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Capítulo 11 de 22

Federação Espírita Brasileira — parte 10 de 21

No Mundo Maior · Chico Xavier, pelo espírito André Luiz

to propiciado pelo sono físico, sofria amargamente com as recordações. Tudo prosseguia sem novidades dignas de menção. Sob a vigilância dos pais e com o amparo dos benfeitores invisíveis, preparava-se o menino para os trabalhos futuros. Contudo, logo que se lhe consolidou a posse do patrimônio físico, ultrapassados os catorze anos de idade, Marcelo, com a organização perispiritual plenamente identificada com o invólucro fisiológico, passou a rememorar os fenômenos vividos e surgiram-lhe as chamadas convulsões epilépticas com certa intensidade. O rapaz, todavia, encontrou imediatamente os antídotos necessários, refugiando-se na residência dos princípios nobres, isto é, na região mais alta da personalidade, pelo hábito da oração, pelo entendimento fraterno, pela prática do bem e pela espiritualidade superior. Limitou, destarte, a desarmonia neuropsíquica e reduziu a disfunção celular, reconquistando o próprio equilíbrio, dia a dia, mobilizando as armas da vontade. Nesse esforço, dentro do qual se fez extremamente simpático, recebeu vultosa colaboração de nossa esfera, aproveitando-a integralmente pela adesão criteriosa ao esforço construtivo do bem.

Recebendo a luta com serenidade e paciência, instalou em si mesmo valiosas qualidades receptivas, favorecendo-nos o concurso e dispensando, por isso mesmo, a terapêutica dos hipnóticos ou dos choques, a qual, provocando estados anormais no organismo perispirítico, quase sempre nada consegue senão deslocar os males, sem os combater nas origens. O caso de Marcelo oferece, por isto, características valiosas. Atendendo as sugestões daqueles que o beneficiam, adaptando-se à realidade, vem sendo o médico de si mesmo, única fórmula em que o enfermo encontrará a própria cura. Nesse instante, o rapaz despedia-se delicadamente dos pais, retirando-se para o quarto particular, onde se recolheu ao leito, após abluir a mente em pensamentos de paz e de gratidão a Deus. Francisco Cândido Xavier - No Mundo Maior - pelo Espírito André Luiz 107

Dentro de breves minutos afastava-se do veículo denso e vinha ter conosco, saudando Calderaro com especial carinho. O Assistente apresentou-me, afável. Mostrava o jovem profunda lucidez. Abraçado a nós ambos, com inequívocas demonstrações de alegria, comentou suas esperanças no porvir. Expôs-nos ardente desejo de trabalhar pela difusão do Espiritismo evangélico, disposto a colaborar na obra edificante que os genitores vêm realizando. Referiu-se, para admiração minha, às atividades de nossa colônia espiritual, indagou das minhas impressões de “Nosso Lar”, seduzindo-me pela oportunidade de conceitos e pela beleza das apreciações inteligentes e espontâneas1. Ia a conversa a meio, quando dois vultos sombrios cautelosamente se aproximaram de nós. Quem seriam, senão míseros transeuntes desencarnados? Inteiramente distraído, continuei nos comentários humildes, mas o estimado interlocutor perdeu visivelmente a calma. Qual se fora tocado no íntimo por forças perturbadoras, Marcelo empalideceu, levou a destra ao peito e arregalou os olhos desmesuradamente. Reparei que as idéias lhe baralhavam no cérebro perispiritual, que não conseguia ouvir-nos com tranqüilidade, e, desprendendo-se, célere, de nossos braços, correu desabalado, retomando ao corpo.

Quis detê-lo, penalizado, pois conosco estava perfeitamente sintonizado; algo mais forte que o conhecimento cordial unia-me ao novo amigo, o que reconheci desde o primeiro contacto; não pude, porém, fazê-lo. Reteve-me Calderaro, com vigor, e exclamou: – Deixa-o, André. Acompanhemo-lo. Não podemos olvidar que Marcelo não se encontra perfeitamente curado.

1 Referencia ao livro “Nosso Lar”. (Nota do Autor espiritual.) Francisco Cândido Xavier - No Mundo Maior - pelo Espírito André Luiz 108

Indicando as entidades provocadoras, a pequena distância, prosseguiu esclarecendo: – A simples reaproximação dos inimigos de outra época altera-lhe as condições mentais. Receoso, aflito, teme o regresso à situação dolorosa em que se viu, há muitos anos, nas esferas inferiores e busca, apressado, o corpo físico, à maneira de alguém que se socorre do único refúgio de que dispõe, em face da tempestade iminente. Os espíritos erradios bateram em retirada e tornamos ao interior doméstico, onde encontramos o jovem tomado de contorções. Abracei-o, como se o fizesse a um filho querido. O ataque amainou, sem, contudo, cessar de todo. Ergui os olhos para o orientador, em muda interrogação. Porque tal distúrbio? A câmara de Marcelo permanecia isolada, quanto ao contacto direto com as entidades inferiores. Permanecíamos os três em palestra edificante. Por que motivo a perturbação, se nos mantínhamos em salutar atmosfera de santificantes pensamentos? O instrutor contemplou-me, bondoso, e recomendou: – Observa o campo orgânico, examinando particularmente o cérebro. Notei que a luz habitual dos centros endócrinos empalidecera, persistindo somente a epífise a emitir raios anormais.

No encéfalo o desequilíbrio era completo. Das zonas mais altas do cérebro partiam raios de luz mental, que, por assim dizer, bombardeavam a colméia de células do córtex. Os vários centros motores, inclusive os da memória e da fala, jaziam desorganizados, inânimes. Esses raios anormais penetravam as camadas mais profundas do cerebelo, perturbando as vias do equilíbrio e destrambelhando a tensão muscular; determinavam estranhas transformações nos neurônios e imergiam no sistema nervoso cinzento, anulando a atividade das fibras. Via-se totalmente inibido o delicado aparelho Francisco Cândido Xavier - No Mundo Maior - pelo Espírito André Luiz 109

encefálico. As zonas motoras, açoitadas pelas faíscas mentais, perdiam a ordem, a disciplina, o autodomínio, por fim cedendo, baldas de energia. Enquanto isso, Marcelo-espírito contorcia-se de angústia, justaposto ao Marcelo-forma, encarcerado na inconsciência orgânica, presa de convulsões que me confrangiam a alma. Após detido exame, indaguei de Calderaro: – Como explicar essa ocorrência? Afinal de contas, nosso amigo não se encontra aqui sob o guante dos perseguidores desencarnados, mas em nossa exclusiva companhia. O orientador, agora em ação de socorro magnético, interferia, restaurando o equilíbrio, recomendando-me aguardar alguns minutos. Em breve, dominou a desarmonia. Envolvendo-lhe o campo mental em emissões fluídico-balsâmicas, o desastre não chegou a termo. Marcelo aquietou-se. Refez-se a atividade cerebral, qual praça em tumulto logo descongestionada. As células nervosas retomaram sua tarefa, normalizaram-se as vias do tráfego, o sistema endocrínico regressou à regularidade, as redes de estímulos restabeleceram os serviços costumeiros.

Marcelo, desapontado e abatido, caiu em profundo sono, pois Calderaro entendeu conveniente proporcionar-lhe maior repouso, não lhe permitindo a retirada em corpo perispiritual nos primeiros minutos de paz que se sucederam à forte crise. Observando o rapaz, no conchego do leito, o instrutor fitoume, benévolo, e perguntou: – Lembras-te dos reflexos condicionados de Pavlov? Como não? recordava-me, sim, da famosa experiência com cães, aplicada a fenômenos outros. – Pois bem – prosseguiu Calderaro, bondoso –, o caso de Marcelo verifica-se em consonância com os mesmos princípios. Em existências passadas, errou em múltiplos modos e o remorso, imperiosa força a serviço da Divina Lei, guardou-lhe a consciên- Francisco Cândido Xavier - No Mundo Maior - pelo Espírito André Luiz 110

cia, qual sentinela vigilante, entregando-o aos seus inimigos nos planos inferiores e conduzindo-o à colheita de espinhos que semeara, logo após a perda do vaso físico, num dos seus períodos mais intensos de queda espiritual. Em conseqüência de tais desvios, perambulou desequilibrado, de alma doente, exposto à dominação das antigas vítimas. Desarranjou os centros perispirituais, enfermando-os para muito tempo. Sustentado pelo socorro de um grande instrutor que intercedeu por ele, renasceu mais calmo, agora, para importante serviço de resgate. Todavia, a cooperação valiosa recebida do exterior não poderia transformar-lhe de modo visceral a situação íntima. Conservava-se desafogado dos impiedosos adversários, aos quais deveria ajudar doravante; contudo, o organismo perispirítico arquivava a lembrança fiel dos atritos experimentados fora do veículo denso. As zonas motoras de Marcelo, em razão disso – salientou o atencioso orientador –, simbolizando a moradia das forças conscientes, em sua atualidade de trabalho, constituem uma região perispiritual em convalescença, quais as sensíveis cicatrizes do corpo físico.

Ao se reaproximar de velhos desafetos, o rapaz, que ainda não consolidou o equilíbrio integral, sujeita-se aos violentos choques psíquicos, com o que as emoções se lhe desvairam, afastando-se da necessária harmonia. A mente desorientada abandona o leme da organização perispirítica e dos elementos fisiológicos, assume condições excêntricas, dispersa as energias que lhe são peculiares, em movimentos desordenados; passam, então, essas energias a atritarem-se e a emitir radiações de baixa freqüência, aproximadamente igual à da que lhe incidia do pensamento alucinado de suas vítimas. Essas emissões destruidoras invadem a matéria delicada do córtex encefálico, assenhoreiam-se dos centros corticais, perturbam as sedes da memória, da fala, da audição, da sensibilidade, da visão e inúmeras outras sedes do governo de vários estímulos; temos, destarte, o grande mal, de sintomatologia aparatosa, determinando as convul- Francisco Cândido Xavier - No Mundo Maior - pelo Espírito André Luiz 111

sões, nas quais o corpo físico, prostrado, vencido, mais se assemelha a embarcação repentinamente à matroca. As elucidações de Calderaro enchiam-me de respeito pelos fundamentos morais da vida. Compreendia agora a impossibilidade de uma psiquiatria sem as noções do espírito. Lembrou-me a luta secular entre fisiologistas e psicologistas, disputando a norma de socorro aos alienados mentais. Mesmer e Charcot, Pinel e Broca desfilaram ante minha imaginação, enriquecida de novos conhecimentos. A interrupção das digressões do Assistente não durou muito. Devo, na verdade, consignar que, desde a primeira hora de nossas conversações, tais intermitências se fizeram habituais, parecendome que Calderaro intencionalmente me proporcionava tréguas para ruminar-lhe os conceitos. Respondendo-me às íntimas ponderações, continuou: – Impossível é pretender a cura dos loucos à força de processos exclusivamente objetivos. É indispensável penetrar a alma, devassar o cerne da personalidade, melhorar os efeitos socorrendo as causas; por conseguinte, não restauraremos corpos doentes sem os recursos do Médico Divino das almas, que é Jesus-Cristo. Os fisiologistas farão sempre muito, tentando retificar a disfunção das células; no entanto, é mister intervir nas origens das perturbações.

O caso de Marcelo é tão somente um dos múltiplos aspectos do fenômeno epileptóide, para empregarmos a terminologia dos médicos encarnados. Esse desequilíbrio perispiritual assinala-se, todavia, por gradação demasiado complexa. A confirmação da teoria dos reflexos condicionados não se aplica exclusivamente a ele. Temos milhões de pessoas irascíveis que, pelo hábito de se encolerizarem facilmente, viciam os centros nervosos fundamentais pelos excessos da mente sem disciplina, convertendo-se em portadores do pequeno mal, em dementes precoces, em neurastênicos de tipos diversos ou em doentes de franjas epilépticas, que Francisco Cândido Xavier - No Mundo Maior - pelo Espírito André Luiz 112

andam por aí, submetidos à hipoglicemia insulínica ou ao metrazol; enquanto isso, o serem educados mentalmente, para a correção das próprias atitudes internas no ramerrão da vida, lhes seria tratamento mais eficiente e adequado, pois regenerativo e substancial. Enunciando tais verdades, não subestimamos o ministério dos psiquiatras abnegados, que consomem a existência na dedicação aos semelhantes, nem avançamos que todos os doentes, sem exceção, possam dispensar o concurso dos choques renovadores, tão necessários a muita gente, como ducha para os nervos empoeirados. Desejamos apenas salientar que o homem, pela sua conduta, pode vigorar a própria alma, ou lesá-la. O caráter altruísta, que aprendeu a sacrificar-se para o bem de todos, estará engrandecendo os celeiros de si mesmo, em plena eternidade; o homicida, esparzindo a morte e a sombra em sua cercania, estabelece o império do sofrimento e da treva no próprio íntimo.

Ao topar com irmãos nossos sob o domínio das lesões perispiríticas, conseqüências vivas dos seus atos, exarados pela Justiça Universal, é indispensável, para assisti-los com êxito, remontar à origem das perturbações que os molestam; isto se fará não a golpes verbalísticos de psicanálise, mas socorrendo-os com a força da fraternidade e do amor, a fim de que logrem a imprescindível compreensão com que se modifiquem, reajustando as próprias forças... Nesse instante, observando que Marcelo se reerguia, o instrutor interrompeu-se nas elucidações e convidou-o a vir ter conosco novamente. O rapaz abraçou-nos, comovido. – Então – disse fitando humildemente Calderaro –, fraquejei e caí... – Oh! não! – exclamou o orientador, afagando-o –, não te sintas em queda. Estás ainda em tratamento e não podemos esquecer a realidade. Teu esforço é admirável; entretanto, há que aguardar a contribuição do tempo. Francisco Cândido Xavier - No Mundo Maior - pelo Espírito André Luiz 113

Sorriu e acentuou: – Em épocas recuadas perdeste valioso ensejo de seguir na senda progressiva, a escorregar, a resvalar... Agora, é imprescindível retomar a subida cautelosamente. O pássaro de asas débeis não pode abusar do vôo. O jovem cobrou esperanças novas e, contemplando Calderaro, reconhecidamente, inquiriu: – Acredita o meu benfeitor que deva optar pelo uso de hipnóticos? – Não. Os hipnóticos são úteis só na áspera fase de absoluta ignorância mental, quando é preciso neutralizar as células nervosas ante os prováveis atritos da organização perispirítica. Em teu caso, Marcelo, para a tua consciência que já acordou na espiritualidade superior, o remédio mais eficaz consiste na fé positiva, na autoconfiança, no trabalho digno, em pensamentos enobrecedores. Permanecendo na zona mais alta da personalidade, vencerás os desequilíbrios dos departamentos mais baixos, competindo-te, por isto mesmo, atacar a missão renovadora e sublime que te foi confiada no setor da própria iluminação e no bem do próximo.

Os elementos medicamentosos podem exercer tutela despótica sobre o cosmo orgânico, sempre que a mente não se disponha a controlá-la, recorrendo aos fatores educativos. O rapaz osculou-lhe as mãos, enternecidamente, e Calderaro, ocultando a comoção, falou, bem-humorado: – Nada fizemos ainda por merecer o reconhecimento de qualquer criatura. Somos não mais do que trabalhadores imperfeitos em serviço e o serviço é a maior força que nos põe de manifesto nossas próprias imperfeições. Todos temos um credor divino em Jesus, cuja infinita bondade não nos é lícito esquecer. E, acariciando-lhe os cabelos, acentuou: Francisco Cândido Xavier - No Mundo Maior - pelo Espírito André Luiz 114

– Já lhe ouviste a palavra celestial, abandonando o mal, para que te não suceda coisa pior. Assim sendo, és agora feliz. Em verdade, somos presentemente felizes, porque nosso objetivo de hoje é a realização do Reino de Deus, em nós, com o Cristo. Trabalhemos com Ele, por Ele e para Ele, curando nossos males para sempre. O jovem abraçou-se a nós, qual se fora um filho, de encontro aos nossos corações, e saímos juntos em agradável excursão de estudos, enquanto seu corpo físico repousava tranqüilamente. Francisco Cândido Xavier - No Mundo Maior - pelo Espírito André Luiz 115

Mediunidade Sobremodo interessado no expressivo caso de Marcelo, apresentei a Calderaro, no dia seguinte, certas questões que fortemente me preocupavam. Os reflexos condicionados não se aplicariam, igualmente, a diversos fenômenos medianímicos? Não elucidavam as mistificações inconscientes que, muita vez, perturbam os círculos dos experimentadores encarnados? Alguns estudiosos do Espiritismo, devotados e honestos, reconhecendo os escolhos do campo do mediunismo, criaram a hipótese do fantasma anímico do próprio medianeiro, o qual agiria em lugar das entidades desencarnadas. Seria essa teoria adequada ao caso vertente? Sob a evocação de certas imagens, o pensamento do médium não se tornaria sujeito a determinadas associações, interferindo automaticamente no intercâmbio entre os homens da Terra e os habitantes do Além? Tais intervenções, em muitos casos, poderiam provocar desequilíbrios intensos. Ponderando observações ouvidas nos últimos tempos, em vários centros de cultura espiritualista, com referência ao assunto, inquiria de mim mesmo se o problema oferecia relações com os mesmos princípios de Pavlov. O instrutor ouviu-me, paciente, até ao fim de minhas considerações, e respondeu, benévolo: – A consulta exige meditação mais acurada.

A tese animista é respeitável. Partiu de investigadores conscienciosos e sinceros, e nasceu para coibir os prováveis abusos da imaginação; entretanto, vem sendo usada cruelmente pela maioria dos nossos colaboradores encarnados, que fazem dela um órgão inquisitorial, quando deveriam aproveitá-la como elemento educativo, na ação fraterna. Francisco Cândido Xavier - No Mundo Maior - pelo Espírito André Luiz 116

Milhares de companheiros fogem ao trabalho, amedrontados, recuam ante os percalços da iniciação mediúnica, porque o animismo se converteu em Cérbero. Afirmações sérias e edificantes, tornadas em opressivo sistema, impedem a passagem dos candidatos ao serviço pela gradação natural do aprendizado e da aplicação. Reclama-se deles precisão absoluta, olvidando-se lições elementares da natureza. Recolhidos ao castelo teórico, inúmeros amigos nossos, em se reunindo para o elevado serviço de intercâmbio com a nossa esfera, não aceitam comumente os servidores, que hão de crescer e de aperfeiçoar-se com o tempo e com o esforço. Exigem meros aparelhos de comunicação, como se a luz espiritual se transmitisse da mesma sorte que a luz elétrica por uma lâmpada vulgar. Nenhuma árvore nasce produzindo e qualquer faculdade nobre requer burilamento. A mediunidade tem, pois sua evolução, seu campo, sua rota. Não é possível laurear o estudante no curso superior, sem que ele tenha tido suficiente aplicação nos cursos preparatórios, através de alguns anos de luta, de esforço, de disciplina.

Daí, André, nossa legítima preocupação em face da tese animista, que pretende enfeixar toda a responsabilidade do trabalho espiritual numa cabeça única, isto é, a do instrumento mediúnico. Precisamos de apelos mais altos, que animem os cooperadores incipientes, proporcionando-lhes mais vastos recursos de conhecimento na estrada por eles mesmos perlustrada, a fim de que a espiritualidade santificante penetre os fenômenos e estudos atinentes ao espírito. Fez pequeno intervalo que não ousei interromper, fascinado pela elevação dos conceitos ouvidos, e continuou: – Vamos à tua sugestão. Os reflexos condicionados enquadram-se, efetivamente, no assunto; no entanto, cumpre-nos investigar domínio de mais graves apreciações. Os animais de Pavlov demonstravam capacidade mnemônica; memorizavam fatos por associações mentais espontâneas. Isto quer dizer que mobilizavam Francisco Cândido Xavier - No Mundo Maior - pelo Espírito André Luiz 117

Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.