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Capítulo 7 de 9
Conclusão — parte 2 de 3
Índia Heróica – As Escrituras Sagradas
Bhagavata e oferecer, montado em um trono de ouro, num dia de lua cheia do mês de Bhadra, atingirá a meta suprema. Diz-se que este Purana contém dezoito mil (versos)." (Ma.P. 53.20,22) A palavra Gayatri no verso precedente refere-se à palavra 'dhimahi' que sempre é encontrada em Gayatri e por isso serve como um indicador de Gayatri, e o significado completo de Gayatri; para um entendimento sincero deste mantra, que é o protótipo de todos os mantras, não teria sido apropriado. O fato que o Bhagavata tem a mesma significação do Gayatri é visto em frases yatah janmadyasya ("de quem vem a origem etc. do universo") e Brahma hrda ("que revelou o Veda [ao criador Brahma] através de seu coração") (Bh.P. 1.1.1), que dá explicações idênticas relativas ao substrato do universo inteiro e a habilidade para inspirar os funcionamentos do intelecto, com as do Gayatri. O palavra dharma na frase dharmavistarah significa o "dharma" supremo, pois é declarado no próprio Bhagavata Purana: "O dharma supremo, destituído de todos os motivos ulteriores, é achado neste Bhagavata". (Bh.P. 1.1.2) e se fará claro em uma seção subseqüente que o dharma só é caracterizado somente por práticas como contemplação etc. da Personalidade da Mente Divina. Assim, nós também achamos no Skanda Purana, Prabhasa Khanda: "Isso será conhecido como o Bhagavata que, baseando-se no Gayatri, descreve o dharma em toda sua plenitude, e que narra o assassínio do asura Vrtra. E isso é conhecido no mundo como o Bhagavata, que tem sua origem em contos relativos aos deuses e homens que vivem no Sarasvata kalpa. Quem fizer uma cópia deste Bhagavata e oferecer, montado em um trono de ouro no dia de lua cheia do mês de Bhadra, atingirá a meta suprema. Diz-se que este Purana contém dezoito mil (versos)." (Sk.P. 2.39-42) e estas mesmas linhas são achadas também no Agni Purana. E em outro Purana citado pelo comentarista (Sridhara): "Isso é conhecido como o Bhagavata que contém as descrições do Brahmavidya de Hayagriva e os atos do assassínio de Vrtra, que abre com referência ao Gayatri e que consistem em doze skandhas e dezoito mil (versos)."E o fato de o termo "Hayagrivabrahmavidya" do verso precedente acontecer junto à frase "o assassínio de Vrtra" mostra que se refere a Narayanavarma" (a armadura de Narayana). O nome "Hayagriva" neste verso refere-se ao cabeça de cavalo Dadhici, que inaugurou o conhecimento de Brahma conhecido como " Narayanavarma ". O fato de ter cabeça de um cavalo é apresentado no sexto skandha (Bh.P. 6.9.52) com a frase "que tem o nome 'Asvasiras' ('Cabeça-de-cavalo')"; e o fato de "Narayanavarma "significar "Brahmavidya" aparece no verso citado por Sridhara no comentário dele em Bh.P. 6.9.52: "ouvindo isto, Dadhici, o filho de Atharva, tido sido recebido respeitosamente pelos gêmeos Asvins, os instruiu na cerimônia de Pravargya e o Brahmavidya, temeroso de romper a promessa dele para com eles". Uma vez que o Bhagavata é caro a Deus e apreciado pelos Seus devotos, é a maioria sattvika (das Puranas). Como foi colocado na pergunta de Gautama a Ambarisa, no Padma Purana: “Ó Rei, o senhor recita o Bhagavata na frente de Hari, deixando de lado o Rei de Daityas (Hiranyakasipu) e (o filho dele) Prahlada"? (Pa.P., Uttara Khanda 22.115) Na mesma seção, Gautama instrói Ambarisa na grandeza do voto de Vyanjuli: "Aqueles que ficam acordados por toda a noite (do 'Vyanjuli Mahadvadasi’) e escutam composições relativas a Visnu: O Bhagavad-gita, os Mil Nomes de Visnu, e o Purana ensinado por Suka (o Bhagavata), estes trazem satisfação a Hari, e deveriam ser citados com grande reverência". Em outro lugar na mesma seção, "Ó Ambarisa, se você desejar acabar com o ciclo de nascimento e morte, escute diariamente o Bhagavata ensinado por Suka, e também recite-o com seus próprios lábios". E no Dvarakamahatmya do Prahlada Samhita do Skanda Purana: "Aquele que permanece acordado (no Harivasara) e recita o Bhagavata com devoção, na presença de Hari, atinge a habitação de Visnu, junto com toda a sua família".
Srimad Bhagavatam, o comentário natural no Vedanta E no Garuda Purana: "Esta composição está sumamente perfeita. Contém o significado do Brahmasutra e determina o significado do Mahabharata. Funciona como um comentário no Gayatri e fortalece o significado dos Vedas. É o Sama Veda dos Puranas, declarado pelo próprio Bhagavan. Contém doze skandhas, numerosos vicchedas, e dezoito mil (versos), e passa pelos nomes Srimad Bhagavata”. “Contém o significado do Brahmasutra”: quer dizer, representa um comentário natural nos sutras. Previamente, tinha sido revelado no coração (de Vyasa) em uma forma sutil; foi resumido então, e fez-se manifesto na forma de sutras. Depois, apareceu em sua forma plena como o próprio Bhagavata. Então, já que o Bhagavata representa um comentário por si mesmo revelado no Brahmasutra, segue-se que só os comentaristas modernos que estejam em consonância com o Bhagavata serão respeitados". Isto determina o significado do Mahabharata: (quer dizer, contém a determinação do significado do Mahabharata que se caracteriza como segue): "O Mahabharata é exaltado como o que determina a significação de todas as escrituras. Antigamente, Brahma e os outros devas, juntamente com todos os rsis, se reuniram sob o comando de Vyasa, e compararam o peso do Mahabharata com todo o Vedas. As balanças se inclinaram a favor do Mahabharata. (Então), por causa de sua grandeza (mahattva) e seu peso (bharavattva), é conhecido como o Mahabharata". A importância do Mahabharata é explicada em Srimad Bhagavatam. E o significado de ambos está apenas em torno de Deus. Assim, os versos seguintes são proferidos por Janamejaya a Vyasa, na seção Narayaniya do Moksadharma (Mahabharata): "Ó Brahma, cofre das severidades, da mesma maneira que a manteiga fresca é extraída de coalhos e o
sândalo das montanhas do Malaya, os Upanisads dos Vedas e o néctar das ervas, assim também, ao agitar do oceano da sabedoria mais elevada com o agitar da vara do conhecimento, tenha este néctar de palavras que você proferiu, baseado em histórias relativas a Narayana, extraído das lendas encontradas no Mahabharata, espalhadas ao longo destes cem mil versos”. (MBh, Moksa-dharma 170.11-14) Também se lê no terceiro skandha: “(Maitreya) e também seu amigo, o sábio Krsna Dvaipayana (Vyasa), sentiam um desejo de descrever as virtudes de Deus, e assim narraram o Mahâbhârata, no qual os corações dos homens são levados à frente com histórias sobre Hari, através de repetidas causas de prazeres menores". “Suas funções como um comentário no Gayatri”: pois isto é explicado desta forma nas seções do Visnudharmottara, etc. que contêm exposições no Gayatri, que só Deus é descrito em detalhes (no Gayatri). Uma explicação semelhante também será dada sobre esta consideração no comentário em Bh.P. 1.1.1. “Fortalece o significado do Vedas”: quer dizer, em virtude do Bhagavata, é fortalecido o significado do Vedas. Então se diz, "A pessoa deveria completar o Vedas com Itihasa e Purana”. (MBh, Adiparva 1.267) O verso seguinte do Bhagavata, citado no Vrata Khanda (do Caturvargacintamani) de Hemadri, determina que o significado do Mahâbhârata é equivalente ao do Vedas: "O sábio Vyasa compôs o épico Mahabharata, tendo em mente que conduziria ao bem-estar as mulheres, os sudras e os decaídos duas vezes-nascidos que não são autorizados a ouvirem os três Vedas, e pensou que esta ação conduziria ao supremo bem deles”. (Bh.P. 1.4.25) Assim, de acordo com este ponto de vista, a frase "ele determina o significado do Mahabharata" deveria ser interpretada como "o significado do Mahabharata é determinado no Bhagavata como sendo equivalente ao do Vedas ". Já que a composição conhecida como o Srimad Bhagavatam e caracterizada pela frase "baseado no Gayatri" concerne apenas sobre Deus, pode-se dizer que serve como um comentário no Gayatri o qual concerne apenas sobre Deus. Então declararou-se, "Que seja conhecido como o Bhagavata o qual, baseando-se no Gayatri, descreve o dharma em toda sua plenitude..." Uma explicação detalhada semelhante é apresentada na exposição do Gayatri encontrada no Agni Purana. Uma breve frase daquele trecho:
"Aquela 'luz' (mencionoada no Gayatri) é o supremo Brahma, pois a palavra bhargas indica a luz da consciência". (Ag.P. 216.3) "Aquela 'luz’ é Deus Visnu, a fonte da origem, preservação, e dissolução do universo. Há alguns que repetem o nome ' Siva' (em lugar de Visnu), alguns 'Sakti', 'Surya', outros de outras deidades, enquanto os sacerdotes de Agnihotr repetem o nome 'Agni'. Verdadeiramente é Visnu que assumiu a forma de Agni e do resto, e é reverenciado no Vedas etc. como Brahma". (Ag.P. 216.7-9) Uma explicação semelhante também será dada sobre o comentário em Bh.P. 1.1.1. E na seção final do Bhagavata, a linha final do verso 12.13.19, enquanto começando por tac chuddham, é idêntico em importância à explicação do Gayatri encontrada no Agni Purana: "Deixe-nos meditar no eterno, puro, supremo Brahma, a luz perpétua, e o Senhor mais elevado, (pensando) 'eu sou a luz, o supremo Brahma, para atingir a libertação". (Ag.P. 216.6,7). Aqui, a frase "eu sou Brahma" indica um tipo de meditação no qual se assume uma atitude de identidade com Brahma a fim de se ajustar para a adoração de acordo com o princípio "Aquele que não é divino, não pode adorar o divino". O verbo dhyayema ("Deixe-nos meditar") significa “possa eu, e todos nós, meditar". Entretanto, em virtude deste verso, poderíamos esperar achar o eixo adanta no Gayatri. Porém, isto pode ser explicado com a ajuda do Panini Sutra 7.1.39 Supam Suluk como um exemplo de uma irregularidade Védica, na qual a terminação do acusativo singular –am é substituído pela terminação -su.
E nas passagens prosaicas que elogiam o sol como objeto de adoração no Gayatri (Bh.P. 12.6.67-69), o sol não deve ser visto como uma entidade independente, mas como indicadora do Paramatma, deixando essas passagens livres de jaça. As palavras de Saunaka ao término do Bhagavata serão entendidas semelhantemente: "Falem-nos, os que estão cheios de fé, das manifestações de Hari, sob a forma de sol". (Bh.P. 12.11.28) E a 'luz' (mencionada no Gayatri) não se refere somente àquele que mora no sol físico, pois, como indicado pela palavra varenya (“o de maior mais excelência") do Gayatri e o palavra para (“supremo") do Bhagavata (1.1.1 e 12.13.19), sua aplicação se estende até a majestade de isvara. Então, está no Agni Purana, "Pela meditação, os purusa podem ser vistos habitando no disco do sol. (Mas) o domicílio supremo de Visnu, Brahma, é real e sempre auspicioso". (Ag.P. 216.16,17) Isto quer dizer, por meditação, os purusa, que se manifestam como habitantes de dentro do disco do sol, vão perecer na hora da dissolução, de forma que os habitantes dos três mundos podem adorá-Lo, podem ser vistos, isto é, adorados. Mas o domicílio supremo de Visnu, na forma de Vaikuntha, por si é real, imutável no passado, presente, e futuro, livre de todas as perturbações, já que participa da natureza de Brahma. Depois de explicar desta forma o Gayatri, o Agni Purana faz também uso do verso começando com yatradhikrtya gayatrim (Ag.P. 272.6) na seção que trata das características das Puranas. Assim encontramos os versos seguintes: "O Agni Purana considera que o Gayatri lida apenas sobre Deus, que assim acontece por ser a fonte da origem, preservação, e dissolução do universo. O Bhagavata, caracterizado pela frase, 'baseado no Gayatri', já floresce ao longo da terra". Assim é a origem do Bhagavata se manifestou para estar baseado no Gayatri.
E a declaração anterior relativa ao Sarasvata Kalpa também é apropriada pois Sarasvati, cuja característica distintiva é falar ilustrativamente de Deus, representa a essência do Gayatri. Como foi declarado no Agni Purana, "é chamado Gayatri porque canta (gayati), ou revela, textos Védicos, a luz divina, e as forças vitais. É chamado Savitri (a filha do sol) porque tem o poder de iluminar. E desde que a fala representa a essência do sol, também é chamada Sarasvati”. (Ag.P. 216.1,2) "É o Sama Veda de Puranas": quer dizer, da mesma maneira que o Sama Veda é o mais perfeito dos Vedas, o Bhagavata é o mais perfeito dos Puranas. Então, nós vemos no Skanda Purana: "Se o Bhagavata não for mantido na casa de alguém no Kali-yuga, que proveito terão coleções de outras escrituras, contadas em centenas e milhares? Como pode ser considerado um Vaisnava alguém que, no Kali Yuga, não mantenha o Bhagavata em sua casa? Até mesmo se ele for um brahmana, será mais baixo que um fora de casta. Narada, sábio, onde quer que o Bhagavata seja achado no Kali Yuga, lá Hari estará junto, com todos os semideuses. Ó Muni, a alma piedosa que recita diariamente um verso do Bhagavata colhe os frutos dos dezoito Puranas". (Sk.P., Visnu Khanda 16.40,42,44,331) Pois da mesma maneira que o Sama Veda traz um tema comum que traspassa os três kandas do Vedas (karmakanda, jnanakanda, e upasanakanda), assim o Bhagavata demonstra o fato que alguns dos outros Puranas que são ocasionalmente vistos participando da natureza de rajas e tamas, e não parecem ser interessados em Deus, no final das contas acham a sua resolução apenas em Deus, como apresentado no Bhagavata. Então se diz, "No Vedas, Ramayana, Puranas e Mahabharata, Hari é elogiado em todos os lugares, no princípio, meio e no fim". A verdade desta declaração é demonstrada no Paramatma-sandarbha. "Dito pelo próprio Deus”: isto deve ser entendido conforme as palavras finais do Bhagavata: "Deixe-nos meditar no Deus que revelou o Bhagavata a Brahma..." (Bh.P. 12.13.19) "Contém sata vicchedas": Esta frase não será discutida, pelo medo de alongar este texto indevidamente. Assim, a interpretação de Sridhara da frase hemasimhasamanvitam traz o significado "montou em um trono de ouro" realmente se ajusta, pois como há pouco foi demonstrado, o Bhagavata ocupa a posição de governo soberano sobre todas as escrituras. Por conseguinte, tanto a superioridade do Bhagavata, como a necessidade de seu estudo repetido estabelece-se no Skanda Purana: "Que proveito têm coleções de outras escrituras contadas por centenas e milhares...?” (Sk.P. 16.40) estabelece-se então que, na era presente, os que buscando saber a verdade mais elevada devem apenas estudar o Bhagavata Purana. Assim, embora exista uma variedade de escrituras, é apenas o Bhagavata que é descrito como segue: "Este Purana subiu como o sol para esses carecentes de visão no Kali Yuga”. (Bh.P. 1.3.44) Fica demonstrado assim que, fora o iluminado Bhagavata, nenhuma outra escritura é capaz de iluminar corretamente a realidade.
Comentários no Srimad Bhagavatam O tantra conhecido como Tantrabhagavata é considerado, na seção do Hayasirsa Pancaratra que classifica as escrituras, por representar um comentário virtual no Bhagavata. Comentários reais no Bhagavata incluem o Hanumadbhasya, Vasanabhasya, Sambandhokti, Vidvatkamadhenu, Tattvadipika, Bhavarthadipika, Paramahamsapriya, Sukahrdaya, etc. Lá também existe uma variedade de Nibandhas, compostos por autores distintos, bem conhecidos pelas suas interpretações particulares, como o Muktaphala, Harilila, Bhaktiratnavali, etc. O Bhagavata também é elogiado no Danakhanda do Caturvargacintamani de Hemadri, na seção que trata da dádiva dos Puranas, como encarnando as características mencionadas no Matsya Purana (53.2-23). E no Parisesakhanda do mesmo trabalho de Hemadri, ao determinar o dharma apropriado ao Kali Yuga, na seção de Kalanirnaya, o Bhagavata verso 11.5.36 cita: "Os nobres elogiam o Kali Yuga..." Porém, Sankara, comumente aceito como um avatara de Siva, percebeu que a significação do Bhagavata, caracterizada por expressões verbais relativas às alegrias de bhakti, que ultrapassam até mesmo a alegria da libertação, era superior às próprias doutrinas dele e teve medo de conspurcar as visões encontradas nesta composição divina exposta no Vedanta. Ele propagou a doutrina de Advaita sob o comando de Deus, a fim de que a verdadeira natureza deste último pudesse permanecer escondida. Ainda, Sankara desejou que as próprias palavras dele fossem frutíferas, e assim mencionassem o Bhagavata indiretamente, ao descrever em certos trabalhos, como o seu Govindastaka, etc. certos eventos só achados no Bhagavata, como o assombro de Yasoda diante da visão da forma universal (de Krsna), o roubo de Krsna das vestes dos gopis, etc. A Tradição traz que, depois de ver que o Bhagavata não foi apenas evitado, mas de fato foi respeitado por Sankara, e temendo que outros Vaisnavas poderiam cair sob a influência dos comentários impróprios escritaos pelos outros discípulos de Sankara, como Punyaranya etc., o venerado Madhvacarya abraçou as visões dos Vaisnavas e escreveu um tatparya diferente, mostrando o verdadeiro caminho: assim é descrito pelos Vaisnavas.
Sukadeva Goswami como o orador do Srimad Bhagavatam As declarações seguintes, encontradas no próprio Bhagavata, são então apropriadas. "(Vyasa) deu este Bhagavata ao seu filho (Suka), o melhor dos iniciados, representando os extratos essenciais de todo o Vedas e Itihasas ". (Bh.P. 1.3.41,42)
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