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Capítulo 4 de 22

Federação Espírita Brasileira — parte 3 de 21

No Mundo Maior · Chico Xavier, pelo espírito André Luiz

ao lado da exibição personalista: compreensível e razoável. Toda escola caracteriza-se pelos diversos cursos, que lhe formam os quadros e as disciplinas. Não nos dirigimos aqui, porém, aos que ainda sonham na clausura do eu, enredados nos mil obstáculos da fantasia que lhes cristaliza as impressões. Falamos a vós outros, que sentis a sede de universalismo, anônimos companheiros da humanidade que se esforça por emergir das trevas para a luz. Como aceitardes a estagnação como princípio e a felicidade exclusivista como fim? “Alimentemos a esperança renovadora. Não invoqueis Jesus para justificar anseios de repouso indébito. Ele não atingiu as culminâncias da Ressurreição sem subir ao Calvário e as suas lições referem-se à fé que transporta montanhas. “Não reclamemos, pois, ingresso em mundos felizes, antes de melhorar o nosso próprio mundo. Esquecei o velho erro de que a morte do corpo constitui milagrosa imersão da alma no rio do encantamento. Rendamos culto à vida permanente, à justiça perfeita, e adaptemo-nos à Lei que nos apreciará o mérito sempre de conformidade com as nossas próprias obras.

“Nosso ministério é de iluminação e de eternidade. “O Governo Universal não nos circunscreveu as atividades à guarda de altares perecíveis. Não fomos convocados a velar no círculo particular duma interpretação exclusivista, senão a cooperar na libertação do espírito encarnado, abrindo horizontes mais claros à razão humana, refazendo o edifício da fé redentora que as religiões literalistas esqueceram. “Sopros imensos da onda evolucionista varrem os ambientes da Terra. Todos os dias ruem princípios convencionais, mantidos a titulo de invioláveis durante séculos. A mente humana, perplexa, é compelida a transições angustiosas. A subversão de valores, a experiência social e o processo acelerado de seleção pelo sofrimento coletivo perturbam os tímidos e os invigilantes, que repre- Francisco Cândido Xavier - No Mundo Maior - pelo Espírito André Luiz 28

sentam esmagadora maioria em toda parte... Como atender a esses milhões de necessitados espirituais, se não receberdes a responsabilidade do socorro fraterno? Como sanar a loucura incipiente, se não vos transformardes em ímãs que mantenham o equilíbrio? Sabemos que a harmonia interior não é artigo de oferta e procura nos mercados terrestres, mas aquisição espiritual só acessível no templo do Espírito. “Faz-se, pois, mister acendamos o coração em amor fraternal, à frente do serviço. Não bastará, em nossas realizações, a crença que espera; indispensável é o amor que confia e atende, transforma e eleva, como vaso legítimo da Sabedoria Divina. “Sejamos instrumentos do bem, acima de expectantes da graça. A tarefa demanda coragem e suprema devoção a Deus. Sem que nos convertamos em luz, no círculo em que estivermos, em vão acometeremos a sombra, aos nossos próprios pés.

E, no prosseguimento da ação que nos compete, não nos esqueçamos de que a evangelização das relações entre as esferas visíveis e invisíveis é dever tão natural e tão inadiável da tarefa quanto a evangelização das pessoas. “Não busqueis o maravilhoso: a sede do milagre pode viciarvos e perder-vos. “Vinculai-vos, pela oração e pelo trabalho construtivo, aos planos superiores e estes vos proporcionarão contacto com os Armazéns Divinos, que suprem a cada um de nós segundo a justa necessidade. “As ordenações que vos ajoujam na paisagem terrena, por mais ásperas ou desagradáveis, representam a Vontade Suprema. “Não galgueis os obstáculos, nem tenteis contorná-los pela fuga deliberada: vencei-os, utilizando a vontade e a perseverança, ensejando crescimento aos vossos próprios valores. Francisco Cândido Xavier - No Mundo Maior - pelo Espírito André Luiz 29

“Cuidai em não transitar sem a devida prudência nos caminhos da carne, em que, muita vez, imitais a mariposa estouvada. Atendei as exigências de cada dia, rejubilando-vos por satisfazer as tarefas mínimas. “Não intenteis o vôo sem haver aprendido a marcha. “Sobretudo, não indagueis de direitos prováveis que vos caberiam no banquete divino, antes de liquidar os compromissos humanos. “Impossível é o título de anjos, sem serdes, antes, criaturas ponderadas. “Soberanas e indefectíveis leis nos presidem aos destinos. Somos conhecidos e examinados em toda parte. “As facilidades concedidas aos espíritos santificados, que admiramos, são prodigalizadas a nós, por Deus, em todos os lugares. O aproveitamento, porém, é obra nossa. As máquinas terrestres podem alçar-vos o corpo físico a consideráveis alturas, mas o vôo espiritual, com que vos libertareis da animalidade, jamais o desferireis sem asas próprias.

“A consolação e a amizade de benfeitores encarnados e desencarnados enriquecer-vos-ão de conforto, quais suaves e abençoadas flores da alma; entretanto, fenecerão como as rosas de um dia, se não fertilizardes o coração com a fé e o entendimento, com a esperança inquebrantável e o amor imortal, sublimes adubos que lhes propiciem o desenvolvimento no terreno do vosso esforço sem tréguas. “Não cobiceis o repouso das mãos e dos pés; antes de abrigar semelhante propósito, procurai a paz interior na suprema tranqüilidade da consciência. “Abandonai a ilusão, antes que a ilusão vos abandone. Francisco Cândido Xavier - No Mundo Maior - pelo Espírito André Luiz 30

“Empolgando a chefia da própria existência, deixai plantado o bem na esteira de vossos passos. “Somente os servos que trabalham gravam no tempo os marcos da evolução; só os que se banham no suor da responsabilidade conseguem cunhar novas formas de vida e de ideal renovador. Os demais, chamem-se monarcas ou príncipes, ministros ou legisladores, sacerdotes ou generais, entregues à ociosidade, classificamse na ordem dos sugadores da Terra; não chegam a assinalar sua permanência provisória na Crosta do Planeta; adejam como insetos multicores, tornando à poeira de que se alçaram por alguns minutos. “Regressando, pois, ao corpo de carne, valei-vos da luz para as edificações necessárias. “Participemos do glorioso Espírito do Cristo. “Convertamo-nos em claridade redentora. “O desequilíbrio generalizado e crescente invade os departamentos da mente humana. Combatem-se, desesperadamente, as nações e as ideologias, os sistemas e os princípios. Estabelecida a trégua nas lutas internacionais, surgem deploráveis guerras civis, armando irmãos contra irmãos. A indisciplina fomenta greves, a ânsia de libertação perturba o domicílio dos povos.

Guerreiam-se as esferas de ação entre si; encarnados e desencarnados de tendências inferiores colidem ferozmente, aos milhões. Inúmeros lares transformam-se em ambientes de inconformação e desarmonia. Duela o homem consigo mesmo no atual processo acelerado de transição. “Equilibrai-vos, pois, na edificação necessária, convictos de que é impossível confundir a Lei ou trair-lhe os ditames universais!” Francisco Cândido Xavier - No Mundo Maior - pelo Espírito André Luiz 31

Perorando, Eusébio proferiu bela e sentida prece, invocando as bênçãos divinas para a assembléia. Sublimes manifestações de luz fizeram-se, então, sentir sobre nós. Encerrados os trabalhos, os companheiros ainda presos ao círculo carnal começaram a retirar-se em respeitoso silêncio. Calderaro conduziu-me à presença do Instrutor e apresentoume. O alto dirigente recebeu-me com afabilidade e doçura, cumulando-me de palavras de incentivo. Precisávamos servir, explicou ele, encarecendo as necessidades de assistência espiritual amontoadas em toda a parte, reclamando cooperadores abnegados e fiéis. Quando Calderaro se referiu aos meus projetos, mostrou-me Eusébio paternal sorriso e, expondo-nos providências diversas a tomar, recomendou nos puséssemos em contacto com o grupo socorrista a que o Assistente emprestava ativa colaboração. Logo após, ao retirar-se, ladeado pelos assessores que lhe compunham a comitiva, o nobre mentor confortou-me, bondoso: – Sê feliz! Dirigindo a Calderaro expressivo olhar, acrescentou: – Dado ensejo, conduze-o ao serviço de assistência às cavernas. Tomado de curiosidade, agradeci sensibilizado e dispus-me a esperar. Francisco Cândido Xavier - No Mundo Maior - pelo Espírito André Luiz 32

A Casa Mental Retomando a companhia de Calderaro, na manhã luminosa, absorvia-me o propósito de enriquecer noções pertinentes às manifestações da vida próxima à esfera física. Admitido à colônia espiritual, que me recebera com extremado carinho, conhecia de perto alguns instrutores e fiéis operários do bem. Inquestionavelmente, vivíamos todos em intenso trabalho, com escassas horas reservadas a excursões de entretenimento; demais, fruíamos ambiente de felicidade e alegria a favorecer-nos a marcha evolutiva. Nossos templos constituíam, por si sós, abençoados núcleos de conforto e de revigoramento. Nas associações culturais e artísticas encontrávamos a continuidade da existência terrestre, enriquecida, porém, de múltiplos elementos educativos. O campo social regurgitava de oportunidades maravilhosas para a aquisição de inestimáveis afeições. Os lares, em que situávamos o serviço diuturno, erguiam-se entre jardins encantadores, quais ninhos tépidos e venturosos em frondes perfumadas e tranqüilas. Não nos faltavam determinações e deveres, ordem e disciplina; entretanto, a serenidade era nosso clima, e a paz, nossa dádiva de cada dia. Arremessara-nos a morte a atmosfera estranha à luta física.

A primeira sensação fora o choque. Empolgara-nos o imprevisto. Continuávamos vivendo, apenas sem a máquina fisiológica, mas as novas condições de existência não significavam subtração da oportunidade de evolver. Os motivos de competição benéfica, as possibilidades de crescimento espiritual haviam lucrado infinitamente. Podíamos recorrer aos poderes superiores, entreter relações edificantes, tecer esperanças e sonhos de amor, projetar Francisco Cândido Xavier - No Mundo Maior - pelo Espírito André Luiz 33

experiências mais elevadas no setor reencarnacionista, aprimorando-nos no trabalho e no estudo e dilatando a capacidade de servir. Em suma, a passagem pelo sepulcro conduzira-nos a uma vida melhor; mas... e os milhões que transpunham o estreito limiar da morte, permanecendo apegados à Crosta da Terra? Incalculáveis multidões desse gênero mantinham-se na fase rudimentar do conhecimento; apenas possuíam algumas informações primárias da vida; exoravam amparo dos Espíritos Superiores, como as tribos primitivas reclamam o concurso dos homens civilizados; precisavam de desenvolver faculdades, como as crianças de crescer; não permaneciam chumbadas à esfera carnal por maldade, senão que se demoravam, hesitantes, no chão terreno, como os pequeninos descendentes dos homens se conchegam ao seio materno; guardavam da existência apenas a lembrança do campo sensitivo, reclamando a reencarnação quase imediata quando lhes não era possível a matrícula em nossos educandários de serviço e aprendizado iniciais.

Por outro lado, verdadeiras falanges de criminosos e transviados agitavam-se, não longe de nós, depois de haverem transposto as fronteiras do túmulo; consumiam, por vezes, inúmeros anos entre a revolta e a desesperação, personificando hórridos gênios da sombra, como ocorre, nos círculos terrenos, com os delinqüentes contumazes, segregados da sociedade sadia; mas sempre terminavam a corrida louca nos desvios escuros do remorso e do sofrimento, penitenciando-se, por fim, de suas perversidades. O arrependimento é, porém, caminho para a regeneração e nunca passaporte direto para o céu, razão pela qual esses infelizes formavam quadros vivos de padecimento e de horror. Em várias experiências, via-os conturbados e aflitos, assumindo formas desagradáveis ao olhar. Francisco Cândido Xavier - No Mundo Maior - pelo Espírito André Luiz 34

Nos casos de obsessão convertiam-se em recíprocos algozes, ou, então, em verdugos frios das vítimas encarnadas; quando errantes ou circunscritos aos vales de punição, aterravam sempre pelos espetáculos de dor e de miséria sem limites. No entanto, era forçoso convir, eles, os desventurados, e nós outros, que continuávamos trabalhando em ritmo normal, atravessáramos portas idênticas. Talvez, em muitos casos, houvéssemos abandonado o invólucro material sob o assédio de doenças análogas. Isto considerando e por desejar conhecer a Divina Lei, que não concede paraísos de favor nem estabelece infernos eternais, confrangia-me o contemplar as imensas fileiras de infortunados. Efetivamente, identificara numerosos deles em câmaras retificadoras, através de múltiplas instituições de beneficência; todavia, esses, situados na zona de amparo fraterno, apresentavam a seu favor sintomas de melhora quanto ao reconhecimento das próprias falhas ou aos créditos espirituais de que gozavam, mercê de certas forças intercessoras. Os infelizes, a que aludimos, provinham, porém, de outras origens.

Eram os ignorantes, os revoltados, os perturbadores e os impenitentes, de alma impermeável às advertências edificantes, os enfatuados e os vaidosos dos mais vários matizes, perseverantes no mal, dissipadores da energia anímica, em atitudes perversas diante da vida. Meu contacto com eles, em diversas ocasiões, fora simples encontro fortuito, sem maior significação para meu esclarecimento. Por que motivo se demoravam tanto no hemisfério obscuro da incompreensão? Adiavam, deliberadamente, a recepção da luz? Não lhes doeria a condição de seres condenados, por si mesmos, a longas penas? Não experimentariam vergonha pela perda voluntária de tempo? Muita vez, surpreendia-me a contemplá-los... Os traços fisionômicos de muitos desses desventurados pareciam Francisco Cândido Xavier - No Mundo Maior - pelo Espírito André Luiz 35

monstruoso desenho, provocando ironia e piedade. Que lei regeria a estereotipação de suas formas? Tê-los-ia olvidado a mãenatureza, pródiga de bênçãos em todos os planos, ou recebiam eles esses traços de apresentação pessoal como castigo imposto por superiores desígnios? Tais interrogações que me esfervilhavam no cérebro me punham aflito por viver a possibilidade que se me oferecia. Aproximei-me de Calderaro, naquela manhã, sedento de saber. Expus-lhe minhas indagações íntimas, relatei-lhe aos ouvidos tolerantes minha expectativa ansiosa, longamente sofreada; pretendia conhecer os que se entretinham na maldade, no crime, na inconformação. Meu amigo escutou calmo, sorriu benevolamente e começou por esclarecer: – Antes de mais nada, André, modifiquemos o conceito. Para transformar-nos em legítimos elementos de auxílio aos Espíritos sofredores, desencarnados ou não, é-nos imprescindível compreender a perversidade como loucura, a revolta como ignorância e o desespero como enfermidade. Ante a minha perplexidade, acrescentou, fraternal: – Entendeste? Estas definições, em verdade, não são minhas. Aprendemo-las do Cristo, em seu trato divino com a nossa posição de inferioridade, na Crosta Terrestre.

Julguei que o Instrutor se estendesse em longa exposição verbalista, relativa ao assunto, trazendo referências preciosas e comentando experiências pessoais. Nada disto; Calderaro informoume simplesmente: – A cegueira do espírito é fruto da espessa ignorância em manifestações primárias ou do obnubilamento da razão nos estados de aviltamento do ser. Nosso interesse, no socorro à mente desequilibrada, é analisar este último aspecto da sombra que pesa Francisco Cândido Xavier - No Mundo Maior - pelo Espírito André Luiz 36

sobre as almas; assim sendo, faz-se mister saberes alguma coisa da loucura no âmbito da civilização. Para isto, convém estudarmos, mais detidamente, o cérebro do homem encarnado e o do homem desencarnado em posição desarmônica, por situarmos aí o órgão de manifestação da atividade espiritual. Desejaria continuar ouvindo-o nas explicações claras e convincentes, a lhe fluírem dos lábios, mas Calderaro silenciou para afirmar, passados alguns instantes: – Não disponho de muito tempo para discretear de matéria estranha aos meus serviços; todavia, lidaremos juntos, convictos de que, trabalhando nas boas obras, aprenderemos sempre a ciência da elevação. Sorriu, fraternal, e rematou: – O verbo gasto em serviços do bem é cimento divino para realizações imorredouras. Conversaremos, pois, servindo aos nossos semelhantes de modo substancial, e nosso lucro será crescente. Calei-me, edificado. Daí a minutos, acompanhando-o, penetrei vasto hospital, detendo-nos diante do leito de certo enfermo, que o Assistente deveria socorrer. Abatido e pálido, mantinha-se ele unido a deplorável entidade de nosso plano, em míseras condições de inferioridade e de sofrimento.

O doente, embora quase imóvel, acusava forte tensão de nervos, sem perceber, com os olhos físicos, a presença do companheiro de sinistro aspecto. Pareciam visceralmente jungidos um ao outro, tal a abundância de fios tenuíssimos que mutuamente os entrelaçavam, desde o tórax à cabeça, pelo que se me afiguravam dois prisioneiros de uma rede fluídica. Pensamentos de um deles com certeza viveriam no cérebro do outro. Comoções e sentimentos seriam permutados entre ambos com matemática precisão. Espiritualmente, estariam, de contínuo, perfeitamen- Francisco Cândido Xavier - No Mundo Maior - pelo Espírito André Luiz 37

te identificados entre si. Observava-lhes, admirado, o fluxo de comuns vibrações mentais. Dispunha-me a comentar o fenômeno, quando Calderaro, percebendo-me a intenção, se adiantou, recomendando: – Examina o cérebro de nosso irmão encarnado. Concentrei-me na contemplação do delicado aparelho, centralizando toda a minha capacidade visual, de modo a analisá-lo interiormente. O envoltório craniano, ante meus poderes visuais intensificados, não apresentava resistência. Como reparara de outras vezes, ali estava o complicado departamento da produção mental, semelhando-se a laboratório dos mais complexos e menos acessíveis. As circunvoluções separadas entre si, reunidas em lobos, igualmente distanciados uns dos outros pelas cissuras, davam-me a idéia de um aparelho elétrico, quase indevassado pelos homens. Comparando os dois hemisférios, recordei as designações da terminologia clássica e demorei-me longos minutos reparando as especiais disposições dos nervos e as características da substância cinzenta. A voz do meu orientador quebrou o silêncio, exclamando inopinadamente: – Observa a sinalização. Assombrado, notei, pela primeira vez, que as irradiações emitidas pelo cérebro continham diferenças essenciais.

Cada centro motor assinalava-se com peculiaridades diversas, através das forças radiantes. Descobri, surpreso, que toda a província cerebral, pelos sinais luminosos, se dividia em três regiões distintas. Nos lobos frontais, as zonas de associação eram quase brilhantes. Do córtex motor, até a extremidade da medula espinhal, a claridade diminuía, para tomar-se ainda mais fraca nos gânglios basais. Francisco Cândido Xavier - No Mundo Maior - pelo Espírito André Luiz 38

Já despendia alguns minutos na contemplação das células nervosas, quando o Assistente me aconselhou: – Examinaste o cérebro do companheiro que ainda se prende ao veículo denso; observa, agora, o mesmo órgão no amigo desencarnado que o influencia de modo direto. A entidade, que não se dava conta de nossa presença, em virtude do círculo de vibrações grosseiras em que se mantinha, fixava toda a atenção no doente, lembrando a sagacidade de um felino vigiando a presa. Observei-lhe estranha ferida na região torácica e dispunha-me a investigar-lhe a causa, sondando os pulmões, quando Calderaro me corrigiu sem afetação: – Trataremos da chaga no trabalho de assistência. Concentra as possibilidades da visão no cérebro. Decorridos alguns momentos, concluí que, à parte a configuração das peças e o ritmo vibratório, tinha sob os olhos dois cérebros quase idênticos. Diferia o campo mental do desencarnado, revelando alguma superioridade no terreno da substância, que, no corpo perispiritual, era mais leve e menos obscura.

Tive a impressão de que, se lavássemos, por dentro, o cérebro do amigo estirado no leito, escoimando-o de certos corpúsculos mais pesados, seria ele quase igual, em essência, ao da entidade que eu mantinha sob exame. As divisões luminosas, porém, eram em tudo análogas. Mais luz nos lobos frontais, menos luz no córtex motor e quase nenhuma na medula espinhal, onde as irradiações se faziam difusas e opacas. Interrompi o estudo comparativo, depois de acurada perquirição, e fixei Calderaro em silenciosa interrogativa. O prestimoso mentor argumentou, sorridente: – Depois da morte física, o que há de mais surpreendente para nós é o reencontro da vida. Aqui aprendemos que o organismo Francisco Cândido Xavier - No Mundo Maior - pelo Espírito André Luiz 39

Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.