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Capítulo 31 de 31

Mensagem de

Amor e Saudade · Chico Xavier, espíritos diversos

WLADIMIR CEZAR RANIERI

Querida Mamãe Dalva e querido papai Francisco; peço-lhes me perdoem; abençoando-me como sou, em meus resgates do gesto infeliz daquela ter-feira de desequilíbrio, em que me entreguei ao pior que me poderia acontecer. Mãe querida; não se sinta culpada em lembrança alguma. A sua voz apenas me convidava ao trabalho junto de meu pai, na mais santa das intenções. Não creia que eu tivesse ouvido qualquer acusação de preguiça na modulação de sua palavra. O que se verificou foi a hipnose por parte de criaturas desencarnadas que me seguiam e junto das quais não me furto às responsabilidades do meu gesto infeliz. A minha vontade era uma alavanca de Deus em minhas mãos. Poderia facilmente escutar os convites injustos e rechaça-los com o meu livre arbítrio, mas a minha fraqueza foi o que me perdeu. Reconstituirei o nosso quadro de maio para que os pais queridos se reconheçam totalmente livres de culpa.

O Wagner estava impossibilitado de agir com mais vigor, em vista do tratamento e porque a Mãezinha Dalva me soubesse disponível, acercou-se de mim e pediu-me para que fosse auxiliar ao papai. Senti que realmente aquilo era obrigação minha. Levantei-me malhumorado, ao refletir, que andava sem serviço certo e muito longe de melindrar-me com a solicitação da Mamãe, segui para o serviço. Idéias lamentáveis pareciam maribondos em meu cérebro, sugerindo-me pusesse termo à existência de rapaz errante, em busca de um emprego que não aparecia. Deixei-me invadir por aqueles pensamentos amargos, quando me falaram de almoço. Antes que me retirasse do trabalho, alvejei o meu próprio coração com um tiro certo. Lembro-me de que o papai correu para mim estirado no piso e, na suposição de que me faria viver, fez a respiração boca-a-boca, recebendo o meu próprio sangue que lhe atingiu a garganta. Arrependi-me de tanto mal praticado contra mim, no entanto era tarde. Aquele gesto de meu pai me mostrava quanto amor dispunha eu no coração de meu pai e de minha mãe, porém foi em vão que desejei levantar os braços

para se rum menino de novo naquele colo paternal de homem bom que não vacilava em livrar-me de qualquer sufocação, trazendo para a boca que me beijara, tantas vezes em criança, o sangue do filho crescido que se fizera ingrato perante aqueles que mais me queriam na Terra. Sei que entrei num pesadelo em que via o meu próprio sangue a rolar do peito como se aquele filete rubro não tivesse recursos de terminar. Despertei num hospital, onde me encontro até agora, em tratamento e sou trazido pela vovó Verônica que se compadeceu de mim, de mim que me ajoelho em espírito diante de Mãezinha Dalva para rogar-lhe o perdão que não mereço. Queridos pais; rogo me desculparem e viver muito, sempre tranqüilos, embora a saudade se interponha agora entre nós à feição de uma sentinela do meu arrependimento. O suicida é um detento sem grades. Admito que os irmãos com problemas semelhantes aos meus se reconhecem presos sem algemas e sem cárcere, porque ninguém foge de si mesmo.

Peço-lhes para que vivam, porque no Wagner, o Wallace, a Valéria e o Wanderley; sou amado ainda. Graças a Deus, melhorei da hemorragia incessante que me enlouquecia. Depois de algumas semanas de aflição, um médico apareceu com uma boa nova. Ele disse que as preces de uma pessoa que se beneficiara com a córnea que doei ao Banco de Olhos se haviam transformado para mim num pequeno tampão que, colocado sobre o meu peito no lugar que o projétil atingira, fez cessar o fluxo do sangue imediatamente. Eu, que não fizera bem aos outros, que me omiti sempre na hora de servir, compreendi que o bem mesmo feito involuntariamente por uma pessoa morta é capaz de revigorar-nos as forças da existência. Com essas lições vou seguindo à frente e coma proteção de Deus e a bênção dos pais queridos espero vencer-me; vencendo as dificuldades que me cercam para ser o filho e o irmão, o amigo e o companheiro que devo ser. Aqui termino agradecendo-lhes tudo o que fizeram a meu favor e desejando-lhes a felicidade que bem merecem.

Quanto ao filho triste que ainda sou; reconheço que o Sol cobre a todos, em nome de Deus. Haverá um outro dia também para mim. Surgirão outras horas em me lembrarem sempre com o amor que não fiz por merecer e prometo que não mais serei cego para o amor com que tenho sido amado e com o qual arrancará de mim mesmo para que, um dia eu lhes possa trazer a alegria e o reconhecimento do filho feliz que já começa a ser. Muito carinho e esperança do filho que apesar de sofredor; continua sendo muito grato. WLADIMIR.

** “O suicida é um detento sem grades”. Admito que os irmãos com problemas semelhantes aos meus se reconhecem presos sem algemas e sem cárcere, porque ninguém foge de si mesmo “”. WALDIMIR CEZAR RANIERI.

** AGRADECIMENTOS Chico.

A nossa gratidão eterna pelas orações constantes que fazer a os, tristes mães esperançosas, que vivem na imensa saudade dos filhos abençoados que partiram para o além e grandemente agradecidos, compartilham deste elo de Amor, que nas mensagens benditas se tornam também seus filhos e não te esquecem, jamais. Família Ranieri

** Da Obra “AMOR E SAUDADE” –AUTORES: ESPÍRITOS DIVERSOS – Psicografia: FRANCISCO CÂNDIDO XAVIER/ Rubens Silvio Germinhasi Digitado por: Lúcia Aydir.

Criar planos de serviço para quem nos acompanha no roteiro de cada dia é dever, mas, trabalhar nós mesmos com o nosso suor e com as nossas mãos é caridade.

Emmanuel

Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.