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Capítulo 12 de 15

Filosofia da — parte 12 de 15

Filosofia da Mediunidade III · João Nunes Maia, pelo espírito Miramez

LM-2 parte Cap. IX-132-142 Há Espíritos que têm preferência por algum lugar, mas que não desejam mal para ninguém; somente ficam observando as coisas e são capazes até de ajudar aos homens. A diversidade de comportamento dos Espíritos, podes notar pelo comportamento dos homens, que são igualmente diversos. Podemos entender isso como sendo um estágio temporário até surgir os princípios da maturidade. Daí, 0 encarnado passará a se interessar pelo seu despertar, procurando logo uma filosofia espiritualista que lhe possa ajudar a abrir os olhos para aquilo que ele não enxergava. Deus não tem aflição no aprendizado dos Seus filhos, mas estimula-os constantemente, como que os chamando para acordar os seus valores, que todos possuem na intimidade d’alma. Se as faixas evolutivas são inúmeras, e em cada uma delas estão vivendo incontáveis Espíritos, encontramos no todo essas divergências, dado a capacidade de assimilação ser variável. A bondade de Deus age em sequências intermináveis. Notar-se-ão mesmo na mediunidade as divisões de dons, mas que se completam na sua engrenagem divina.

É preciso entender; 0 médium precisa mais de educação, em primeiro lugar, do que mesmo de se mostrar como instrumento dos Esputos. É bom que, de princípio, sejamos instrumentos das virtudes cristãs, para que sigamos com mais segurança em nossos caminhos. Neste preparo, as portas se abrem para todas as instruções que a vida possa nos fornecer. Os Espíritos desencarnados também são médiuns de outros Esputos mais elevados, bem como, em certos casos, de Entidades doentes ou levianas que queiram se modificar; a vida caminha na força do progresso, usando a iei da comunicação, força essa que desperta os valores na intimidade de todos nós. Queremos dizer a todos que, mesmo preferindo certos lugares para residir, os Espíritos não ficam neles para sempre, pois são errantes, em busca da estabilidade interna. O desapego é força do avanço espiritual. Ninguém fica preso a ninguém, e os bens materiais são transitórios; de vez em quando mudam de dono, para os educarem na disciplina da vida. Tudo, já falamos alhures, é de Deus, até o corpo, até nós mesmos.

De certo modo, podemos dizer que obedecemos à computação divina, que foi feita pelo Criador na nossa consciência profunda, com intervalos que nos servem como liberdade na conjunção da vida. Os Esputos superiores encontram no universo a sua pátria. Onde estiverem, sempre encontram algo a fazer em benefício de todos, incluindo eles mesmos. O homem pode ser cidadão universal, alimentar essa ideia de ser útil em todas as direções da vida, fazendo qual o ar, a água, o sol, e mesmo o éter, enfim, sendo a caridade volante, escrevendo em tudo o sagrado nome do Amor. O médium esprita tem oportunidades de aprender mais sobre as leis da vida, por isso deve usar as suas faculdades para disseminar o bem, como um pequeno astro alimentando suas energias em Jesus. A educação deve ser seu tema, e o amor seu lema de vivência todos os dias, sem se perturbar com os contrastes nos caminhos e as injúrias ante os detratores.

O desapego de que tanto falamos, deve ser iniciado na carne, dado precisar de um esforço gigantesco, e é neste esforço que compreendemos o valor do trabalho por dentro, na instalação da luz espiritual no coração. Paulo, o apóstolo dos gentios, assim se refere aos contra- ditores da lei, que, apenas para satisfazer seu orgulho e vaidade, passam anos pelos bancos das escolas, buscando se diplomarem como sábios; Inculcando-se por sábios, tornaram-se loucos. (Romanos, 122) Os médiuns verdadeiros são limpos de idolatrias e cerimônias extravagantes, que os levam à preguiça das mudanças de comportamentos. Há Espíritos assim, mas nós não devemos ser assim, porque o Cristo nos estende Suas mãos luminosas, com aquele chamado suave, mas enérgico: Vem e segue-me, tu que dormes! Capítulo 48 COMUNICAÇÕES GROSSEIRAS S LM - 2 parte Cap. X-134 As comunicações grosseiras são aquelas que chocam o decoro e não apresentam respeito para com os outros.

Os Espíritos que se comunicam assim esquecem sempre a educação e não se interessam pela disciplina, e em suas palavras nota-se com evidência a desarmonia e não raro a violência. Os Esputos desta categoria são vulgares, obscenos e ignóbeis. Os médiuns que lhes servem, ainda que pouco demonstrem, no fundo têm muita sintonia com essas Entidades grosseiras. Os médiuns que sempre recebem essa categoria de Espirito são os responsáveis por haver contraditores do Espiritismo, que sempre são atraídos para esses ambientes dizendo que estão pesquisando a Doutrina Esputa, e deparam com manifestações grosseiras; eles são atraídos para os lugares compatíveis com eles. É nesta ordem das coisas que a Doutrina dos Esputos convida a todos os médiuns e espiritas a frequentar, acima de tudo, as reuniões de estudos, conhecendo assim os valores doutrinários, ditados pelos benfeitores espirituais e manter conversações sérias com espiritas de maior conhecimento, aprendendo a discernir e selecionar o que ouvem, ditado por Esputos.

Nunca se deve ler algo sem usar o instrumento da razão, nem ouvir sem selecionar o que se escuta. Lembrando as palavras de Paulo, "não frustreis o Espírito, não desprezeis as escrituras, mas retende o que é bom.” Para isso, Deus dotou cada um de raciocínio, para enfrentar as ditas verdades frente a frente. O médium que recebe comunicações grosseiras é sempre uno com as Entidades que as dão. O melhor trabalho que ele pode fazer em favor delas é começar a se educar e a se instruir nas obras básicas da codificação e nas que são fieis aos alicerces doutrinários do Espiritismo. De outra maneira, encontrará dificuldades para a auto-disciplina. Afinidade é coisa séria. Conversa com um homem envolvido nos vícios e na violência, nas paixões e no orgulho, e notarás o que pode ser um Espírito deste naipe. Em uma comunicação de tal Espírito por um médium que lhe é semelhante, o ambiente fica tisnado de fluidos que agridem, de revolta e desconfiança.

A mediunidade é uma faculdade valiosa, que pode espalhar muita esperança e alegrar sobremodo a muitas criaturas tristes e sofredoras, todavia, se ela desconhece o Evangelho, se nega o amor e a caridade, se não se preocupa com a auto-educação, se não participa da escola da disciplina, buscando modificar os sentimentos contrários ao bem, essa mediunidade é um caminho espinhoso, é um fogo que se acende cada vez mais na consciência, é geradora de perturbações. São sementes daninhas que o médium passa a semear nas vias do seu destino, e a lei de justiça o fará colher o que plantou na sua liberdade de vida. Se semeou, é obrigado a colher os frutos tomados de venenos, que prometem dores e infortúnios sem conta. Não estamos com isso negando o intercâmbio com os Espíritos grosseiros, porém, que os medianeiros se preparem para ajudá- -los na educação.

Se esses Espíritos não quiserem aceitar, que o médium vá em frente buscar outros afazeres, outros irmãos que desejam melhorar. 0 dever é semear semente boa em terreno bom, porque os frutos são para os semeadores. 0 Espiritismo vem mostrar muitas categorias de Espíritos, alguns dos quais são lobos vestidos de pele de ovelhas, passando a enganar até os "escolhidos’'. Não é que o médium reto, honesto, justo, caridoso, que se estriba no amor, não venha de vez em quando ser assediado pelas trevas; ele passa por esse teste, para ver como vão indo suas aquisições espirituais. Observa a fala do Mestre, quando disse: Eu não vim trazer a paz, mas a espada. São os contrastes para nos educar, levantando nossa boa vontade de iluminar mais. Eis a razão porque há entre vós muitos fracos e doentes, e não poucos que dormem.

(I Coríntios, 11:30) Os fracos e doentes são cada vez mais numerosos na Terra, por desrespeito às leis de Deus, e muitos ainda dormem na inconsciência, por usarem os seus dons para a violência, vendendo os valores sagrados e aumentando os interesses pessoais. Fazendo por aparecer na alimentação do orgulho, estão semeando fogo na sua própria vida, e a reencarnação deverá lhes preparar novas vidas na carne para apagar esse fogo com a água das lágrimas. Médiuns! Escutai o alerta que vem através das palavras dos obreiros do bem na Terra e no Céu! Capítulo 49 COMUNICAÇÕES FRÍVOLAS

LM — 2 parte Cap. X-135 As comunicações frívolas tomam corpo emanando de Espíritos levianos, zombeteiros e brincalhões, que desconhecem a honestidade e gostam sempre da irresponsabilidade, que riem a bandeiras despregadas das suas mentiras, quando encontram médiuns e público que lhes dêem atenção. Eles atuam de preferência no meio onde encontram afinidade com o seu tipo de vida, se encontram criaturas que com eles se irmanam em sentimentos. São muito comuns as suas manifestações, mesmo dentro de reuniões consideradas sérias. A insistência deles é constante, até encontrarem uma brecha para falar, e quando falam e vêem a aprovação pelo sorriso que sabem despertar nos que ouvem, aí dominam o ambiente. Quando preciso, eles sabem simular uma seriedade que não possuem.

São os falsos profetas falados há muitos séculos, mas que um dia serão verdadeiros. De tanto brincar com a verdade, as consequências terão o poder de transformá-los. Os EspHtos frívolos falam muito sem nada dizer da verdade; são hábeis no engodo e bem capazes de iludir muitos espíritas sem preparo moral. É bom que se lembrem sempre da advertência evangélica: Vigiai e orai. 0 médium, quando entra em sintonia com EspHtos levi anos, dificilmente escapa das suas ondas mentais. Eles provocam alegria no medianeiro e inspiram seus companheiros para a sua exaltação, ativando a vaidade.

Tudo que dizem é falso, sem raées no amor e na caridade. A mediunidade tem seus tropeços, quando esquece a educação e vira as costas para a disciplina. Eis porque o Espiritismo sem Cristo torna-se palavras vazias, que o vento leva sem utilidade. A primeira coisa que o médium sério deve procurar na casa que frequenta é o trabalho, aquele que a caridade sustenta e o amor incentiva. Se queres entender um Espírito frívolo, procura acompanhar um homem desta natureza, e verás como é insuportável o ambiente em que ele vive.

Com o passar do tempo, ele mesmo começa a sentir enfado da sua vida e a sofrer as consequências da sua irresponsabilidade. O espirita estudioso deve, se ainda não o fez, buscar moralizar seus pensamentos, palavras e obras. É um trabalho difícil, para quem já está condicionado na frivolidade, mas nunca impossível. É a caridade consigo mesmo, para aliviar o fardo e abrandar o jugo dos seus próprios ombros. Neste passar de esforços constantes, acen- der-se-á a luz na sua intimidade como que por encanto, filha do exercício do bem.

Os Espiritos levianos e falaciosos não pensam no que pode acontecer, no que falar e fazer. A sua vida é, pois, uma ruína volante, mas nunca eterna. 0 seu dia chegará, o dia da implosão dos seus erros, e a amargura será o ambiente do seu coração. Se alimentou trevas, respirará trevas e viverá nas trevas, criadas por ele mesmo. Como responsabilizar os outros? Médium!

Se já chegou às tuas portas do entendimento a oportunidade de seres útil, de usar tuas faculdades para ajudar a disseminar a luz, sê um evangelho aberto para todos, irradiando o amor nas linhas que a caridade abriu, com as suas estrelas de benevolência. Queres conhecer as tuas companhias espirituais? Estuda o que és e presta atenção no que fazes da vida; observa teus pensamentos e analisa o que a tua boca fala: semelhante atrai semelhante. Paulo, falando aos Coríntios, em sua segunda carta assim se expressou, no capítulo oito, versículo sete: Como, porém, em tudo manifestais superabundância, tanto na fé e na palavra, como no saber e em todo cuidado e em nosso amor para convosco, assim também abundeis nesta graça. Quem já se livrou das comunicações frívolas, quem já saiu da sintonia dos Espíritos brincalhões e levianos, em sua vida manifesta a abundância de que fala Paulo, e sentirá o coração bater no ritmo do amor e nas irradiações da fraternidade, e passará sempre a ajudar por todos os meios.

Capítulo 50 COMUNICAÇÕES SÉRIAS i LM - 2 parte Cap. X-136 As comunicações sérias têm vínculo de honestidade em todos os seus contornos. No correr das palavras, notar-se-ão traços de humanidade, de vontade de servir, levando o leitor ao conhecimento da moral cristã e à prática da mesma. Os Espíritos sérios não alimentam ilusões, e fazem todos os esforços para se limparem das paixões inferiores. 0 medianeiro que queira servir de instrumento para as almas sérias deve ser uma delas. 0 verdadeiro esprita é aquele que se modifica intimamente, instalando na mente ambiente favorável no sentido de que os seus pensamentos sejam louváveis, em conexão com os preceitos de Jesus. É importante saber que nem todos os Espíritos sérios são Esputos sábios; por vezes são dotados de seriedade, mas ainda não alcançaram a sabedoria devida. Entretanto, apegam-se à sinceridade e à franqueza, somente respondendo às perguntas a ele endereçadas, quando têm certeza do que falam.

A humildade os defende da vaidade e da arrogância. Bem sabes que as investidas das trevas se fazem em toda parte. Os Espíritos levianos esperam brechas para se comunicarem com os médiuns sérios, e às vezes conseguem. É por isso que sempre falamos no preparo do médium, no amor e na sabedoria. O médium sério usa os recursos da oração com humildade, passando a perceber as entrelinhas dos assuntos ventilados, e diante dos defeitos morais que nota nos outros, silencia-se, corrigindo-os em si mesmo.

Em se falando das comunicações sérias, cumpre distinguir as verdadeiras das falsas, o que não é tão fácil dizer, dado aos médiuns iludirem-se a si mesmos. O orgulho e a vaidade impedem-nos de analisar a sua própria conduta. Há alguns Espíitos pseudo-sábios que não sabem muito bem iludir aos médiuns e a muitos que ouvem suas argumentações. |, pois, um assunto de relevância. Os Espíritos levianos usam os mais respeitáveis nomes para serem acreditados como os tais, sem notarem que o que estão escrevendo e faiando não tem relação alguma com os portadores reais daqueles nomes, que eles usam para atender a sua vaidade. Os Espíritos levianos não têm perseverança nas coisas que fazem, são insaciáveis, intolerantes, não se preocupando com a verdade.

Sua leviandade os coloca em posição na escala dos Esputos necessitados de entendimento. As comunicações sérias são instrutivas e cheias de dados elevados, lembrando sempre Cristo. Quando as palavras são verdadeiras, elas trazem bemestar para quem as ouve ou lê. O principal objetivo dessas comunicações é educar e instruir as criaturas. Elas são ponderadas, incentivando o bom senso, a caridade e o amor.

Ensinam, por vezes, a ciência, a filosofia, mas nunca se esquecem da moral, força essa que estabiliza todos os destinos humanos, que dá força às almas em função de crescimento e, ainda mais, aumenta a esperança de viver no bem. Podes deduzir a grande necessidade de os médiuns se educarem e se instruírem, porque fora disso sua faculdade ficará entregue às sombras. Os que procuram a Doutrina Espirita por diversão, verão que ela não é fator de lazer; é fonte de trabalho e de aprendizado, clima divino de se apurar os sentimentos. 0 médium deve ter cuidado com as práticas das suas faculdades. Elas não são mercadorias que se vendem ou se compram. São bênçãos de Deus, que se ofertam pelo coração.

Consultemos Pedro, no capítulo dois, versículo um, de sua primeira epístola, exercitando o que ele propõe: Despojando-vos, portanto, de toda maldade e dolo, de hipocrisias e invejas, e de toda sorte de maledicências. Sendo assim, passemos a edificar a nossa casa em Cristo, e o ambiente. espiritual, por força da justiça, tomará um caráter plenamente sério, e os médiuns em Jesus, no curso do tempo, receberão comunicações verdadeiras. Capítulo 51 PRIMEIRAS MANIFESTAÇÕES § LM - 2 parte Cap. XI -139 As primeiras manifestações espritas pelos canais da mediu- nidade foram rudimentares, não que os Espíritos encontrassem dificuldades em si, mas nos medianeiros, para tal desiderato. Faltava desenvolvimento nos instrumentos, o que deveria ocorrer passo a passo.

É o que chamamos de educação mediúnica. A ordem dos fenômenos foi crescendo com o progresso do interesse dos pesquisadores, principalmente de Allan Kardec. Começaram com pancadas, deduzindo-se assim que alguém do invisível provocava esses sons. Sendo questionados, os Espíritos passaram a responder por sinais, convencionando-se que uma pancada equivaleria ao sim e duas, ao não. Notaram os investigadores que quem produzia as pancadas e levantava a mesa era uma força inteligente, respondendo às perguntas formuladas.

Certificando que as respostas eram mais inteligentes, concluíram que verdaderamente vinham de Esputos de pessoas que tinham vivido em vários lugares do mundo. Passando o tempo, as comunicações foram evoluindo, ficando, por bem dizer, mais claras e ricas em pormenores. No fenômeno que recebeu o nome de tiptologia, a mesa levantava-se no ar e, somente recebendo o toque dos dedos do médium, inclinava-se e batia com um só pé no piso da casa, respondendo e argumentando com os presentes com lógica, vindo a encantar até os doutos que ali compareciam com frequência. Isso levou Allan Kardec a reconhecer que o outro mundo, o dos Espíritos, estava interessado em falar aos homens acerca da vida, da reencarnação, da comunicação deles com os que ficaram, e das leis naturais, criadas por Deus. Assim, o intercâmbio cresceu, e as notícias não se fizeram esperar; correram mundo e os meios de comunicação foram ficando mais fáceis, de maneira que surgiu a escrita direta com muita rapidez, demonstrando assim uma variedade de possibilidades mediúni- cas, guardadas na intimidade do homem que, em conexão com os Espíritos, produzia fenômenos variados, capazes de lembrar os que eram produzidos por Jesus em Sua época.

Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.