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Capítulo 21 de 115

Gênios e Póstumos

Palavras do Infinito · Chico Xavier, pelo espírito Humberto de Campos

Humberto de Campos

Acompanhemo-los desde os seus pródromos. São crianças nervosas, irritadas. A mãe dá-lhes tabefes. Mas os ,amigos da família pontificam. Aquelas traquinadas são os prenúncios de uma genialidade sem precedentes e citam os casos de inteligência precoce de que são sabedores. Os fedelhos são como quaisquer outros. Mais tarde os rapazes cursam uma Academia que faz anualmente uma desova de celebridades. Aprendem lexicologia, esmerilhando clássicos, algo de geografia física, política, histórica, econômica e matemática, algumas noções gerais e os alfaiate ou o adelo rematam a obra. Inflados de sapiência, de estudos especializados, são Spinosa em filosofia, Harvey em medicina, expoentes máximos do Direito em ciências jurídicas. Não vivem porém polindo lentes para viver ou perseguidos pelos colegas. Andam com os estômagos reconfortados, uma quase homogeneidade pasmosa, aos magotes, exibindo títulos, a cata de comezainas, apadrinhados, tutelados, pois que geralmente são saídos do ventre rotundo e inchado da politicalha de ocasião. De posse dos seus diplomas os nossos heróis se sacrificam, com denodo, freneticamente. Por idealismo? Não.

Buscam pouso na burocracia. E o conseguem. Abdicam então das suas faculdades de raciocínio e reclamam o azorrague de um político que os comande. Transformam-se em azêmolas indiferentes, passivas. Temos aí quase a totalidade dos gênios da época. À sombra da acolhedora máquina do Estado, engordam e apodrecem, pensando pela cavidade abdominal; gastrônomos e artistas têm o cérebro curto e o ventre dilatado, enorme.

Do livro Palavras do Infinito. Psicografia de Francisco Cândido Xavier.

Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.