Voltar ao livro Amor e Saudade

Capítulo 4 de 31

Mensagem de Adilson Gonzaga Pezzini

Amor e Saudade · Chico Xavier, espíritos diversos

Querida Mãezinha e Papai Luiz: Estou presente em companhia do meu avô Prudente Barbosa, que me trouxe, informando que os pais queridos esperavam informações a meu respeito. Mãezinha querida e querido papai; compreendo que as nossas dificuldades não foram pequenas. Tantos sonhos se desfizeram de uma só vez, qual se fôssemos atingidos por uma bomba de destruição. Lembro-me de tudo. Aquelas nossas esperanças de um diploma na Engenharia Nucelar, aqueles planos de volta aos Estados Unidos, a fim de aperfeiçoar-me nos estudos, tudo aquilo que eu desejaria ter sido para meu pai, no companheiro que ele sempre aguardou de minha presença e todos aqueles projetos de amor e família que eu e mamãe arquitetávamos, caíram de imprevisto, à frente de um carro em disparada. Saíra com o Paulo e conversávamos sobre as nossas atividades no Objetivo, quando falei ao colega da necessidade de regresso a casa. Preparei-me. Eu que tanto me preservava contra acidentes que chegavam a me preocupar especialmente com a mamãe, aconselhando-a a tornar-se mais atenta e vigilante quando nas vias públicas, acreditei que a Avenida estivesse com o movimento reduzido e quase ao tomar o ônibus para a nossa casa na Conde de Sazerdas, um carro bege se precipitou sobre mim.

Nada mais me ficou na memória, senão a cor do veículo, porque me senti cortado de vários modos com uma sensação de sofrimento impossível de descrever. Escutei gritos, petições de socorro... Imaginei como seria reconfortante para eu voltar aos pais queridos, a fim de me tranqüilizar. Achava-me consciente, no entanto, não mais controlava os meus impulsos. Colocaram-me dentro de um veículo que suponho fosse uma ambulância, porque não dispunha de forças para verificar o que me ocorria. Escutei vozes, afirmando que seria conduzido a um Pronto-Socorro e nada podia opor ao que desejassem fazer de mim... Lembrei-me da oração e recordei as preces da Mamãe Domingas, quando me acalentava de pequenino. Concentrei-me em Deus e lembrei as imagens de

Jesus que a Mãezinha me apresentava para que eu tivesse confiança no Céu, e confessolhes que chorei, não de revolta, mas porque a impossibilidade de voltar a casa era ali manifesta. Passei de maca para outra maca, na qual me conduziram ao Hospital Santa Paula, segundo ouvia dizer em torno de mim. Pensei que Jesus estaria satisfeito com a minha conformação, lembrando os ensinamentos da Mamãe, em nosso recinto doméstico, e esperei, reconhecendo que continuava a perder sangue. Mas de um médico me observava com bondade, iniciando tamponagens aqui e ali, quando vi que as paredes se transformavam... O ambiente desaparecia, mas expressei em oração um pedido a Deus, no qual rogava não permitisse me retirar dali, enquanto não soubesse de meus pais perto de mim... Uma força vigorosa me sustentava... Escutei um médico sensibilizado a dizer para outro que as minhas possibilidades de sobrevivência haviam terminado... Realmente, procurei movimentar as pálpebras e não consegui. Tentei levantar algum dedo das mãos, entretanto, isso também não me foi possível.

Por alguns minutos estivesse assim, atirado a uma inércia que não sei definir, quando ouvi um tanto longe, a voz da Mamãe a chamar-me: Meu filho, meu filho. Bastou ouvir essas palavras e quero contar ao Papai Luiz que uma paz enorme veio a mim... De pensamento firme na atenção, notei que uma névoa me envolvia todo o corpo. Não mais ouvi alguém e nem senti mais qualquer dor. Do seio daquele lençol, fluído e movente e destacou um rosto com expressão de bondade e entendimento. Depois daquela face amiga, duas mãos me acariciaram e eu, então, dormi... Só mais tarde vim, a saber, que o vovô Prudente me viera buscar para novo lugar de saúde, em que despertei, crendo que seria objeto de tratamento cirúrgico especial, num Instituto da Terra mesmo... No entanto, com paciência e carinho, meu avô me apresentou as duas senhoras que me auxiliaram. Devia chamá-las por vovó Mariana Custódia e por Vovó Ida... Porque ainda indagasse por esclarecimentos mais explicativos, o vovô, com um sorriso permanente, me deu a conta de minha situação.

Perdera o corpo transitório e estava ali no corpo verdadeiro... Devia conformar-me. Qualquer impaciência de minha parte doeria em meus pais, aumentando-lhes a dor. Foi o momento em que me detive nas instruções de meu pai. Não devia apavorar-me em circunstância alguma. Nascera homem e na condição de homem deveria viver forte e em calma, fossem quais fossem os acontecimentos. O meu tratamento de recuperação foi breve e, em companhia de vovó Mariana, pude regressar ao nosso ninho doméstico. Vi os pais queridos chorando, desolados... Tudo tristeza onde reinaram tantas alegrias! Quantos dias haviam decorrido até a data em que os revia? Ainda não sei dizer... Venho, porém, agora até aqui perdir-lhes aceitação das Leis de Deus. Pai querido, a sua bondade não me perdeu. Estaremos mais juntos. E a Mamãe e a tia Olívia terão em mim um companheiro mais constante. Ainda estou em fase de transição, mas estou bem. Saudade é o único empecilho que me experimenta a capacidade de suportar...

Entretanto, rogo aos pais queridos não perderem a esperança e a alegria. Deus nos ofertará outros meios de agir e servir. Mãezinha, recorde os filhos de outras mães que não puderam ficar na Terra. Eles são muitos. Sentem vontade de tomar refeições em horas certas e precisam se agasalhar. Essas mães que vieram para cá igualmente não morreram e saberão ser agradecidas ao esforço que meus queridos pais consigam desenvolver, em favor de alguma criança desvalida. Não precisam refletir em obras gigantes. Um menino que se veja amparado é uma viga de trabalho para o futuro. Digo isso, Mamãe porque não a desejamos chorando tanto... Reconheço que a saudade nos obriga a chorar, mas espero que as nossas lágrimas incluam agradecimentos a Deus, porque se as Leis de Deus me afastaram do corpo, quando mais sonhávamos com o futuro, isso quer dizer que Deus nos enviou o melhor. Se não devia sair futuramente do Brasil, é porque isso talvez não fosse útil para nós. Presentemente disponho de tempo e decisão para estarmos mais unidos, tanto quanto nos seja possível.

Mãe querida e querido Papai Luiz, o tempo escorre de nossos dedos. Não devo tomar mais tempo, a fim de relatar-lhes pormenores que não interessam. Dei o meu recado. Falei de mim e pude abraça-los. Diz o Vovô Prudente que devo estar satisfeito. E estou, porque preciso aprender a ser calmo e útil. Papai Luiz e querida Mãezinha, desejo que saibam da continuidade do meu amor e do meu carinho. Amo aos dois cada vez mais e como sempre, serei o traço de união a reuni-los comigo para sempre. Não estou sabendo finalizar esta carta. Tenho o gosto de lágrimas na garganta. Creiam que é saudade, uma saudade muito grande dos pais que amo tanto, mas Deus tudo remediará e continuaremos a ser felizes. Querido Papai Luiz e Querida Mãezinha, pedindo-lhes para que me abençoem; beija-lhes as mãos queridas, o filho que lhes pertence, Adilson. ADILSON. ** futuro”.

“Um menino que se veja amparado é uma viga de trabalho para o ADILSON GONZAGA PEZZINI. ** AGRADECIMENTOS A dor nos faz compreender quanto ausente se esta de Deus, e foi por ela que procuramos o abençoado Francisco Cândido Xavier, que nos restituiu a confiança e a fé no futuro de nossas vidas. Adilson continua conosco, sempre vivo. O agradecimento da família Pezzini.

** Da Obra “AMOR E SAUDADE” –AUTORES: ESPÍRITOS DIVERSOS – Psicografia: FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER/ Rubens Silvio Germinhasi Digitado por: Lúcia Aydir.

Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.