Voltar ao livro A Prece Segundo o Evangelho

Capítulo 12 de 13

D — Preces pelos Desencarnados

A Prece Segundo o Evangelho · Allan Kardec

Por alguém que acaba de desencarnar 59. PREFÁCIO. As preces pelos Espíritos que acabam de deixar a Terra não têm somente por fim darlhes testemunho de simpatia; têm também por efeito auxiliá-los no desprendimento e, assim, abreviar a perturbação que acompanha sempre a separação, tornando-lhes o despertar mais calmo. Mas nisso, como em qualquer outra circunstância, a eficácia está na sinceridade do pensamento e não na abundância das palavras, ditas com mais ou menos pompa, e nas quais, quase sempre, o coração não toma parte alguma. As preces que partem do coração ressoam ao redor do Espírito, cujas idéias estão confusas, qual as vozes amigas que nos despertam do sono. 60. PRECE. Deus Todo-Poderoso, que a vossa misericórdia se estenda sobre a alma de N..., que acabais de chamar para o Além. Possam ser-lhe contadas as provas que ela (ou ele) sofreu na Terra, e as nossas

preces suavizar e abreviar as penas que ainda venha a sofrer em Espírito. Espíritos bons, que viestes recebê-la, e vós, que lhe sois seu anjo de guarda, auxiliai-a a despojar-se da matéria; dai-lhe a luz e a consciência do seu estado, a fim de tirá-la da perturbação que acompanha a passagem da vida corporal para a espiritual; inspirai-lhe o arrependimento das faltas que haja cometido e o desejo de repará-las, a fim de apressar o adiantamento para a vida eterna bem-aventurada. N..., acabastes de entrar na vida espiritual, mas, aqui estais presente entre nós; podeis ver-nos e ouvirnos, porque a única diferença entre nós existente é apenas a do corpo efêmero, que acabastes de deixar e que muito em breve estará reduzido a pó. Deixastes o grosseiro envoltório sujeito às vicissitudes e à morte, e conservais o invólucro etéreo, imortal. Se não viveis mais a vida do corpo, viveis a do Espírito — vida isenta das misérias que afligem a Humanidade.

Não tendes mais o véu que aos nossos olhos oculta os esplendores da vida futura; podeis agora contemplar as novas maravilhas, ao passo que nós ainda ficamos mergulhados em trevas. Podeis percorrer o Espaço e visitar os mundos com toda a liberdade, ao passo que nós com dificuldade nos arrastamos na Terra, à qual nos prende o corpo material, semelhante a pesado grilhão. O horizonte do Infinito vai desenrolar-se diante de vós, e, em presença de tanta grandeza, compreendereis a futilidade dos desejos terrestres, das ambições mundanas e das alegrias vãs que os homens consideram delícias. A morte é simplesmente uma separação material de alguns

instantes. Deste exílio, onde ainda nos retém a vontade de Deus e os deveres que aqui temos de cumprir, nós vos seguiremos pelo pensamento, até que seja permitido reunirmo-nos de novo, assim como já vos reunistes aos que vos precederam. Não podemos ir para perto de vós, mas podeis vir para junto de nós. Vinde, pois, visitar os que vos amam e os que amastes; sustentai-os nas provações da vida; velai pelos que vos são caros; protegei-os, conforme o vosso poder, e mitigai-lhes os pesares, comunicando-lhes, pelo pensamento, a notícia de que sois feliz agora, dando-lhes a consoladora certeza de que um dia se reunirão a vós, em um planeta melhor. No mundo em que vos achais, todos os ressentimentos terrestres devem extinguir-se. Que a eles sejais inacessível, no interesse da vossa felicidade futura. Perdoai aos que vos ofenderam, assim como eles vos perdoam. Nota — Pode-se acrescentar a esta prece, aplicável a todos, algumas palavras especiais, conforme as circunstâncias particulares da família, ou de relação e posição do falecido.

Se se tratar de uma criança, o Espiritismo ensina não ser ela um Espírito de criação recente, mas um Espírito que já viveu e pode estar bastante adiantado. Se a sua última existência foi curta, é que era apenas complemento de prova, ou prova para os pais. 61. (Outra) — (1) . Senhor Todo-Poderoso, que a vossa misericórdia se estenda sobre todos os nossos

(1) Esta prece foi ditada a um médium de Bordéus, no momento em que passava sob sua janela o enterro de um desconhecido.

irmãos que acabam de deixar a Terra e que a vossa luz brilhe diante dos seus olhos! Tirai-os das trevas: abri-lhes os olhos e os ouvidos! Que os bons Espíritos se aproximem deles, fazendo-os escutar palavras de paz e esperança. Senhor, por mais indignos que sejamos, atrevemonos a implorar-vos misericórdia e indulgência em favor deste nosso irmão, que acaba de ser chamado do exílio; permiti que a sua volta seja a do filho pródigo. Esquecei, meu Deus, as faltas que ele haja cometido, para só vos lembrardes do bem que porventura tenha feito. A vossa justiça é invariável, bem o sabemos, mas o vosso amor é imenso; nós suplicamos que abrandeis a justiça na fonte de bondade que de vós emana. Irmão que acabais de deixar a Terra: faça-se a luz para vós! que os bons Espíritos do Senhor, de vós se aproximando, vos ajudem a quebrar as cadeias terrestres! Vede e compreendei a grandeza do nosso Senhor! Submetei-vos sem queixumes à sua justiça e nunca desespereis da sua misericórdia. Irmão!

Oxalá um sério exame do vosso passado vos abra as portas do futuro, fazendo-vos compreender as faltas que deixastes atrás e o trabalho que vos cumpre realizar para repará-las. Que Deus vos perdoe e os bons Espíritos vos sustentem e animem! Os vossos irmãos da Terra orarão por vós, assim como vos pedem que oreis por eles. Pelas pessoas que nos sejam afeiçoadas 62. PREFÁCIO. Como é horrorosa a idéia do nada! Como são dignos de lástima os que crêem que a

voz do amigo, que chora outro amigo, se perde no vácuo e nenhum eco acha em resposta! Jamais conheceram as puras e santas afeições, os que pensam que tudo morre com o corpo; os que supõem ser o Espírito que ilumina o mundo, com a sua vasta inteligência, um jogo da matéria, extinguível para sempre, qual um sopro; os que cuidam que do mais caro ente — seja pai, mãe, esposa ou filho adorados — nada mais subsistirá além do pó que o tempo dissipará irrevogavelmente! Como pode um homem sensível se conservar impávido ante semelhante pensamento? Como é possível que a idéia de um aniquilamento absoluto não o gele de horror e não o faça ao menos desejar que assim não seja? Se até ao presente sua razão não foi suficiente para lhe dissipar as dúvidas, aí está o Espiritismo, que vem pôr termo a todas as incertezas acerca do futuro, mediante as provas materiais que oferece, da sobrevivência da alma e da existência dos seres de além-túmulo. Por toda parte essas provas são acolhidas alegremente.

A confiança renasce, porque o homem fica sabendo que a vida terrestre não é mais que curta passagem, que o conduzirá a melhor existência; que seus trabalhos neste mundo não ficam perdidos, e que as mais santas afeições não se despedaçam sem esperança. 63. PRECE. Dignai-vos, meu Deus, acolher favoravelmente a prece que vos dirijo pelo Espírito de N... e permiti-lhe entrever as vossas divinas luzes, tornando-lhe fácil o caminho da felicidade eterna. Consenti que os bons Espíritos lhe levem as minhas palavras e o meu pensamento. Tu que me eras caro neste mundo, ouve a minha voz que te chama para te dar novo testemunho de afeição. Deus permitiu que fosses libertado antes de mim: lamentar-me seria egoísmo, pois com isso provaria

desejar-te ainda as penas e sofrimentos da vida. Aguardo resignadamente o instante da nossa união nesse mundo mais feliz, em que me precedeste. Sei que a nossa separação é apenas momentânea e que, por mais longa que pareça, sua duração se apaga diante da felicidade eterna que Deus reserva aos seus eleitos. Preserve-me a sua bondade de cometer qualquer ato que retarde esse almejado instante, poupando-me assim a dor de não te encontrar, ao sair do meu cativeiro terrestre. Oh! como é doce e consoladora a certeza de que entre nós não há senão um véu material que te oculta à minha vista; que podes estar ao meu lado, ver-me, ouvirme como outrora, ou melhor ainda; que não me esqueces, assim como de ti não me esqueço; que os nossos pensamentos não cessam de se confundir e que o teu me segue e ampara sempre! A paz do Senhor fique contigo. Pelas almas sofredoras que pedem preces 64. PREFÁCIO. Para se compreender o alívio que a prece pode levar aos Espíritos sofredores, é mister se saiba a maneira de sua atuação, já acima explicada. Quem se compenetrar dessa verdade, ora com mais fervor pela certeza de não o fazer inutilmente. 65. PRECE. Deus clemente e misericordioso, que a vossa bondade se estenda sobre os Espíritos que se recomendam às nossas preces, e principalmente sobre a alma de N. . .

Bons Espíritos, cuja única preocupação é o bem, intercedei comigo para que eles sejam aliviados! Fazei brilhar ante seus olhos um raio de esperança e que a luz divina os esclareça quanto às imperfeições que os afastam da morada dos bem-aventurados! Abri-lhes os corações ao arrependimento e ao desejo de se purificarem para apressar o seu adiantamento. Fazei-lhes compreender que por seus esforços podem abreviar a duração de suas provas! Que Deus, em sua bondade, lhes dê força para perseverarem nas boas resoluções. Possam estas palavras suavizar-lhes os sofrimentos, mostrando-lhes que há, na Terra, entes compadecidos deles e desejosos da sua felicidade. 66. (Outra) — Nós vos pedimos, Senhor, que derrames as graças do vosso amor e misericórdia sobre todos quantos sofrem, quer no Espaço, como Espíritos errantes, quer entre nós, como encarnados. Tende piedade das nossas fraquezas. Fazendo-nos falíveis, destes-nos, todavia, a força de resistir ao mal e vencê-lo. Que a vossa misericórdia se estenda sobre todos os que não puderam resistir aos maus pensamentos e ainda são arrastados por mau caminho.

Que os bons Espíritos os cerquem e aos seus olhos cintile a luz divina, para que, atraídos pelo seu calor vivificante, se prostrem, humildes, arrependidos e submissos. Igualmente vos pedimos, Pai, misericórdia para os nossos irmãos que não tiveram forças para suportar as provas terrestres. Destes-nos um fardo a carregar, Senhor, e não o devemos depor senão ao fim da jornada; mas a nossa fraqueza é grande e a coragem nos falta às vezes em

caminho. Tende piedade desses servos indolentes, que abandonaram a tarefa antes de soar a hora; poupe-os a vossa justiça, e permiti que os bons Espíritos lhes tragam consolações, alivio e esperança no futuro. O bálsamo do perdão fortifica a alma; derramai-o, Senhor, sobre os culpados que desesperam, e eles, sustentados por essa esperança, haurirão forças na grandeza mesma de suas faltas e sofrimentos, a fim de resgatarem o passado e se prepararem para a conquista do futuro. Por um inimigo morto 67. PREFÁCIO. A caridade para com os nossos inimigos deve segui-los até ao além-túmulo. Convém lembrar que o mal que eles nos fizeram foi para nós uma prova que pode ter sido útil ao nosso adiantamento, se dela soubermos tirar proveito, e que nos pode ter sido ainda mais proveitosa do que as aflições puramente materiais, se, à coragem e à resignação, ela nos levar a juntar a caridade e o esquecimento das ofensas. 68. PRECE. Senhor, à vossa justiça aprouve chamar, antes de mim, a alma de N... Eu lhe perdôo o mal que me fez e as suas más intenções para comigo.

Possa ele sentir disso pesar, agora que não tem mais as ilusões deste mundo. Permiti, meu Deus, que a vossa misericórdia se estenda sobre ele, e afastai de mim o pensamento de me regozijar com a sua morte. Se procedi mal para com ele, que me perdoe, assim como me esqueço do procedimento que teve para comigo.

Por um criminoso 69. PREFÁCIO. Se a eficácia da prece fosse proporcionada ao seu tamanho, as mais longas deveriam ser reservadas para os mais culpados, por terem eles mais necessidade delas do que os que viveram santamente. Recusá-las aos criminosos é faltar à caridade e desconhecer a misericórdia de Deus; crêlas inúteis, por haver um homem cometido tal ou qual falta, é prejulgar a justiça do Altíssimo. 70. PRECE. Senhor Deus de misericórdia, não repudieis este criminoso que acaba de deixar a Terra! A justiça dos homens castigou-o, mas não o isentou da vossa, se o seu coração não foi tocado pelo remorso. Levantai a venda que lhe oculta a gravidade de suas faltas. Possa o seu arrependimento achar graças perante vós, e abrandar-lhe os sofrimentos da alma! Possam, também, as nossas preces e a intercessão dos bons Espíritos levar-lhe esperança e consolação. Inspirai-lhe o desejo de reparar as suas más ações em nova existência, e dai-lhe forças para não sucumbir às novas lutas que houver de travar. Senhor, tende piedade dele! Por um suicida 71. PREFÁCIO.

O homem não tem o direito de dispor da própria vida, porque só a Deus cabe retirá-lo do cativeiro terrestre, quando julgar oportuno. A justiça divina, contudo, pode amenizar os seus rigores, em face das circunstâncias, mas usa de toda a severidade para com aquele que tentou fugir às provas da vida. O

suicida é qual prisioneiro que se evade da prisão antes de expirado o prazo da sua pena e que, quando de novo preso, é punido mais severamente. Assim acontece ao suicida, que, crendo escapar às misérias presentes, se condena a maiores desgraças. 72. PRECE. Meu Deus, nós bem sabemos qual seja a sorte reservada aos que violam as vossas leis, abreviando seus dias voluntariamente; mas também sabemos que a vossa misericórdia é infinita. Dignai-vos de derramá-la na alma de N... Possam as nossas preces, unidas à vossa comiseração, mitigar os sofrimentos que o martirizam, por não ter tido a coragem de esperar o fim de suas provas! Bons Espíritos, cuja missão é assistir os infelizes, tomai-o sob a vossa proteção; inspirai-lhe pesar pela sua falta, e que a vossa assistência lhe dê ânimo para sofrer com resignação as novas provas que terá de suportar para reparação da sua fraqueza. Afastai dele os maus Espíritos quê possam de novo levá-lo ao mal e prolongar-lhe as penas, fazendo-lhe perder o fruto de suas futuras expiações.

Irmão, cuja desgraça constitui o objeto desta prece, possa a nossa comiseração aliviar-vos nas amarguras e fazer que em vós renasça a esperança de um futuro melhor. Esse futuro está em vossas mãos. Confiai na bondade de Deus, cujo amparo está sempre aberto a todos os arrependidos, só se conservando fechado aos corações endurecidos. Pelos Espíritos arrependidos 73. PREFÁCIO. Seria injusto colocar na categoria dos maus Espíritos os sofredores e os arrependidos que

pedem preces. Estes poderiam ter sido maus; mas deixaram de sê-lo, desde que reconheceram as próprias faltas e as lamentam; são apenas infelizes, e alguns principiam mesmo a gozar relativa felicidade. 74. PRECE. Deus de misericórdia, que aceitais o arrependimento sincero do pecador encarnado ou desencarnado, eis aqui um Espírito que se comprazia no mal, mas reconhece seus erros e entra no bom caminho. Dignai-vos, oh! meu Deus, de recebê-lo, qual filho pródigo, e perdoá-lo. Bons Espíritos, a cuja voz ele foi surdo, de hoje em diante ele vos quer escutar. Permiti-lhe entrever a felicidade dos escolhidos do Senhor, a fim de que persista no desejo de se purificar para alcançá-la nas boas resoluções; dai-lhe energia para resistir aos maus instintos. Espírito de N..., nós vos felicitamos pela vossa mudança e agradecemos aos bons Espíritos que vos auxiliaram. Se tivestes prazer outrora em praticar o mal, foi por não compreenderdes quanto é agradável a satisfação de fazer o bem.

Se vos sentistes indigno de merecer a felicidade, logo que pusestes o pé no bom caminho, iluminou-vos nova luz; principiastes a gozar ventura desconhecida, e a esperança penetrou no âmago de vossa alma. É que Deus ouve sempre a prece do pecador arrependido, e a nenhum dos que o procuram repele. Para entrardes plenamente em sua graça, deveis, daqui por diante, não somente abster-vos do mal, mas dedicar-vos à prática do bem, e especialmente a reparar o

mal que fizestes. Então, tereis satisfeito a justiça de Deus, pois cada boa ação apagará uma das faltas passadas. O primeiro passo está dado; agora, quanto mais avançardes, tanto mais fácil e agradável vos parecerá o caminho. Perseverai, pois, e um dia tereis a glória de serdes contado entre os bons Espíritos, entre os Espíritos felizes. Pelos Espíritos endurecidos 75. PREFÁCIO. Maus Espíritos são aqueles que ainda não foram tocados pelo arrependimento; os que se comprazem no mal e não o lamentam; os que são insensíveis às admoestações, repelem a prece e muitas vezes blasfemam contra Deus. São essas almas endurecidas que, depois da morte, se vingam, nos homens, do sofrimento que padecem, e perseguem com rancor aqueles a quem durante a vida odiaram, ou pela obsessão, ou por uma influência funesta qualquer. Entre os Espíritos perversos, existem duas categorias bem distintas: a dos que são francamente maus e a dos hipócritas. Os primeiros são infinitamente mais fáceis de encaminhar para o bem do que os segundos.

São muitas vezes naturezas brutas e grosseiras, como se observa entre homens, e que fazem o mal mais por instinto do que por cálculo, sem procurarem passar por melhores do que são. Neles, porém, existe latente um germe que cumpre desabrochar. Consegue-se isso, quase sempre, com a perseverança e a firmeza, juntas à benevolência, aos bons conselhos, à instrução e à prece. A dificuldade que eles têm de escrever, pelo médium, o nome de Deus, é

indício de temor instintivo, de uma voz íntima da consciência que lhes diz serem indignos de tanto. Aquele que se acha nesse ponto está próximo da conversão, e dele tudo se pode esperar, bastando para isso se lhes encontre o ponto vulnerável do coração. Os Espíritos hipócritas são quase sempre muito inteligentes, mas de coração insensível: nada os comove; simulam todos os bons sentimentos para conquistar a confiança, e rejubilam quando encontram parvos que os aceitam por Espíritos santos e a quem possam, à vontade, governar. O nome de Deus, longe de lhes inspirar o mínimo temor, serve de máscara para lhes cobrir as torpezas. No mundo invisível, e assim no visível, os hipócritas são os seres mais perigosos, porque agem na sombra, sem que se desconfie deles. Aparentam uma fé que nunca é sincera. 76. PRECE. Senhor, dignai-vos de lançar um olhar de bondade sobre os Espíritos imperfeitos, que ainda estão nas trevas da ignorância e vos desconhecem — especialmente sobre o de N...

Bons Espíritos, ajudai-nos a fazer-lhes compreender que, induzindo os homens ao mal, obsidiando-os e atormentando-os, eles prolongam seus próprios sofrimentos. Fazei que o exemplo da felicidade de que gozais lhes seja estímulo. Espíritos que ainda vos deleitais no mal, acabastes de ouvir a prece que por vós fizemos; ela vos deve provar que desejamos fazer-vos o bem, conquanto pratiqueis o mal. Sois infelizes, pois é impossível ser feliz quem faz o mal. Por que permaneceis no sofrimento, quando de vós depende evitá-lo? Vede os bons Espíritos que vos

cercam, vede que felizes são; não vos seria mais agradável gozar da mesma felicidade? Direis que isso vos é impossível; mas nada é impossível àquele que quer, pois Deus vos concedeu, e igualmente a todas as suas criaturas, a liberdade da escolha entre o bem o mal, entre a felicidade e a desgraça, e ninguém é condenado a fazer o mal. Se tendes a vontade de fazê-lo, podeis também ter a de praticar o bem e de ser feliz. Volvei os olhos para Deus, elevai-vos um só instante até Ele, pelo pensamento, e um raio de sua divina luz virá iluminar-vos. Dizei conosco estas simples palavras: «Meu Deus, eu me arrependo, perdoai-me!» Procurai arrepender-vos e fazer o bem em lugar do mal, e sentireis imediatamente a sua misericórdia baixar sobre vós, e um bem-estar desconhecido virá substituir as angústias que suportais. Uma vez que houverdes dado um passo no bom caminho, o resto do trajeto vos parecerá fácil.

Compreendereis, então, quanto tempo de felicidade perdestes por culpa vossa; mas um futuro radiante e cheio de esperança se abrirá diante de vós, fazendo-vos esquecer o mísero passado cheio de perturbações e torturas morais, que seriam vosso inferno, se houvessem de durar eternamente. Dia virá em que estas torturas serão tais que a todo preço buscareis fazêlas cessar; porém, quanto mais demorardes mais difícil será isso de conseguir. Não permanecereis sempre no estado atual; não, isso é impossível. Diante de vós tendes duas perspectivas: uma — a de sofrer muito mais do que presentemente; outra — a de ser feliz como os bons Espíritos que vos rodeiam. A primeira é inevitável, se

persistirdes na vossa obstinação. Um simples esforço de vontade basta para vos arrancar do mau caminho onde vos achais. Apressai-vos, pois; cada dia de demora é um dia perdido de felicidade. Bons Espíritos, fazei que estas palavras achem acesso nesta alma ainda atrasada, a fim de a ajudarem a aproximar-se de Deus. Nós vo-lo suplicamos em nome de Jesus, que teve tão grande poder sobre os Espíritos impuros.

Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.