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Capítulo 29 de 115

Carne

Palavras do Infinito · Chico Xavier, pelo espírito Humberto de Campos

Augusto Dos Anjos

Algema tenebrosa é a carne louca, Onde o espírito, em lágrimas, se prende Perambulando como um triste duende, Bebendo o pus das fístulas da boca.

Viver entre os sentidos incompletos, Na existência das coisas fragmentárias, Começando nas dores solitárias, Da vida melancólica dos fetos.

Vaso de tegumentos e de humores É o corpo, imagem viva do defunto, O miserabilíssimo transunto Das condições mais tristes e inferiores.

Desprezar toda a luz, radiosa e viva Para viver na carne é descer quase Da consciência divina à horrenda fase Da irracionalidade primitiva.

Carne!... Nossa amargura original, Antes sobre o planeta nunca houvesse O princípio ancestral da tua espécie, Nos mistérios da vida universal...

Do livro Palavras do Infinito. Psicografia de Francisco Cândido Xavier.

Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.