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Capítulo 7 de 14
Parte 7 de 13
Um Médium de Transportes · Osvaldo Polidoro
Livro_MEDIUM_V6.indd 103Livro_MEDIUM_V6.indd 103 25/02/21 21:4725/02/21 21:47 Osvaldo Polidoro e dignidade. Ninguém diz, por estas terras e outras mais distantes, um ceitil contra si. E Viçosa sabe disso, motivo porque sentirá prazer em lhe entregar a única filha, que é só o que temos, afora as amizades e a ajuda de Deus, que temos tido sempre oportunidade de encontrar no mundo. Quando vi o rosto de Catarina, que veio à sala à busca do vaso de flores, estava ruborizado, mas alegre, sustentando nos olhos o fulgor da juventude em ares de simpatia e sonhadoras aspirações. Tive vontade de dizer-lhe qualquer coisa, o que fosse, mas o que dizer fugiu- -me, deixando-me a nada. Dona Augusta, sim, fazendo-me sala e prolongando a conversa, passou a dedilhar a ampulheta dos fatos idos, caindo no gênero comum às senhoras de sua idade e responsabilidade. Reviveu os ditos de minha mãe, quando sentenciou que não havia de fechar olhos para o mundo, enquanto não me visse casado e amparado pelo instituto da família. Falou de acontecimentos não mais de mim lembrados, teceu considerações em torno às crianças, ponderou sobre estar Sinhá Marta ao término da rondagem carnal. Quando o senhor Viçosa chegou, titirava ela em torno do que havia dito certo espírito familiar, afiançando que bons destinos estavam a todos consagrados, em virtude de virem as ami-
Livro_MEDIUM_V6.indd 104Livro_MEDIUM_V6.indd 104 25/02/21 21:4725/02/21 21:47 Um Médium de Transportes zades de outras vidas, de outras eras, quando houvéramos sido mais do que até aqui. Viríamos, afirmara o guia, a ser consanguíneos. E tudo, então, vinha em abono de instâncias superiores. As peças do organismo se iriam juntar e ajustar de novo, sob a vigília de bons fados. Viçosa, que ouvira ainda assim falar sua esposa entre emocionada e patética, olhou para mim com ares indagadores; mas, mantendo a linha, cumprimentou-me como de costume, só nisso detendo-se. Eu então lhe disse, francamente: — Estou pedindo a mão de Catarina, senhor Viçosa. Fica a seu inteiro critério julgar do que lhe proponho e peço... E o íntegro homem não me deixou concluir o pensamento: — Senhor Cabral, nada mais honroso para esta pobre, mas briosa gente, do que tê-lo e aos seus como a filhos da casa. Espero que acima de nossas bênçãos, Deus, que a tudo preside, domina e destina, a todos nos abençoe, conferindo-nos oportunidades de felizes dias e proveitosos feitos. — Seja feita a vontade de Deus, antes de mais nada. — concordei — Pois que somos apenas apêndices de um Supremo Todo, relativamente
Livro_MEDIUM_V6.indd 105Livro_MEDIUM_V6.indd 105 25/02/21 21:4725/02/21 21:47 Osvaldo Polidoro livres, como o é e pode ser o pássaro, no espaço livre que há dentro da gaiola. No presente tempo, portanto, dispomos de quereres circunstanciais; mas, nunca deixaria de haver ingerência cármica no rol dessas veleidades, razão porque, apesar de todas boas vontades, deve-se considerar o imprevisto como elemento de rol. É por isso que digo, seja feita antes de tudo a Vontade de Deus. Se forem guiados nossos passos, em sintonia com a Suprema Causa, tudo bem e feito. E se tivermos de enfrentar empecilhos, oxalá nunca nos falte a têmpera do bom servo, que é em abono de paciência, tolerância, resignação e até mesmo a augusta abnegação. Devemos, portanto, enfrentar a vida e seus cometimentos, os atos necessários e suas consequências, o que for contingente ou de liberal escolha, como a coisa sagrada. Nós, de um modo ou de outro, sabemos que Religião Pura constitui-se de um conúbio entre uma consciência plena de Deus e o fiel cumprimento dos deveres para com o próximo. O mais, serão artigos de ciência, de arte, etc. Nessa hora, dona Augusta caiu em transe, forçada pelo ambiente psíquico e a natural emoção, vindo a nos falar o espírito de minha mãe. Disse palavras de conforto e fé, encarecendo a necessidade de ter vontade firme em sentido puro, em ideal alevantado.
Livro_MEDIUM_V6.indd 106Livro_MEDIUM_V6.indd 106 25/02/21 21:4725/02/21 21:47 Um Médium de Transportes — Nós somos, — comentou, — partículas divinas, com direitos de individualidade e organização da própria personalidade. Ninguém virá fazer por nós aquilo de que somos responsáveis diretos. Quando muito, podemos contar com a cooperação uns dos outros, aliás obrigação sagrada, para que em tempo se gaste menos e em condições tudo se torne mais fácil. E venha a ser o que seja, o homem ou o mundo, tudo se resumirá sempre em Deus, o Universo, o homem e suas questões, o livre-arbítrio e o determinismo, a necessidade de relações, a cooperação, a confiança mútua e a capacidade de trabalho. Todo aquele que seja fraco no conhecimento e culto dessas poucas coisas, cedo ou tarde terá que se haver com as lacunas erigidas em si mesmo. O homem é vida eterna e organizável, sendo dever precípuo conceber a vida de todos os momentos e feitos, como a um programa de indeclináveis diretrizes. Como sois conscientes de vossas obrigações, por elevado contingente de saberes espirituais, confiai em Deus e tende bom policiamento sobre vossas mesmas ações. Antes de agir, ponderar muito; depois de ponderar, sendo conveniente e justo, encetar empreendimento com o fito de levá-los a termo. Convém muito saber, querer e dedicar-se a causa por colimar. Seres amigos, destes lados, com ou sem os vossos
Livro_MEDIUM_V6.indd 107Livro_MEDIUM_V6.indd 107 25/02/21 21:4725/02/21 21:47 Osvaldo Polidoro desejos, independentemente de vossa consciência ou inconsciência, cooperam em vossas realizações e empreendimentos; convém-vos, pois, escolher bem o rumo e não tergiversar em caminho. Buscai não perder esforços e tempo! Procurai fazer que outros os não percam, também! Quando à tarde, cavalgava rumo à minha casa, tudo estava determinado. O casamento seria realizado dentro de três meses. O tempo passou por nós, ou nós passamos por ele, veloz como um meteorito. E a lua de mel foi passada em casa de Eliseu e Gisa.
Livro_MEDIUM_V6.indd 108Livro_MEDIUM_V6.indd 108 25/02/21 21:4725/02/21 21:47 Um Médium de Transportes TUDO É DA VIDA Não faltam no mundo teologias capazes de pretender separar tudo entre Deus, o Universo e o homem. Isto, porque é natural no homem fanatizado, é próprio dele, convencido de suas falácias sectárias, embriagado de si mesmo pelos engodos religiosistas amolgados à sanha de grupos e grupelhos energúmenos, pretender ensinar a Deus antes que Dele aprender, a análise fria das leis e dos fenômenos. O homem é natureza divina, assim como tudo o mais é. As leis que regem os planos e mundos são sempre as mesmas, nas zonas infernais ou celestiais, variando apenas a tonalidade em vigência. Quem pensa que houve troca de lei, por haver melhora ou piora ambiental, erra de muito. O que há, na lei em si, é capacidade de flexão, ao infinito, vindo a ser o homem, até muitos pontos, senhor de domínios. É da lei ser flexível, restringir-se ou expandir-se, bem assim como é do homem, relativamente, forçá-la para ambos os polos. Não existem leis que regem planos superiores e nem leis que regem planos inferiores; existem, isso sim, matizes, tons cambiantes de lei, para todas as necessidades ambientais ou locais. Deus é onipresente e, a partir da presença cem por cento da PRIMEIRA ESSÊNCIA, tudo o mais vem
Livro_MEDIUM_V6.indd 109Livro_MEDIUM_V6.indd 109 25/02/21 21:4725/02/21 21:47 Osvaldo Polidoro num crescente revelar de tonalidades ou matizes de apresentação. E que apareça quem possa, na Terra, contar toda a capacidade de flexão de qualquer lei! As leis são como a terra, o homem, a água, etc. A terra pode ser limpa, ajardinada ou fértil em tiririca. Do mesmo homem sairá o santo ou o devasso, assim como fizer por sê-lo, assim como autoempregar-se. A água poderá ser destilada ou poluída, assim como se a queira fazer. As leis podem vigorar, portanto, em diferentes estados de ser e intensidades, de tempos para tempos, de mundos para mundos. Uma coisa é tê-la em grau infra, outra em grau ultra. E na vida do ser vivente, tudo pode vir a acontecer, morrer ou nascer, divinizar-se ou desgraçar- -se, porque a vida encerra possibilidades extremas em fenômenos. O complexo e o multifário são da natureza íntima dos seres e das coisas. E os dogmatismos sectários, os angustimos religiositas, os caprichos supersticiosos, tudo isso passará, forçado pelo conhecimento, pelas conquistas evolutivas. O pobre em amplidão não é Deus, não é a Verdade, não é o homem, não é a Religião; o pobre é o único diabo que existe, que se chama ignorância! Por isso mesmo, quanto mais ignorante o homem, tanto mais apologista do diabo e seu cultor. E aquele que faz do imaginário diabo o motivo de sua crença em Deus, esse é duas vezes ignorante.
Livro_MEDIUM_V6.indd 110Livro_MEDIUM_V6.indd 110 25/02/21 21:4725/02/21 21:47 Um Médium de Transportes O mundo humano está inçado de tais criaturas, de criaturas que não se dão a saber, a progredir, a melhorar, simplesmente porque conseguir essas coisas é direito comum. Mórbidos, temendo um possível adversário de Deus, de medo se fazem duas vezes mórbidos, apegando-se a Deus como refúgio, não como FUNDAMENTO NATU- RAL. Não amam a Deus; temem a Deus! Não buscam o saber; fogem dele! Não arrancam de si mesmos a glória; pedem-na de favor, querem-na à força de milagres e à custa de mistérios! O tempo que deviam gastar em aprendizados úteis e culto da bondade entre irmãos, gastam com engodos teologais, com mesuras nauseantes, com babujas, que nenhum homem decente admitiria, quanto mais Deus. Quem colocou Deus fora, e O fez individual, só atingível por farandulismos de pseudosministros? A ignorância! Quem O conserva assim, na mente de milhões de seres? Por certo que não é a ilustração! É para a frente que se deve ir; mas é para trás que miríades de seres se dão à espreita, para daí tirar conclusão sobre os rumos a tomar. A tradição é madrasta por demais, noventa por cento das vezes em que é convidada a servir. Que o diga o Cristo, o seu maior mártir. Pois bem. Vamos ao caso.
Livro_MEDIUM_V6.indd 111Livro_MEDIUM_V6.indd 111 25/02/21 21:4725/02/21 21:47 Osvaldo Polidoro Naqueles dias, uns dois meses antes do casamento, vieram ter à fazenda três casais, muito jovens os seus componentes, um dos quais tinha um filhinho de uns dois anos. Vinham propositalmente para a cultura do arroz, como ficara combinado entre mim e Viçosa. O meu então futuro sogro, trazendo-os a mim, em minha casa, disse-me: — Querem morar à beira do córrego, bem no centro da várzea, onde há alguma elevação de terreno, coisa pouca. Falei-lhes do perigo possível, mas são irredutíveis. Os homens deram-se a sorrir, com superioridade, indicando assim decidida compenetração do preferido, antes que eu dissesse qualquer coisa. Notando isso, para não querer passar por impositor, deixei falar minha equidade: — Os senhores é que vão morar e trabalhar por lá. Eu quero que sejam felizes em todos os empreendimentos. Se há perigo, peço considerem-se como a possíveis vítimas, pois lhes darei morada onde quiserem, no alto ou no baixo, perto ou longe. — Está escolhido e será lá, senhor Cabral. Muito obrigado pela oferta, mas a escolha já é feita. O senhor nos dê aquele lugar por moradia, que dentro em pouco terá para ver uns barracões e, mais adiante um pouco, Deus querendo, há de ver os
Livro_MEDIUM_V6.indd 112Livro_MEDIUM_V6.indd 112 25/02/21 21:4725/02/21 21:47 Um Médium de Transportes barracões cercados de uma onda verde. A terra é de arroz mesmo. Contou algumas vantagens mais, todos disseram as suas, enquanto foi-lhes servido um bom café. Depois, com ordens gerais, Viçosa conduziu-os à nova propriedade, para dar começo ao que fosse necessário. Quando porém a tarde chegou, fui sentar-me e mais os filhos, debaixo da jaqueira. Enquanto as crianças corriam, saltavam, perseguiam as borboletas, procurei contacto com o plano astral. Num desdobramento rápido, visão real me foi manifesta, como infelizmente me certifiquei mais tarde. Vi a planície em sua estuante beleza, plácida, num repente ser coberta por tremendo temporal, atingida em cheio por enxurrada que a nada respeitou. Depois, num repente, sem saber como o haveria feito, estava de pé e em mim, assustado em extremo. Pensei em Deus e fiz cálculos, sobre ser aquilo produto de recalque mental ou oferta das luzes espirituais às escuridades do homem. Mas, nada concebendo de positivo, calei em mim mesmo, por saber que o certo se repete. Sete, ou oito dias depois, cavalguei até perto da várzea, apreciando-a do alto de um monte próximo. E estando em cima do animal, num repente vi tudo aquilo transmudar-se, e tomando o céu aquele mesmo
Livro_MEDIUM_V6.indd 113Livro_MEDIUM_V6.indd 113 25/02/21 21:4725/02/21 21:47 Osvaldo Polidoro aspecto tenebroso, derreter-se em vagas de água e vento sobre a planície, invadindo-a de maneira indescritível. Volvi a mim, naturalmente, sem abalo outro que não fosse de nervos. Estava convencido que haveria coisa por dar-se; que o céu, de fato, mandava luz à cegueira do homem. Restava, agora, o que fazer. O justo, para com Deus e os homens, era relatar o visto, ou previsto, custasse o que custasse, dissessem o que dissessem, gostassem ou não. Galopei, portanto, até onde estavam sendo erguidos mais alguns barracões, que seriam as habitações de colonos futuros, gente prometida por eles mesmos, os primeiros três casais. Achei jeito, por entre assunto escolhido propositalmente, relatando, enfim, por duas vezes visto, do modo porque o fora. Gardino, que chefiava entre eles sobre serviços e tudo o mais, declinou sua fé numa seita protestante, razão porque disse estar a salvo de tudo, sendo o meu visto produto de espíritos menos tementes a Deus. Quanto aos fatores locais e materiais, colocou uma régua sobre dois pedaços de madeira, nivelou- -a, tirou nível horizontal e disse: — Veja o senhor, que a altura atinge, em nível, as barrancas do outro lado, vindo a ser impossível
Livro_MEDIUM_V6.indd 114Livro_MEDIUM_V6.indd 114 25/02/21 21:4725/02/21 21:47 Um Médium de Transportes uma tal quantidade de água, sem dar tempo de mudar, de alcançar um recurso qualquer. Esta várzea teria de se tornar um mar, e subir muito, para nos atingir. Tomou uns ares de superioridade e, entre riso oculto, rematou: — Como vê, senhor Cabral, é impossível que isso se dê... E Deus não saberia isso antes do que nós?... Só me restava dizer o que disse: — Deus sabe mesmo, meu amigo... E seja como Deus quiser... Deixei-os em labuta febril; parti rumo ao domicílio de Viçosa, mesmo porque desejava estar por um pouco perto de Catarina. Nada mais seria possível fazer, portanto, no sentido de salvá-los, caso tal infaustoso acontecimento viesse a desencadear-se um dia. E o pior é que, embora a vida me corresse em mar de rosas, no que concernia à vida individual e particular, aquela sombra agourenta jamais me saía da mente. Era, a expectativa do triste acontecimento, uma nuvem a vaguear pelos cimos de minhas cogitações, descendo pressurosa, assim se fizesse presente alguém ou se cogitasse das questões da várzea. Muitas ocasiões cogitei disso com os futuros so-
Livro_MEDIUM_V6.indd 115Livro_MEDIUM_V6.indd 115 25/02/21 21:4725/02/21 21:47 Osvaldo Polidoro gros. E disse-me Viçosa, certo dia, depois de haver feito referência a isso, junto a um guia: — Quer esse guia falar consigo, senhor Cabral. Pensando em Terêncio, ventilei, por aproveitar a oportunidade: — Amanhã, sendo quinta-feira, podemos fazer um bom trabalho. E convém fazê-lo em minha casa, para tentar experiência com Terêncio, pois disse ser médium e já ter conseguido boas coisas. — Combinado. — concordou o senhor Viçosa, mostrando-se muito satisfeito. No dia seguinte, às duas e meia da tarde, falava- -me o espírito de minha mãe, do seguinte modo: - Há muito modo de se pagar divida, não há? Pode-se fazer troca, pode ser a prazo, pode ser com trabalhos, etc. Nesse caso, pois, houve ingerência do plano astral, em virtude dessa gente, e mais a que ai vem, ter conseguido méritos em face da Soberana Justiça... Mas, que fale o amigo que o convidou ao trabalho. Minha mãe falou, então, do amigo espiritual em vista. Disse de ser um elemento de regular visão; acompanhante das pegadas daquela gente através de séculos e reencarnações, sabendo o porquê de tudo quanto poderia vir a dar-se. Em saindo minha mãe, ele deu entrada. E dis-
Livro_MEDIUM_V6.indd 116Livro_MEDIUM_V6.indd 116 25/02/21 21:4725/02/21 21:47 Um Médium de Transportes se de ter aquela gente, em tempos idos, praticado um ato de guerra, ato que causara a morte de milhares de pessoas, explodindo um dique e causando uma inundação. — Por todas as vidas responderão, mais tarde ou mais cedo, aqueles que tirarem a vida! Assim mesmo, segundo o montante em conhecimento de causa; por tudo o que se fizer se responderá! Cada um lavra em si mesmo a marca do feito, independentemente do relatório que cada um vai preenchendo, no plano de onde saiu para encarnar. Isto é, há funcionários espirituais que têm por função ir acrescentando nos relatórios, tudo aquilo que de marcante se for passando na vida dos seres. Cumpre dizer, também, que tudo é feito organizadamente, estando as zonas terráqueas distribuídas convenientemente. Tudo o que é feito é sabido e escrito, além da marca pessoal e inderrogável que o ser em sua estrutura lavra. E enquanto não houver resgate, fica de pé. É por isso que dificilmente, poderia conhecer um encarnado os porquês de suas dores e dificuldades. As vidas se vão sucedendo, os motivos se vão acrescentando, para as falhas e os triunfos. E muitas vezes, coisas vão ficando para trás, vindo mais tarde a calhar de oportuno resolvê- -las. O que não passa é o fato de ter de resolvê-las um dia, ficando a oportunidade, de conformidade com os merecimentos do ser, para a ocasião mais
Livro_MEDIUM_V6.indd 117Livro_MEDIUM_V6.indd 117 25/02/21 21:4725/02/21 21:47 Osvaldo Polidoro própria. Há casos em que não há possibilidade de transferência de tempo. Coisas são feitas, às vezes, que demandam imediata entrada no resgate, seja ele qual for, tenha de ir à carne o faltoso, tenha de descer aos abismos, tenha que penar nas zonas organizadas, mas inferiores, onde as condições de vida são muito mais custosas do que na encarnação! Teceu considerações em torno dos colonos e resumiu tudo em dizer: — Na hora, se tiver de ser, cumpra com o seu dever. Irmãos, somos todos, e sempre nos podemos auxiliar, por mais que a Justiça Suprema se imponha. Ninguém erra sozinho, de sorte que tudo vem a calhar e em tempo. Desça sobre os que se fizeram vítimas ao se tornarem criminosos, com o seu poder em bens e proteção. O Céu lhe dará o pago, em multiplicação de felizes oportunidades. Demorou-se um pouco para prosseguir; ouviu alguém que lhe falara, volvendo: — Diz seu pai, para não pensar nisso. Acha que o que é está escrito, visto como não quiseram ouvir ao aviso. Manda bênçãos a todos, da casa e de todas as casas, por ser Deus universal e a família humana uma só. Para se retirar, havendo conclamado, todos ao bem, dirigiu-se a Sinhá Marta com palavras de muito carinho. Prometeu-lhe vir buscá-la
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