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Capítulo 5 de 13

Conclusão

A Prece Segundo o Evangelho · Allan Kardec

Publicando as instruções dadas por Allan Kardec, a Sociedade Espírita «Fraternidade» não só satisfaz à vontade daquele missionário, como também cumpre um dever imposto à sua consciência e manifesto nas opiniões dos seus associados. Não pode, porém, calar a necessidade que há de fazer-se alguma coisa de sério e positivo a respeito do que tem sido aventado e proposto por muitos, em diversas épocas, relativamente a uma união geral e verdadeira, debaixo de uma única direção, que determine o método, a disciplina e o movimento de todos os grupos, estabelecendo a escola e a força que nos faltam. Não será chegado o tempo de algo produzirmos? Não basta de ridículo e de falsas apreciações sobre a Doutrina e seus adeptos? Não estaremos ainda cansados de esterilidade? Não temos a pretensão de que só conosco esteja a verdade e de que sejamos os únicos no bom caminho, nem julgamos e muito menos condenamos a quem quer que seja. Mas, mantendo a «Fraternidade» sempre

perseverante e de pé, apesar de todas as lutas e adversidades, apesar da deserção da maior parte dos seus irmãos e filhos, que aqui foram criados, que aqui receberam a luz e aqui desenvolveram suas faculdades, aceitando as comunicações do Mestre, sem idéias preconcebidas; estamos certos de que o Guia Ismael empunha o seu estandarte no seio desta Sociedade — tenda levantada por ele mesmo — e para ela chama todos os de boa-vontade e sinceros nas suas convicções, que queiram concorrer para a formação do grande agrupamento donde parta a orientação e se irradie a luz da verdade. Se o trabalho em comum e com grande número é uma dificuldade, muito maior é, com efeito, a desunião, a adoção de métodos e direções diferentes, sem prudência, disciplina e fiscalização daqueles que, mais práticos, mais entendidos, podem ser os transmissores da vontade e direção do Guia.

Se a fascinação e a imprevidência têm levado alguns a constituir grupos onde, debaixo de um mal-entendido princípio de publicidade, se prestam ao motejo e zombaria dos que os freqüentam e não encontram ao menos a seriedade e o bom-senso; se a pretensão e o orgulho de outros temerários os têm levado a provocar trabalhos que intitulam de Espiritismo e que só hão servido para o estrago dos médiuns, obcecação dos seus Espíritos e representação de uma farsa aplaudida tãosomente pelos zombeteiros do Espaço, acarretando o ridículo para a Doutrina e a pecha, que todos temos, de doidos e visionários; se os mais santos trabalhos, tais os das curas físicas e morais, só têm servido para despertar a inveja, a especulação, o interesse sórdido e a

curiosidade dos falsos crentes, que profanam e nodoam uma fonte de propaganda e de provas; é dever de todos os sinceros — dos que compreendem e sentem a responsabilidade individual e coletiva que lhes toca — vir em socorro dos que se desviam e comprometem, estabelecendo essa união, esse agrupamento homogêneo e solidário, invariável no seu método e no seu objetivo, onde, com a força e a luz que lhes advirão do Alto, poderão arrebanhar as ovelhas transviadas, orientar os cegos e, em nome da Doutrina, protestar contra os que, falsos profetas, a desvirtuam e profanam, tornando-se instrumentos dos filhos das trevas e não a personificação da Verdade. Sociedade Espírita “Fraternidade” (1)

(1) Nota da Editora, em 1973: As diversas mensagens do Espírito Allan Kardec, aqui reunidas, foram transmitidas através do médium FREDERICO Pereira da Silva JÚNIOR, na Sociedade Espírita “Fraternidade”, no Rio de Janeiro, em 1888 e 1889. Foram elas enfeixadas num opúsculo para distribuição gratuita, pela Federação Espírita Brasileira, intitulado “Ditados de Allan Kardec”, do qual circularam pelo menos três edições, a 3ª em 1934. Mas a primeira publicação das mensagens ocorreu em 1893. Pela sua grande importância e permanente atualidade, a Casa-Máter do Espiritismo as incluiu, de há muito, neste volume. Para os que desejam maiores detalhes a respeito do trabalho pioneiro dos espiritistas brasileiros, recomendamos as obras, editadas pela FEB, “Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho”, do Espírito Humberto de Campos (médium Francisco Cândido Xavier), e “Grandes Espíritas do Brasil”, de Zêus Wantuil.

Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.