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Capítulo 6 de 6

III — parte 3 de 3

Espíritos e Médiuns · Léon Denis

baseia numa lei que se aplica também às emissões fluídicas. Estas, no lugar de serem produzidas por um dínamo, podem sê-lo por um pensamento dirigido voluntariamente, de certa maneira. Um espírito encarnado ou desencarnado pode, pois, produzir, em determinadas condições, uma chispa exatamente igual à das correntes de alta freqüência e enviar ondas em todas as direções. Estas ondas podem ser percebidas por sensitivos encarnados ou desencarnados que façam o papel de receptores. Um espírito desencarnado pode influir perfeitamente, segundo essas leis, e no mesmo instante, sobre vários médiuns, sem se mover do plano que habitualmente ocupa. Assim poderá enviar uma mensagem escrita, uma mensagem visual (transmissão de imagens por televisão), uma mensagem auditiva, etc., conforme os médiuns que receberam a sua influência, e, como as faculdades intelectuais são mais sensíveis em nosso plano do que no vosso, poderá ditar a seus médiuns várias mensagens de diferentes teores, sem ter necessidade de, por isso, se deslocar.” –– 0 –– Quanto ao problema da subconsciência, que tem sido complicado e enrolado à vontade, ele se resume simplesmente à ação, em nós e fora de nós, desse centro psíquico do qual já falamos, onde se fundem, em um único sentido, todos os meios de percepção e de sensação da alma.

Inconsciente, subconsciente, subliminal, ego superior, são apenas palavras para designar um mesmo princípio, o centro de nosso “eu”, de nossa inteligência, de nossa consciência plena e íntegra. Por seu desprendimento parcial ou total do corpo físico, esse centro recobra seu poder de irradiação e, ao mesmo Léon Denis – Espíritos e Médiuns 62

tempo, se despertam nele as recordações, os reconhecimentos, as aquisições adormecidas em estado de vigília e que os séculos passados foram acumulando no fundo do ser. Nessas condições, o médium pode penetrar nos mundos visível e invisível e recolher e transmitir seus ecos, seus rumores, seus ensinamentos. A telepatia, a psicometria, a premonição, a leitura do futuro, os fenômenos da intuição e até certos fatos de ordem magnética se referem a esta forma de ação. A mediunidade constitui, pois, a possibilidade de irradiar nossas forças e nossos sentidos ocultos. nesse estado, o médium oferece mais facilidade e rapidez ao espírito para manifestar-se. Nos fenômenos de escrita, o espírito pode dirigir-se seja ao subconsciente, seja à consciência normal do médium. O subconsciente, no primeiro caso, transmite ao cérebro as sugestões do manifestante, porém, o médium não perceberá tão vivamente a personalidade estranha que se manifesta nele. Então, sua influência pessoal será preponderante e inevitável.

O médium pode, pois, entrar em relação com o Além- Túmulo de duas maneiras: por dissociação de seu centro psíquico, que lhe permite exercitar seus sentidos no Mundo Invisível e penetrar em seus mistérios, ou pela ação direta dos espíritos sobre seu organismo fluídico, por meio de transe, da escrita, da mesa, da prancheta, etc. O primeiro procedimento é o mais eficaz, porque sua aplicação repetida aumenta pouco a pouco o poder de irradiação do médium e lhe abre o acesso aos planos superiores; assim adquire a plenitude de seu “eu” pela união íntima da consciência superior com a consciência física. Léon Denis – Espíritos e Médiuns 63

Por outro lado, essa é a finalidade geral da evolução da alma: ampliar incessantemente o campo de suas irradiações e de suas percepções; ao mesmo tempo é uma forma de preparação para a vida no Espaço, a possibilidade de gozar suas profundas alegrias e sua harmonia sublime. –– 0 –– Na realidade, pode-se dizer que a mediunidade preenche toda a História. Ela é um dos focos que iluminam, de século em século, a marcha da humanidade. Os inventores, os poetas, os escritores célebres, quase todos aqueles a quem classificamos de gênios, tinham os sentidos psíquicos mais desenvolvidos e recebiam as inspirações de altas entidades do Espaço. Parece como se um vasto programa se desenvolvesse através do tempo. As invenções, os descobrimentos se sucedem numa ordem prevista para marcar as etapas da civilização. Neste imponente rol, a mulher tem uma parte considerável, sem falar de Joana d’Arc, cuja missão salvou a França

no século XV, missão que estudamos em outra parte, com todos os detalhes; recordemos sobre esse ponto a opinião de Paracelso, o grande médico do Renascimento. Depois de lançar ao fogo seus livros de Medicina, declara: “É das bruxas que aprendi tudo quanto sei de prático e benéfico.” Michelet, em La Sorcière, se exprime da mesma forma. Sabido é que na Idade Média, e durante o Renascimento, todos os médiuns eram considerados como bruxos. Ainda

7 Joana d’Arc, Médium, Editore FEB. (N.R.) Léon Denis – Espíritos e Médiuns 64

hoje assim é, entre as mulheres de quem citamos as mais notáveis faculdades psíquicas. Recordemos também que os grandes predestinados, os profetas, os fundadores de religiões, todos os mensageiros da verdade e do amor mantiveram comunicação com o Invisível. Graças a eles se estendeu pelo mundo o pensamento divino. Suas palavras e seus ensinos brilham como relâmpagos em nossa noite e formam outras tantas brechas sobre o desconhecido, sobre o Infinito. Podem comparar-se a esses clarões que se produzem entre as nuvens quando há tempestades, mostrando-nos o céu azul profundo, luminoso, para ocultar-se em seguida. Porém, esse instante basta para nos permitir entrever a vida ascensional e a grande hierarquia das almas que se escalonam na luz, de círculo em círculo, de esfera em esfera, até Deus. Em torno de nós flutua, na atmosfera, a multidão de inúmeras almas inferiores e atrasadas, presas por seus fluidos grosseiros à esfera de atração da Terra e de cujos vícios não se livraram com a morte.

Porém, acima dos tristes horizontes do nosso globo, plainam as legiões de espíritos protetores, benfeitores, de todos aqueles que só esperam pelo bem, pela verdade, pela justiça. A escala das inteligências e das consciências vai graduando-se até às almas poderosas e radiantes, depositárias das forças divinas. Às vezes, essas altas entidades interferem na vida dos povos. Não o fazem sempre de um modo tão notório como na epopéia de Joana d’Arc. Geralmente, sua ação é de menos relevo, mais obscura, porque se as potências invisíveis, se Deus mesmo desejam ser conhecidos, também desejam que o homem faça seu esforço e lute para conhecê-los. Léon Denis – Espíritos e Médiuns 65

Quanto à eleição dos meios e formas que esses grandes seres utilizam, temos que recordar que nosso saber é muito restrito e nossas medidas muito curtas para abarcar os vastos planos do Invisível. porém, os fatos aí estão incontestáveis, inegáveis, como pudemos ver no transcurso da guerra passada. De tempos em tempos, através da obscuridade que nos envolve, no fluxo e refluxo dos acontecimentos, nas horas decisivas da História, quando uma sociedade, uma nação ou a própria humanidade se acha em perigo, uma emanação, uma delegação do poder supremo interfere para reagir contra o mal. Vem mostrar aos homens que há, acima da Terra, infinitos recursos e sociedades melhores, às quais podemos chegar desde já com nossos pensamentos e chamadas, e que um dia lograremos alcançar por nosso próprio mérito e esforço. Léon Denis – Espíritos e Médiuns 66

VI Prece de Jerônimo de Praga “Meu Deus, tu que és grande, tu que és tudo, deixa cair sobre mim, pequenino, sobre mim, que existo porque tu quiseste, um raio de tua luz. Faz que, penetrado por teu amor, eu ache o bem, fácil, e o mal, odioso; que, animado do desejo de agradar, meu espírito vença os obstáculos que se opõem ao triunfo da verdade sobre o erro, da fraternidade sobre o egoísmo. Faz que, em cada companheiro de provas, eu veja um irmão, como tu vês um filho em cada um dos seres que emanam de ti e devem para ti retornar. Dá-me o amor ao trabalho, que é o dever de todos na Terra, e, com a ajuda da luz que puseste à minha frente, esclarece-me sobre as imperfeições que atrasam meu progresso nesta vida e na outra.”

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Índice de Nomes Próprios Aksakof, Alexander - Notável investigador espírita russo. Autor de Animismo e Espiritismo. Realizou experiências com a célebre médium Eusapia Palladino (1832- 1903). Allan kardec - Codificador da Doutrina Espírita (3 de outubro de 1804 - 31 de março de 1869). Arthur Hill - Médium. Botazzi - Diretor do Instituto de Fisiologia da Universidade de Nápoles. Boutroux, Emile - Filósofo francês. Brémond - Assina as atas dos fenômenos, em Avignon. Brofferio - Professor universitário. Assinou atas de comprovação de fenômenos havidos em casa do senhor David, em 13 de janeiro de 1899, em Avignon. Canuel - Assina as atas dos fenômenos, em Avignon. Cardarelli - Senador italiano. Realizou experimentações juntamente com o professor Botazzi. Challis - Professor da Universidade de Cambridge, Inglaterra. Conan Doyle, Arthur - Médico e escritor espírita inglês (1859-1930). Crewe, Padre - Clarividente e amigo de Conan Doyle. Dariex - Estudioso dos fenômenos psíquicos (Sociedade de Investigações Psíquicas de Londres). Léon Denis – Espíritos e Médiuns 68

David, Sr. - Realizou reuniões em Avignon, com bons resultados. Domenach - Tenente francês. Assina as atas dos fenômenos de Avignon. Ermácora - Doutor em Física. Eusapia Palladino - Grande médium italiana desde a idade de 14 anos. Prestou-se a inúmeras experiências com sábios renomados: Lombroso, Aksakof, Myers, Delanne, Bozzano, etc. (1854-1918). Finzi, G. - Doutor em Física. Flammarion, Camille - Célebre astrônomo francês. Espírita e grande colaborador de Allan kardec. Forget, Sra. - Médium conhecida de Léon Denis. Fourcade - Espírito comunicante. Frederico Myers - Professor da Universidade de Cambridge. Gallas, Sra. - Médium. Gérald Massey - Opina sobre Espiritismo. Gerosa - Professor universitário. Gracia - Pessoa que a médium encontra. Grimaud, Padre - Fundador de uma escola para surdosmudos, em Avignon. Gurney, Edmond - Da Sociedade de Investigações Psíquicas. Gustave Le Bon - Médico e sociólogo francês (1841-1931). Hodgson, Richard - Amigo desencarnado de William James. Léon Denis – Espíritos e Médiuns 69

Jerônimo de Praga - Guia espiritual de Léon Denis. Joana d’Arc - Médium. Katie King - Espírito comunicante por Florence Cook. Leymarie, Pierre Gaétan - Grande colaborador de Allan Kardec, na divulgação das obras espíritas. Lodge, Oliver - Físico inglês. Pesquisou com Eusapia Palladino. Escreveu Raymond ou Vida e Morte. Lombroso, Césare - Criminologista, médico. Fez experimentações com Eusapia Palladino. Autor de Hipnotismo e Espiritismo. Manton - Nome de um espírito. Massenet, Jules - Compositor francês (1842-1912). Maxwell - Estudioso dos fenômenos psíquicos (Sociedade de Investigações Psíquicas). Michelet, Jules Emile - Escritor e historiador francês (1798- 1874). Olivier Cromwell - Membro do Parlamento Inglês; um dos nomes mais importantes da história inglesa (1599- 1658). Paracelso (Theophrastus Bombast von Hohenheim) - Suíço, médico, filósofo, hermético e alquimista (1493- 1541). Paul Gibier - Biólogo francês, colaborador de Pasteur. Espírita militante (1851-1900). Philips - Amigo de Conan Doyle. Piet Botha - Espírito que se apresenta. Piper, Leonora - Grande médium americana do século XIX. Léon Denis – Espíritos e Médiuns 70

Raymond Lodge - Filho de Oliver Lodge. Como espírito, dá importantes revelações a seu pai. Rice - Médium. Richet, Charles - Grande fisiologista francês (1850-1935). Roussel - Assina as atas dos fenômenos, em Avignon. Ruperto - Espírito do filho do pastor Wynn. Schiaparelli - Diretor do observatório astronômico de Milão. Stead, William Thomas - Jornalista inglês. Thompson, Sra. - Médium. Tournier - Assina as atas dos fenômenos de Avignon. William Crookes - Químico e físico inglês (1832-1919) - Estudou durante 3 anos os fenômenos do espírito Katie King. Escreveu Fatos Espíritas. William James - Filósofo e psicólogo americano, um dos fundadores do pragmatismo (1842-1910). Wynn - Pastor protestante.

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