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Capítulo 28 de 115

Uma Palavra a Igreja

Palavras do Infinito · Chico Xavier, pelo espírito Humberto de Campos

Abílio Guerra Junqueiro

A igreja antigamente era uma luz dourada Que enchia os corações de paz e de esplendor, Sublime manancial, fonte viva do amor, Jorrando sob o sol de mística alvorada.

A palavra da fé caia como um luar De esperança divina, esplendorosa e doce, Sobre as dores cruéis, mas tudo transformou-se Quando Pantagruel apareceu no altar.

Então, desde esse dia, as dúlcidas lições Do exemplo de Jesus, - o meigo Nazareno, Sumiram-se no horror do lamaçal terreno, No multissecular mercado de orações.

De Deus fêz-se um cifrão imenso, extraordinário, Inventou-se o ritual de mm Cristo estranho e nôvo E fêz-se a exploração sacrílega do povo Sôbre a tragédia santa. excelsa do Calvário.

Ó Igreja, esquece ao longe as indústrias da cruz, Só o Amor é farol no humano sorvedouro, Deixa ao mundo infeliz as camisas-fortes de ouro E volta enquanto é tempo aos braços de Jesus!...

(Poesia recebida em Pedro Leopoldo em 14 de agosto de 1935)

Do livro Palavras do Infinito. Psicografia de Francisco Cândido Xavier.

Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.