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Capítulo 11 de 13
X X X — parte 2 de 3
Bezerra de Menezes e Narrativa Iniciática · Osvaldo Polidoro
Pode-se conhecer o grau de adiantamento de um mundo, de sua Humanidade, pelo processo de trabalho que nele funciona. Em nenhum mundo superior o trabalho representa sacrifício, porque ninguém abusa do direito nem do dever de trabalhar e de fazer trabalhar. O trabalho não serve de explorador do indivíduo nem da coletividade, porque extrair, elaborar, dividir e consumir toma a feição de ato religioso, de atuação espiritual, de oblata ao sagrado direito da vida. A Terra é o mundo em que os irmãos, por causa dos rudimentos do mundo, das riquezas passageiras, se esfolam e se marcam tristemente perante as leis de Causa e Efeito. Na Terra trabalhar não é participar do honroso fenômeno de viver, porque pouco ou nada sabem os seus habitantes, sobre a Origem Divina, o Processo Evolutivo e a Sagrada Finalidade da Vida. Na Terra ainda tomam os bens exteriores como principais, esquecendo por isso mesmo, que no túmulo cessam as riquezas do mundo e começam a funcionar rigorosamente as responsabilidades adquiridas. Um minuto depois da morte empregados e patrões nada mais são, sem ser filhos de Deus, irmãos que terão ou não cumprido bem com a função de viver no plano carnal. Cessa tudo quanto é formal e grosseiro, mas ficam de pé as responsabilidades.
Quando se fala em mundos e em formas, trata-se de bancos escolares, nada mais nada menos. Condições e posições representam oportunidades de aprendizados e de aperfeiçoamentos. Através dos mundos e das formas o espírito aprende a valorizar o Emanador, a Emanação, as Virtudes e as Leis Regentes. É importante não esquecer esta realidade, porque ninguém atinge o Grau Crístico sem passar pela prova dos mundos e das formas. E tudo isso representa apenas programa de trabalho, pois é impossível haver evolução espiritual sem a intervenção do trabalho. Logo, nunca se encare o trabalho como oportunidade de uns explorarem a outros, de uns fazerem de outros apenas escravos ou objeto de prevenções criminosas.
Do ponto de vista material, do meio-ambiente onde o espírito deve movimentar os seus poderes e as suas virtudes latentes, a Fortuna é a Terra, o Capital é o Trabalho e o Patrão é o Espírito já Humanizado. Quando todos souberem honrar a função de viver, de participar da Ordem Divina, o Trabalho será uma oração e os bens derivantes do Trabalho sobrarão para todos. A Natureza doada por Deus, aos filhos terrestres, é para lá de pródiga. Não sejam miseráveis de espírito os homens, que a miséria a ninguém atingirá, nem a pobres nem a ricos, nem do plano carnal nem no mundo espiritual, para onde passam as contas que sobram do mundo; contas que jamais deixarão de sobrar, pois o plano material tem fim, mas o espírito nunca terá, ficará sempre para responder pela sua conduta.
ESPIRITISMO — Já dissemos o que foram as Iniciações Antigas, o trabalho dos Budas, de Rama, dos Vedas, de Hermes, de Cristo, de Moisés, de Zoroastro, de Orfeu, etc. Já expusemos o Cristo Inconfundível, o Exemplo da Lei vivida e a Expressão Perfeita do ponto a que deve atingir o espírito, e da sublimação da matéria, da física e da astral, totalmente comandadas pelo espírito divinizado. Por ser o Cristianismo a Lei Vivida, é Moral, é Amor e é Revelação.
Assim foi que viveu o Cristianismo, a Excelsa Doutrina, até o ano trezentos e vinte e cinco, quando foi corrompido pelo Império Romano, a quem a Moral, o Amor e a Revelação não poderiam interessar de maneira alguma. Houve, pois, dali em diante, perfeito predomínio das trevas sobre o mundo ocidental. Em nome de Deus, do Cristo e da Verdade, todos os erros foram cometidos, temporais e religiosos.
Não foi por acaso, não foi pelo gosto de um Império despótico e sanguinário que a Excelsa Doutrina se viu constrangida e logo mais liquidada; tudo acontecera por força da lei de Causa e Efeito, ou em conseqüência dos martírios sofridos pelo Precursor, pelo Cristo e Seus seguidores. O crime gera crimes, os atos jamais esquecidos, bons ou ruins. Foi pura questão cármica a vinda de toda a corrupção, de tudo quanto, surtiu da cidade dos sete montes.
E com o vencimento dos tempos, surge a hora da reposição das coisas no lugar, aparecem no mundo os trabalhadores da restauração. Depois do grande conclave do século quatorze, presidido pelo Cristo Planetário, vieram ao mundo aqueles reformadores que se chamaram Wicliff, João Huss, Lutero, Giordano Bruno; eles deviam abrir caminho por entre os dogmas, eles deviam enfrentar a inquisição, eles dariam a vida para conseguir a liberdade de culto e a tradução dos Livros Sagrados, a fim de que, na hora precisa, a maior eclosão mediúnica se desse na história do Planeta.
Depois de conseguidas as bases, depois de amadurecidas as idéias, voltam os missionários da restauração à carne, arrastando após de si o grande Pentecoste, a volta do batismo de espírito. Aquilo que o século dezenove observou, aquilo que é o Espiritismo, estabelecido sobre a eclosão mediúnica e organizado à custa dos informes advindos através da comunicabilidade dos espíritos, isso tudo foi motivado pela ordem dada por Jesus; foi o trabalho em curso, assim como o está sendo, que resultou na Codificação, do mesmo modo como se irá completando, pois Kardec não poderia ter feito mais do que lançar as linhas basilares da restauração. Elas repousam na MORAL, no AMOR e na REVELAÇÃO, nos três sentidos da Lei de Deus, do Código Fundamental, de que um só ceitil jamais deixará de ter cumprimento, porque os mundos poderão passar, mas a MORAL, o AMOR e a REVELAÇÃO nunca passarão.
MEDIUNISMO — Sem haver o mediunismo, a comunicabilidade dos espíritos, como poderia haver o Espiritismo? Quem poderia dizer, ao certo, de quando data a comunicabilidade dos espíritos? Em conseqüência dessa realidade, pois o mediunismo tanto pode ser exercitado a favor como contra a Lei de Harmonia, surgiu a Codificação da Doutrina, para que a REVELAÇÃO nunca fosse cultivada à margem da MORAL e do AMOR. Espiritismo é mediunismo cultivado em bases de amor e de moralidade, isto é, em caracteres evangélicos, uma vez que o Exemplo do Cristo é a Lei de Deus dinamizada. Quem se dispuser a cultivar a REVELAÇÃO, que o faça em termos de MORAL e de AMOR, pois do contrário ficará sujeito ao predomínio dos elementos trevosos. Nem tudo deve servir aos homens de boas intenções!
CRISTIFICAÇÃO — A evolução é, em princípio, automática. Isto é, começa obedecendo às leis de impulsão natural, onde prevalecem os automatismos, primeiro inconscientes e depois instintivos, transitando daí para a razão, para enfim ir surgindo nas alturas da intuição. Cristificação é o nome total da evolução, do começo ao fim; porém, cumpre assinalar, é mais próprio chamar de processo de cristificação ao período consciente, ou aquele que começa a vigorar com a entrada na espécie humana, quando vem de tomar conhecimento da Lei de Deus. Antes não havia responsabilidade MORAL, mas depois começou a haver. Isto é, na razão direta em que foi se tornando CONHECEDOR, passou a ser mais responsável. Para o espírito encarnado, o Primeiro Mandamento é a súmula da Lei, porque amar a Deus em Espírito e Verdade significa estar integrado na condição de plena espiritualidade, significa ter atingido o Grau Crístico. Os Livros Sagrados ou Evangelhos, nunca podem ser mais do que análise da Lei de Deus. É importante saber isto, para não cair em falhas e contradições até mesmo ridículas. Porque, em verdade, há muita gente que se julga sábia, que joga bem com a pedra contraditória a si mesma enganando e aos incautos também, sem se aperceber do ridículo em que milita, sem tomar conhecimento das responsabilidades que amealha, pois toda e qualquer contradição é obra de truncamento, é serviço prejudicial a evolução das almas. E quem prejudica a evolução, a entrada do Conhecimento da Verdade, certamente por isso responderá. No Divino Modelo não houve contradição, nem para nascer, nem para viver, nem para obrar sinais e prodígios, nem para morrer na cruz nem para ressurgir dos mortos. O mediunismo sem medida andou em tudo, para fazer conhecer até onde pôde o desenvolvimento íntimo elevar o filho de Deus.
O ESPÍRITO DE DEUS — No profetismo, assim se chamava ao dom mediúnico. Aquele que era médium, como agora se diz ou chama, diziam dele que tinha o Espírito de Deus ou que tomava parte no Poder Divino, por isso mesmo que era filtro da Vontade de Deus. Espírito Santo e Espírito da Verdade, tanto foi o nome aplicado à mediunidade como aos espíritos comunicantes. A maioria dos Escritores Sacros, tanto do Velho como do Novo Testamento, chama anjos aos espíritos comunicantes. Outros dizem apenas espírito, dizendo outros que eram espíritos santos. Entretanto, mediunidade é uma coisa e espíritos comunicantes é outra. Quanto ao Espírito Sem Medida, de que Jesus fora o Único Anunciado a ser dele portador, trata-se da mediunidade. Aquele que veio dar feição generalizada ao cultivo da Revelação, e que veio representar o filho cristificado, senhor da matéria e não escravo da matéria, veio com o dom mediúnico sem medida, porque a isso todos os filhos de Deus chegarão, por desenvolvimento ou evolução. Caso contrário, seria tudo, menos Divino Modelo.
O ESPIRITISMO PERANTE A BÍBLIA — Três fatores preponderantes apresentam toda a Revelação: espíritos encarnados, espíritos desencarnados e mediunidade. Se for agradável a alguém dizer que o Espiritismo é a Revelação, o fenômeno da comunicabilidade dos espíritos desencarnados, então o Espiritismo data de quando data a Humanidade. Seja como for, o Espiritismo é a Chave das Revelações, de todas elas e não apenas desta ou daquela, pois a mediunidade, os encarnados e os desencarnados andaram sempre de parceria em todas as Grandes Revelações. Sendo a Lei de Deus a Matriz dos Livros Sagrados, pelo fato de ter fundamento na Moral, no Amor e na Revelação, ela mesma dá provas de tudo quanto afirmamos, tanto bastando, para isso, que cada filho de Deus se faça cultivador de seus três sentidos. Demais, se Jesus fez dela a Sua trilha, o Seu roteiro, por que os Seus tutelandos não poderão fazêlo? Serão, acaso, mais do que o Paradigma?
CONTRADIÇÕES — A bibliografia mediúnica está empanturrada de contradições. Cada comunicante, tendo lá os seus conceitos próprios, por ser imperfeito, vai fazendo deles distribuição. Quem os ler, que saiba ficar de sobreaviso, pois falam pessoalmente e não em nome de Deus ou da Diretoria Planetária. Em Deus e no Cristo não existem contradições; mas nos homens e nos espíritos comunicantes sobram as contradições. Cumpre, pois, aprender com Paulo aquela grande lição, que manda ficar com o que é bom, dispensando o restante. Não é muito difícil fazer isso, já que no Cristo temos o Modelo Perfeito e na Lei temos os fundamentos doutrinários.Afinal de contas, sabem até que ponto poderão subir as contradições, desde que se lhes dê bastante apoio?
A GRANDE VERDADE — A grande verdade é que, cada filho de Deus, cada mônada espiritual, deve tornar-se um Cristo, por desenvolvimento íntimo. O Védico- Hermetismo já ensinava isso muito bem, tendo Pitágoras sido o grande expositor dessa realidade. O Cristo Inconfundível, o derramador do espírito sobre a carne, e Aquele que veio representar a Medida Integral, espiritual e materialmente, deu-lhe integral apoio. Como trilha a seguir, todos recomendaram Amor e Sabedoria. Ainda que, por qualquer circunstância, quisesse alguém negar essa grande verdade, de nada aproveitaria, de nada adiantaria, porque contra Deus nada pode prevalecer. Assim é pela Vontade de Deus, assim convém saber e realizar.
A ORDEM QUE FORA TRANSMITIDA — Todos os movimentos de grande alcance, aqueles que fazem mudar a feição do mundo, têm origem nas ordens que emanam do Plano Diretor, atingindo a Humanidade encarnada por meio dos escalões hierárquicos, das ordens inferiores, que a ela se encontram ligadas. A ordem que vem do Alto, naturalmente se estende pelas esferas inferiores, penetra os recantos do mundo astral ligado à crosta e a seguir invade a própria crosta.
Reunidos os Imediatos do Senhor, foi ordenado que se conjugassem os esforços, a fim de que todas as Grandes Revelações se unissem, para se apresentarem como REVELAÇÃO INTEGRAL, tendo por base os três sentidos da Lei, da Matriz dos Livros Sagrados, que são a MORAL, o AMOR e a REVELAÇÃO, a fim que, de ora em diante, toda a carne venha a se integrar nos domínios da Harmonia, do Amor e da Sabedoria.
Assim foi que, reunidos os Grandes Iniciados, como os chamam, sob a direção Magnânima do Cristo Planetário, os mesmos foram induzidos a programar a grande e inadiável unificação, apresentando a Doutrina Integral, amalgamando todas as Revelações em uma só Divina Revelação. E como da Lei nenhum ceitil jamais passará, mesmo que passem os mundos e as formas, foi então iniciado o movimento, nos Altos Planos da Vida, a fim de se irem realizando, na face da Terra e nas esferas astrais mais próximas, o programa de unificação, de aglutinação doutrinária.
A maior, a Verdade que livra, é aquela Verdade que se encontra no imo da cada filho de Deus, de cada mônada espiritual; porque o espírito em si mesmo deve evoluir, deve atingir aquele brilho que está muito acima de qualquer outro, que nenhum sol do Universo pode igualar! A LUZ DIVINA, que é o brilho da mônada evoluída, somente pelo espírito pode ser refletida! É a Luz do Grau Crístico! Espiritismo não é uma Doutrina, pelo fato de haver sido Codificado; diga-se, antes, que ela foi codificada pelo fato de ser a Verdade em expressão doutrinária. Se o Cristo Inconfundível, tantas vezes disse que a Doutrina vinha do Pai e não Dele, muito mais ainda assinalou o Codificador, o Elias que devia vir repor as coisas no lugar, que apenas fora o secretário dos Espíritos Reveladores. Cumpre não confundir a Verdade em si com o trabalho do seu expositor; o expositor existe em função da Verdade e não a Verdade em função do expositor. Assim como o Cristo Se colocou na posição de servo da Verdade, assim mesmo agiu o Codificador, ao apresentar o trabalho dos Espíritos Reveladores.
Quer seja, pois, falando aos bem intencionados, como aos mal intencionados, a realidade é que, através da mediunidade, o mundo espiritual continuará forçando o homem ao conhecimento das leis universais ou gerais. Ninguém irá deter a marcha dos contatos mediúnicos, da Revelação, dela que sempre foi, assim como é e nunca deixará de ser, o Alicerce da Verdade Revelada. Para eliminar o Espiritismo, a alma das Revelações,seria necessário eliminar todos os Grandes Iniciados, terminando por eliminar o Cristo, Aquele que veio com o poder revelacionista SEM MEDIDA, a fim de tornar toda a carne herdeira da Graça Consoladora.
Conseqüentemente, na hora em que as legiões do Senhor Planetário trabalham para unificar os homens no seio da Verdade, pelo conhecimento das leis fundamentais, seria bom que os homens, por medida de prudência, tivessem em mente todos os Grandes Mestres, todos os que se revelaram mais pelos valores da iluminação interna, conjugando esforços no sentido de espalhar a Luz da Verdade a todos os homens de boa vontade. A Era que vem uma nova responsabilidade também trará. Como rótulos e aparências não prevalecem em face da Lei da Harmonia, melhor será que cada um procure a Verdade acima de tudo, esquecendo facções, títulos e aparatos exteriores. Aquilo que finda no túmulo, certamente não edifica no Céu! E nós temos visto, muito e muito, que aqueles menos luzentes por dentro, são precisamente os que mais fazem questão de aparentar por fora...
LEI DE HIERARQUIA — Dela ninguém se desligará, porque a evolução é lei comum, abrange a tudo e a todos. Cumpre saber que é para Cima e para a Frente que se deve marchar. Entretanto, através do mediunismo, por mal compreender certas leis, é grande o número dos que se usam ou se empregam mal, procurando ligações com os planos inferiores, nem sempre para atrair seus elementos ao conhecimento e ao cultivo da Lei de Deus, ou do Exemplo Vivo do Cristo. Se é certo que para cada trabalhador há o seu trabalho, e para cada trabalho o seu trabalhador, muito mais certo é que a Lei de Deus nunca passará. E tanto mais a MORAL e o AMOR representarão maior soma de responsabilidades, quanto mais o filho de Deus se entregar ao cultivo da REVELAÇÃO. Quem mais conhece e emprega leis, tanto mais se faz responsável. Cogitar de cultivos mediúnicos corresponde, portanto, a aumentar a soma das responsabilidades.
Não nos enviaram a fim de falar aos religiosos do mundo; mandaram falar a linguagem da MORAL, do AMOR e da REVELAÇÃO, sem pensar sequer nos interesses subalternos, quer seja dos senhores de credos, quer seja dos escravos de fanatismo sectários. Desde remotos dias, bem sabes, a mediunidade vem estando entre os homens encarnados e desencarnados, vem prestando o seu trabalho informativo; e se alguns a fizeram parecer sectária, aqui estamos para dizer que ela mesma jamais o foi, não é e nunca será. Seja fiel o trabalhador, e verá que a ferramenta é de todo cheia de Lei, de Graça e de Verdade.
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.