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Capítulo 13 de 13

E — Preces pelos Doentes e

A Prece Segundo o Evangelho · Allan Kardec

PELOS OBSIDIADOS 77. PREFÁCIO. As enfermidades fazem parte das provas e vicissitudes da vida terrestre: são inerentes à grosseria da nossa natureza material e à inferioridade do planeta em que habitamos. As paixões e excessos de todos os gêneros semeiam em nós germes mórbidos, muitas vezes hereditários. Nos planetas mais adiantados, física ou moralmente, o organismo humano, mais aperfeiçoado e menos material, não está sujeito às enfermidades, nem o corpo é ocultamente minado pelos estragos das paixões. Cumpre, pois, nos resignemos a sofrer as conseqüências do meio onde a nossa inferioridade nos colocou, até merecermos mudar de habitação. Enquanto esperamos, nada nos inibe de fazer quanto dependa de nós para melhoramento da nossa situação atual; mas, se apesar dos esforços nada conseguirmos, o Espiritismo nos ensina a suportar com resignação os males transitórios. Se Deus não houvesse querido que os sofrimentos corporais fossem suprimidos ou suavizados em certos casos, não poria meios curativos à nossa disposição. A

sua previdente solicitude a este respeito, de acordo com o instinto de conservação, indica-nos que é nosso dever procurá-los e aplicá-los. Ao lado da medicina comum, elaborada pela Ciência, o magnetismo nos revelou o poder da ação fluídica. E o Espiritismo nos veio revelar outra força poderosa na mediunidade curadora e a influência da prece. 78. PRECE. (A ser feita pelo doente.) — Senhor, vós sois Todo justiça. A enfermidade que vos aprouve enviar-me é merecida, visto que jamais se sofre sem causa. Eu me submeto, pelo que diz respeito à minha cura, à vossa infinita misericórdia. Se vos aprouver restituir-me a saúde, seja bendito o vosso nome. Se, ao contrário, ainda devo sofrer, igualmente seja bendito o vosso nome. Eu me sujeito, sem me queixar, aos vossos divinos decretos, pois tudo quanto fazeis só pode ter por fim o bem das vossas criaturas. Permiti, meu Deus, seja esta enfermidade salutar advertência para mim, e que me obrigue à regeneração. Recebo-a em expiação do meu passado e por prova da minha fé e da minha submissão à vossa sacratíssima vontade. 79. PRECE.

(Em favor do doente.) — Meu Deus, vossos desígnios são impenetráveis, e em vossa sabedoria julgastes dever afligir a N... com uma enfermidade. Lançai, eu vos suplico, um olhar de compaixão para os seus sofrimentos e dignai-vos de lhes pôr termo. Bons Espíritos, ministros do Todo-Poderoso, secundai, eu vos peço, este meu desejo de aliviá-lo, e dirigi-lhe meus pensamentos de modo a derramarem o bálsamo salutar sobre seu corpo, bem assim consolação na sua alma. Inspirai-lhe paciência e submissão à

vontade de Deus, e dai-lhe calma para resistir às dores com resignação cristã, a fim de que não perca o fruto desta prova. (Ver a prece nº 43.) 80. PRECE. (Para ser feita pelo médium, junto do enfermo.) — Meu Deus, se vos dignásseis servir-vos de mim, apesar de indigno, eu desejaria aliviar o sofrimento deste irmão, se essa também for a vossa vontade, pois tenho fé no vosso amor. Sem o vosso auxilio, porém, nada poderei fazer. Permiti que os bons Espíritos me envolvam nos seus fluidos salutares, para que eu os transmita a este enfermo; desviai de mim qualquer pensamento de orgulho e egoísmo, que lhes pudesse alterar a pureza. Pelos obsidiados 81. PREFÁCIO. A obsessão é a ação persistente de mau Espírito sobre um indivíduo. Ela apresenta caracteres muito diferentes, desde a simples influência moral, sem sinais sensíveis exteriores, até a perturbação completa do organismo e das faculdades mentais; oblitera todas as faculdades mediúnicas, traduzindo-se, na mediunidade psicográfica, pela obstinação de um Espírito em se manifestar, com exclusão de todos os outros.

Os maus Espíritos pululam ao redor da Terra, por efeito da inferioridade moral dos seus habitantes. A ação maléfica que eles exercem faz parte dos flagelos com que luta a Humanidade neste mundo. A obsessão, de igual modo que as enfermidades e todas as tribulações da vida, deve, pois, ser considerada uma prova ou expiação, e como tal aceita.

Se as enfermidades resultam das imperfeições físicas, que tornam o corpo acessível às perniciosas influências exteriores, a obsessão resulta sempre da imperfeição moral, que dá acesso a um Espírito maligno. A uma causa física se opõe a força física; a uma causa moral é preciso opor-se a força moral. Para nos preservarmos das enfermidades, fortificamos o corpo; para nos garantirmos da obsessão, é preciso fortifiquemos a alma; de onde, para o obsidiado, a necessidade de trabalhar pelo seu próprio adiantamento, o que não raro basta para desembaraçá-lo do obsessor, sem auxílio de pessoas estranhas. Esse auxílio se torna necessário quando a obsessão degenera em subjugação, ou em possessão, porque, nesta conjuntura, o paciente fica privado, muitas vezes, da vontade e do livre-arbítrio. A obsessão é quase sempre uma vingança exercida por um Espírito, e a maior parte das vezes tem origem nas relações que o obsidiado teve com ele numa precedente existência.

Nos casos de obsessão grave, o obsidiado é como que envolvido e impregnado de um fluido pernicioso, que neutraliza a ação dos fluidos salutares e os repele. É desse fluido que cumpre desembaraçá-lo. Ora, um mau fluido não pode ser repelido por outro fluido mau. Por ação idêntica à do médium, nos casos de moléstias, é preciso expulsar o fluido mau por meio de um fluido melhor, o qual, de algum modo, produz o efeito de reativo. Isso constitui a ação mecânica que, no entanto, não é suficiente; importa, principalmente, atuar sobre o ser inteligente, a quem é preciso se tenha direito de falar com autoridade, e essa autoridade só é dada à superioridade moral. Quanto maior for esta, maior será aquela. Ainda não é tudo. Para assegurar a libertação, é mister fazer que o Espírito perverso renuncie aos seus

maléficos desígnios; despertar-lhe o arrependimento e o desejo do bem, por meio de instruções habilmente dirigidas nas evocações particulares, feitas em prol da sua educação moral. Então, pode ter-se a dupla satisfação de libertar um encarnado e converter um Espírito imperfeito. A tarefa se torna mais fácil quando o obsidiado, compreendendo a sua situação, a auxilia com o seu concurso — de vontade e de preces. O mesmo não sucede, porém, quando, seduzido pelo Espírito obsessor, liga grande importância às qualidades daquele que o domina, e se compraz no erro a que este último o induz, porque, então, longe de secundar, ao contrário — repele qualquer concurso. É o caso da fascinação, sempre muito mais rebelde do que a subjugação mais violenta. (O Livro dos Médiuns, de Allan Kardec, cap. XXIII.) Em todos os casos de obsessão, a prece é o mais poderoso agente contra o Espírito obsessor. 82. PRECE. (Do obsidiado.) — Meu Deus, permiti que os bons Espíritos me libertem do Espírito maléfico que se me ligou.

Se é uma vingança que ele exerce, pelo mal que outrora eu lhe tenha causado, sei que o permitis, meu Deus, para a minha punição: sofro as conseqüências de minha falta. Possa o meu arrependimento obter para mim o vosso perdão, e a liberdade! Qualquer que seja, todavia, o motivo, imploro para esse Espírito a vossa misericórdia; dignai-vos de lhe facilitar o caminho do progresso, que o desviará da idéia de fazer o mal, e possa eu, por minha vez, retribuir-lhe com o bem o mal que me causa e conduzi-lo a melhores sentimentos. Mas, também sei, meu Deus, que são as minhas imperfeições que me tornam acessível à influência dos

Espíritos imperfeitos. Dai-me a luz necessária para as reconhecer e especialmente destruí em mim o orgulho que me cega quanto aos meus defeitos. Qual não deve ser a minha indignidade, para que um ser malfazejo possa dominar-me! Permiti, meu Deus, que esse golpe vibrado na minha vaidade me sirva de lição para o futuro, me fortifique na resolução que tomo de me aperfeiçoar pela prática do bem, da caridade e da humildade, para, doravante, opor barreiras às más influências. Senhor, dai-me forças para atravessar esta prova com paciência e resignação. Compreendo que, como todas as provas, ela há de concorrer para o meu adiantamento, se eu não lhe perder o fruto pelas minhas murmurações, pois que ela me fornece oportunidade de testemunhar minha submissão e de exercer a caridade para com um irmão infeliz, perdoando-lhe o mal que me causou. 83. PRECE. (Em favor do obsidiado.) — Deus Todo-Poderoso, dignai-vos de dar-me poder para libertar N... do Espírito que o obsidia. Se em vossos desígnios estiver a terminação dessa prova, concedei-me a graça de falar a esse Espírito com autoridade.

Bons Espíritos que me assistis, e vós meu anjo de guarda, prestai-me o vosso concurso, ajudando-me a desembaraçá-lo do fluido impuro em que se acha envolvido. Em nome de Deus Todo-Poderoso, conjuro o Espírito malfeitor, que o atormenta, a retirar-se. 84. PRECE. (Em favor do obsessor.) — Deus infinitamente bom, eu vos imploro misericórdia para o Espírito que obsidia N... ; mostrai-lhe as divinas luzes para que veja o falso caminho por onde se embrenhou. Bons

Espíritos, ajudai-me a convencê-lo de que, fazendo o mal, tem tudo a perder, e tudo a ganhar — praticando o bem. Espírito que vos comprazeis em atormentar N..., ouvi-me, pois que vos falo em nome de Deus! Se quiserdes refletir, compreendereis que o mal não pode sobrepujar o bem, que não conseguireis ser mais poderoso do que Deus e os bons Espíritos. Eles poderiam ter preservado N... do vosso contacto; se o não fizeram, foi porque ele (ou ela) tinha de sofrer esta prova. Mas, quando tal prova houver chegado ao termo, eles vos impedirão de exercer influência sobre a vossa vítima atual, e o mal que fizestes, longe de o prejudicar, terá servido para o seu adiantamento, e lhe dará felicidade, ficando a vossa malvadez inteiramente perdida e sobre vós recaindo. Deus, que é Todo-Poderoso, e os Espíritos superiores, seus delegados, mais poderosos do que vós, porão termo a esta obsessão, quando o quiserem; e ante essa suprema autoridade a vossa obstinação se anulará. Mas, por isso mesmo que Deus é bom, deixa-vos o mérito de, pela vossa própria vontade, cessar semelhante perseguição.

É uma dilatação que Ele vos concede, e, se não a aproveitardes, sofrereis deploráveis conseqüências. Grandes dores e cruéis sofrimentos vos esperam; sereis forçado a suplicar-lhe piedade e preces à vossa vítima, que já vos perdoou e por vós implora — o que constitui grande merecimento aos olhos de Deus, que por isso apressará a sua libertação. Refleti, enquanto é tempo, pois a justiça de Deus recairá sobre vós, como sobre todos os Espíritos rebeldes. Lembrai-vos de que o mal que neste momento fazeis terá

forçosamente um termo, enquanto que, se persistirdes no endurecimento, as vossas angústias irão aumentando constantemente. Quando estáveis na Terra, não acharíeis estúpido sacrificar um bem duradouro por uma satisfação efêmera? De igual modo, deveis hoje pensar em Espírito. Que ganhais com o vosso procedimento? O mísero prazer de atormentar alguém, o que vos não impede de ser desgraçado — embora o não confesseis — e vos tornará ainda mais infeliz futuramente. A par disso, vede o que perdeis. Olhai os bons Espíritos que vos cercam e dizei se a sorte deles não é preferível à vossa. Da felicidade que eles gozam, podereis participar, quando vos aprouver, pois, para isso, basta implorar a Deus, e fazer o bem em vez do mal. Sei que não podeis transformar-vos subitamente; mas Deus não pede impossíveis; o que Ele quer é boa-vontade. Esforçai-vos, e sereis auxiliado; contribuí para que breve possamos dizer a prece dos Espíritos arrependidos (vede a de nº 74) em vossa intenção, para que não mais vos classifiquemos entre os Espíritos maus, esperando poder ainda contar-vos entre os bons.

(Vede, também, a prece pelos Espíritos endurecidos, sob o nº 75.) Nota — A cura das obsessões graves requer muita paciência, perseverança e dedicação. Igualmente exige tato e habilidade para conduzir, ao bem, Espíritos às vezes muito perversos, endurecidos e astuciosos, pois alguns existem que são rebeldes ao último grau. Na maior parte dos casos, as circunstâncias é que nos devem guiar. Mas, qualquer que seja o caráter do Espírito, uma

coisa é certa: nada se obtém pelo constrangimento ou pela ameaça. Toda influência está no ascendente moral. Outra verdade igualmente verificada pela experiência, e também pela lógica, é a completa ineficácia dos exorcismos, fórmulas, palavras sacramentais, amuletos, talismãs, práticas exteriores ou quaisquer símbolos materiais. A obsessão por muito tempo prolongada pode ocasionar desordens patológicas, e requer muitas vezes tratamento simultâneo ou consecutivo, quer magnético, quer moral, para restabelecimento do organismo. Destruída a causa, urge combater os efeitos. (Vede O Livro dos Médiuns, de Allan Kardec, cap. XXIII.)

Prece de Cáritas Deus, nosso Pai, que sois todo Poder e Bondade, dai a força àqueles que passam pela provação, dai a luz àquele que procura a verdade, ponde no coração do homem a compaixão e a caridade. Deus! Dai ao viajor a estrela guia, ao aflito a consolação, ao doente o repouso. Pai! Dai ao culpado o arrependimento, ao Espírito a verdade, à criança o guia, ao órfão o pai. Senhor! Que vossa bondade se estenda sobre tudo que criastes. Piedade, Senhor, para aqueles que vos não conhecem, esperança para aqueles que sofrem. Que a vossa bondade permita aos Espíritos consoladores espalharem por toda parte a paz, a esperança e a fé. Deus! um raio, uma faísca de vosso amor pode abrasar a Terra; deixai-nos beber nas fontes dessa bondade fecunda e infinita, e todas as lágrimas secarão, todas as dores se acalmarão. Um só coração, um só pensamento subirá até vós, como um grito de reconhecimento e de amor.

Como Moisés sobre a montanha, nós vos esperamos com os braços abertos, oh! Bondade, oh! Beleza, oh! Perfeição, e queremos de alguma sorte merecer a vossa misericórdia. Deus! Dai-nos a força de ajudar o progresso a fim de subirmos até vós; dai-nos a caridade pura, dai-nos a fé e a razão; dai-nos a simplicidade que fará das nossas almas o espelho onde se refletirá a Vossa Imagem. (1) CÁRITAS

(1) Nota da Editora à 28.ª edição, em 1973: “Esta prece foi extraída da obra francesa “Rayonnements de Ia Vie Spirituelle”, psicografada pela médium Mme. W. Krell, publicada em Bordéus, em 1873, contendo mensagens de Musset, Lamartine, E. Pöe, Espírito de Verdade, Hahnemann, Éraste, Mélanchthon e outros, inclusive trabalhos diversos do mesmo Espírito Carita (Cáritas). No quarto parágrafo do original francês há uma palavra que foi necessariamente suprimida mais tarde — aujourd’hui (hoje) —, por se tratar de alusão direta ao dia de Natal, no qual foi a prece ditada. Eis o parágrafo aludido: “Piété, mon Dieu, pour celui qui ne vous connaît pas, espoir pour celui qui souffre! Que votre bonté permette aujourd’hui aux esprits consolateurs de répandre partout Ia paix, l’espérance et la foi!” Para outros detalhes, vide “Reformador” de 1972, páginas 37/8.

A Casa de lsmael A Federação Espírita Brasileira é uma sociedade civil religiosa, educacional, cultural e filantrópica, com personalidade jurídica, reconhecida de Utilidade Pública Federal, Estadual (RJ) e no Distrito Federal (DF), respectivamente, Decreto nº 47.695 de 1960, Decreto nº 4.765 de 1934 e Decreto nº 7.399 de 1983, tem por objeto e fins o estudo teórico e prático do Espiritismo, a observância e difusão dos seus ensinos, a prática da caridade espiritual, moral e material, e, por fim, a integração das Sociedades Espíritas do Brasil no seu organismo, estando a cargo de seu Conselho Federativo Nacional desenvolver, ampliar e coordenar os planos da Organização Federativa, no sentido de uma completa harmonia de pensamento e unidade de programa e ação. A Federação Espírita Brasileira, conhecida pela sigla FEB, foi fundada na cidade do Rio de Janeiro

(RJ), em 2 de janeiro de 1884, pelo culto e honrado fotógrafo português Augusto Elias da Silva, na sua residência à Rua da Carioca nº 120, sobrado, estando presentes mais onze espíritas, entre os quais o Marechal Francisco Raimundo Ewerton Quadros, que foi o primeiro Presidente da Sociedade. Só depois de 27 anos de existência é que a Federação Espírita Brasileira levantou a sua sede própria, à Avenida Passos nº 30, no Rio de Janeiro (RJ), em cuja fachada está inscrita a divisa: DEUS, CRISTO E CARIDADE, hoje sede seccional. Sua sede central está situada em Brasília (DF), na Av. L-2 Norte — Quadra 603 — Conjunto “F”. Ao Marechal Ewerton Quadros sucederam os seguintes Presidentes: Dr. F. M. Dias da Cruz, Dr. Júlio César Leal, Dr. Adolfo Bezerra de Menezes, Leopoldo Cirne, Dr. Aristides Spínola, Cel. Luís Barreto A. Ferreira, Alm. F. V. Paim Pamplona, Manuel J. F. Quintão, Engº. L. O. Guillon Ribeiro, Farm. A. Wantuil de Freitas, Dr. Armando de Oliveira Assis, Francisco Thiesen e Dr. Juvanir Borges de Souza, Presidente desde agosto de 1990. No mesmo mês de fundação da Federação Espírita Brasileira, passou a ser seu órgão oficial de imprensa o jornal (depois revista) — “Reformador”, que anteriormente, aos 21 de janeiro de 1883, havia sido

fundado também por Elias da Silva, mais tarde membro do Conselho Fiscal da centenária Sociedade Propagadora das Belas Artes. Durante 54 anos esse periódico foi bimensal, passando depois a sair mensalmente. Sua tiragem é distribuída entre assinantes dos quatro cantos do Globo e gratuitamente aos Centros Espíritas do Brasil. Dos órgãos espiritistas mais antigos do mundo, e ainda em circulação, figura o “Reformador” em quarto lugar. É curioso assinalar que esse “mensário religioso de Espiritismo Cristão”, de vida ininterrupta, é, de acordo com os “Anais da Biblioteca Nacional” (Vol. 85), um dos quatro periódicos que, surgidos no Rio de Janeiro antes de 1889, conseguiram sobreviver até os dias de hoje. Possui a Federação Espírita Brasileira, a que os espíritas carinhosamente chamamos “Casa de Ismael”, vários setores internos: Conselho Diretor, Diretoria Executiva, Assessoria da Presidência, Conselho Fiscal, Conselho Superior, Assembléia Geral, Conselho Federativo Nacional, Departamento Editorial e Gráfico, Departamento de Infância e Juventude, Departamento de Assistência Social (Comissão de Assistência), Bibliotecas, Livrarias, Departamento de Esperanto, Departamento de Estudo do Espiritismo, etc.

O Conselho Federativo Nacional, cujas reuniões se processam periodicamente, presidido pelo Presidente da FEB, é composto de 27 Sociedades federativas de âmbito estadual, aí compreendido, como Estado, o Distrito Federal, além de Entidades Espíritas Especializadas, de âmbito nacional. Seu Departamento Editorial e Gráfico funciona em prédio próprio, à Rua Souza Valente nº 17, no Rio de Janeiro (RJ), e já publicou até 1996 cerca de 8.000.000 de exemplares das obras de Allan Kardec e mais 26.800.000 de outras obras espíritas, entre as quais se incluem, com mais de 13.000.000 de exemplares, os livros mediúnicos recebidos por Francisco Cândido Xavier. Algumas dezenas de obras didáticas e doutrinárias foram editadas em Esperanto pela Federação Espírita Brasileira, que desde 1909 propaga a Língua Neutra Internacional nos meios espíritas e até mesmo no seio de coletividades leigas. Em 2 de janeiro de 1984 foi transferida a sede central da Federação Espírita Brasileira para Brasília (DF), num amplo terreno de 22.000 m², a pouco mais de um quilômetro da Esplanada dos Ministérios, ficando na cidade do Rio de Janeiro (RJ) a sede seccional. O longo e porfiado trabalho orientador dessa Casa, junto ao movimento espiritista em todo o País, contribuiu para que se multiplicassem as Sociedades

Espíritas, do Amapá ao Rio Grande do Sul, em número aproximado de 8.000 na época presente. Esse progresso no Brasil, que elevou a alguns milhões o total de profitentes, permitiu o considerável aumento de periódicos espíritas em circulação, cerca de 200 em 1995, bem como a difusão da Doutrina Espírita pelas ondas hertzianas, pelo teatro, pela televisão, pela Internet, por disquetes, vídeos e CD-ROM, tendo a FEB arrolado, recentemente, perto de duzentas estações de rádio que levam ao ar programas espíritas. Cresceu também, consideravelmente, o número de livrarias espíritas, em torno de mais de mil em 96, acrescidas da proliferação de editoras, clubes, feiras e bancas de livros. A obra da Federação Espírita Brasileira, que se molda no espírito da Codificação Kardequiana e no Evangelho de Jesus, tem-se refletido no movimento espiritista de vários países da Europa, das Américas, da Ásia e da África, ensejando contactos fraternos de expressiva importância no que diz respeito às finalidades primaciais do Espiritismo. Por ser uma entidade de caráter nacional, cabe a ela a representação do Espiritismo, por parte do Brasil, em todos os atos e solenidades internacionais concernentes à organização espírita mundial.

Em 1992 foi criado o Conselho Espírita Internacional, do qual a FEB foi uma das Entidades fundadoras. No Brasil, o Governo considera o Espiritismo como religião. Em 1957, a pedido da Federação Espírita Brasileira, foi autorizada a emissão, pelo Departamento dos Correios e Telégrafos (atual Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos), do primeiro selo espírita em todo o mundo. E em 1964 e 1969, ainda por solicitação da Federação, foram lançados três novos selos postais espíritas. Pela sua larga folha de serviços prestados à coletividade, desfruta a Federação Espírita Brasileira de alto conceito e grande prestígio no Brasil e alémfronteiras. *

* Para mais amplo conhecimento do histórico da Casa, leia-se em “Reformador”: O Centenário do “Reformador”, dezembro de 1982, e O Centenário da Federação Espírita Brasileira, dezembro de 1983 e janeiro de 1984.

Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.