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Capítulo 9 de 13
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Bezerra de Menezes e Narrativa Iniciática · Osvaldo Polidoro
Joaquim fora trazido de volta, avisando o Guia presente, para que Séfora se prontificasse a recebê-lo mediunicamente. Ela entregou-se e ele veio, rendendo a Deus muitas graças, pelo fato de vir a conhecer o reto caminho, que é o da Verdade e do Bem. O Guia-chefe, a seguir, tomou o seu médium, falando a Pedro de modo conselheiro. Disse-lhe para estudar, para conhecer a Doutrina da Verdade, que é acima das religiões e dos sectarismos inventados pelos homens. — Isto me encanta! — exclamou Pedro, ouvindo tudo aquilo. — Devia tê-lo encantado há muito tempo! — replicou-lhe o Guia-chefe. — Lastimo não ter sabido antes... — balbuciou Pedro, comovido. Sorriu o Guia-chefe, confidenciando: — Também eu, caro irmão, lastimo ter aprendido bem tarde! Você está tomando conhecimento da Verdade agora, ainda na carne, o que muito lhe valerá, se quiser viver para ela. Mas eu aprendi no Espaço, como o seu irmão Pantaleão, que vem de se arrepender dos males praticados, bem assim como nosso irmão Joaquim, que neste instante acaba de fazer a sua profissão de fé nos domínios da Verdade. Quem se aplica na vida carnal ao conhecimento das leis do Universo, e conhecendo procura viver com AMOR e para o AMOR, certamente virá para cá noutras condições de merecimento. Sempre comovido, Pedro murmurou de novo: — Agradeço a Cristo por tudo quanto nos tem dado. O Guia observou: — Além de ser o Diretor Planetário, Jesus veio viver o Modelo Integral, aquilo que é o Grau Supremo, o Cristo, a condição do espírito que se elevou acima do mundo, acima das formas. Observe que, embora sendo o Diretor Planetário, nunca aconselhou a que se adorem as coisas do mundo. Convidou sempre a que se faça tudo a bem da Suprema Hierarquia, da libertação final, da superação do reino deste mundo. Porque a finalidade do espírito é ser livre e glorioso, é pairar muito acima de mundos e de formas. Portanto, o Cristo quer ser igualado e não agradecido, imitado e não adulado. Os fazedores de religiões sempre andaram torcendo a Verdade, sempre buscaram transformar a fé em meio de vida, desviando as gentes do Cristo, conduzindo as gentes para longe da Verdade que livra. Rogo a você, Pedro, que faça grandes estudos e que os viva. Conheça os Grandes Iniciados, saiba o que representa o Cristo Inconfundível e pratique a MORAL, o AMOR e a REVELAÇÃO. Para os que aprendem isso, que aliás é muito simples, o Pai Divino está unido ao filho e o Reino do Céu nunca está fora de ambos. Tudo é divinamente local, tudo é infinitamente presente, nunca havendo distância entre o Criador e a criatura. — Sou espírita para todos os efeitos! — sentenciou Pedro. E o Guia explicou-lhe: — O Espiritismo é a Súmula das Revelações, que vem como restauração do Cristianismo, para dar início a uma Nova Era. Esta Nova Era é a do entrelaçamento entre os dois planos da vida, coisa que acontece em todos os mundos, quando entram em fase evolutiva superior. Ao cabo de tudo, ou no curso dos tempos, haverá perfeita união entre um e outro lado. Importa, entretanto, que cada um faça questão de ir merecendo a Terra do porvir. Porque irão se sucedendo os eventos seletivos, as separações entre cabritos e ovelhas... Pedro perguntou-lhe: — Temos, então, no Espiritismo, a Revelação Integral? O Guia-chefe respondeu-lhe: — Quem tem a um tempo a mediunidade, entre os dois planos da vida, não tem por acaso o Instrumento Revelador? Como seria a Graça que ilustra, adverte e consola, se não contivesse tudo em matéria de Lei, Graça e Verdade? Que se movimentem os homens, em busca da Verdade, porque o Cristo não falhou em Seu batismo de Espírito. Quanto mais o homem crescer dentro de si mesmo, tanto mais reconhecerá a totalidade da obra de Jesus, o Cristo. A questão, irmão Pedro, é que os homens pouco ligam ao verdadeiro Cristo, ao Espírito Integral, por isso mesmo apresentado pelo Pai Divino como exemplo a ser seguido. A imensa maioria pensa do Cristo, que foi um filho especial de Deus, não o espírito que Se completou por evolução, vindo a ser, por isso mesmo, como tantos outros, o simples Diretor de um Planeta. E por julgarem errado, vivem adulando o Cristo, vivem bajulando o Cristo, vivem mentindo para o Cristo, pensando que fazer isso é Cristianismo! Eu já o disse, cada homem é um Cristo em formação, em preparo. Quem se aproxima do Cristo é que realmente conhece o Cristo, porque vai conhecendo o Cristo por si mesmo, na sua iluminação interna. Sem ser assim, saiba quem quiser, nenhum Cristo de fora poderá valer coisa alguma a homem algum! Porque a iniqüidade jamais herdará o Reino do Céu! — Todos os espíritos desencarnados são espíritas? — perguntou Pedro. O Guia-chefe abanou a cabeça tristemente, respondendo: — Não. Infelizmente, Pedro, também por aqui a Lei de Deus ainda é traída. O mundo espiritual é composto de baixas e altas esferas, havendo ainda a subcrosta, o que de pior se poderá querer, na Terra, de lugares tenebrosos. Entretanto, ninguém olvide, para o conhecimento da Verdade todos marcham, custe mais ou custe menos, seja na Terra ou em outro mundo. Assim sendo, vamos trabalhando os homens, encarnados e desencarnados, vamos fazendo questão de ganhá-los todos para a Lei, ou para o Cristo, que é como se os ganha para Deus e para si mesmos. E pode estar certo você, que hoje vê o Espiritismo pela frente a segunda vez, que nestes lados ele tem feito muito mais discípulos do que por aí, pois nas regiões inferiores, onde o erro e os vícios viviam como duplicatas da crosta, tudo está sendo mudado e com muita pressa. De qualquer modo, porém, saiba que o Espiritismo terá que tornar os terrícolas mais sábios e amorosos, sejam os daqui ou os daí, porque ele tem Deus por Fundamento, tem a Lei por Trilha e tem o Cristo por Modelo de Perfeição. Depois de pensar um pouco, perguntou-lhe Pedro: — Espiritismo é, então, o mesmo que Verdade Universal? O Guia-chefe respondeu-lhe: — O nome indica tudo, pois deriva de Espírito. Deus é Espírito e Verdade e assim quer que se tornem seus filhos em geral. O Espiritismo é a Doutrina Excelsa que o Cristo veio legar a toda a carne, por autorização do Pai, do Princípio Sagrado que tudo origina, sustenta e determina. Por isso mesmo, ainda que aconteçam contendas e divergências, a MORAL, o AMOR e a REVELAÇÃO permanecerão acima de todas as contingências, acima de mundos e de formas, porque é a Doutrina da Verdade e não é escrava de mundos e de formas. Tudo quanto deriva de Deus, por mais que pareça relativo e particular, está embutido na infinidade; quanto mais se dirá da Doutrina Integral, que contém em si tudo para jamais passar? Observe que o Espiritismo esteve nos ensinamentos iniciáticos, foi a CHAVE DA VERDADE para todos os Grandes Iniciados, vindo a ser, ainda, a razão de ser da vinda do Cristo ao mundo, pois o Cristo veio para torná-lo generalizado. E se quiser observar ainda outro aspecto da escolástica do Cristo, lembre-se de que Kardec cumpriu fazê-lo atingir diretamente a grande massa, fazê-lo entrar pela simplicidade em todos lares, torná-lo consolador imediato de todos os homens de boas intenções. Note que ele não contém preconceitos, não está fantasiado de bandeirolas mundanas, paira no plano da perfeita generosidade. Procure senti-lo e verá, Pedro, que o Espiritismo é acima de todas as ingerências políticoeconômicas que sustentam e agrilhoam todas as religiões e todos os sectarismos criados à base de cleresias comercialistas e de fetichismos oficializados. — É deveras Lei e Graça, bondoso amigo! — exclamou Pedro, entusiasmado. E o Guia-chefe emendou: — Sendo Lei e Graça, terá que ser Verdade, não é isso mesmo? E sendo Lei, Graça e Verdade, será acima de cogitações humanas. É por isso que, falando quem deveria falar a Kardec, o Codificador, disse que ele triunfará com os homens, apesar dos homens e contra os homens, se for necessário. E isto é simples de entender, pois quando Deus ordena, os Cristos cumprem; e quando os Cristos executam ordens, como poderiam ser prejudicados os desígnios de Deus, a bem da ignorância e dos erros humanos? É por isso que lhe digo, da conveniência de conhecer e de praticar a MORAL, o AMOR e a REVELAÇÃO, pois a ignorância e o erro jamais poderiam honrar a quem quer que seja. Quem se for reconhecendo filho de Deus, que faça o que é devido a filho de Deus. Meio embaraçado, Pedro perguntou-lhe: — Por que, bondoso Guia, os homens acham difícil imitar a Cristo? O Guia-chefe sorriu e respondeu: — Nem poderia ser de menos, irmão Pedro. O Cristo é o Ponto Final da escala evolutiva, é o Ponto de Referência, é o Grau Máximo, é a União Feita. Para lá chegar é aos poucos, é trabalhosamente, é dando ao Divino Posto o valor que de fato encerra. Ele ensinou a lição de todos os tempos, apresentou o resumo da Verdade Integral, apontou o fim da escalada evolutiva. Por isso é que dizemos, irmão Pedro, que Ele não convidou à adoração deste mundo, e sim à renúncia do mundo, a fim de realizar mais depressa o Reino do Céu interior. Um Cristo nunca é um escravo de condições inferiores; é um Espírito Perfeito e convida à Perfeição. Assim devem compreender, para aos poucos irem realizando o Cristo interno. Repito, irmão Pedro, que convém andar devagar e com a devida segurança. A Lei, a Trilha dos Cristos, ensina muito bem como ir vivendo, para lá ir chegando, sem choques e sem precipitações que bem poderiam resultar em atrasos dolorosos. Os reinos e as espécies existem, Pedro, para que a centelha possa ir desabrochando aos poucos, lentamente, seguramente. Meditando mais um pouco, tornou Pedro a perguntar: — Qual o maior entrave à evolução, bondoso Guia? E foi dada a resposta: — Embora sejam muitos os entraves, que dificultam a realização do Cristo interno, temos o EGOÍSMO e o ORGULHO como sendo os maiores inimigos do homem. Estes inimigos é que quase sempre movimentam os outros, fazendo o homem fracassar nos trabalhos internos de edificação crística. Bem podem avaliar a questão, observando que o Cristo, não tendo sequer onde reclinar a cabeça, recebeu a crucificação das mãos daqueles que pareciam feitos de EGOÍSMO e de ORGULHO. MORAL é harmonia, AMOR é sublimação e REVELAÇÃO é fonte informativa; quem quiser, portanto, aprender com o Cristo externo, saberá como se guiar para realizar o Cristo interno. E se bem querem saber, a Lei de Deus não ensina a procurar religião nem a cultivar sectarismo algum; ela quer o homem íntegro, decente, cultivador de seus três sentidos, que são os necessários, que são os intransferíveis. — De qualquer forma, então — considerou Pedro — a evolução terá que ser gradativa? O Guia-chefe concordou: — Os Vedas, que foram os Alicerces da Revelação, já ensinavam assim; e depois deles, todos os Grandes Iniciados obtiveram os mesmos informes através da Revelação, tendo Pitágoras feito maravilhosa obra de concatenação iniciática, toda ela nas mesmas bases. E o Cristo, o Enviado que teve o ESPÍRITO SEM MEDIDA, selou de modo absoluto a verdade que afirma a evolução gradativa das almas. Porém, trate de compreender, se jamais alguém tivesse afirmado tal realidade, nem por isso ela deixaria de ser, porque todas as leis fundamentais derivam de Deus, do Eterno, da Verdade que é por si mesma! E por ser assim, saiba cada filho de Deus que a Verdade lhe é o FUNDAMENTO ÍNTIMO, devendo-lhe ele todo o respeito possível. E que o respeito, todo ele, está contido no Código Divino, que é a Lei de Deus, que é a informação teórica, assim como o Cristo é a exemplificação prática. Aquele, pois, que não souber ir renunciando ao mundo animal e sensual, tanto mais demorará para atingir o Grau Crístico, para ser acima de mundos e de formas. — Vou ler tudo quanto seja possível sobre os Grandes Iniciados! — prometeu Pedro, veemente. — Muito bem, muito bem — falou-lhe o Guia-chefe — porém, não se esqueça, a Verdade Total nunca esteve fora de qualquer filho de Deus, em qualquer tempo e local. Os Grandes Iniciados e o Cristo Inconfundível nada valeriam, como Instrutores da Humanidade, se dissessem estar a Verdade Total fora de tudo e de todos. É bom que leia bastante, é bom que aprenda muito, porém não se esqueça que de fora não virá a LUZ DIVINA! Para Deus e para cada filho Seu, deve prevalecer o senso do ETERNO PRESENTE. Faça tudo pelo seu despertar íntimo, que o Cristo, o Modelo Integral, foi para isso apresentado pelo Céu. Porque muitos são os que se fazem arcas de conhecimento teórico, nada produzindo de prático, nada realizando que mereça respeito, que venha a constituir galardão hierárquico. Fora da Virtude não pode haver grandeza real; e a Virtude nunca poderia ser apenas teórica. Se vai ler os Grandes Iniciados, lembre-se de que o melhor é fazer-se um grande iniciado. E se quer meditar sobre a questão, pense bem nas comunicações espíritas, no que está o Consolador a ensinar, tudo muito prático, tudo muito terra a terra com os ensinamentos da Lei. Por que as obras é que representam o indivíduo. Ninguém se iluda com os engodos religiosistas, com os sacramentos que podem ser comprados e vendidos, porque a Lei de Harmonia não os reconhece de modo algum. Assim mesmo, saiba quem quiser, Iniciados e Cristãos Planetários não fornecem a LUZ DIVINA por encomenda ou à custa de propinas e favores. Cada qual, pois, se inicie e se realize, se quiser vir a ser um espírito luminoso ou glorioso. Deus não é particularista, a Lei não é religiosa e a Justiça Divina não tem afilhados! O chefe da sessão, que presidia aos trabalhos, exclamou, satisfeito: — Que maravilhosa Doutrina! E o Guia-chefe assentiu: — Estamos informados, pelos nossos maiores em hierarquia, que a hora se apresenta, quando a Verdade Interior terá que ser muito mais valorizada do que as verdadezinhas exteriores, que hão feito os monopólios sectários de todos os tempos. É de bom alvitre, portanto, que os homens de boas intenções procurem conhecer, sentir e viver a Verdade Interna, o Pai Divino e Onipresente, antes de irem procurando formalismos exteriorismos pagãos, fetiches e tudo isso que encantou o homem do passado, cego e inculto que era, e por isso mesmo, escravo de manobrismos clericais, de engodos bem caros. Quem quiser saber saiba, que rótulos não convencem a Lei e a Justiça! Onde estiverem os cérebros vazios de verdadeiros conhecimentos, onde estiverem os corações desertos de nobres sentimentos de fraternidade, por certo ali não estará a LUZ DIVINA. Aquilo, pois, que pode ser ou comprado ou vendido, não é aquilo que glorifica o filho diante de Deus e diante de si mesmo. As virtudes que valem, que de fato engrandecem o filho de Deus, são aquelas que brilham de dentro para fora! As outras, aquelas que podem ser compradas ou vendidas, aquelas que são postiças, essas apenas comprometem o espírito. As regiões inferiores do astral, saibam-no, estão abarrotadas de almas que vieram do mundo envoltas em muitos simulacros comprados aos credos, verdadeiras arcas de ritualismos pomposos e caríssimos; entretanto, perante a Lei e a Justiça, tais exterioridades nada representam. Elas sofrerão o peso das culpas, e um dia retornarão ao mundo carnal, para aprender o cultivo da Sabedoria e do Amor, tudo porém de modo simples, humanitário, tal e qual a Lei de Deus ensina e o Divino Modelo exemplifica. As religiões e os sectarismos idólatras e comerciantes, em quase tudo conseguiram iludir os homens; mas não conseguiram iludir a Lei da Harmonia. Vejam, pois, que não haja dolo em seus corações. Séfora, que ouvia e compreendia a seu modo, perguntou-lhe: — Quer ensinar-me um programa certo, um caminho perfeito? E o Guia-chefe esclareceu-a: — Quero, como não! Aguarde que, dentro de alguns dias, dar-lhe-ei um resumo da Lei e do Evangelho; porque a Lei e o Evangelho contém tudo em matéria de Vida, Verdade e Caminho. Apenas, quero que saiba, faremos questão de analisar um pouco, de esmiuçar as lições da Lei e do Evangelho. Aguarde, pois, alguns dias, que escreverei um Código de Verdade, Amor e Justiça, capaz de ofertar elementos de profunda meditação, por conter, em síntese, a sabedoria de todas as Grandes Revelações. Satisfeita, Séfora perguntou: — Ganharei, com esse Código de Verdade, Amor e Justiça, o Reino do Céu? O Guia-chefe advertiu: — Nenhum dos Grandes Iniciados, e muito menos o Cristo Inconfundível pretendeu distribuir a LUZ DIVINA a troco de favores ou de adulações mais ou menos engenhosas. Isso jamais acontecerá. Por conseguinte, vou dar-lhe a CHAVE DA VERDADE, um programa teórico, contendo as bases doutrinárias fundamentais; mas a realização, no templo interior, cumpre a cada um que o venha conhecer. O Céu sempre oferece os elementos em potencial; cada centelha espiritual é um pedacinho do Céu em potencial; mas o desabrochamento cumpre a cada um em si mesmo realizar. E como sei para Quem estamos trabalhando, na continuação dos trabalhos de restauração e consolidação da Excelsa Doutrina, posso afirmar-lhe que o programa será simples, conciso e inderrogável. Para ser compreendido será fácil, mas para ser realizado demandará toda a evolução interior, custará a consumação hierárquica do espírito. — Assim mesmo como acontece com o Modelo Divino? — perguntou o presidente. — Exatamente — respondeu o Guia-chefe — exatamente como acontece com o Divino Modelo, que é fácil de ser conhecido em teoria, mas é difícil de ser realizado na prática. Porque o Código da Verdade, apontando ao homem aquele grau hierárquico supremo, que é acima de mundos e de formas, nunca poderia ser de fácil realização. Ele será como aquele livrinho do capítulo 14 do Apocalipse, que sendo doce na boca, é amargo no ventre... Ele será fácil por fora, mas será difícil por dentro, por causa da iniqüidade, do materialismo que ainda comprime o homem terrícola. Todavia, como o bom senso ordena que se ande com vagar e segurança, os simples e os prudentes i-loão realizando aos poucos, no curso dos tempos e no âmbito das vidas. Algo intrigada, Séfora perguntou-lhe: — Como deverei pensar a respeito da minha religião? Foi-lhe dada a resposta: — Depois de adulta, você poderia usar as fraldas daquela menina de um ano de idade, que já foi? Assim mesmo, pois, é para a frente e para o alto que se deve marchar. A Era dos fetichismos está passando, não está? Ou não compreendeu ainda, irmã Séfora, que estamos ensinando a amar a Deus em Espírito e Verdade, como Ele é e deseja que Seus filhos venham a ser? — Penso que compreendo, bondoso Guia, mas acho difícil o programa — respondeu Séfora. E o Guia-chefe comentou: — Compreendendo ou não, o programa é assim mesmo, é inderrogável e intransferível. Entre o Pai e o filho a distância é de ordem vibratória e terá que ser vencida, custe mais ou custe menos. A marcha para o íntimo, a marcha no rumo do AMOR e da SABEDORIA, deve ser encarada com todo o rigor possível. A Ciência da Unidade, como diziam os Grandes Iniciados, e que foi demonstrada pelo Cristo Inconfundível, deve passar da Idéia para o Fato. Eis a grande questão a se resolver no íntimo, no verdadeiro Reino do Céu, aquele Reino que, como afirmou o Cristo, não virá através da exterioridade, de paganismos bem mal disfarçados, embora muito bem cuidados pelos mercadores da fé. — Vocês são de todo contra as idolatrias? — perguntou-lhe Séfora. O Guia-chefe respondeu: — Compreendemos as fraquezas humanas, porém não perfilhamos o procedimento daqueles que, ficando nas portas do Templo da Verdade, nem entram nem permitem a entrada aos que gostariam de fazê-lo. Estamos falando no presente, mas com vistas à Nova Era, que virá e reclamará dos terrícolas uma conduta muito melhor em matéria de espiritualidade. Podemos afiançar, que o Primeiro Mandamento da Lei, aquele que foi pelo Cristo vivido em glorioso esplendor, virá a custar muito caro a muitos irmãos nossos. Quem quiser saber saiba, que os tempos chegam e a Lei terá de ser observada, terá que ser executada. Para cada Era o seu devido comportamento, para cada idade evolutiva a sua conseqüente obrigação. A Humanidade está sendo instruída pelo Consolador, pelo batismo de Espírito; queira ou não, goste ou não, irá sendo mais responsável, terá que responder por aquilo que veio a saber. Pedro consultou-o: — Viremos a ter, de fato, a separação entre cabritos e ovelhas? O Guia respondeu-lhe: — Lembro o seguinte: o que nos importa não é o problema do homem terrícola. A nossa palavra é de ordem cósmica, é de caráter universal. O tempo urge que o homem pense em termos da realidade cósmica, que se considere parte integrante do Cosmo. Portanto, quem não realizar na Terra o seu programa crístico, terá que fazê-lo noutro lugar, seja lá onde quer que seja. A lei das migrações interplanetárias não nos causa espécie, ela sempre existiu e fez a sua parte na vastidão do Cosmo. Nosso prazer será, portanto, que os filhos de Deus, habitantes da Terra, venham a merecer as Eras futuras, os dias de Luz e de Glória que a Terra virá a ostentar. Qualquer inteligência poderá entender isto perfeitamente: uma vez que não é possível derrogar e transferir a Lei de Harmonia, melhor é que se lhe dê a mais fiel observância. Ser deslocado, saibam, por desobediência à Lei, custa sempre muito caro! Alguém de muito alta esfera, que falava através do Guia-chefe, avisou-o da hora, do trabalho que restava executar. E foi assim que ele se despediu, prometendo enviar o Código de Verdade, Amor e Justiça, um resumo de todas as Verdades Reveladas, para que Séfora tivesse, em poucas linhas, muitos e profundos princípios em que meditar, para se ir tornando cristã na prática, nas obras de cada dia. Depois, havendo reunião, através dela mesma ele escreveu o que segue. EXTRATO DOUTRINÁRIO
O extrato que se vai ler representa tudo quanto foi até hoje revelado em matéria espiritualista; é a súmula de todas as Grandes Revelações. Portanto, cada leitor, segundo o seu grau de cultura espiritual e de intuição, penetrará mais ou menos no Templo da Sabedoria, com a leitura que irá fazer. Ler e meditar, tal é a ordem a seguir, porque o envolvimento forçará a compreensão, a penetração cada vez mais ampla e profunda. Assim é a síntese — ler para compreender e compreender para ler melhor, a fim de extrair todo o conteúdo possível das chaves do conhecimento. Da Origem, do Processo Evolutivo e da Sagrada Finalidade da Vida.
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.