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Capítulo 2 de 15

Filosofia da — parte 2 de 15

Filosofia da Mediunidade III · João Nunes Maia, pelo espírito Miramez

Não podes avistar as estrelas durante o dia, por causa da claridade do sol. Assim acontece com os Espíritos. É óbvio que qualquer claridade, por pequena que seja, fica mais visível durante a noite, e havendo forte luminosidade, como fundo, ela, por vezes, desaparece. Ainda há outro fator para o aparecimento do Espírito: necessário se faz que ele se envolva em fluidos, tanto de si próprio como do médium, para formar um corpo cujos fluidos, unidos, podem ser dispersados pela luz, a não ser quando são tomadas outras providências por parte de quem está conduzindo a aparição. As reuniões espíritas se realizam comumente à noite, não. porque os Espíritos têm mais facilidade de se comunicarem naquele período, mas porque o Espiritismo é uma doutrina de características bem diferentes das demais; os seus dirigentes não são profissionais, mas trabalham por amor à causa, deixando o dia para seu trabalho comum, em busca do pão, da veste e das outras necessidades, suas e da sua família.

Quanto ao trabalho da materialização, ele tem um inconveniente: como já foi explicado, o ectoplasma que se desprende do médium é muito sensível à luz, e pode desintegrar-se, causando danos ao próprio medianeiro. No entanto, o Espírito destinado a aparecer, pode ordenar que se acendam as luzes, como, também, fazer essas reuniões em pleno dia. Pode-se verificar na história das aparições em todo o mundo, que elas aconteceram tanto de dia quanto à noite. Casos de aparições de Espíritos já ocorreram em quase todos os lares, em todo o mundo, com várias interpretações que lhe queiram dar os que se arvoram em conhecer esses fenômenos. No entanto, a verdade é uma só, e somente o tempo pode dar provas do que agora argumentamos.

Os encarnados são os mesmos Espíritos, conquanto estejam revestidos com um corpo físico, tolhidos nas suas condições de percepção, embora alguns reencarnem com certos dons aflorados, de maneira que podem registrar o mundo invisível, ainda que seja com certa deficiência, mas conseguem observar alguma coisa. Eles podem, pela dedução, equacionar a questão referente à existência do Espirito fora do corpo. Geralmente, a negação já é prova da existência da coisa negada. As verdades podem estar por trás das mentiras. Quando se fala em falsos profetas, certamente que existem os verdadeiros.

Quando se notam falsos médiuns, é porque existem os verdadeiros, mesmo que seja em menor parte. Assim é em tudo que existe na Terra, e mesmo no plano espiritual. Se há aparições de Espíritos inferiores, como não poderia havê-las de Espíritos superiores? O falso e o verdadeiro sempre existiram para atender os sentimentos dos que os buscam. Se queres buscar somente o verdadeiro, faze por onde encontrálo.

Sabes como? Pela tua conduta. Modifica tua vida, começando por rever teus pensamentos, palavras e obras. Entra na faixa da verdade, pois ela se toma visível para quem a busca. Porque, se há boa vontade, será aceita conforme o que o homem tem, e não segundo o que eie não tem. (II Cor., 8:12) Buscando mais profundamente a lição, verás que somente recebemos segundo o que temos.

Se temos verdade por dentro, encontramos verdade por fora de nós; se temos amor e caridade, ocorre a mesma coisa. Isto é, pois, uma forma de justiça que se faz visível em toda a parte. Quem negar a verdade hoje, com o passar do tempo compreenderá o seu erro, e as luzes se acenderão para suas novas buscas. Capítulo 02 VISÃO DOS ESPÍRITOS

LM - 2- parte Cap. VI —100-19 A visão dos Espíritos encarnados é uma faculdade que todos possuem, uns mais, outros menos, na esteira da vida, dependendo A do despertamento deste dom, endereçado pela vida para esse mis- W ter de atividade. A alma pode ver os Espíritos em seu estado nor- Lf mal, contudo, é mais comum, e com maior nitidez, pode observar seus iguais, em estado de êxtase. Quem entra nele com facilidade, foge um pouco dos olhos da carne, ficando mais livre. Parece muito comum, para o estudante inexperiente, contudo, é muito rara a clarividência com sinceridade, sem que o medianeiro se deixe ser envolvido pela vaidade, a mostrar dons que ainda não possui. Há médiuns que se condicionaram à mentira, e que dificilmente conseguem sair desse ambiente de ilusões, por desejarem fortemente serem admirados. Falta-lhes o próprio raciocínio, para que o engano se disfarce logo com a luz, como os raios de sol desfazendo as trevas. 0 espírita que se sente superior aos profitentes de outras filosofias espiritualistas, deve buscar a verdade e nunca fugir à sinceridade, marcando a sua vida como discípulo do Amor.

Assim, e muito mais, devem proceder os médiuns em pleno exercício da mediunidade. A dupla vista é uma realidade, cujos efeitos são de utilidade para o fortalecimento da fé no que vê e no que ouve. Mas não é dom desperto em todos os médiuns. Não sendo dom especial para ninguém, convém compreendermos que a dupla vista é ferramenta de trabalho para que a esperança cresça nos corações. A diversidade dos dons é lei natural em todos os mundos habitados. Com a perfeição dos Espíritos, todos os dons se aflorarão, como sóis nos céus da alma. Observa-se a justiça de Deus, quando descobrímos que todos nós carregamos em germe no centro das nossas vidas, todos os valores espirituais, que nos cabe sentir o pulsar da vida maior em toda parte, de modo que a alegria, juntamente com a esperança de vida eterna, abram mais a nossa visão, fazendo-nos encontrar o céu e Deus na nossa intimidade.

Ver os Espíritos é muito bom e confortável, mas ver os nossos defeitos, que estão distribuídos em paixões no curso das nossas vidas, é mais útil para a integração da alma no reino dos anjos, porque é nesse avanço cristão que percebemos a verdade, impulsionando-nos para o sol da libertação. A melhor visão é que nos mostra o que temos de corrigir de inconveniente dentro de nós, é a cirurgia moral a que todos devemos nos submeter, em se pensando no nosso crescimento espiritual. Disse Paulo aos Coríntios: Pelo que, tendo este ministério, segundo a misericórdia que nos foi feita, não desfalecemos. (II Cor. 4:1) O ministério nos dias atuais do cristão espírita, é de esforçar-se no aprimoramento das suas qualidades espirituais, envolver- -se sempre nos ideais nobres, para que a vida maior lhe mostre os caminhos para a luz. A dupla vista é libertação do Espírito, e esse exercício espiritual nos mostra que a vida continua e que existem leis espirituais que nos governam a todos, sob a égide do amor universal.

Mesmo o médium consciente, vendo os Espíritos, não é bem o corpo que vê; é a alma, pelas janelas dos olhos, ou outras compatíveis, que lhe mostram o invisível. A visão dos Espíritos, repetimos, é prova de que eles existem. Os tempos estão chegando, quando se confundirão os dois planos de vida, para alegria e esperanças da humanidade. É Jesus voltando em todos os acontecimentos mundiais. É a visão se alargando para os que têm olhos para ver. Capítulo 03 OS QUE VÊEM OS ESPÍRITOS S LM - 2 parte Cap. VI-100-202 O corpo físico é apenas um instrumento, o qual o Espírito usa em cumprimento de uma tarefa na Terra, de maneira a aprender as lições grandiosas da vida, despertando os valores que por vezes dormem no céu do coração. 0 Espírito encarnado, quando tem a oportunidade de ver os desencarnados, não os vê com os olhos da carne, mas sim com a alma, tanto que, mesmo com os olhos fechados, não tem impedida essa visão.

Em muitos casos, os olhos facilitam ao Espirito encarnado observar seus irmãos fora do corpo, faculdade essa que lhe traz muita alegria, na confirmação de que a vida continua depois do túmulo. A vidência, como a clarividência, tem uma gradação extensa. Nem todas as mediunidades têm a mesma gradação; as variações são diversas, na escala do despertamento de cada criatura. Muitas criaturas de todas as religiões dão notícias do mundo espiritual por meios diversos, e essa faculdade ganha nomes variados, no entanto, é a mesma mediunidade, é o dom que opera em todos, por lei natural. Quantos não sentem que existe alguém os acompanhando, quando um sentido espiritual lhes segreda na profundeza da consciência que alguém os está visitando? Por vezes, interpretam isto como ilusão, porém, esse sentido é mais verdadeiro do que a própria vidência. Todos temos variadas faculdades, como tesouro na intimidade do ser, e que o tempo vai despertando, de sorte a consciência usar esses dons, observando o que passa no exterior, com os valores interiores.

Os dons espirituais comuns a todas as criaturas, em todos os tempos, foram analisados por Allan Kardec, sob a influência dos benfeitores espirituais, dando-lhes o nome de mediunidade, colocando, desta forma, para todos os povos a facilidade de entendimento. Já com o decorrer dos evos, muitos intelectuais quiseram dar novos rumos à mediunidade, mudando o nome dessa faculdade inerente ao ser humano, complicando o bom entendimento. Porém, com o tempo, vai-se esquecendo, voltando à tona o nome escolhido pelos Espíritos, que usaram Allan Kardec como instrumento da codificação. Após Allan Kardec, muitos escreveram milhares de livros, espvitas e espiritualistas, evidenciando o avanço do Espiritismo, no entanto, as bases estruturadas na mediunidade continuam intocáveis, como sol que dá expressão mais verdadeira ao consolador prometido por Jesus. É bom que anotemos em nossa consciência que a Doutrina dos Espfrítos é uma escola que educa e instrui, e este é seu maior objetivo na Terra. O que nasce do seu seio fecundo converge para esses dois pilares de amor. Temos que notar com gratidão que a Doutrina Espírita desceu ao globo pelas vias da mediunidade, usando os próprios homens, para iluminar todas as raças.

Na verdade, todas as religiões do mundo surgiram e foram anunciadas pela mediunidade, mesmo que se lhe dêem outros nomes. Os tempos estão chegando, de maneira a anunciar novos céus e uma nova Terra, pelas mudanças de comportamento dos homens. O maior interesse do medianeiro deve ser a caridade, deixando que ela envolva seu coração com todos os sentimentos do bem, de modo que ele nada precise pedir para si, por já estar sendo uma fonte de amor. Ninguém busque o seu próprio interesse; e sim, o de outrem. (I Cor., 10:24) Desde quando estás envolvido na caridade, tudo de que precisas vem por acréscimo de misericórdia para o teu coração. Deus é justiça, e Jesus nos ampara desde o princípio do nosso acordar para a vida. Se já viste algum Espirito, ou se sentiste ou sentes a sua companhia, agradece sem temor a Deus, e procura aperfeiçoar tuas faculdades pela ordem natural das coisas, pelas linhas educadoras dos conceitos evangélicos, pela multiplicação da palavra de Jesus, estendidos nos livros mediúnicos, que a tua vida crescerá no carro de luz do amor.

Tomamos a dizer que não é o corpo que vê os Espíritos; é quem movimenta o corpo, o Espírito imortal. Ele, quando necessário, ativa pontos sensíveis no corpo físico, facilitando sua visão, e o exercício faz crescer essa faculdade. Quando falamos que não é o corpo que vê, e sim o Espirito nele agregado, não estamos desprezando esse aparelho maravilhoso. Antes, pedimos que cuides bem dele, seguindo a ordem natural do universo, e na verdade te dizemos que tens muitos corpos dos quais precisas cuidar, para que eles não falhem na sua cooperação para contigo. A tua mente é o ponto central para a harmonia de tudo que te cerca. Se a vidência aparecer em tua vida, usa-a para o bem, que o bem te protegerá contra as investidas do mal. Capítulo 04 FAZER-SE VISÍVEL

LM - 2- parte Cap. VI-100-21 Todas as manifestações nascem do mesmo princípio, não somente do Espírito que deseja manifestar-se, mas de uma combinação de fluidos entre o desencarnado e o encarnado. Daí que ocorre a aparição, fenômeno muito comum entre todos os povos. O Espírito, para se tornar visível ao encarnado, se apresenta na roupagem do períspíríto, e quase sempre na forma que usou na sua última reencarnação. Desde os primórdios da humanidade que se tem notícias das materializações dos Espíritos, confirmando assim a sobrevivência da alma depois do fenômeno morte.

O túmulo nunca foi o fim, mas campo aberto para novas experiências. Convém entender, pelas fartas experiências, o que a doutrina oferece. A sabedoria divina é infinita, de maneira que as leis se processam em conjunto, cabendo a cada um fazer a sua parte. Sempre precisamos dos outros para completar o nosso trabalho. A vida nos mostra em cada passo a existência do Criador, que comanda toda a criação em plena harmonia.

Os Espírtos precisam de médiuns para se tornarem visíveis e, às vezes, tangíveis. Processa-se neste transe uma simbiose de fluidos do Espírito com os do médium, que se chama de ectoplasma, fluido que se condensa pela simbiose, servindo de veste semi-material para o desencarnado sfe expressar diante dos participantes das reuniões. Vejamos: o Espirito precisa do médium, e este do Espírito, para as devidas manifestações das faculdades que são muitas, surgidas dos valores da alma. Decorridos mais de cem anos do exercício consciente da mediunidade, pelos canais da codificação, ainda assim os médiuns estão no princípio da mesma. O aprendizado é longo, na esteira do tempo, e falta-lhes vivência dos preceitos evangélicos, sendo que a teoria avança à frente e gasta muito tempo, no sentido de preparar as criaturas para a vivência.

É nesta vivência que os dons desabrocham e as faculdades se expressam com maior desembaraço. Os Espíritos vivem em dimensão diferente dos encarnados e têm de usar a ciência da mistura de fluidos para ficarem visíveis, e até tangíveis, aos que estagiam no mundo das formas. Eles se esforçam para reduzir suas vibrações e os homens para elevá-las, e aí se dá o fenômeno da aparição e da troca de ideias. As almas iluminadas usam essa oportunidade para convidar os que estão na Terra para estudar e meditar nas coisas do céu. O Espírito tem uma trajetória na vida e, para tanto, haverá de buscar novàs experiências com aqueles que se encontram na frente.

A sintonia é tudo no plano das comunicações. É neste sentido que os médiuns devem procurar se desfazer do orgulho e do egoísmo, sombras negras no caminho humano. A Doutrina dos Espíritos, nas suas bases doutrinárias, esclarece que todos são médiuns. Os que ainda não despontaram como tal, não é que não tenham o dom: é por ele se encontrar adormecido no centro da vida. A mediunidade também se desenvolve pelo exercício moderado e, se não nesta vida, ela será começo para outras.

É a parte de cada um, que Deus deixou para o nosso desempenho. O Espirito não se comunica com os homens diretamente, sem certos intermediários que facultam meios mais fáceis de conversação; o perisputo é a chave, assim como o ar o é para os sons. 0 encarnado fornece o fluido animal, combinando-o com o fluido espiritual e forma, por assim dizer, a ponte, pela qual passam todos os entendimentos. Deus se comunica com toda a criação usando o fluido divino, que leva a Sua mensagem a toda parte. Alguns a recebem de forma consciente, mas a maioria inconscientemente; no entanto, ela grava na consciência a programação do Senhor, executando-a gradativamente. A mediunidade, quando esplende nas claridades do Cristo, é admirável.

A Natanael, que se mostrava admirado por tê-Lo visto à distância, disse o Mestre: Porque te disse que te vi debaixo da figueira, crês? Pois maiores cousas do que estas verás. (João, 1:50) É o que falamos aos espíritas que se admirarem das faculdades de alguns^ médiuns: maiores coisas verão em futuro próximo, para que seja confirmado o poder de Jesus e a Sua presença na Terra. A caridade e a fé são canais para esses fenômenos transcendentais. O princípio destas manifestações mediúnicas vem de uma só fonte divina: a energia de luz que vem de Deus, que se transforma por lei para atender a todos. Capítulo 05 INVÓLUCROS DA ALMA 5 3 LM - 2 parte Cap.

VI -100-22 Ao se falar de aparições do Espírito livre do corpo físico, é bom lembrar que é necessário que ele use seu perísputo, trocando energias sutis com o médium, para se fazer visível aos olhos dos encarnados. Convém lembrar que não é somente o uso do perispírito, mas de outros envoltórios, mostrando aos homens que a vida continua depois da chamada morte, porque é somente o corpo de carne que se desfaz. Nem mesmo esse morre, mas, sim, muda de ambiente, na formação de outros corpos, na transmutação garantida pela lei cinética da vida. 0 Espírito é o comandante de seus corpos, que obedecem a sua lúcida mente, que forma, de imediato, como Esputo invisível aos olhos humanos, o corpo que desejar fortemente. Quase sempre ele usa a forma que possuía quando animava um corpo físico já que, assim sendo, é melhor reconhecido pelos que assistem ao fenômeno de materialização. Compreende-se daí os poderes da alma que, no dizer vulgar, “morreu”.

Tudo se comunica e em toda comunicação existem os intermediários; é a expressão da mediunidade, força necessária e universal, garantindo a vida em toda a criação de Deus. Até as pedras se entrelaçam por fios invisíveis, formando uma unidade de vida. Também as plantas e os animais, além dos homens, que promovem intercâmbio definido e claramente executado, regido por normas elevadas... tudo isso é força da lei natural, para alegria e glória da criação. Esse intercâmbio é sublimado entre os anjos de Deus, por métodos altamente puros, usando o pensamento, ou seja, no dizer dos próprios homens, telepaticamente. Tudo isso se processa por intermédio de agentes, e o principal é a energia cósmica, ou fluido universal, ou outros nomes que lhe queiram dar, porém, sendo sempre o mesmo agente divino, gerado pela vontade do Criador.

O Espírito desencarnado usa o intermediário para as devidas comunicações, pelo estado material em que se encontra o encarnado. As comunicações se processam usando outros intermediários, que são os corpos que, gradativamente, são revelados aos homens, em uma sequência que não tira a esperança das almas. É bom lembrar que é sempre a verdade que liberta as criaturas. Se observares as plantas, os frutos, enfim, a natureza na sua extensão grandiosa, poderás notar os vários corpos de que são revestidos, no sentido de que a chama divina cresça no seu ambiente peculiar, em se visando a ascensão. Focalizando somente o fruto, é bom analisar quantos corpos são usados para conservar a seiva nutriente e fazê-la chegar como alimento aos homens e animais.

Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.