[user_registration_my_account]
Capítulo 18 de 31
Mensagem de
Amor e Saudade · Chico Xavier, espíritos diversos
MARCOS CEZAR MAYO
Querida Mãezinha Elza e querido papai Manoel; peço-lhes para que me abençoem. Desde aquela noite de abril do ano passado; venho buscando meios de me comunicar com a família, mas as dificuldades com que fui defrontado não foram poucas. Não sei por que, mas, desde o momento em que ouvi tiros e que um dos projéteis me alcançou, quando voltava de uma festinha de amigos, quis ardentemente falar-lhes. Desejava explicar que não dera motivo algum para a agressão que me tomava de súbito, no entanto, tive a impressão de que as minhas forças se escoavam através de feridas abertas. Mãezinha Elza, aquele foi um momento em que me tornei novamente criança para lhe escutar as preces e recordar-lhe as palavras em torno de Jesus. A vida começa no jardim do lar, em cujo ambiente nos organizamos para a conquista do melhor para cada um de nós, entretanto, o tempo vai soterrando em nosso coração as lembranças que parecem extintas, ante a necessidade de enfrentar outros problemas.
As suas orações, querida Mamãe, foram a minha companhia naqueles longos minutos de expectativa e sofrimento, Como desejei retornar à infância para revêla a procurar saber o nosso comportamento pelos olhos que eu pudesse apresentar... No entanto, ali me achava a sós, sob a noite como se devesse aprender que o Céu é o Templo da Natureza acordando-nos para os deveres mais simples da vida... Isso aconteceu por minutos, até que passei do nosso da superfície ao sono profundo, no qual se me apagaram todas as recordações. O que sucedeu, ainda não sei. Lembro-me apenas de que fui alvejado e caíra num desmaio de que não consegui me desvencilhar. Mas, despertando, encontrei a simpática figura de mulher que me determinou chamá-la por Vovó Ana e que me vem tratando com muito amor! E com lágrimas, vim, a saber, que fora demitido da experiência física pelos tiros de um amigo anônimo e, então, traumatizado, chorei, não
por dores que eu não estava sentindo, e sim por papai, cuja sensibilidade conheço tão bem. Comovi-me ao ver a nossa casa com que a se desmantelar. Esforcei-me em vão para reconforta-los, mas não encontrei possibilidade imediata para isso. O pranto da Mamãe Elza caía sobre a feição de fogo que me requeimava o coração. Encontrei o papai prostrado, pensando em morrer e os irmãos algo desorientados, indagando o porquê... A luta tem sido grande para enxugar-lhes o pranto e venho pedir-lhes coragem e fé em Deus. Desvelou-se a Vovó Ana e o querido Avô Manuel que também se nos agrupou à equipe de reconforto. Pais queridos; sei que lhes doeu profundamente o golpe desferido contra nós, mas venho rogar-lhes paciência e serenidade. Tudo tem uma causa e a Misericórdia Divina não nos permitiria sofrer sem finalidade justa. Se é verdade que fui compelido a perder a existência, longe de casa, a Vovó Ana me convidou a atenção para Jesus que também foi sacrificado ante os Céus, sem qualquer proteção.
Tenho refletido bastante e noto que as minhas idéias de rapaz amadureceram um tanto. Peço-lhes não procurarem pelo autor ou autores dos disparos, pois todos somos filhos do mesmo Pai e devemos acatar o que me aconteceu com a serenidade de quem se conhece igualmente carregado de fraquezas como sucede a qualquer um. Estou melhorando e a qualquer momento, obterei a licença devida para trabalhar e começarei, com a Graça de Deus, por nossa casa e em seguida, espero forças para auxiliar aos nossos companheiros desorientados aos quais fiquei devendo o testemunho da compreensão que Jesus nos ensinou. Agradeço pelo fato de não procurarem qualquer justificação em meu favor, porque não desejo incriminar a ninguém. Vínhamos despreocupados de uma festa em família amiga e não quero ter a idéia de quem sejam os autores do atentado de que fomos vítimas, porquanto, preciso estudar antes como me comportarei para prestar-lhes a assistência que eu possa desenvolver.
Estou na fase de quem aceita progressivamente a verdade para trata-la com amor, e sou muito grato ao silêncio que puderem fazer em derredor do assunto, considerando que também eu sou humano e suscetível de erros difíceis de reparar. Creiam os queridos pais, e os meus irmãos Gerson e Lílian que poderíamos sofrer talvez demasiado se fosse eu a pessoa que desrespeitasse a vida dos meus semelhantes. Felizmente, isso não aconteceu e peço-lhes orações em auxílio porque desejo efetivamente ser útil aos companheiros que me alvejaram, e desejo encontra-los na condição de irmão e servidor. Quantos irmãos; temos no mundo; mergulhados em delinquência, perturbados e infelizes? Quantos não tiveram o lar querido em que nasci e resvalaram para a loucura, terminando reclusos em penitenciárias de reparação e dor? Agradecemos a Deus a nossa consciência tranqüila e saibam que estou procedendo e querendo proceder com a retidão e com a generosidade que o papai Manoel e a Mãezinha Elza me ensinaram para vencer na vida.
Compreendo tudo isso e agradeço-lhes o bem que me ensinaram e o esforço que despenderam a fim de me afastarem do mal. Venho até aqui, no intuito não só de reconforta-los com as minhas notícias simples, mas também para afirmar-lhes que não me esqueci de todos os ensinamentos de amor ao próximo recebidos em casa. Graças a Deus, não tenho motivos para queixar-me. Dizem-me a Vovó Ana e o Avô Manoel que a caridade começa distribuindo aquilo que se tem, depois reparte o pouco de
que possa dispor e em seguida, entrega também o coração aos que necessitam de entendimento para se retirarem das sombras a que se acolhem. Agradeçamos tudo o que temos na fé viva em Deus que nos foi confiada e que o amor e a serenidade continuem comandando as nossas manifestações. Peço ao papai não alterar o nosso ambiente, buscando mudanças que não apresentam sentido real para a nossa vida. Se sempre vivemos entre amigos queridos e fiéis, se possuímos tanta alegria e paz onde estamos; saibamos harmonizar os próprios sentimentos com os Desígnios de Deus, Jesus é Misericórdia para todos e foi Ele mesmo, nosso Senhor e Mestre, quem nos ensinou o perdão sem limites. Que todos estejamos nessa faixa de luz em que a esperança nos envolve e que Jesus nos abençoe e ilumine sempre. Mãezinha Elza; tenho sido auxiliado igualmente por um benfeitor que me recomenda chamá-lo por Nono Cesarino, e espero que as bênçãos de que tenho sido objeto se derramem sobre nossa casa que precisa voltar a ser feliz.
Desejo que as nossas músicas espalhem harmonia e confiança no recinto em que o Senhor nos reuniu para sermos um dos outros e conto com o Gerson e com a Lílian para que a alegria regresse ao nosso convívio familiar. Estou sempre melhor e isso acontecerá igualmente com todos os meus para que estejamos nas vibrações do bem dentro das quais Jesus nos situou. Não devo escrever mais, no entanto, formulo votos para que o nosso ambiente retorne a gratidão jubilosa à Divina Providência por todos os tesouros de amor que temos recebido. Querida Mamãe, não conserve lembranças minhas, com exceção dos retratos que nos fixaram momentos inesquecíveis de união e felicidade. pretensões. Nada pude acumular senão algumas lembranças modestas de rapaz sem Imagino-me criança outra vez e peço-lhes para distribuir entre os meninos ou jovens de minha idade tudo aquilo que possa apresentar alguma utilidade. Querido Papai; sou muito agradecido por todas as suas demonstrações de acarinho em minha memória.
Tudo recebi alegremente: as flores, as preces, os ofícios religiosos e as palavras de bondade com que me encorajam para se ro moço cristão que preciso ser. Agora, com muita gratidão a todos os que me favoreceram com a oportunidade de lhes trazer as minhas pobres palavras, abraços aos irmãos queridos e deixo aqui estampados neste papel amigo para a Mãezinha Elza e para o meu pai Manoel, os beijos de imenso amor e de muitas saudades do filho sempre reconhecido.
MARCOS CEZAR MAYO. **
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.