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Capítulo 8 de 13

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Bezerra de Menezes e Narrativa Iniciática · Osvaldo Polidoro

Enquanto lá naquela região escura, tenebrosa, uma boa conversação transformava um espírito rebelde e vingativo em dócil e amigo do seu próprio bem, na casa da fazenda o grupo trabalhava, ia dando execução ao programa de serviços. É que um dos Guias fora lhe dizer que prosseguissem nos trabalhos, porque Joaquim teria de ouvir muito, antes de se dar por bem intencionado para com a Vontade de Deus. E como era natural acontecer, assim que Séfora se pilhara melhor, começou a discorrer sobre o seu mal, comentando como podia; isto é, dando ao fato a interpretação que lhe era possível, dado o pouco que sabia e o muito que ignorava. E lá surgiu então, a questão entre ela e a cozinheira, por causa de visitá-la durante a noite, dizendo-lhe ser o seu mal, de todo, espiritual. E o Guia presente explicou-lhe: — Sendo a cozinheira bastante consciente e muito médium, durante a dormida do corpo seu espírito agia, procurando fazê-la conhecer a causa do mal. Era em espírito que a visitava, não em carne e ossos, como supunha. Séfora, entretanto, dava prova de nenhuma sabedoria espiritual, de inteira insuficiência em matéria de conhecimento iniciático: — Tudo isso é muito confuso! Creio que nasci para tudo, menos para isso! Bondoso, o Guia presente continuava a ensinar: — A comunicabilidade dos espíritos, irmã Séfora, ou o Espiritismo, sempre esteve nos fundamentos de todas as Verdades Reveladas, de todas as Revelações Iniciáticas. Se não fossem os Grandes Médiuns, onde estariam as Bíblias da Humanidade? E isto que agora presencia, que é senão Espiritismo? Quanto ao mal de que tem sofrido, que é, mais do que um caso de mediunidade mal cuidada? Ela interveio, afirmando: — É muito diferente do que ensina a minha religião! O Guia presente retrucou-lhe: — Os tolos buscam a religião, enquanto os inteligentes procuram conhecer a Verdade que liberta. Quando Maria foi visitada por Gabriel, que lhe anunciou ter ela que vir a ser a Mãe de Jesus, não começou ela a negar a Sabedoria de Deus, para afirmar as pagodeiras levíticas ou as maquinações farisáicas. E no alto do Tabor, frente ao Cristo espírito e diante de Moisés e de Elias, não se deram os Apóstolos a discutir problemas de liturgia comercialista. Pelo contrário, entregaram-se à Soberana Vontade de Deus, reconhecendo que as religiões podem ser feitas e desfeitas pelos homens, enquanto que a MORAL, o AMOR e a REVELAÇÃO pairam acima dos conchavismos humanos, existem pela Vontade de Deus e jamais passarão. Como ela ficasse calada, o Guia presente aconselhou-a: — Já que é professora, que tem um certo fundo de conhecimento, procure aprender um pouco de Sabedoria Divina, que se encontra na Criação, para saber respeitar a mesma Sabedoria Divina e vir a ser melhor para consigo mesma. Faça o que puder a bem da Verdade que livra, que somente isso é verdadeiramente culto religioso. E para conhecer a Verdade que livra, terá que conhecer a MORAL, o AMOR e a REVELAÇÃO. Isto é, terá que respeitar nas obras os três sentidos da Lei de Deus. Quanto ao conselho bom, tome-o do Cristo, que também assim agiu, pois fora da Lei de Deus não existem Cristos nem criaturas decentes. A Lei, por causa de seus três sentidos fundamentais, sempre foi Matriz dos Livros Sagrados, sempre foi Trilha dos Grandes Enviados.

Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.