[user_registration_my_account]
Capítulo 19 de 22
Federação Espírita Brasileira — parte 18 de 21
No Mundo Maior · Chico Xavier, pelo espírito André Luiz
numentos que recordassem os lugares santos da oração, consagrados às manifestações superiores do espírito; entretanto, não se cristalizou nas atitudes adorativas: viveu conquistando amigos para o Reino do Céu. “Não impôs aos seus seguidores normas rígidas de ação: pedia-lhes amor e entendimento, fé sincera e bom ânimo para os serviços edificantes. “Aproximando-se de Madalena, não extravaga em baldas conversações: interessa-lhe o coração no sublime apostolado renovador. Visitando Zaqueu, abençoa-lhe o esforço nobre e construtivo. Dirigindo-se à mulher samaritana, não desce às contendas inúteis: impressiona-a pelo contacto de sua alma divina, fazendo-a abandonar o velho cântaro da fantasia, para que busque as fontes eternas. Convivendo com cegos e leprosos, loucos e doentes de todos os matizes, exemplificou a vida social, baseada na fraternidade mais pura e nos mais elevados estímulos à santificação. Por fim, imolado na cruz, seus dois últimos companheiros eram ladrões confessos, aos quais não hesitou dirigir a palavra fraterna, inflamada de amor. “Como invocar-lhe o nome para justificar os desvarios da separação por motivos de fé?
Como apoiar-se no Amigo de Todos para deflagrar embates de opinião, acendendo fogueiras de ódio em prejuízo da solidariedade comum que Ele exemplificou até ao supremo sacrifício? Não será denegrir-lhe a memória, difundir a discórdia em seu nome?” Notei que as palavras do orientador provocavam funda impressão. A maioria dos ouvintes chorava em comoção irregressível, sentindo-se tocada pelo Juízo Celeste. Eusébio, que mantinha presa a atenção geral, prosseguiu, impávido: Francisco Cândido Xavier - No Mundo Maior - pelo Espírito André Luiz 196
– “Não se vos reclama a transferência do depósito espiritual da crença veneranda. Em todos os setores, onde a sementeira do Cristo desabrocha, é possível honrar a Divina Lei, gravando-lhe os parágrafos sublimes no coração. O que se pede do vosso espírito de crença é o aproveitamento das bênçãos celestiais esparzidas sobre vós em caudalosas correntes de luz. “Não limiteis, portanto, a demonstração da confiança no Altíssimo aos cerimoniais do culto externo. Varrei a indiferença que vos enregela as basílicas suntuosas. Convertamo-nos em verdadeiros irmãos uns dos outros. Transformemos a igreja no doce lar da família cristã, quaisquer que sejam as nossas interpretações. Esqueçamos a falsa afirmativa de que os tempos apostólicos passaram para sempre. Cada aprendiz do Evangelho guarda, na própria vida, um reduto destinado ao culto vivo do Divino Mestre, perante o qual escoa a multidão dos necessitados, todos os dias... “Amando e socorrendo, crendo e agindo, Jesus amparou a mente desequilibrada do mundo greco-romano, infundindo-lhe vida nova, em favor da Humanidade mais feliz.
Assim, igualmente, cada discípulo da fé redentora pode e deve cooperar no reerguimento dos irmãos frágeis e vacilantes. “Fugi ao farisaísmo dos tempos modernos que se recusa ao auxílio fraternal, em nome do gênio satânico do cisma dogmático. Jesus nunca foi pregador da desarmonia, jamais endossou a vaidade petulante dos que pelos lábios se declaram puros, mantendo o coração atascado no lodo miasmático do orgulho e do egoísmo fatais! “Mobilizemos nossa confiança no Todo-Misericordioso, dilatando-lhe o reino bendito de redenção. “Aguardar o Céu, menosprezando a Terra, é obra de insensatez. Francisco Cândido Xavier - No Mundo Maior - pelo Espírito André Luiz 197
“Nenhum de nós peitará a Justiça Divina, embora permaneçais cultivando, muitas vezes, a idéia de um comércio ridículo com a Divindade. “Se um lavrador jamais é postado sem obrigações diretas diante do matagal inculto ou do pântano perigoso, como permanecer sem deveres imediatos junto às paisagens de crime e treva, de inquietação e sofrimento?... “O irmão caído é nossa carga preciosa, a dificuldade é nosso incentivo santo, a dor nossa escola purificadora. “Abracemo-nos, pois, uns aos outros, em nome do Cordeiro de Deus, que nos reformou a mente, alçando-a a planos superiores pela ascensão gloriosa, através do sacrifício. “Somente assim, meus amigos, é possível atender à elevada destinação que nos cabe. “Diante do mundo periclitante, alucinado por ambições rasteiras e dominado pelo ódio e pela miséria, seqüências das guerras incessantes e aniquiladoras, harmonizemo-nos em Jesus-Cristo, a fim de equilibrarmos a esfera carnal. “Sombras perturbadoras vagueiam em torno de vossos passos e de vossas instituições, em ronda sinistra. “Evitai a subversão dos valores espirituais, afugentai as trevas que vos ameaçam as organizações político-religiosas.
Temei a ciência que estadeie sem a sabedoria, livrai-vos do raciocínio que calcula sem amor, revisai a fé para que seus impulsos não se desordenem, à míngua de edificação. “A Crosta da Terra é atualmente um campo de batalha mais áspera, mais dolorosa... “Despertai a consciência adormecida e afeiçoai-vos à Lei Divina, olvidando o cativeiro multi-secular da ilusão. Francisco Cândido Xavier - No Mundo Maior - pelo Espírito André Luiz 198
“A salvação é contínuo trabalho de renovação e de aprimoramento. “Ao mundo atormentado proclamemos a nossa fé em Cristo Jesus para sempre!...” Eusébio, ao terminar, estava aureolado de prodigiosas emissões de luz. A assembléia prosternada mostrava semblantes lívidos de estupefação. Enorme grupo de colaboradores de nosso plano elevou a voz em harmonias, entoando comovente cântico de glorificação ao Supremo Senhor. As melodiosas notas do hino perdiam-se, ao longe, no arvoredo distante, nas asas de suave brisa... Terminados os serviços da reunião, reparei que os amigos encarnados, sob o amparo de colegas das nossas atividades socorristas, não se afastaram animados e otimistas, porque muitos deles, compreendendo, talvez com mais clareza, fora do veículo denso da experiência física, os erros da crença transviada, se retiravam cabisbaixos, soluçando... Francisco Cândido Xavier - No Mundo Maior - pelo Espírito André Luiz 199
Alienados mentais Antes de visitarmos as cavernas de sofrimento, Calderaro instou-me a fazer com ele rápida visita a grande instituto Consagrado ao recolhimento de alienados mentais, na Esfera da Crosta. – Compreenderás, então, mais exatamente – explicou, generoso, dirigindo-se a mim com a delicadeza que lhe é peculiar – a tragédia dos homens desencarnados, em pleno desequilíbrio das sensações. Excetuados os casos puramente orgânicos, o louco é alguém que procurou forçar a libertação do aprendizado terrestre, por indisciplina ou ignorância. Temos neste domínio um gênero de suicídio habilmente dissimulado, a auto-eliminação da harmonia mental, pela inconformação da alma nos quadros de luta que a existência humana apresenta. Diante da dor, do obstáculo ou da morte, milhares de pessoas capitulam, entregando-se, sem resistência, à perturbação destruidora, que lhes abre, por fim, as portas do túmulo. A princípio, são meros descontentes e desesperados, que passam despercebidos mesmo àqueles que os acompanham de mais perto. Pouco a pouco, no entanto, transformam-se em doentes mentais de variadas gradações, de cura quase impossível, portadores que são de problemas inextricáveis e ingratos.
Imperceptíveis frutos da desobediência começam por arruinar o patrimônio fisiológico que lhes foi confiado na Crosta da Terra e acabam empobrecidos e infortunados. Aflitos e semimortos, são eles homens e mulheres que desde os círculos terrenos padecem, encovados em precipícios infernais, por se haverem rebelado aos desígnios divinos, preterindo-os, na escola benéfica da luta aperfeiçoadora, pelos caprichos insensatos. Francisco Cândido Xavier - No Mundo Maior - pelo Espírito André Luiz 200
Guardando carinhosamente a observação, acompanhei-o na excursão matinal ao grande estabelecimento, onde os mentecaptos eram em grande número. No primeiro pátio que topamos, compacta era a quantidade de mulheres desequilibradas que palestravam. Uma velha de cabelos nevados, mostrando acerba ferocidade no olhar, envergava o uniforme da casa, como quem arrastasse um vestido real, e dizia a duas companheiras apáticas: – Na minha qualidade de marquesa, não tolero a intromissão de médicos inconscientes. Creio estar presa por motivos secretos de família, que averiguarei na primeira oportunidade. Tenho poderosos inimigos na Corte; contudo, as minhas amizades são mais prestigiosas e fiéis. Baixou a voz, como receando espias ocultos, e falou ao ouvido de uma das irmãs de sofrimento: – O Imperador está interessado em meu caso e punirá os culpados. Segregaram-me por miseráveis questões de dinheiro. Elevando o diapasão, inesperadamente, bradou: – Todos pagarão! Todos pagarão! E continuava explicando-se com gestos de grande senhora. Compungia-me observar a promiscuidade entre as enfermas encarnadas e as entidades infelizes, que ali se acotovelavam.
Preso ainda ao meu antigo vezo de curiosidade, tentei estacar, a fim de ouvir a demente até ao fim, mas o Assistente deu-se pressa em considerar: – Não nos detenhamos. Infelizmente, atravessamos vasta galeria de padecimento expiatório, onde nossos recursos socorristas não ofereceriam vantagens imediatas. Aqui, quase todos os alienados são criaturas que abdicaram a realidade, atendo-se a circunstâncias do passado sem mais razão de ser. Essa desventurada Francisco Cândido Xavier - No Mundo Maior - pelo Espírito André Luiz 201
irmã já possuiu títulos de nobreza em existência anterior; perpetrou clamorosas faltas, dando expansão às energias cegas do orgulho e da vaidade. Renascendo em aprendizado humilde para o reajustamento imprescindível, alarmou-se ante as primeiras provações mais rudes da correção benfeitora, reagiu contra os resultados da própria sementeira, entregou o invólucro físico ao curso de ocorrências nefastas; e, por fim, situou-se mentalmente em zonas mais baixas da personalidade, passando a residir, em pensamento, no pretérito de mentiras brilhantes. Agarrou-se, desesperada, às recordações da marquesa vaidosa de salões que já desapareceram e perambula nos vales da demência em lastimáveis condições. Não déramos muitos passos, encontramos novo ajuntamento, em que sobressaía curiosa dama, extremamente nervosa. – Deus me livre de todos, Deus me livre de todos! – gritava, inquieta. – Não voltarei! nunca, nunca!... Aproxima-se, cordata, a enfermeira, e pede: – Senhora, mais calma! É seu marido que vem à visita. Vamos ao guarda-roupa. E sorrindo: – Não se sente feliz? – Jamais! – bradava a demente com espantoso semblante de angústia. – Não quero vê-lo! Odeio-o, odeio, com tudo o que lhe pertence! Repetindo expressões de desprezo, inteiriçou-se, caindo em lamentável crise de nervos, pelo que a auxiliar da enfermagem houve que requisitar socorro urgente. Desejei reter-me, a fim de estudar a situação, mas o Assistente impediu-me, esclarecendo: Francisco Cândido Xavier - No Mundo Maior - pelo Espírito André Luiz 202
– Não percas tempo. Não remediarias o mal. Nossa passagem aqui é rápida. Recomendo apenas anotes o refúgio de todos os que se esquecem dos deveres presentes, pretendendo escapar aos imperativos da realidade educadora. Modificou a inflexão da voz e prosseguiu: – “Não asseguramos que todos os casos do hospício se relacionem exclusivamente com esse fator. Muita gente atravessa este pavoroso túnel, premida por exigências da prova retificadora; é, no entanto, forçoso reconhecer que a maioria encetou o pungitivo drama em si mesma. São irmãos nossos, revoltados ante os desígnios superiores que os conduziram a recapitular ensinamentos difíceis, qual o de se reaproximarem de velhos inimigos por intermédio de laços consangüíneos ou o de enfrentarem obstáculos aparentemente insuperáveis. “Para que se efetue a jornada iluminativa do espírito é indispensável deslocar a mente, revolver as idéias, renovar as concepções e modificar, invariavelmente, para o bem maior o modo íntimo de ser, tal qual procedemos com o solo na revivificação da lavoura produtiva ou com qualquer instituto humano em reestruturação para o progresso geral.
Negando-se, porém, a alma a receber o auxílio divino, através dos processos de transformação incessante que lhe são oferecidos em seu benefício próprios pelas diferentes situações de que os dias se compõem no aprendizado carnal, recolhe-se à margem da estrada, criando paisagens perturbadoras com desejos injustificáveis. “Quase podemos afirmar que noventa em cem dos casos de loucura, excetuados aqueles que se originam da incursão microbiana sobre a matéria cinzenta, começam nas conseqüências das faltas graves que praticamos, com a impaciência ou com a tristeza, isto é, por intermédio de atitudes mentais que imprimem deploráveis reflexos ao caminho daqueles que as acolhem e alimentam. Instaladas essas forças desequilibrantes no campo íntimo, Francisco Cândido Xavier - No Mundo Maior - pelo Espírito André Luiz 203
inicia-se a desintegração da harmonia mental: esta por vezes perdura, não só numa existência, mas em várias delas, até que o interessado se disponha, com fidelidade, a valer-se das bênçãos divinas que o aljofram, para restabelecer a tranqüilidade e a capacidade de renovação que lhe são inerentes à individualidade, em abençoado serviço evolutivo. Pela rebeldia, a alma responsável pode encaminhar-se para muitos crimes, a cujos resultados nefastos se cativa indefinidamente; e, pelo desânimo, é propensa a cair nos despenhadeiros da inércia, com fatal atraso nas edificações que lhe cabe providenciar.” Nesse ponto dos esclarecimentos, penetrávamos extensa varanda no departamento masculino e logo se nos deparou um homem que decerto se enquadrava entre os esquizofrênicos absolutos. Rodeavam-no algumas entidades de sombrio aspecto. Semelhava-se o doente a perfeito autômato, sob o guante de tais companheiros. Exibia gestos maquinais e, ao guarda que se aproximava, cauteloso, explicou em tom muito sério: – Venha, seu João. Não tenha receio. Ontem eu era o “leão”, mas hoje, sabe o senhor o que eu sou? Ante o enfermeiro hesitante, concluiu: – Hoje sou a “bananeira”.
Encontraria, eu, sem dúvida, no caso, excelente ensejo de enriquecer experiências, porquanto de pronto reconhecera a entrosagem completa entre a vítima e os obsessores que lhe eram invisíveis. O desditoso era rematado fantoche nas mãos dos algozes tipicamente perversos. Calderaro, porém, não me permitiu interromper a marcha. – O processo de desequilíbrio está consumado – informou – e não encontrarias possibilidade de recompor-lhe, em serviço rápido, as energias mentais centralizadas na região inferior. O infeliz vem sendo objeto de práticas hipnóticas de implacáveis persegui- Francisco Cândido Xavier - No Mundo Maior - pelo Espírito André Luiz 204
dores; acha-se exposto a emissões contínuas de forças que o deprimem e enlouquecem. – Céus! – exclamei, aparvalhado – como socorrê-lo? – Trata-se de um homem – acrescentou o orientador – que em encarnações anteriores abusou do magnetismo pessoal. Não pude sopitar a objeção que me nasceu espontânea: – Como? As ciências magnéticas são de ontem... Calderaro estampou no olhar a condescendência que lhe é característica e retorquiu: – Acreditas que teriam sido iniciadas com Mesmer? E, sorridente, ajuntou: – Se consideráramos o sentido literal do texto, o abuso de magnetismo pessoal teria começado com Eva, no paraíso... Indicou o enfermo e prosseguiu: – Em pretérito não muito remoto, nosso imprevidente amigo se excedeu em seu potencial de fascínio, desviando-o para aventuras menos dignas. Várias mulheres que lhe sofreram a ação corrosiva assestaram contra ele incessantes explosões de ódio doentio e corruptor, extravasamentos que o pobre companheiro merecia em conseqüência da atividade condenável a que se dedicou por muitos anos.
Minado pela reação persistente, minguou-lhe o cabedal de resistência; converteu-se, destarte, em joguete das forças destrutivas, às quais, a bem dizer, voluntariamente se unira, ao abraçar, entusiasta, a declarada prática do mal. Até quando se demorará em tal atitude, não será possível prever. Geralmente, ao delinqüirmos, podemos precisar o instante exato de nossa penetração na desarmonia; jamais sabemos, porém, quando soará o momento de abandoná-la. No retorno à estrada reta, através de atoleiros em que chafurdamos, por indiferença e má fé, não podemos prefixar Francisco Cândido Xavier - No Mundo Maior - pelo Espírito André Luiz 205
calendários para a volta: implicamo-nos em jogos circunstanciais, de que só nos despeamos após doloroso reajustamento... Observando-me a admiração, ante a experiência hipnótica que os frios verdugos levavam a efeito, o Assistente considerou: – Não te impressiones. A morte física não modifica de súbito as inteligências votadas ao mal, nem o duelo da luz com a sombra se adstringe aos estreitos círculos carnais. Logo após, éramos surpreendidos por dois velhinhos atoleimados, a pronunciar frases desconexas. – O tempo – elucidou o orientador, indicando-os – acaba sempre por denunciar a nossa posição verdadeira. Quando a criatura não haja feito da existência o sacerdócio de trabalho construtivo, que nos cumpre na Terra, os fenômenos senis do corpo são mais tristes para a alma, pois, neste caso, o indivíduo já não domina as conveniências forjadas pelo imediatismo humano, patenteando-se-lhe a fixação da mente nos impulsos inferiores. Milhões de irmãos nossos permanecem, séculos afora, na fase infantil do entendimento, por não se animarem ao esforço de melhoria própria.
Enquanto recebem a transitória cooperação de saúde física relativa, das convenções terrenas, das possibilidades financeiras e das variadas impressões passageiras que a existência na Crosta Planetária oferece aos que passam pela carne, esteiam-se nos títulos de cidadãos que a sociedade lhes confere; logo, porém, que visitados pelo morbo, pela escassez de recursos ou pela decrepitude, revelam a infância espiritual em que jazem: voltam a ser crianças, não obstante a idade provecta manifestada pelo veículo de ossos, por se haverem excessivamente demorado nos sítios superficiais da vida. A exposição não podia ser mais lógica; todavia, examinando aquele vasto ambiente, onde tantos loucos de ambos os sexos modorravam distantes do realismo do mundo, sem a mais leve perspectiva de desencarnação próxima, pensei nas criaturas que já Francisco Cândido Xavier - No Mundo Maior - pelo Espírito André Luiz 206
renascem imperfeitas e perturbadas; nas crianças atrasadas e nos moços em luta com a demência juvenil; nas fobias sem número que amofinam pessoas respeitáveis e prestativas, e solicitei, então, do instrutor esclarecimentos sobre os quadros de sofrimento desse jaez, que de improviso assaltam os ambientes domésticos mais distintos. O Assistente não se surpreendeu, e observou: – Estudamos aqui, André, a messe das sementeiras, assim do presente, como do passado. Ponderamos não só a aprendizagem de uma existência efêmera, mas também a romagem da alma nos caminhos infinitos da vida, da vida imperecível que segue sempre, vencendo as imposições e as injunções da forma, purificando-se e santificando-se cada dia. Verificarás, conosco, afligente quadro de padecimentos espirituais e é provável que apreendas, num hospício humano, algo dos desequilíbrios que afetam a mente desviada das Leis Universais. Em verdade, na alienação mental começa a descida da alma às zonas inferiores da morte.
Através do manicômio é possível entender, de certo modo, a loucura dos homens e das mulheres que, aparentemente equilibrados no campo social da Crosta Terrestre, onde permutam os eternos valores divinos por satisfações ilusórias imediatas, são relegados depois, além do sepulcro, a inominável desespero do sentimento. Quanto às perturbações que acompanham a alma no renascimento ou na infância do corpo, na juventude ou na senilidade, é mister reconhecer que o desequilíbrio começa na inobservância da Lei, como a expiação se inicia no crime. Adotada a conduta em desacordo com a realidade, encontra o espírito, invariavelmente, em todos os círculos onde se veja, os efeitos da própria ação. Seja nos mecanismos da hereditariedade fisiológica, seja fora de sua influência, a mente, encarnada ou não, revela-se na colheita do que haja semeado, no campo de evolução do esforço comum, no monte da Francisco Cândido Xavier - No Mundo Maior - pelo Espírito André Luiz 207
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.