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Capítulo 8 de 14

Parte 8 de 13

Um Médium de Transportes · Osvaldo Polidoro

Livro_MEDIUM_V6.indd 118Livro_MEDIUM_V6.indd 118 25/02/21 21:4725/02/21 21:47 Um Médium de Transportes no pórtico da morte, por estar tudo para ela arrumado, inclusive casa na região de merecimento. Tudo estava pronto, a recepção preparada e o dia marcado. Isso foi bom e triste de se ouvir, porque, afinal, Sinhá Marta era um pedaço de cada um de nós, do corpo e da alma. O último guia a falar foi o de Terêncio, que se prontificou a receitar, como lhe fora afeto, sempre que o médium pudesse e quisesse auxiliá-lo. Disse de ter morto a muitos, em tempos idos, e em guerras feitas, razão porque agora se via em necessidade de preservar a encarnação do próximo, ela que é a válvula redentora e evolutiva dos seres. Sua palavra foi mais uma elucidação trazida a nós; e o seu trabalho começou por Sinhá Marta. Sem que alguém lhe pedisse, fez extenso exame do seu estado geral, apontando os órgãos carentes de auxílio medicinal. Depois fez pouso em cada um dos presentes, dizendo coisas de surpreender. Terminando o trabalho, nada tinha feito eu, sem ser ver a um espírito que chorava copiosamente, e que se achava atrás de Viçosa. Como guia algum fizera, em sentido qualquer, coisa por ele, também nada falei. À noite, porém, saindo do corpo e acompanhando minha mãe, fomos ter com ele, que ali se achava e ainda a chorar do mesmo modo.

Livro_MEDIUM_V6.indd 119Livro_MEDIUM_V6.indd 119 25/02/21 21:4725/02/21 21:47 Osvaldo Polidoro — Apanhe-o pelo braço — aconselhou minha mãe. Assim que lhe pus a mão direita sobre o ombro esquerdo, uma infinita vontade de auxiliá-lo me invadiu, mas uma vontade que era sentimento puro, profundo e indiscernível. Meus olhos começaram a lagrimar, assim como os dele, copiosamente. — Comece a orar, — tornou minha mãe. Iniciando a oração, repetindo-a, fui sentindo a coisa melhorar, porque sentia a mesma coisa e não chorava mais. O infeliz também cessou o choro, vindo a olhar para nós com carinhoso devotamento. Minha mãe dissera: — Você, amigo, já deixou o corpo mais denso no mundo dos encarnados. E embora a vida de sociedade prossiga sempre, cumpre saber querer para poder realizar com esmero. Quer certificar-se disso por si? Ou quer que duras provas o acutilem por muito tempo? Os seus merecimentos são poucos, de sorte que conviria enfrentar a situação com alevantado ânimo. Que quer fazer? O homem baixou a cabeça, pensou algum tempo, depois disse: — Que devo fazer? Secamente, minha mãe lhe disse:

Livro_MEDIUM_V6.indd 120Livro_MEDIUM_V6.indd 120 25/02/21 21:4725/02/21 21:47 Um Médium de Transportes — Antes pergunte, se Jesus estivesse no seu lugar, o que faria Ele. E se um espírito, de tal coturno evolutivo, se desse ao trabalho de edificação, arrostando a todos os quejandinhos por isso, que seria de esperar de si, que é muito devedor e pouco amigo de solver dívidas? Não acha que aquele que mais deve, para se livrar da dívida, tanto mais deve trabalhar? E se o destino humano é emancipar-se, custe mais ou menos, seja hoje ou amanhã, por que não começar já o trabalho de soerguimento? Afinal, irmão, quando precisava de comer ou beber, costumava adiar o ato indefinidamente? Se, portanto, às coisas temporais, passageiras, dava atenção imediata, como tergiversar para com as coisas eternas, imorredouras? O homem pretendeu advogar, responsabilizando segundos e terceiros: — Não tenho inteira culpa de meus desprezíveis merecimentos espirituais. Li, de gente sabida, que o programa do espírito devia ser tratado depois da morte, em caso de haver vida para depois da morte, o que aquela gente punha em dúvida. Se eu sou culpado prático de minhas insuficiências, quais são e como responderão os que o são intelectualmente? Minha genitora lhe indagara, fixando-o com severidade bondosa: — E não se achariam no mundo, também, ou-

Livro_MEDIUM_V6.indd 121Livro_MEDIUM_V6.indd 121 25/02/21 21:4725/02/21 21:47 Osvaldo Polidoro tras espécies de afirmações, meu irmão? Se buscou, portanto, beber da fonte para si predileta, e com tal específico deu-se bem durante a estadia no círculo carnal, que culpa têm disso os mestres de espiritualidade que Deus lhe pôs pela frente? Demais, o espírito não é menos por estar na carne ou fora dela; onde estiver, ou como vier a se achar, será sempre como um departamento do todo, cumprindo-lhe ser, antes de mais nada, bom funcionário. Se o funcionário, porém, der-se a aprender lições inversas àquelas compatíveis com a Ordem Divina, de quem a culpa? Não nego a responsabilidade dos que semeiam a inverdade sobre a espiritualidade; mas afirmo que, em se tratando de campos de joio, tanta culpa tem quem semeia como quem colhe e faz uso! Por isso é que veio a penar por mais de vinte anos nos umbrais, lugares onde arrumou essa angústia torturante, que o fazia chorar assim. Cultivou a cultura do nada... Entretanto, em face do nada, sentiu-se tetricamente desacoroçoado. Pregou a morte total a muitos, enviando- -os à dor... Enfrentando a estiolagem íntima em perene vida, fez-se fraco e procurou refúgio no pranto, sem dar de si que o pranto, em certos casos, vale como unguento divino oferto às chagas da presunção. Fartou-se, como criança gulosa, no banquete lauto que a Sabedoria Divina pôs à

Livro_MEDIUM_V6.indd 122Livro_MEDIUM_V6.indd 122 25/02/21 21:4725/02/21 21:47 Um Médium de Transportes frente de seus enviados à Terra, em serviços que deviam ser de testemunho à imortalidade, de tudo e todos... Mas negou até uma Suprema Origem para o infinito mecanismo universal, nem respeitando o Necessário, nem amando o Contingente. Os irracionais fariam melhor, porque, afinal, sabem honrar ao homem, aprendendo-lhe muitos ensinos, chegando a amar ao amo com tal ardor, como o cão, que por devotamento oferece a própria vida!... Que julga, amigo, haver de passável em tudo que tenha feito de bom no mundo? Compungido em extremo, com outra espécie de lágrimas nos olhos, o homem confidenciou: — Se considerar, de fato, a fidelidade do cão para com o homem, comparando com o que fiz para com Deus, e para com o próximo, levando em conta ser o cão irracional, confesso que fui apenas monstruoso! ... Monstruoso!... Recuperando-se um tanto, hirtou a cabeça e, ponderou: — E quanta gente, minha irmã, ainda vive a valer menos que um cão!... Se ao menos em face do infinito, em espaço e tempo, o homem se desse a tecer respeitoso sigilo, ao invés de lhe negar aprioristicamente uma Suprema Causa, não seria já uma grande coisa?... Afinal, não vê o homem, seja o sábio ou o ignorante, que as gerações pas-

Livro_MEDIUM_V6.indd 123Livro_MEDIUM_V6.indd 123 25/02/21 21:4725/02/21 21:47 Osvaldo Polidoro sam e o universo infinito continua?... E tendo de aquiescer em benefício de umas ou de outras ideias, de uns ou de outros homens, por que deixar de lado os vultos de escol, como os Vedas, os Budas, Rama, Krisna, Moisés, os Profetas, o Cristo, Kardec, e perfilhar teorias de homens animalizados, grosseiros e até mesmo mórbidos e bestiais?... Fez, num repente, um gesto de autorrepugnância, indagando-se: — Como, meu Deus, meu Senhor, cheguei a descer tanto?!... Como?!... E rolou por terra, presa de convulsões horríveis. Nós, com custo, fizemo-lo erguer-se. Quando estava talhado para mais sublimados sentires, pedimos-lhe uma prece, para ser conduzido até a região determinada. Gostei imensamente de ter ido àquela região, porque, mesmo em vida, fiquei sabendo um pouco mais das cidades do Céu e suas condições ambientais. Ao lhe dizer minha mãe que eu era um encarnado, o homem ensimesmou-se de novo e se pôs a verter lágrimas. Quando nos despedimos, apertando-me a mão com ardor, disse-me: — Não lhe desejo felicidade que não seja essa mesma. Poder viver isso que está vivendo, que é

Livro_MEDIUM_V6.indd 124Livro_MEDIUM_V6.indd 124 25/02/21 21:4725/02/21 21:47 Um Médium de Transportes estar com um pé na Terra e o outro no Céu, vale por todas as bênçãos de Deus aos santos propósitos perfilhados na vida. Pôs o dedo em riste e, sorrindo mui levemente, observou: — Lembre-se da fidelidade dos cães, sem se ofender, porque, de fato, corremos muitos riscos... Devíamos ser mais sinceros para com a Origem Comum... — Naturalmente, — disse-lhe, — que é de lembrar bem do paralelo. Um ser já inteligentizado tem outras obrigações de intelecto e moral a observar, menos queira valer por um cão, bem fora de regra, infiel e estúpido. Quis beijar a mão de minha mãe, o que não o permitiu fazer, dizendo-lhe: — Deus quer Amor e Sabedoria aplicados, não babujas ou farandulismos. Jesus jamais aceitou as curvações físicas de quem quer, desejando ser amado em obras, apenas. Por que, então, quer oscular- -me a mão? Não vê que somos iguais em origem, direitos e deveres? Não vê que sou serva de Jesus? — Ditoso o Pai que tais humildes filhos têm!... Ditoso o Mestre que assim pode contar com amoráveis discípulos!... — ouvimo-lo murmurar. O chefe da mansão o levou, tendo nós partido

Livro_MEDIUM_V6.indd 125Livro_MEDIUM_V6.indd 125 25/02/21 21:4725/02/21 21:47 Osvaldo Polidoro para casa. Tomei conta do corpo, tão conscientemente como conscientemente dele saíra. E invadiu-me um sentimento tal de gratidão a Deus, que chorei o pranto mais feliz de minha vida.

Livro_MEDIUM_V6.indd 126Livro_MEDIUM_V6.indd 126 25/02/21 21:4725/02/21 21:47 Um Médium de Transportes A VIAGEM DE NÚPCIAS Tínhamos combinado, eu, Catarina e os mais familiares, passar a lua de mel na fazenda de Eliseu. Embora a distância a nos separar, tudo poderia ser ajeitado a contento. E se procurou fazer, assim como o combinado. Três viaturas foram adaptadas, à tração animal, para que houvesse comodidade para todos. E nós fomos, em cinco pessoas, inclusive uma jovem, que, assim viajando, aproveitaria para rever familiares por lá radicados. Sinhá Marta nos viu partir, de olhos rasos dágua, embora com a satisfação de ficar à testa de tudo na fazenda. Era de ver o gosto que tinha em assumir responsabilidades! E os sogros, em notando o distanciar da única filha, que acenava o seu lenço branco, não puderam fazer de menos; penderam com os pensamentos para reminiscências e imagens do passado, banhando as faces com filetes cristalinos. Eram cinco e meia da manhã, de uma linda manhã de verão, quando nos pusemos em marcha. Poucas manhãs terão sido tão belas, tão fragrantes, tão cheias de vida e à vida assim convidativas! Lá dos últimos montes, dos cimos das elevações distantes, via-se ainda que alguém acenava com lenços e outros objetos. E os dois primeiros dias se passaram, com intervalos e lanços de jornada. Tudo era colorido na

Livro_MEDIUM_V6.indd 127Livro_MEDIUM_V6.indd 127 25/02/21 21:4725/02/21 21:47 Osvaldo Polidoro paisagem agreste, porque nossas almas viviam a plena vida, sem zelos, sem preocupações, alheias ao mundo que ficava cá por baixo, onde a alma em pouco se detém, por tudo igual, repetido, monótono, falível! Uma união motivada por sentimentos enobrecidos, por certo que fará surgir outros matizes de apreciação sobre a vida, os seres e as coisas. Só mais tarde, ao presenciar o quanto Catarina era um espírito superiorizado, é que pude compreender a razão de ser das sublimes influências que espargia ao redor de si, atingindo em cheio as almas, fazendo-as preludiar motivos de vida e estar, que não são os comumente reconhecíveis no mundo. Quando do seu desencarne, imediatamente entrou na posse de seus pretéritos valores, revelando-se o espírito capaz de bastar-se em requisitos de escol, em quem havia, ainda, sobejas dádivas que em virtude de função, fazia fluir por sobre aqueles que de mais alto fossem indicados, como de merecimento. Ao terceiro dia, entramos para a zona serrana da estrada, podendo admirar na natureza exuberante o quanto de fidalgo é o mundo, quando em sua pureza original, sem a mescla da ingerência humana, que, por sua bisonhice, a quase tudo polui, quando devera é realçar. A marca que o homem devia deixar não a deixa, porque no que faz injunge utilitarismo, extravagância, egoísmo e vai-

Livro_MEDIUM_V6.indd 128Livro_MEDIUM_V6.indd 128 25/02/21 21:4725/02/21 21:47 Um Médium de Transportes dade. A poesia se esvai quando o contacto humano se apresenta, ressalvados casos raros. E para que nossos espíritos sedentos de simplicidade possam deter-se, aqui ou acolá, há necessidade de que o agreste, de que o natural, se nos apresente de quando em quando. E aquelas serras, aqueles vales imensos, nisso eram pródigos. No alto de uma crista onde rareava a mata virgem, fizemos por pernoitar. A noite estava enluarada, a aragem era fresca, o aroma da vegetação deliciava a alma. Os troleiros cantaram ao som do violão, e as estrelas pareciam querer ouvi-los. Os curiangos esvoaçavam chãos, e as arapongas, estranhando o acontecimento, martelavam a noite e os vales. Pelas duas da manhã, ainda se assava churrasco nas últimas brasas, ainda se tomava ponche. Uma neblinazinha tênue, transparente, deu-se a valer por sudário entre a lua e nós, e, por baixar a temperatura, nos recolhemos aos troles, que fizeram de moradia, enquanto a viagem durara. Quando nos levantamos, ouvimos tiros a ecoarem pela serrania em fora, ecos que vinham lá debaixo do vale. Eram os troleiros que haviam ido à caça. Quando chegaram, vinham com alguns coelhos do mato pendurados à cintura. E foi isso o que almoçamos, assim quiseram eles. Apenas Catarina não quis comer carne, pois nunca a vi fazer tal. Achava que

Livro_MEDIUM_V6.indd 129Livro_MEDIUM_V6.indd 129 25/02/21 21:4725/02/21 21:47 Osvaldo Polidoro para viver, o homem não precisa tirar a vida. E por mais que lhe fizesse compreender que ainda não pode abdicar a humanidade da contribuição dos animais, por tudo quanto concorrem, de nada adiantava. Não comeria carne, menos fosse um dia forçada e nunca o fora. Seu eu primava já por melhores sendeiros da vida. Quando a findar a zona de serras, deparamos com paisagem deslumbrante. Uma cascata, árvores frondosas, pássaros que vinham beber, animais que vinham beber e banhar-se. O ronco atingia boa distância, e foi por ele que a encontramos, descendo dos troles e procurando pela mata. Ali ficamos horas a admirá-la, até que a tarde ia bem avançada. Combinamos, então, de aproveitar o luar, razão porque deixamos o tempo passar, sem lhe fazer caso. Foram horas deliciosas na vida! Quando a lua despontou na curva ao longe, em início de minguante, estávamos a postos para partir. E partimos, viajando quase a noite toda. Sob límpido céu e por entre campos verdejantes, a estrada estreita e sinuosa parecia uma enorme serpente, sobre a qual íamos vencendo distância. Quando a certa altura o cansaço nos venceu, perfilhamos todos a ideia de dormir, o que fizemos até quase às nove e meia da manhã. Ao acordar, o céu se apresentava encoberto

Livro_MEDIUM_V6.indd 130Livro_MEDIUM_V6.indd 130 25/02/21 21:4725/02/21 21:47 Um Médium de Transportes prenunciando chuva. Por isso, encarando o estirão que ainda faltava vencer, atrelamos os animais e prosseguimos estrada em fora. O campo, por ali, estava verdadeiramente florido! Dava-se o espírito a querer roçar por sobre aquele alcatifado de cores e matizes. Todo caso, ao longe se avistou um cavalheiro, que veio vindo, até nos encontrarmos. Parados todos, falamos de nossos destinos, ao que ele informou: — A fazenda do senhor Eliseu fica pouco além do segundo colmo de morro que o senhor vai encontrar. Mas, para chegar até a casa dele, ainda terão que vencer uns vinte e tantos quilômetros de chão. Despedindo-nos, tocamos à frente. Pelas cinco e meia da tarde, atingimos a casa de Eliseu e Gisa, onde nossa presença se converteu em magnífica eclosão de alegria. A um canto, sem que menos o imaginasse eu, Eliseu me interpelou: — Antes de tudo, Cabral, faça o favor de me dizer uma coisa... Porque isto vive a martelar-me a moleira... Diga-me, algum dia você soube de alguma coisa espiritual, uma visita que me fez?... Ri-me a valer, antes de lhe dizer coisa. E contei- -lhe aquele feito interessante, aquela viagem astral em companhia de minha mãe. Disse-lhe do seu pedido, para que um dia, em nos encontrando, afirmar-lhe isso, como comprovante do fenôme-

Livro_MEDIUM_V6.indd 131Livro_MEDIUM_V6.indd 131 25/02/21 21:4725/02/21 21:47 Osvaldo Polidoro no. Falei-lhe, também, daquele espírito tumultuoso, que afinal fora doutrinado. — Maravilhoso!... Maravilhoso!...— começou ele a exclamar, esfuziante de alegria. — Quando qualquer coisa dá-se pela Vontade de Deus, maravilha é. Nossa brutalidade é que nos faz mal interpretar as maravilhas da natureza em geral, onde as glórias estão perenemente expostas. De resto, tudo isso é em Deus comum. Para a concepção essa é que devemos marchar. Tenho certeza que a Deus importa o nosso amor e não a nossa exaltação. A exaltação é filha do estrabismo a que nos votaram os falsos conceitos espiritualistas de todos os cleros, fazendo-nos crer, não que somos partículas conscientes da individualidade, e emanadas do próprio Deus, da PRIMEIRA ESSÊN- CIA, mas sim como a filhos expúrios, a estranhos inventos que um dia quisera aventurar-se Deus. Nós somos imagem e semelhança de Deus, em ESSÊNCIA, razão porque somos glória espiritual. E se nos concedeu Ele o direito de autoedificação, tanto mais gloriosos devemos nos sentir. Não somos como o elemento amorfo, cujas leis gerais o controlam cem por cento, em forma de automatismos; nós podemos forçar as leis, para precipitar ou retardar, para o bem ou o mal, à custa da consciência individual e do sagrado direito de livre-arbítrio. É lógico, portanto, que vamos nos integrando no

Livro_MEDIUM_V6.indd 132Livro_MEDIUM_V6.indd 132 25/02/21 21:4725/02/21 21:47 Um Médium de Transportes conceito novo, o monístico, o unitarístico, e assim nos concebendo como glórias de Deus. Chega de adular e pedir! Chega de bajular e reclamar! Basta de sugerir a Deus que seja ou se faça BOM, JUS- TO, MISERICORDIOSO, etc.! Vamos tratar de compreender, que nós é que nos devemos lançar a essas VIRTUDES, descobrindo-nos em nós mesmos! Deus é em tudo e em todos a BASE ES- SENCIAL, não deixando jamais de ser IMUTÁ- VEL, diga ou pense o homem como quiser, peça ou não a Deus se faça JUSTO, AMORÁVEL, etc. O homem precisa dar-se ao culto das virtudes inatas, que tem por dever fazer aflorar, e não viver a pedir, a clamar, enfim, a proceder como blasfemo, pois quem pensa precisar Deus dos seus avisos, por certo, que blasfema! Ignorar seus gloriosos dons inatos e viver a acusar a Deus isso caracteriza o religioso em geral! Contra isso devemos brandir nossas armas intelectuais revolucionárias... Eliseu não me deixou prosseguir, porque aparteou: — Não me doutrine agora, que desejo pensar no acontecido, coisa para mim de exultar. Amanhã teremos tempo de sobra para essas coisas, que merecem cuidadoso trato. Hoje, vamos falar de vocês... De como vão as lavouras... De nós... E entramos para a casa.

Livro_MEDIUM_V6.indd 133Livro_MEDIUM_V6.indd 133 25/02/21 21:4725/02/21 21:47 Osvaldo Polidoro

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