropriados a certas idéias
ou a casos especiais, mas a forma pouco importa, uma vez que o pensamento fundamental seja o mesmo. A prece tem por fim elevar nossa alma a Deus. A diversidade das fórmulas não deve constituir fundamento para estabelecer uma diferenciação entre os que nela crêem e ainda menos entre os adeptos do Espiritismo, porquanto Deus aceita todas as preces, quando sinceras. Não se considere, pois, esta coleção um formulário absoluto e, sim, espécimes vários de preces, tirados das instruções que os Espíritos dão. É uma aplicação dos princípios da moral evangélica, um complemento do que eles ditaram sobre os deveres para com Deus e para com o próximo, complemento em que se recordam todos os princípios da Doutrina. O Espiritismo tem por boas as preces de todos os cultos, desde que sejam proferidas com o coração e não com os lábios somente. Não impõe nenhuma e a nenhuma condena. Deus, segundo o Espiritismo, é muito grande para repelir a voz daquele que lhe implora ou que lhe entoa hosanas, pela só razão de o fazer deste ou daquele modo.
Quem quer que lance anátema sobre as preces que não estejam no seu formulário, prova que desconhece a grandeza de Deus. Acreditar que Deus prefira determinada fórmula é atribuir-lhe a pequenez e as paixões da Humanidade. É condição essencial da prece, segundo São Paulo, ser inteligível, a fim de que possa falar ao nosso Espírito. Para isso não basta seja pronunciada numa língua familiar àquele que ora. Há preces formuladas em língua vulgar que não falam ao pensamento mais do que se o fossem numa língua estrangeira e que, por isso mesmo,
não vão ao coração. As raras idéias que encerram se encontram quase sempre abafadas pela superabundância das palavras e pelo misticismo da linguagem. A qualidade principal da prece está em ser clara, simples e concisa, sem fraseologia inútil, nem luxo de epítetos, que não passam de enfeites de lentejoulas. Cada palavra deve ter determinado alcance, despertar uma idéia, fazer vibrar uma fibra. Em suma: Deve levar-nos a refletir. Só debaixo dessa condição a prece atingirá sua meta. Fora daí, não será mais do que ruído. No entanto, observai o ar de distração e de volubilidade com que são ditas a maior parte das vezes. Vê-se que os lábios se movem, mas, pela expressão da fisionomia, pelo som mesmo da voz, se verifica que aquilo não passa de um ato maquinal, puramente exterior, conservando-se a alma indiferente. As preces aqui colecionadas se dividem em cinco categorias: A — preces gerais; B — preces por si mesmo; C — preces pelos encarnados; D — preces pelos desencarnados; E — preces pelos doentes e pelos obsidiados. Com o fim de mais particularmente chamar a atenção para o objeto de cada prece e de mais compreensível lhe tornar o alcance, a todas precede uma instrução preliminar, uma exposição de motivos, sob o titulo de prefácio.
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.