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Capítulo 3 de 22
Federação Espírita Brasileira — parte 2 de 21
No Mundo Maior · Chico Xavier, pelo espírito André Luiz
O abnegado orientador não exibia os traços de venerável senectude com que em geral imaginamos os apóstolos das revelações divinas; mostrava-se-nos com a figura dos homens robustos, em plena madureza espiritual; os olhos escuros e tranqüilos pareciam fontes de imenso poder magnético. Contemplava-nos sorridente, qual simples colega. A presença dele impusera, porém, respeitoso silencio. Cessaram todas as conversações que aqui e ali se entretinham e, ante os fios de luz que os trabalhadores de nosso plano teciam em derredor, isolando-nos de qualquer assédio eventual das forças inferiores, apenas o vento calmo erguia a voz, sussurrando algo de belo e misterioso à folhagem. Sentamo-nos todos, à escuta, enquanto o Instrutor se mantinha de pé; observando-o, quase frente a frente, eu podia agora apreciar-lhe a figura majestosa, respirando segurança e beleza. Do rosto imperturbável, a bondade e a compreensão, a tolerância e a doçura irradiavam simpatia inexcedível. A túnica ampla, de tom verde-claro, emitia esmeraldinas cintilações. Aquela vigorosa personalidade infundia veneração e carinho, confiança e paz. Consolidada a quietude no ambiente, elevou a destra para o Alto e orou com inflexão comovedora:
Senhor da Vida, Abençoa-nos o propósito De penetrar o caminho da Luz!...
Somos Teus filhos, Ainda escravos de círculos restritos, Mas a sede do Infinito Dilacera-nos os véus do ser.
Herdeiros da imortalidade, Francisco Cândido Xavier - No Mundo Maior - pelo Espírito André Luiz 16
Buscamos-Te as fontes eternas Esperando, confiantes, em Tua misericórdia.
De nós mesmos, Senhor, nada podemos. Sem Ti, somos frondes decepadas Que o fogo da experiência Tortura ou transforma...
Unidos, no entanto, ao Teu Amor, Somos condicionadores gloriosos De Tua Criação interminável.
Somos alguns milhares Neste campo terrestre; E, antes de tudo, Louvamos-Te a grandeza Que não nos oprime a pequenez...
Dilata-nos a percepção diante da vida, Abre-nos os olhos Enevoados pelo sono da ilusão Para que divisemos Tua glória sem fim!... Desperta-nos docemente o ouvido, A fim de percebermos o cântico De tua sublime eternidade. Abençoa as sementes de sabedoria Que os teus mensageiros esparziram No campo de nossas almas; Fecunda-nos o solo interior, Para que os divinos germens não pereçam.
Sabemos, Pai, Que o suor do trabalho Francisco Cândido Xavier - No Mundo Maior - pelo Espírito André Luiz 17
E a lágrima da redenção Constituem adubo generoso À floração de nossas sementeiras; Todavia, Sem Tua bênção, O suor elanguesce E a lágrima desespera... Sem Tua mão compassiva, Os vermes das paixões E as tempestades de nossos vícios Podem arruinar-nos a lavoura incipiente.
Acorda-nos, Senhor da Vida, Para a luz das oportunidades presentes; Para que os atritos da luta não as inutilizem, Guia-nos os pés para o supremo bem; Reveste-nos o coração Com a Tua serenidade paternal, Robustecendo-nos a resistência! Poderoso Senhor, Ampara-nos a fragilidade, Corrige-nos os erros, Esclarece-nos a ignorância, Acolhe-nos em Teu amoroso regaço.
Cumpram-se, Pai Amado, Os Teus desígnios soberanos, Agora e sempre. Assim seja.
Finda a comovente rogativa, o orientador baixou os olhos nevoados de pranto e então vi, dominado de júbilo, que da incog- Francisco Cândido Xavier - No Mundo Maior - pelo Espírito André Luiz 18
noscível altura uma claridade diferente caía sobre nós, em jorros cristalinos. Partículas semelhantes a prata eterizada choviam no recinto, infiltrando-se nas raízes das árvores mais próximas, lá fora. Ignoto encantamento fizera-se em minh’alma. Ao contacto dos eflúvios divinos, reparei que minhas forças gradualmente serenavam, em receptividade maravilhosa. Em torno, pairavam as mesmas notas de alegria e de beleza, pois a calma e a ventura transpareciam de todos os rostos, voltados, extáticos, para o Instrutor, em redor do qual se mostravam mais intensas as ondas de luz celeste. Sublime felicidade inundava-me todo o ser, mergulhara-me em indefinível banho de energias renovadoras. Meus olhos foram impotentes para conter as lágrimas felizes que as formosas cintilações me destilavam das fontes ocultas do espírito. E, antes que o nobre mentor retomasse a palavra, agradeci em silêncio a resposta do Céu, reconhecendo na prece, mais uma vez, não só a manifestação da reverência religiosa, senão também o recurso de acesso aos inesgotáveis mananciais do Divino Poder. Francisco Cândido Xavier - No Mundo Maior - pelo Espírito André Luiz 19
A preleção de Eusébio Ereto, incendido o tórax de suave luz, falou o Instrutor, comovedoramente: – “Dirigimo-nos a vós, irmãos, que tendes, por enquanto, ensejo de aprender na bendita escola carnal. “Tangidos pela necessidade, na sede de ciência ou na angústia do amor que transpõe abismos, vencestes pesadas fronteiras vibratórias, encontrando-vos na estaca zero do caminho diferente que se vos antolha. Enquanto vossa organização fisiológica repousa a distância, exercitando-se para a morte, vossas almas quase libertas partilham conosco a fraternidade e a esperança, adestrando faculdades e sentimentos para a verdadeira vida. “Naturalmente, não podereis guardar plena recordação desta hora, em retomando o envoltório carnal, em virtude da deficiência do cérebro, incapaz de suportar a carga de duas vidas simultâneas; a lembrança de nosso entendimento persistirá, contudo, no fundo de vosso ser, orientando-vos as tendências superiores para o terreno da elevação e abrindo-vos a porta intuitiva para que vos assista nosso pensamento fraternal.”
O orador fez breve pausa, fixando-nos o olhar calmo e lúcido, e, sob a leve e incessante chuva de raios argênteos, continuou: – “Enfastiados das repetidas sensações no plano grosseiro da existência, intentais pisar outros domínios. Buscais a novidade, o conforto desconhecido, a solução de torturantes enigmas; todavia, não olvideis que a chama do próprio coração, convertido em santuário de claridade divina, é a única lâmpada capaz de iluminar o mistério espiritual, em nossa marcha pela senda redentora e evolutiva. Ao lado de cada homem e de cada mulher, no mundo, Francisco Cândido Xavier - No Mundo Maior - pelo Espírito André Luiz 20
permanece viva a Vontade de Deus, relativamente aos deveres que lhes cumprem. Cada qual tem à sua frente o serviço que lhe compete, como cada dia traz consigo possibilidades especiais de realização no bem. O Universo enquadra-se na ordem absoluta. Aves livres em limitados céus, interferimos no plano divino, criando para nós prisões e liames, libertação e enriquecimento. Insta, pois, nos adaptemos ao equilíbrio divino, atendendo à função insulada que nos cabe, em plena colméia da vida. “Desde quando fazemos e desfazemos, terminamos e recomeçamos, empreendemos a viagem reparadora e regressamos, perplexos, para o reinício? Somos, no palco da Crosta planetária, os mesmos atores do drama evolutivo. Cada milênio é ato breve, cada século um cenário veloz. Utilizando corpos sagrados, perdemos, entretanto, quais despreocupadas crianças, entretidas apenas em jogos infantis, o ensejo santificante da existência; destarte, fazemo-nos réprobos das leis soberanas, que nos enredam aos escombros da morte, como náufragos piratas por muito tempo indignos do retorno às lides do mar.
Enquanto milhões de almas desfrutam bons ensejos de emenda e reajustamento, de novo entregues ao esforço regenerativo nas cidades terrestres, milhões de outras deploram a própria derrota, perdidas no atro recesso da desilusão e do padecimento. “Não nos reportamos aqui aos missionários heróicos que suportam as sangrentas feridas dos testemunhos angustiosos, por espírito de renúncia e de amor, de solidariedade e de sacrifício; são luzes provisoriamente apartadas da Luz Divina e que voltam ao domicílio celeste, como o trabalhador fiel regressa ao lar, finda a cotidiana tarefa. “Referimo-nos às bastas multidões de almas indecisas, presas da ingratidão e da dúvida, da fraqueza e da dissipação, almas formadas à luz da razão, mas escravizadas à tirania do instinto.” E num rasgo de humildade cristã, Eusébio continuou: Francisco Cândido Xavier - No Mundo Maior - pelo Espírito André Luiz 21
– “Falamos de todos nós, viajores que extravagamos no deserto da própria negação; de nós, pássaros de asas partidas, que tentamos voar ao ninho da liberdade e da paz, e que, no entanto, ainda nos debatemos no chavascal dos prazeres de ínfima estofa. Porque não represar o curso das paixões corrosivas que nos flagelam o espírito? Porque não sofrear o ímpeto da animalidade, em que nos comprazemos, desde os primeiros laivos de raciocínio? Sempre o terrível dualismo da luz e das trevas, da compaixão e da perversidade, da inteligência e do impulso bestial. Estudamos a ciência da espiritualidade consoladora desde os primórdios da razão e, todavia, desde as épocas mais remotas, consagramo-nos ao aviltamento e ao morticínio. “Cantávamos hinos de louvor com Krishna, aprendendo o conceito da imortalidade da alma, à sombra das árvores augustas que aspiram aos cimos do Himalaia, e descíamos, logo depois, ao vale do Ganges, matando e destruindo para gozar e possuir. Soletrávamos o amor universal com Sidarta Gautama e perseguíamos os semelhantes, em aliança com os guerreiros cingaleses e hindus.
Fomos herdeiros da Sabedoria, nos tempos distantes da Esfinge, e, no entanto, da reverência aos mistérios da iniciação, passávamos à hostilidade sanguissedenta, nas margens do Nilo. Acompanhando a arca simbólica dos hebreus, reiteradas vezes líamos os mandamentos de Jeová, contidos nos rolos sagrados, e, desatentos, os esquecíamos, ao primeiro clangor de guerra aos filisteus. Chorávamos de comoção religiosa em Atenas e assassinávamos nossos irmãos em Esparta. Admirávamos Pitágoras, o filósofo, e seguíamos Alexandre, o conquistador. Em Roma, conduzíamos oferendas valiosas aos deuses, nos maravilhosos santuários, exaltando a virtude, para desembainhar as armas, minutos depois, no átrio dos templos, disseminando a morte e entronizando o crime; escrevíamos formosas sentenças de respeito à vida, com Marco Aurélio, e ordenávamos a matança de pessoas limpas de culpa e úteis à sociedade. Com Jesus, o Divino Crucificado, nossa atitude não Francisco Cândido Xavier - No Mundo Maior - pelo Espírito André Luiz 22
tem sido diferente. Sobre os despojos dos mártires, imolados nos circos, vertemos rios de sangue em vindita cruel, armando fogueiras do sectarismo religioso. Suportamos administradores arbitrários e ignominiosos, de Nero a Diocleciano, porque tínhamos fome de poder, e quando Constantino nos abriu as portas da dominação política, convertemo-nos de servos aparentemente fiéis ao Evangelho em criminosos árbitros do mundo. Pouco a pouco esquecemos os cegos de Jericó, os paralíticos de Jerusalém, as crianças do Tiberíades, os pescadores de Cafarnaum, para afagar as testas coroadas dos triunfadores, embora soubéssemos que os vencedores da Terra não podem fugir à peregrinação ao sepulcro. Tornou-se a idéia do Reino de Deus fantasia de ingênuos, pois não largávamos o lado direito dos príncipes, sequiosos de fastígio mundano. Ainda hoje, decorridos quase vinte séculos sobre a cruz do Salvador, benzemos baionetas e canhões, metralhadoras e tanques de assalto, em nome do Pai Magnânimo, que faz refulgir o sol da misericórdia sobre os justos e sobre os injustos. “É por esta razão que nossos celeiros de luz permanecem vazios.
O vendaval das paixões fulminantes de homens e de povos passa ululante, de um a outro pólo, a semear maus presságios. “Até quando seremos gênios demolidores e perversos? Ao invés de servos leais do Senhor da Vida, temos sido soldados dos exércitos da ilusão, deixando à retaguarda milhões de túmulos, abertos sob aluviões de cinza e fumo. Debalde exortou-nos o Cristo a buscar as manifestações do Pai em nosso próprio íntimo. Cevamos e expandimos unicamente o egoísmo e a ambição, a vaidade e a fantasia na Crosta Planetária. Contraímos pesados débitos e escravizamo-nos aos tristes resultados de nossas obras, deixando-nos ficar, indefinidamente, na messe dos espinhos. “Foi assim que atingimos a época moderna, em que a loucura se generaliza e a harmonia mental do homem está a pique de Francisco Cândido Xavier - No Mundo Maior - pelo Espírito André Luiz 23
soçobro. De cérebro evolvido e coração imaturo, requintamo-nos, presentemente, na arte de esfacelar o progresso espiritual.” O excelso orientador deu à oração mais longo intervalo, durante o qual observei companheiros em torno. Homens e mulheres, segurando alguns fortemente as mãos uns dos outros, exibiam extrema palidez no semblante estarrecido. Alguns deles, por certo, compareciam ali pela primeira vez, como eu, dado o extático assombro que se lhes estampava no rosto. Fixando na assembléia o olhar percuciente, o Instrutor prosseguiu: – “Nos séculos pretéritos, as cidades florescentes do mundo desapareciam pelo massacre, ao gládio dos conquistadores sem entranhas, ou estacionavam sob a onda mortífera da peste desconhecida e não atacada. Hoje, as coletividades humanas ainda sofrem o assédio da espada homicida e chuvas de bombas arremetem contra populações indefesas; no entanto, a febre amarela, a cólera e a varíola foram dominadas; a lepra, a tuberculose e o câncer experimentam combate sem tréguas. Existe, porém, nova ameaça ao domicílio terrestre: o profundo desequilíbrio, a desarmonia generalizada, as moléstias da alma que se ingerem, sutis, solapando-vos a estabilidade.
“Vossos caminhos não parecem percorridos por seres conscientes, mas semelham-se a estranhas veredas, ao longo das quais tripudiam duendes alucinados. Como fruto de eras sombrias, caracterizadas pela opressão e maldade recíprocas, em que temos vivido, odiando-nos uns aos outros, vemos a Terra convertida em campo de quase intérminas hostilidades. Homens e nações perseguem o mito do ouro fácil; criaturas sensíveis abandonam-se aos distúrbios das paixões; cérebros vigorosos perdem a visão interior, enceguecidos pelos enganos da personalidade e do autoritarismo. Empenhados em disputas intermináveis, em duelos formidandos de opinião, conduzidos por desvairadas ambições inferio- Francisco Cândido Xavier - No Mundo Maior - pelo Espírito André Luiz 24
res, os filhos da Terra abeiram-se de novo abismo, que o olhar conturbado não lhes deixa perceber. Esse hiante vórtice, meus irmãos, é o da alienação mental, que não nos desintegra só os patrimônios celulares da vida física, senão também nos atinge o tecido sutil da alma, invadindo-nos o cerne do corpo perispiritual. Quase todos os quadros da civilização moderna se acham comprometidos na estrutura fundamental. Precisamos, pois, mobilizar todas as forças ao nosso alcance, a serviço da causa humana, que é a nossa própria causa. “O trabalho salvacionista não é exclusividade da religião: constitui ministério comum a todos, porque dia virá em que o homem há de reconhecer a Divina Presença em toda a parte. A realização que nos compete não se filia ao particularismo: é obra genérica para a coletividade, esforço do servidor honesto e sincero, interessado no bem de todos. “Se visitais a nossa companhia buscando orientação para o trabalho sublime do espírito, não vos esqueça vossa luz própria. Não conteis com archotes alheios para a jornada.
Em míseros planos de sofrimento regenerador, nas vizinhanças da carne, choram amargamente milhões de homens e de mulheres que abusaram do concurso dos bons, precipitando-se nas trevas ao perder no túmulo os olhos efêmeros com que apreciavam a paisagem da vida à luz do Sol. Displicentes e recalcitrantes, esquivaram-se a todas as oportunidades de acender a própria lâmpada. Aborreciam os atritos da luta, elegeram o gozo corporal como objetivo supremo de seus propósitos na Terra; e, quando a morte lhes cerrou as pálpebras saciadas, passaram a conhecer uma noite mais longa e mais densa, referta de angústias e de pavores.” Nesse momento, Eusébio interrompeu-se por mais de um minuto, como a recordar cenas comovedoras que as imagens de seu verbo evocavam, demonstrando certa vaguidade no olhar. Francisco Cândido Xavier - No Mundo Maior - pelo Espírito André Luiz 25
Notei a ansiedade com que a assembléia aguardava o retorno de sua palavra. Damas sensibilizadas ressumbravam forte impressão nas fisionomias transfiguradas e todos nós, ante a exposição leal e comovente, nos mantínhamos quedos e aturdidos. Decorridos longos segundos, o orador prosseguiu com inflexão enérgica e patriarcal: – “Procurais conosco a precisa orientação para os trabalhos que vos tangem presentemente na Crosta da Terra. Seduzidos pela claridade da Esfera Superior, fascinados pelas primeiras noções do amor universal, desejais a graça da cooperação na sementeira do porvir. Reclamais asas para os surtos sublimes, tendes em mira coadjuvar no esforço de elevação. “Indubitavelmente, a intenção não pode ser mais nobre; é, entretanto, indispensável considereis a vossa necessidade de integração no dever de cada dia. Impossível é progredir no século, sem atender às obrigações da hora. Torna-se imprescindível, na atualidade, recompor as energias, reajustar as aspirações e santificar os desejos. “Não basta crer na imortalidade da alma. Inadiável é a iluminação de nós mesmos, a fim de que sejamos claridade sublime.
Não basta, para o arrojado cometimento da redenção, o simples reconhecimento da sobrevivência da alma e do intercâmbio entre os dois mundos. Os levianos e os maus, os ignorantes e os estultos, podem corresponder-se igualmente a distância, de país a país. Antes de mais nada importa elevar o coração, romper as muralhas que nos encerram na sombra, esquecer as ilusões da posse, dilacerar os véus espessos da vaidade, abster-se do letal licor do personalismo aviltante, para que os clarões do monte refuljam no fundo dos vales, a fim de que o sol eterno de Deus dissipe as transitórias trevas humanas. “Vanguardeiros da fé viva, que o desejais ser doravante no mundo, não obstante os percalços que se nos defrontam, exige-se Francisco Cândido Xavier - No Mundo Maior - pelo Espírito André Luiz 26
de vós a cabal demonstração de estardes certos da espiritualidade divina. “O Plano Superior não se interessa pela incorporação de devotos famintos de um paraíso beatifico. Admitiríeis, porventura, vossa permanência na Crosta Planetária, sem finalidades específicas? Se a erva tenra deve produzir consoante objetivos superiores, que dizer da magnífica inteligência do homem encarnado? Que não há que esperar da razão iluminada pela fé! Receberíamos tão sagrados depósitos de conhecimento edificante para um sacrifício por nada? Teríamos o aljôfar de tais bênçãos para fortalecer o propósito egoístico de alcançar o céu sem escalas preparatórias, sem atividades purificadoras? “Nossa meta, meus amigos, não se compadece com o exclusivismo ególatra. A Porta Divina não se abre a espíritos que se não divinizaram pelo trabalho incessante de cooperação com o Pai Altíssimo. E o solo do Planeta, a que vos prendeis provisoriamente, representa o abençoado círculo de colaboração que o Senhor vos confia.
Recolhei o orvalho celeste no escrínio do coração sedento de paz; contemplai as estrelas que nos acenam de longe, como sublimes ápices da Divindade; todavia, não olvideis o campo de lutas presentes. “O espiritualismo, nos tempos modernos, não pode restringir Deus entre as paredes de um templo da Terra, porque a nossa missão essencial é a de converter toda a Terra no templo augusto de Deus. “Para a nossa vanguarda de obreiros decididos e valorosos passou a face de experimentação fútil, de investigações desordenadas, de raciocínios periféricos. Vivemos a estruturação de sentimentos novos, argamassando as colunas do mundo vindouro, com a luz acesa em nosso campo íntimo. Natural é que os aprendizes recém-chegados experimentem, examinem, operem sondagens e evoquem teorias brilhantes, em que as hipóteses concorram Francisco Cândido Xavier - No Mundo Maior - pelo Espírito André Luiz 27
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