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Capítulo 26 de 31

Mensagem de

Amor e Saudade · Chico Xavier, espíritos diversos

OSMAR TOTARO

Querida Mamãe e querido Papai; estou aqui na companhia da nossa amorável tia avó pelo coração Maria Totaro, com o propósito de trazer-lhes algumas notícias. Estou sem dúvida, muito desajeitado, já se vê. Um ambiente não nosso, mas formado de corações fraternos, entre os quais se respira o calor da amizade real... Devo vencer as minhas próprias inibições e escrever. Estou a recordar a nossa reunião em casa, ao fundo da loja e a chegada repentina dos infelizes irmãos que nos ameaçaram. Lembro-me de que o sangue me subiu à cabeça e me coloquei na defesa do papai, quando o tiro explodiu e o projétil me alcançou. Detive-me por momentos, no esforço de me levantar da queda de forças que me quebrantou o ânimo, no entanto, era impossível erguer-me e seguir no encalço dos pobres amigos que nos experimentaram a fé. Tive alguns momentos d e lucidez e dei graças a Deus ao ver que o Papai e Omar estavam livres da agressão.

Enquanto me via no centro das aflições gerais, concentrei-me na oração, rogando a Jesus me fizesse aceitar a provação sem revolta e, aos poucos, como que se fez noite para meus olhos, quando estávamos em pleno dia. Em seguida a isso, minhas energias esmoreceram de todo. Por fim, o sono, um torpor implacável que me invadiu todo o corpo, a ponto de não conseguir mover um dedo. Depois, o esquecimento. A memória fugira. Impraticável qualquer esforço para readquirir o domínio da mente agora abatida e desfalecente. Ignoro quanto tempo estive assim, nesse crepúsculo interior, qual se fosse compelido a hibernar de modo incompreensível para mim. Chegou, porém, o instante em que despertei vagarosamente. Tive a idéia de que um sopro revitalizador me percorria o corpo, da cabeça aos pés. Do projétil nada me restava senão leve dor no local ferido.

Em me reconhecendo reanimado de novas forças indaguei da senhora que me velava o compulsório descanso, sobre o que me ocorrera depois d agressão havida e a generosa enfermeira se me deu a conhecer por tia Maria Totaro e, conquanto aparvalhado, ainda, a presença dela, de certa maneira, me tranqüilizou o espírito e ouvi a descrição de tudo o que ela conseguia reter, porquanto me afirmou que já se achava ao nosso lado, em nossa casa, quando fomos surpreendidos pela invasão de nosso ambiente mais íntimo. Confesso-lhes que chorei; recordando quanta inquietação e quanto transtorno dera motivo sem querer, em toda nossa família. Mãezinha; sei que quanto é amargo o pranto que lhe verte do sentimento, mas venho pedir-lhe calma e coragem.

O nosso Omar ai se encontra; fazendo mais e melhor do que eu e, de minha parte, encontrarei o caminho para lhes ser útil. Basta que minhas energias se refaçam inteiramente e espero trabalhar em apoio a meu pai, ao meu irmão e também ao seu carinho. Se lhes posso pedir algo rogo esquecerem os nossos irmãos desventurados que ainda tiveram necessidade de penetrar indebitamente a nossa casa, espalhando o sofrimento e a morte. Jesus enviou-nos o perdão das ofensas e esse perdão abrange as ofensas sejam elas quais forem. Graças a Deus não tive conhecimento pessoal com aqueles que me despojaram do corpo físico e já consigo pensar neles na condição de doentes que se desequilibraram em lamentável momento de excitação. Mãe querida; estamos em dias novos. Reflita comigo que seu filho está vivo e amando aos queridos pais e ao querido irmão cada vez mais. Ainda que isso lhe custe, peço a mamãe orações não só em meu benefício, mas igualmente em favor daqueles companheiros distantes do bem, para que acordem do pesadelo em que certamente se encontram.

Falo assim, porque não creio que os autores da morte de alguém estejam no juízo claro e certo; deve ser criaturas hipnotizadas por forças das trevas que não nos cabe anatomizar. minhas notícias. Mãezinha; eis aí para seu coração, para meu pai e para o Omar as Perdoe-me se não pude transmiti-las omitindo as cenas de horror e sofrimento de minha passagem para cá, para a vida nova que estou atravessando, no meio de lugares mais reconfortantes que a tia Maria me recomenda aguardar com paciência. E não chorem; peço-lhes. Estamos vivos e temos um consolo: não fomos os instrumentos para a desencarnação de ninguém. Que Deus se compadeça de nossos perseguidores gratuitos e se compadeça igualmente de nós. É tudo o que peço agora. Ao querido pai e ao querido irmão, as minhas lembranças traçadas de agradecimentos que trarei sempre na memória e para a querida mãezinha, deixo nestas linhas o coração saudoso e grato de seu filho, que será sempre mais seu filho, perante a Bondade Infinita de Deus. Sempre o filho reconhecido. OSMAR TOTARO

** “Tive alguns momentos de lucidez e dei Graças a Deus ao ver que o papai e o Omar estavam livres da agressão”. OSMAR TOTARO. **

Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.