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Capítulo 9 de 22

Federação Espírita Brasileira — parte 8 de 21

No Mundo Maior · Chico Xavier, pelo espírito André Luiz

Por volta das duas horas, em plena madrugada, regressou comigo o instrutor ao modesto aposento de Cândida; esta, fora do mirrado invólucro material, repousava nos braços de Cipriana, que lhe afagava a fronte com ternura de mãe. A doente, gozando extrema lucidez, fora do campo fisiológico, respondeu-nos às saudações, tranqüila e feliz. Outros amigos conservavam-se ao lado dela, reconfortando-a para o transe definitivo. Permutávamos impressões, prazerosamente, quando dois irmãos de nosso plano penetraram o quarto, conduzindo Julieta e um cavalheiro que identifiquei por intuição. Confirmou Calderaro, esclarecendo: – É Paulino, que vem ouvir-nos. Diante de Cipriana, que sustentava a enferma nos braços carinhosos, ajoelharam-se ambos instintivamente, chorando comovidos. Ajudados pela assistência magnética dos mensageiros que os traziam até nós, contemplavam-nos a todos, sob forte admiração, relevando, porém, notar que a luz de nossa benemérita instrutora lhes reclamava atenção maior. Sentiam-se humilhados e aflitos. Reconheciam, ali, a presença de alguma coisa do poder celestial. Mantinham-se confundidos e em lágrimas, quando Cipriana se dirigiu ao moço, de maneira particular: – Paulino, falo-te em nome da Divina Justiça.

Que o Senhor te abençoe, a fim de que me ouças com os ouvidos da razão! Escuta! Não supões Julieta digna de teu braço vigoroso e trabalhador para a jornada terrestre? Que fazes da mocidade? Uma simples aventura dos sentidos? Não interpretas a experiência humana como estrada preparatória da eternidade? Que juízo fazes da vida e dos seus sublimes dons? Não partilhes o ingrato labor dos nossos irmãos menos esclarecidos, que pretendem converter a mulher numa cobaia infeliz para o jogo dos sentidos. Dignifica a Francisco Cândido Xavier - No Mundo Maior - pelo Espírito André Luiz 84

tua existência de homem, honrando o sacerdócio feminino. Renasceste na Terra, guardado por seu devotamento cresceste sob os cuidados maternos, e encontrarás, ainda, na mulher, o vaso dileto para os teus sonhos de paternidade criadora. Porque persistir no vaidoso domínio de uma criança pobre, por mero impulso de egoísmo e de ostentação? Não te confrange contemplar a prolongada aflição de Cândida, atormentada por atroz pesadelo, ante a incerteza dolorosa do porvir da filha? Desperta para os teus compromissos de natureza superior. Não vieste ao mundo simplesmente para gozar. A existência terrestre, meu amigo, é abençoado colégio de iluminação renovadora. Que motivos te impelem a um condenável procedimento? És bom e útil, inteligente e nobre. Porque te furtas à responsabilidade santificante? Nesse momento, Paulino, que chorava sob insopitável comoção, não falou, mas emitiu pensamentos que se fizeram claros para nos. Não hesitaria quanto ao casamento – ponderava, raciocinando –; todavia, encontrara Julieta fora do santuário doméstico. Conhecera-a num círculo de pessoas menos responsáveis, em clima de sugestões que não convidavam à elevação espiritual. Não seria prudente defender-se?

Não lhe constituía obrigação organizar o matrimônio em bases mais sólidas? Aproximara-se da jovem num clube noturno. Encontrara-a sem lar. A Irmã Cipriana alcançou-lhe as ponderações, porque tornou, firme, após ligeira pausa: – Perante o teu critério de homem de bem, as aflições de Julieta a tornam credora de maior amparo. A pobrezinha não procurou uma casa de entretenimentos menos dignos, alimentando segundas intenções. Não lhe conheces, porventura, as preocupações absorventes de filha dedicada? Não sabes que seus pés ali buscavam trabalho e arrimo, proteção e recurso? Enquanto diligenciavas mera distração para a mente ociosa, Julieta vivia humi- Francisco Cândido Xavier - No Mundo Maior - pelo Espírito André Luiz 85

lhações, tentando ganhar o remédio necessário à mãezinha enferma... Como absolver a ti mesmo e condená-la? Com que direito chasqueaste a respeitabilidade de uma jovem que visava a tão sagrados objetivos? Haverá vileza no Sol quando seus raios incidem no pântano? Será culpado o lírio que adereça um cadáver? Paulino, sacode a consciência adormentada pelas facilidades humanas! Ainda não sofreste quanto devias, para santificar e amar a vida. Não desprezes o ensejo que se te oferece! Coopera no resgate de jovem mulher que te não surgiu no caminho por mero acaso. O amor e a confiança não constituem obras de improviso: nascem sob a bênção divina, crescem com a luta e consolidam-se nos séculos. A simpatia, no mais das vezes, é a realização de milênios. Não te aproximarias de Julieta, com tamanho apego, se ela já não figurasse em teu pretérito espiritual. Dedica-te a ela, salva-a da loucura e da inutilidade. Oferece-lhe o braço de esposo, honrando a vida, antes que a morte te despedace o vaso físico nas mãos invencíveis.

É mais nobre dar que receber, mais belo amar que ser amado, mais divino sacrificar-se que extorquir alheios sacrifícios. Não te cause mossa a crítica do mundo. A sociedade humana é venerável em seus fundamentos, mas injusta quando extermina os germes de regeneração espiritual para a vida superior, a pretexto de preservar-se. Vem a nós, Paulino! O Senhor abençoar-te-á o gesto digno. Amanhã Cândida viverá as horas derradeiras da atual existência. Dá-lhe a paz, restitui-lhe o bemestar, pelo muito que se mortificou para conservar a filha em posição respeitável. Não permitas que o amor se perverta em tua alma. Santifica-o com a responsabilidade, fortifica-o com os teus dotes naturais e a Providência estará ao teu lado por todo o sempre. Calou-se a instrutora, mas de seu coração partiam raios de safirina luz, envolvendo o rapaz integralmente. Francisco Cândido Xavier - No Mundo Maior - pelo Espírito André Luiz 86

O cavalheiro ergueu os olhos lacrimosos, contemplando-a, reconhecido, e declarou: – Recebo a vossa palavra como se fora a de minha Mãe Celestial. Fazei de mim o que vos aprouver. Estou pronto... Cipriana depositou Cândida no invólucro físico, afetuosamente, e dirigiu-se ao jovem par, acrescentando: – Que o Pai nos abençoe a todos. Julieta e Paulino foram reconduzidos ao aposento do qual tinham vindo e nós, de nossa parte, dilatamos a permanência no quarto da enferma, em auxílio ao processo desencarnatório. Às oito horas da manhã, Cipriana suprimiu-lhe a maior parte das forças. Chamado pela enfermeira vigilante, o médico prognosticou a morte próxima. Reclamada a presença da filha, compareceu a jovem depois do meio-dia, seguindo-se-lhe Paulino, visivelmente comovido. Que belo que é verificar a influência indireta do plano superior sobre os companheiros terrestres! Como haviam procedido nas horas de sono carnal, assim, ao observarem a venerável senhora em plena agonia, ajoelharam-se ambos, lacrimosos, quase na mesma posição de horas antes.

Cândida fixou o rapaz em atitude suplicante e falou-lhe, com dificuldade, embora Cipriana lhe não deixasse fugir as energias, mantendo a destra luminosa sobre a sua cabeça. A agonizante comentou, comovedoramente, a angústia que lhe torturava o espírito. Receava deixar a filha inexperiente no mundo, à mercê das tentações. Apelava para o cavalheirismo de Paulino, que a não deixou terminar. De olhos rasos d'água, colocou o indicador nos lábios da respeitável moribunda, confortando-a. – Dona Cândida – disse, atencioso –, não fale mais nisso. Amanheci hoje com um propósito irremovível: Julieta e eu nos Francisco Cândido Xavier - No Mundo Maior - pelo Espírito André Luiz 87

casaremos, dentro em poucos dias. Amanhã mesmo iniciaremos o processo de legalização do nosso compromisso, antes que qualquer circunstância interfira por empecer nossos desejos. Fique, pois, descansada. A partir de agora, sou também seu filho. A agonizante, chorando copiosamente, fez um sinal. Julieta aproximou-se, enquanto Paulino colava o rosto aos seus cabelos prematuramente encanecidos. Foi então que Cândida, amparada por Cipriana, lhes uniu as mãos, num gesto simbólico, osculando-as enternecidamente. Foi seu derradeiro movimento no corpo exausto. Em breves minutos, as pálpebras físicas cerraram-se para sempre, enquanto os olhos espirituais se abririam entre nós, para a contemplação dos trilhos refulgentes da Eternidade. Francisco Cândido Xavier - No Mundo Maior - pelo Espírito André Luiz 88

Processo redentor Retirando-nos do hospital, em a noite que precedeu à desencarnação de Cândida, o Assistente observou: – Não temos tempo a perder. Efetivamente, o trabalho de socorro à prezada enferma absorvera-nos algumas horas. – Nosso esforço – continuou o prestimoso amigo – tem por especial escopo impedir a consumação dos processos tendentes à loucura. A rede de amparo espiritual, neste sentido, é quase infinita. A positiva declaração de desarmonia mental constitui sempre o término de longa luta. Claro está que não incluímos aqui os casos puramente fisiológicos, mormente em se tratando da invasão da sífilis na matéria cerebral; reportamo-nos aos dramas íntimos da personalidade prisioneira da introversão, do desequilíbrio, dos fenômenos de involução, das tragédias passionais, episódios esses que deflagram no mundo, aos milhares por semana. Nas esferas imediatas à luta do homem vulgar, onde nos achamos presentemente, são inúmeras as organizações socorristas dessa natureza. É imprescindível amparar a mente humana na Crosta Planetária, em seus deslocamentos naturais. A vasta escola terrestre exige incessante e complexa colaboração espiritual.

Indubitavelmente, a Divina Sabedoria não se descuidou da programação prévia de serviço, neste particular. Se encarregou a Ciência de superintender o desdobramento harmonioso dos fenômenos pertinentes à zona física, se incumbiu a Filosofia de acompanhar essa mesma Ciência, enriquecendo-lhe os valores intelectuais, confiou à Religião a tarefa de velar pelo desenvolvimento da alma, propiciando-lhe abençoadas luzes para a jornada de ascensão. A crença religiosa, todavia, mormente nos últimos anos, tem-se revelado incapaz de Francisco Cândido Xavier - No Mundo Maior - pelo Espírito André Luiz 89

tal cometimento: falta-lhe pessoal adequado. Enquanto a edificação científica no mundo se apresenta qual árvore gigantesca, abrigando, em seus ramos refertos de teorias e raciocínios, as inteligências encarnadas, a Religião, subdividida em numerosos setores, dá a idéia de erva raquítica, a definhar no solo. O Amor Divino, porém, não ignora os obstáculos que assoberbam os círculos da fé. Se à investigação do conhecimento basta o valor intelectual, o problema religioso demanda altas possibilidades de sentimento. A primeira requer observação e persistência; o segundo, todavia, implica vocação para a renúncia. À vista disto, colaborando com os trabalhadores decididos, inúmeras legiões de auxiliares invisíveis ao olhar humano se desdobram, em toda parte, socorrendo os que sofrem, incentivando os que esperam firmemente no bem, melhorando sempre. Nosso esforço, portanto, em torno da mente encarnada, é extenso e múltiplo. Forçoso é convir, no entanto, que, se o programa dá motivo a preocupações, é também fonte de prazer. Experimentamos o contentamento de irmãos mais velhos, capazes de prestar auxilio aos mais novos. Indiscutivelmente, somos, em humanidade, uma só família.

Verificando-se pausa natural nos esclarecimentos de Calderaro, indaguei, curioso: – Como se opera, entretanto, a administração de tais auxílios? Indiscriminadamente? – Não – explicou o interpelado –, o senso de ordem presidenos à atividade em todas as circunstâncias Quase sempre é a força intercessória que determina os processos de ajuda. A prece, representada pelo desejo não manifestado, pelas aspirações íntimas ou pelas petições declaradas, proveniente da zona superior ou surgida do fundo vale, onde se agitam as paixões humanas, é, a rigor, o ascendente de nossas atividades. Francisco Cândido Xavier - No Mundo Maior - pelo Espírito André Luiz 90

Dispunha-me a formular certa pergunta, oriunda de velhas concepções do separatismo religioso, quando Calderaro, percebendo-me a ponderação prestes a exprimir-se, acrescentou, calmo: – Não aludimos, aqui, a orações ou a aspirações de correntes idealísticas determinadas: o dístico não interessa. Colaboramos com o espírito eterno em sua ascensão à zona divina, aduzindo novas forças ao bem, onde ele se encontre, independentemente de fórmulas dogmáticas, ou não, com que ele se manifeste nos círculos humanos. Nosso problema não é de favoritismo, senão de espiritualidade superior, mercê da união dos valores substanciais, em favor da vida melhor. A essa altura das lições que eu recebia em forma de palestra ligeira, enquanto nos movimentávamos em serviço, atingimos residência de aspecto simples, que se distinguia pelo jardim bem cuidado, em toda a volta. – Temos, aqui – disse-me, o instrutor –, indefesso companheiro de outras épocas, reencarnado em dolorosas condições. De algumas semanas para cá, assisto-lhe a mãezinha através de passes reconfortantes.

Em virtude da horrível estrutura orgânica do filho, a ela encadeado há muitos séculos, a razão da pobrezinha está periclitando; prendem-se mutuamente por grilhões de graves compromissos. Considerando-lhe o nobre costume da oração em horário prefixado, valemo-nos dessas ocasiões para vir-lhe em amparo. Admirando a ordem instituída para os quefazeres de nosso plano, e que transparecia nas mínimas ações, silenciosamente acompanhei Calderaro ao interior doméstico. Em rápidos minutos achávamo-nos em pequena câmara, onde magro doentinho repousava, choramingando. Cercavam-no duas entidades tão infelizes quanto ele mesmo, pelo estranho aspecto que apresentavam. O menino enfermo inspirava piedade. Francisco Cândido Xavier - No Mundo Maior - pelo Espírito André Luiz 91

– É paralítico de nascença, primogênito de um casal aparentemente feliz, e conta oito anos na existência nova – informou Calderaro, indicando-o –; não fala, não anda, não chega a sentarse, vê muito mal, quase nada ouve dá esfera humana; psiquicamente, porém, tem a vida de um sentenciado sensível, a cumprir severa pena, lavrada, em verdade, por ele próprio. Há quase dois séculos, decretou a morte de muitos compatriotas numa insurreição civil. Valeu-se da desordem político-administrativa para vingar-se de desafetos pessoais, semeando ódio e ruínas. Viveu nas regiões inferiores, apartado da carne, inomináveis suplícios. Inúmeras vítimas já lhe perdoaram os crimes; muitas, contudo, seguiram-no, obstinadas, anos afora... A malta, outrora densa, rareou pouco a pouco, até que se reduziu aos dois últimos inimigos, hoje em processo final de transformação. Com as lutas acremente vividas, em sombrias e dantescas furnas de sofrimento, o desgraçado aprestou-se para esta fase conclusiva de resgate; conseguiu, assim, a presente reencarnação com o propósito de completar a cura efetiva, em cujo processo se encontra, faz muitos anos. A paisagem era triste e enternecedora.

O doente, de ossos enfezados e carnes quase transparentes, pela idade deveria ser uma criança bela e feliz; ali, entretanto, se achava imóvel, a emitir gritos e sons guturais, próprios da esfera sub-humana. Com o respeito devido à dor e com a observação imposta pela Ciência, verifiquei que o pequeno paralítico mais se assemelhava a um descendente de símios aperfeiçoados. – Sim, o espírito não retrocede em hipótese alguma – explicou Calderaro –; todavia, as formas de manifestação podem sofrer degenerescência, de modo a facilitar os processos regenerativos. Todo mal e todo bem praticados na vida impõem modificações em nosso quadro representativo. Nosso desventurado amigo envenenou para muito tempo os centros ativos da organização peris- Francisco Cândido Xavier - No Mundo Maior - pelo Espírito André Luiz 92

piritual. Cercado de inimigos e desafetos, frutos da atividade criminosa a que se consagrou voluntariamente, permanece quase embotado pelas sombras resultantes dos seus tremendos erros. No campo consciencial, chora e debate-se, sob o aguilhão de reminiscências torturantes que lhe parecem intérminas; mas os sentidos, mesmo os de natureza física, mantêm-se obnubilados, à maneira de potências desequilibradas, sem rumo... Os pensamentos de revolta e de vingança, emitidos por todos aqueles aos quais deliberadamente ofendeu, vergastaram-lhe o corpo perispiritual por mais de cem anos consecutivos, como choques de desintegração da personalidade, e o infeliz, distante do acesso à zona mais alta do ser, onde situamos o castelo das noções superiores, em vão se debateu no Campo do esforço presente, isto é, à altura da região em que localizamos as energias motoras; é que os adversários implacáveis, apegando-se a ele, através da influência direta, compeliram-lhe a mente a fixar-se nos impulsos automáticos, no império dos instintos; permitiu a Lei que assim acontecesse, naturalmente porque a conduta de nosso infortunado irmão fora igual à do jaguar que se aproveita da força para dominar e ferir.

Os abusos da razão e da autoridade constituem faltas graves ante o Eterno Governo dos nossos destinos. O estimado Assistente fitou-me com seus olhos muito lúcidos e perguntou: – Compreendeste? Como desejasse ver-me suficientemente esclarecido, acrescentou: – Espiritualmente, este pobre doente não regrediu. Mas o processo de evolução, que constitui o serviço do espírito divino, através dos milênios, efetuado para glorioso destino, foi por ele mesmo (o enfermo) espezinhado, escarnecido e retardado. Semeou o mal, e colhe-o agora. Traçou audacioso plano de extermínio, valendo-se da autoridade que o Pai lhe conferira, concretizou o Francisco Cândido Xavier - No Mundo Maior - pelo Espírito André Luiz 93

deplorável projeto e sofre-lhe as conseqüências naturais de modo a corrigir-se. Já passou a pior fase. Presentemente, já se afastou do maior número de inimigos, aproximando-se de amoroso coração materno, que o auxilia a refazer-se, ao término de longo curso de regeneração. Reparando a estranha atitude dos infelizes desencarnados que o seguiam, pretendia indagar algo relativamente a eles, quando Calderaro veio ao encontro de meus desejos, continuando: – Também os míseros perseguidores são duendes do ódio e da vingança, como o nosso enfermo é um remanescente do crime. São náufragos na derradeira fase de salvação, após enorme hecatombe no mar da vida, onde se perderam por muitos anos, por incapazes de usar a bússola do perdão e do bem. Aproximam-se, porém, do porto socorrista. Voltarão ao Sol da existência terrestre, por intermédio de um coração de mulher que compreendeu com Jesus o valor do sacrifício. Em breve, André, consoante o programa redentor já delineado, ingressarão neste mesmo lar na qualidade de irmãos do antigo adversário.

E quando entrelaçarem as mãos sobre ele, consumindo energias por ajudá-lo, assistidos pela ternura de abnegada mãe, amorosa e justa, beijarão o velho inimigo com imenso afeto. Transmudar-se-ão as negras algemas do ódio em alvinitentes liames de luz, nos quais refulgirá o amor eterno. Chegado esse tempo, a força do perdão restituirá nosso doente à liberdade; largará ele, qual pássaro feliz, este mirrado corpo físico, sufocante cárcere do crime e suas conseqüências, onde se debateu por quase dois séculos. Até lá, importa zelar com empenho pela valorosa mulher que é essa, vestalina senhora deste lar, em quem as Forças Divinas respeitam a vocação para o martírio, por iluminar a vida e enriquecer a obra de Deus. Mal terminava Calderaro as elucidações, quando um dos verdugos desencarnados se moveu e tocou com a destra o cérebro do Francisco Cândido Xavier - No Mundo Maior - pelo Espírito André Luiz 94

Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.