Voltar ao livro Índia Heróica – As Escrituras Sagradas

Capítulo 8 de 9

Conclusão — parte 3 de 3

Índia Heróica – As Escrituras Sagradas

Considera-se que "o Bhagavata representa a essência de todo o Vedanta. Aquele que se satisfaz por seu néctar não sentirá nenhum gosto por qualquer outra coisa". (Bh.P. 12.13.15) Conhecedores de frutos sazonados da terra, bebam novamente e novamente, durante todos seus dias, o suco do Bhagavata, a fruta madura da árvore do desejo cumprido do Vedas, cujo néctar flui dos lábios de Suka (como o suco de uma fruta madura da boca de um papagaio).” (Bh.P. 1.1.3) “Eu busco refúgio com (Suka), o filho de Vyasa e mais venerável dos sábios que, sem compaixão pelos seres mundanos, cobiçosos de irem além da escuridão ofuscante (da ignorância), recitou o 'secreto' dentre os Puranas, de majestade incomum, a essência de todo o Sruti, inigualado, e o iluminador do Auto-conhecimento". (Bh.P. 1.2.3). Assim indica-se que as doutrinas encontradas no Bhagavata são soberanas, ou seja, acima de todas as outras doutrinas. Suka tomou assento no meio da assembléia de todos os sábios, e exibiu totalmente sua superioridade sobre deles, assumindo o papel de preceptor de Srimad Bhagavatam. Pois se diz: "Os purificadores do mundo, as sábias almas elevadas foram lá com os seus discípulos: Atri, Vasistha, Cyavana, Saradvat, Aristanemi, Bhrgu, Angira, Parasara, Visvamitra (o filho de Gadhi), Rama, Utathya, Indrapramada, Idhmavaha, Medhatithi, Devala, Arstisena, Bharadvaja, Gautama, Pipalada, Maitreya, Aurva, Kavasa, Kumbhayoni, Dvaipayana (Vyasa), o venerável Narada, como também outro devarsis, brahmarsis, e rajarsis, inclusive Aruna e outros - pois freqüentemente homens santos, a pretexto de fazer peregrinação a um lugar santo, de fato purificamnos pela própria presença. O Rei Pariksit deu boas-vindas aos chefes reunidos dos vários clãs santos, reverenciando-os com inclinações de cabeça e o rei sábio saudou os sábiosque estavam cheios de alegria, e, levantando-se diante deles com as palmas unidas, informou-os da sua intenção". (Bh.P. 1.19.9-12) Então (o rei disse): "Assim, ó sábios, tendo confiado plenamente em vocês, farei uma pergunta urgente relativa ao dever. Que pura ação deve ser executada com toda a alma por esses que estão a ponto de morrer? Por favor, considerem esta questão entre vocês". (Bh.P. 1.19.24) Quando o rei fazia esta pergunta, (Suka), o filho de Vyasa, apareceu, vagando à vontade sobre a terra, livre de cuidados, não trazendo nenhuma marca distintiva, contente consigo mesmo, trajado como um avadhuta, e cercado por crianças". (Bh.P. 1.19.25) "Todos os sábios levantaram-se de seus assentos... 'e' o mais nobre do Bhagavan Suka, cercado por estes brahmarsis mais eminentes, rajarsis e surarsis, brilhou fulgurantemente, como a lua cercada por grupos de planetas, constelações, e estrelas". (Bh.P. 1.19.28,30) Embora Vyasa, o guru de Suka, e Narada, o seu guru principal, estivessem lá presentes, ainda assim, o Bhagavata fluiu dos lábios de Suka de tal maneira que lhes pareceu como se nunca o tivessem ouvido antes. Este é o sentido no qual se diz que Suka instruiu os dois. Como foi dito "... cujo néctar flui dos lábios de Suka". (Bh.P. 1.1.3) assim, também a superioridade do Bhagavata é vista neste sentido.

Srimad Bhagavatam expõe o bem supremo Essas declarações, então, que se ouvem relativas à superioridade de outros Puranas, como o Matsya, etc., só é verdade relativamente. Mas qual é a necessidade de tanto argumento? O Bhagavata é o representante apropriado de Krsna. Como foi declarado no primeiro skandha: "Agora que Krsna voltou ao seu próprio domicílio, junto com o dharma e o conhecimento, etc... este Purana subiu como o sol para esses carecentes de visão no Kali Yuga". (Bh.P. 1.3.43,44) _______________________________________________________________________________ O Bhagavata é tido como dotado de todas as virtudes, como se demonstra no verso, "O dharma supremo, destituído de qualquer motivo ulterior, é achado neste Bhagavata..." (Bh.P. 1.1.2) Este fato é demonstrado mais adiante pelas palavras de Vopadeva, no Muktaphala: "Os Vedas, Puranas, e Kavya dão conselhos como um governante, um amigo, e alguém amado, mas diz-se que o Bhagavata dá conselhos como todos os três combinados.” Assim, até mesmo se alguns considerarem que outros Puranas são dependentes dos Vedas, a mesma suposição quanto ao Bhagavata é dispersada pelo próprio Bhagavata; isto também é patente. Então, o Bhagavata representa a forma mais elevada de Sruti. Como se diz, "Como então, o diálogo entre o sábio real Pariksit e o sábio Suka aconteceu, cujo resultado este Satvati Sruti se tornou manifesto "? (Bh.P. 1.4.7) E o fato que Vyasa só compôs o Bhagavata depois de completar todos os outros Puranas, como declarado antes, pode ser verificado ao se examinar o diálogo entre Vyasa e Narada, registrado no primeiro skandha.

Vishnu Vishnu quer dizer o doador e o provedor das coisas. Os Vedas o descrevem como o deus dos três passos largos, mantenedor da lei e doador de benefícios. No curso dos tempos, ele se tornou Narayana, o que literalmente quer dizer o morador das águas e morador dos seres humanos. A palavra nara tanto significa água (naram) quanto humano (nara) . Vishnu reside nas águas lácteas de Vaikunth em uma cama feita das mil voltas do rolo da grande serpente, Adishesha, de dimensões infinitas. A deusa Lakshmi, sua cônjuge, serve-lhe. Simbolicamente, o oceano representa felicidades e consciência; a serpente, o tempo, a diversidade, desejo e ilusão; e a deusa Lakshmi, as coisas materiais e poderes criativos. A cor de Vishnu é a cor de uma nuvem azul escura. É a cor do céu, denotando as suas dimensões cósmicas, a sua conexão com os deuses Védicos da chuva e do trovão, e a sua relação com a terra. Normalmente é descrito com uma face, quatro braços, em uma postura parada ou em uma postura de descanso. Ele usa um colar feito da famosa pedra preciosa Kaustubha que recai sobre o lado esquerdo de seu tórax e outra guirlanda de flores e pedras preciosas, chamada Vaijayanti. Os seus quatro braços dele seguram sankha (uma concha), chakra (disco), gada (bastão) e padma (flor de lotus) respectivamente. A concha representa os cinco elementos, o som de AUM, salagrama, deusa Lakshmi, as águas, pureza e perfeição. O disco é a arma terrível de Vishnu, o qual ele usou para destruir o mal e proteger o íntegro. Isto simbolicamente representa a claridade do sol que ilumina e derruba a escuridão. Também representa uma consciência mais elevada que destrói todas as ilusões. O bastão representa o poder do conhecimento enquanto a flor de lótus simboliza a beleza, a harmonia, a pureza, o elemento água, a criação e a realização do ego.

Suas Encarnações: Como foi declarado no Bhagavad Gita, sempre que há o predomínio do mal, Deus encarna na terra para restabelecer o dharma, castigar o mal e proteger o fraco e o íntegro. Geralmente todas as encarnações de Deus são associadas com o Deus Vishnu, porque Vishnu é aquele que preserva os mundos e o propósito da encarnação é esse também. A lista das encarnações de Vishnu varia. O número de encarnações que geralmente são aceitas é dez, das quais nove já aconteceram, enquanto s décimo ainda deve acontecer. Em algumas versões, encontramos uma lista de 23 encarnações de Vishnu que inclui os nomes de Dattatreya, Satvata e Vedavyasa. As nove encarnações geralmente aceitas são: a encarnação de um peixe (matsyavatara), a encarnação de uma tartaruga (kurmavatara), a encarnação de um javali (varahavatara), a encarnação do homem leão (narasimhavatara), a encarnação de um pigmeu (vamanavatara), a encarnação de Parasurarama (parasuramavatara), a encarnação de Rama (ramavatara), a encarnação de Balarama (balaramavatara), e a encarnação de Sri Krishna (krishnavatara). A décima encarnação, a encarnação de Kalki, um deus feroz, ainda há de vir. A lista de encarnações algumas vezes inclui a encarnação de Buda no lugar de Balarama.

A verdade sobre encarnações de Vishnu: O fato é que há muito mito tecido ao redor da teoria das encarnações. Como já notamos, algumas das encarnações designadas a Vishnu previamente eram designadas a Brahma. Secundariamente, em nenhuma das encarnações se declarou como encarnação de Vishnu. Foram feitas tentativas de se fazer o Buda como uma encarnação de Vishnu. Isto, provavelmente, era para trazer o Budismo como desdobramento do Vaishnavism, com respeito à popularidade crescente do Saivismo, já que os seguidores encaravam tanto o Vaishnavismo quanto o Budismo com o mesmo desdém. Enquanto nós não tivermos certeza sobre a autenticidade da lista de encarnações ou os eventos associados a muitas das encarnações, a idéia da encarnação é uma idéia plausível e logicamente aceitável. Ajusta-se perfeitamente no conceito de Deus como o criador e sustentador do dharma e rta (ordem e equilíbrio) no universo. A versão mais iluminada da teoria de encarnação é aquela em que Deus escolhe modos diferentes para restabelecer a ordem e equilibrar o universo. Estando na descida direta, com todos os poderes latentes em forma de humanos e com todas as divindades auxiliares ou associadas que também os unem ao plano terrestre para dar assistência a Ele em Seu trabalho. Esta é propriamente uma encarnação (purnavatara) como a encarnação de Rama ou Krishna. Ele só assume esta forma quando um mal de dimensões gigantescas eleva sua cabeça e começa a fomentar dificuldades a todos. Segunda, só um aspecto (amsa) d’Ele manifesta-se na terra na forma de uma grande alma para um propósito específico, geralmente como um vidente, um guru, um governador, ou um artista. A encarnação de Vedavyasa ou Dattatreya vem sob esta categoria chamada manifestação parcial ou amsavatara. Terceira, Ele, afinal de contas, não desce, mas escolhe um ser humano particular como o seu veículo e envia a ele conhecimento ou mensagens, respostas e soluções. Muitos profetas, inventores, e santos profetas que puderam abrir canais específicos de comunicação com Deus ou quem Deus escolheria para falar, entram nesta categoria. Quarta, Ele encarnaria em outro lugar com um dos três modos supracitados, mas incorpóreo, e ajudaria a terra de um modo geral. Não temos idéia sobre estas encarnações. Mas falando estritamente sobre todas as manifestações de

Brahma como vários deuses e deusas em mundos vários, somente as Suas encarnações poderiam ser incluídas nesta categoria.

Encarnações secundárias de Vishnu: Estes são deuses que desceram a este mundo para uma tarefa específica e com um aspecto de Deus Vishnu. Menção pode ser feita a Dattatreya, Kapila, Dhanvantari, Mohini, Hayagriva, Naranarayana, Vedavyasa e Yajna. Dattatreya: Filho de Atri e Anasuya que alcançou domínio completo dos Vedas, Dattatreya aperfeiçoou os ritos associados com suco de soma, invocações de poderes mais elevados por magia e uma espécie de tantra. Ajudou quem não era da religião Védica, ensinando-lhes os Vedas e ajudou na sua assimilação na sociedade Védica. Provavelmente por isto, foi-lhe determinado o selo de impureza e negadas as honras devidas. Porém, parece que depois o status de divindade foi reconhecido e restabelecido. Ele é descrito como tendo três cabeças, quatro mãos e sempre seguido por quatro cachorros fiéis. As três cabeças denotam a sua conexão com a Trindade, não só com Vishnu. As suas quatro mãos significam a sua divindade e sobrenaturalidade, e os quatro cachorros simbolicamente representam os quatro Vedas e o seu domínio sobre eles. Kapila: Kapila era o fundador da escola de filosofia Sankhya, autor das Kapilasutras. Sua filosofia ganhou imensa popularidade na Índia antiga e inspirou muitos estudantes nas especulações sobre as convicções religiosas existentes. Provavelmente a inclusão de Kapila como uma encarnação secundária de Vishnu foi uma tentativa para fazer alguma aproximação entre a filosofia de Sankhya e o Brahmanismo, da mesma maneira que houve uma tentativa para se considerar Buda como uma encarnação de Vishnu para aproximação entre o Budismo e o Vaishnavism. O sábio Kapila disse ter amaldiçoado os sessenta mil filhos de Sagara e reduzido-os a cinzas, o que depois incitou Bhagirath a sofrer penitências severas e fazer descer o Ganges que estava fluindo nos céus. Nem se tem a segurança de que Kapila foi o fundador da filosofia de Sankhya. Dhanvantari: Ele provavelmente era um médico famoso na Índia antiga, dotado de um conhecimento excelente sobre a medicina herbária e de poderes curativos milagrosos. Na história mitológica de Sagarmanthan (o agitador dos oceanos), encontramos o nome de Dhanvantari. Depois que os deuses e demônios começaram agitar o oceano à procura de imortalidade, Dhanvantari disse que apareceu diante deles com um recipiente que continha ambrosia nas suas mãos dele. Não sabemos então se Dhanvantari é um título dado a um médico especialista ou o nome de um indivíduo. Sendo a verdade, Vishnu também é um grande curandeiro, porque curar é uma parte do seu trabalho de preservação. Já que Dhanvantari foi um grande médico, provavelmente foi aceito como uma encarnação secundária de Vishnu. Hayagriva: Reintroduziu o conhecimento perdido de Yajurveda ao gênero humano, por Yajnavalkya e provavelmente no período pós-Rigveda. Acredita-se que é um aspecto de Vishnu como o deus do sol e é descrito como uma deidade com a cabeça de um cavalo. Nas imagens é descrito como tendo oito braços que levam os vários emblemas de Vishnu Mohini: Mohini iludiu os demônios e impediu que se servissem da ambrosia. Mohini é considerado como uma encarnação de Vishnu porque a ilusão é uma arma importante no arsenal de Vishnu, por isso também é chamado mayavi, o criador de ilusão. Mohini iludiu Siva, resultando disso o nascimento do sábio Maya Machchindra. Nara-Narayana: Nara quer dizer o humano e Narayana quer dizer o Ser Supremo. Popularmente refere-se a Arjuna e Sri Krishna como Nara e Narayana. Há histórias mitológicas que explicam a origem e as façanhas de Nara e Narayana, que também são creditadas na história da criação de Urvasi, a ninfa celestial, e o assassínio de um demônio com mil armaduras (tipos de ignorância). Crê-se que qualquer ser humano com a divindade despertada e que trabalhe para o bem-estar de humanidade é um Nara-Narayana, uma encarnação de Vishnu na terra, trabalhando para a preservação do dharma ou retidão. Nas imagens são mostrados Nara e Narayana juntos ou separadamente. Quando são mostrados separadamente, Nara tem duas cabeças e usa um couro de cervo, enquanto Narayana é mostrado à esquerda, com quatro braços que levam os emblemas habituais de Vishnu Yajna: Vishnu é considerado como Purusha que nasceu fora de sacrifício e foi sacrificado em troca. No Bhagavad Gita, diz Sri Krishna que Brahma está presente no Yajna (brahma nityam yajne pratisthitam) e que Deus é o recebedor (bhokta) como também o senhor (prabhu) de todos os sacrifícios. Na encarnação dele como Yajna, Vishnu é chamado Yajneswara, ou Deus do Sacrifício. Assim, é descrito normalmente com duas cabeças, sete mãos, três pernas e quatro chifres. As suas sete mãos levam objetos diferentes que são geralmente usados no desempenho do Yajna. Ved Vyasa: Ved vyasa é o autor do Mahâbhârata, épico famoso, as Puranas e os Brahmasutras. Credita-se a ele também a divisão dos hinos védicos na forma presente de quatro Vedas. Vedavyasa é o codificador e preservador da memória humana e do conhecimento na forma de escritos imortais e, conseqüentemente, temos a sua identificação com Deus Vishnu. Ved Vyasa geralmente é descrito como um vidente, com cabelo nodoso, esbelto em sua forma e bem moreno na aparência, na companhia dos quatro discípulos dele, isto é, Jaimini, Paila, Vaisampayana e Sumantu.

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