[user_registration_my_account]
Capítulo 3 de 6
Parte 3 de 3
Espíritos e Médiuns · Léon Denis
2 Titanic: célebre navio por seu luxo, dimensões – o maior do mundo na época em que foi construído – e por sua segurança: era considerado inafundável. No dia 14 de abril de 1912, quatro dias após o início da sua viagem inaugural, o Titanic bateu em um iceberg, enorme massa de gelo flutuante, fazendo um rombo no casco. Em apenas 2 horas e 40 minutos o navio submergiu, morrendo 1523 pessoas das 2228 que se encontravam a bordo. (N.R.) 3 Veja-se a Revue Spirite de 15 de janeiro de 1909. (Nota do autor) 4 Este autor não é somente um escritor célebre, é também médico e profundo conhecedor das questões científicas. (Nota do autor) Léon Denis – Espíritos e Médiuns 30
desconhecido que dizia chamar-se Manton, haver nascido em Lawrence Lydiard, e estar enterrado em Stoke Stewington, desde 1677. Demonstrou-se depois, perfeitamente, que um homem assim chamado viveu, e foi capelão de Olivier Cromwell. E acrescentava: “Visto que Julia Ames pôde revelar ao Sr. Stead detalhes de sua própria existência nesta terra, que ele não podia suspeitar, e cuja exatidão mais tarde se comprovou, também nos encontramos inclinados a admitir como verdadeiras essas revelações cuja prova não se pôde obter. E mais ainda, posto que Raymond Lodge pôde descrever uma fotografia, da qual não se havia encontrado nenhuma cópia na Inglaterra, e cuja amostra se encontrou absolutamente de acordo com a descrição que se havia feito dela; e se pôde nos informar, por lábios estranhos, toda a classe de detalhes de sua vida familiar, cuja exatidão comprovou e certificou seu pai, o reitor O. Lodge, não é acaso razoável supor que esse Raymond não é menos digno de fé quando descreve as fases de seu próprio gênero de vida, do que quando se comunica com seus pais?
Ou quando o Sr. Arthur Hill recebe mensagens de pessoas, cuja existência ignora, e comprova que as ditas mensagens são verdadeiras em todos os detalhes, não é uma conseqüência lógica admitir que os espíritos dizem a verdade, quando nos dão a conhecer suas novas condições de existência?” Posteriormente, em uma conferência pronunciada em Leicester, Arthur Conan Doyle relata o seguinte fato: Léon Denis – Espíritos e Médiuns 31
“Dois amigos meus, o Reverendo Crewe e o Sr. Philips, advogado, encontraram uma noite, na Rua Oxford, em Londres, um jovem inglês em estado de embriaguez. O padre Crewe, que é clarividente, viu a forma espiritual de uma mulher que estava de pé junto ao jovem e o olhava compassivamente. Acercando-se ambos os amigos, travaram conversação com ele e souberam que este jovem, que havia descido tanto, era sobrinho de um alto dignitário da Igreja. O Sr. Crewe falou, ao jovem desencaminhado, da figura espiritual que havia visto, acrescentando: – Creio que é sua mãe. O jovem respondeu: – O senhor a descreveu bem, exatamente como era minha mãe. O Sr. Crewe adjuntou: – Quando estiver melhor faremos uma pequena sessão. A sessão foi realizada pelos três. O Sr. Crewe caiu em transe e a mãe, irmã do alto dignitário eclesiástico, tomou posse dele e falou a seu filho. Quando o médium voltou a si, o jovem soluçava a um lado da mesa e o advogado, do outro. Explicaram então que a mãe do jovem lhe repetira as últimas palavras que havia pronunciado no momento de sua morte, acrescentando que ele havia chegado agora a uma fase de seu caminho, que no futuro tudo lhe seria melhor.” O conferencista acrescentou que havia recebido uma carta do citado jovem, dando-lhe todos esses detalhes e Léon Denis – Espíritos e Médiuns 32
concluindo com estas palavras: “Este é meu tributo à causa que me salvou. Vou tratar de não recomeçar.” Ao término de sua obra, A Nova Revelação, Arthur Conan Doyle se eleva a altas considerações, e faz observar a influência que exercem esses fenômenos sobre o pensamento e o coração dos homens. E termina com estas bonitas palavras de Gérald Massey: “O Espiritismo foi para mim, como para muitos outros, o alargamento de meu horizonte mental e a penetração do céu, a transformação da fé em fatos reais; sem ele não se pode comparar a vida senão a uma viagem efetuada no fundo da adega de um barco, com as escotilhas fechadas, em que o viajante não percebesse outra claridade que a de uma vela, e ao qual é permitido, em uma esplêndida noite estrelada, subir à ponte e contemplar, pela primeira vez, o prodigioso espetáculo do firmamento resplandecente da glória de Deus.” –– 0 –– Mais recentemente, o pastor Wynn, que goza de certo renome como pregador na Inglaterra, publicou um pequeno volume, muito substancioso, em que relata toda uma série de fenômenos comprobatórios da sobrevivência de seu filho Ruperto. Este jovem, caído gloriosamente nas linhas inglesas, durante o Grande Cataclismo, manifestou-se de diferentes maneiras, por vários médiuns que não o conheciam, nem a seu pai, em condições notáveis de autenticidade. Léon Denis – Espíritos e Médiuns 33
O Sr. Wynn, que a princípio era cético com respeito ao Espiritismo, chegou a reconhecer a sua validade, aderindo a ele publicamente. Em continuação, reproduzimos um dos fatos assinalados em sua obra Ruperto Vive. O autor se expressa assim: “Uma noite do mês de julho de 1918, subi a um vagão de terceira classe, na estação de Marylebene (bairro de Londres) para ir a Chesham. No fundo do compartimento se achavam sentadas duas senhoras, uma de frente para outra. Pus-me a ler meu diário The Evening Standard. Quando o trem se aproximava de Harrow, ouvi que uma das senhoras dizia a sua acompanhante: – Permita-me, sou espírita e médium; suponho que a senhora não terá medo, mas sua mãe está sentada ao seu lado. Ela me disse que passou para o Além recentemente, e me roga que lhe transmita algo. Não esquecerei nunca a expressão da senhora a quem se dirigiam essas palavras inquietantes. Ficou pálida. Sem dúvida despertaram-lhe todos os seus preconceitos religiosos e, com uma disposição de espírito anticientífica, murmurou: – Mas, eu não creio no Espiritismo.
É contrário a meus princípios. Por outra parte, eu não a conheço e a senhora não conhece a mim. Como sabe a senhora que minha mãe morreu? – Eu sei que sua mãe passou para o Além, porque ela mesma me disse, respondeu a outra. Está sentada a seu lado e, além disso, falou que a senhora se chama Gracia. (Aqui a informou de uma comunicação pessoal que fez a cética Léon Denis – Espíritos e Médiuns 34
senhora trocar imediatamente de idéia. É-me impossível, por seu caráter particular, publicar essa comunicação, ainda que seja parte dessa assombrosa revelação). Voltando-se para mim, a médium disse: – Creio conhecê-lo. É o senhor Wynn, de Chesham, verdade? Seu filho Ruperto veio outra noite a uma de minhas reuniões e me rogou que lhe pedisse para ter uma sessão com meu marido e comigo, em sua biblioteca, e que permitisse a meu marido fotografá-lo. A senhora me falava tranqüilamente, e de um modo muito natural, como se estivesse me oferecendo uma taça de chocolate. – Senhora, disse-lhe, tanto minha esposa quanto eu teremos muito gosto em recebê-la. A senhora Rice – assim se chamava a médium, – veio a Chesham com seu marido. Sentamo-nos em minha biblioteca. Essa senhora, que vive em Nara, Northwood, Middlesex, nunca havia estado em nossa casa. Eu não lhe havia dito nada de Ruperto, e tinha preparado certas perguntas para pôr à prova sua clarividência. Fazia só alguns minutos que se havia sentado quando se manifestou W. T. Stead.
Era o aspecto, os trejeitos, a voz do grande periodista, que me deu provas de sua identidade verdadeiramente incontestáveis. Depois veio Ruperto, falando com o seu tom familiar habitual. Respondendo às minhas perguntas, mostrou o lugar da casa onde dormia, a gaveta onde colocava suas cartas. Falou da gata que uma vez trouxe do campo, pequenina, suja e meio morta, disse-nos o nome dela, a cor do pêlo, e deu Léon Denis – Espíritos e Médiuns 35
uma porção de detalhes de nossa vida íntima que a médium não podia conhecer de maneira nenhuma. Depois, obtivemos a fotografia de Ruperto, de forma tal que os peritos fotógrafos, a quem ela foi mostrada, afirmaram-me que seria impossível, com todos os seus recursos, obter um resultado semelhante. Todos os membros da família e amigos de meu filho o reconheceram imediatamente.” Como conclusão, o pastor Wynn declara: “Antes eu acreditava na sobrevivência, só pelo ato da fé; hoje, creio nela porque sei que é certa.” Com respeito às suas convicções religiosas, acrescenta: “Estas investigações tiveram como resultado fortificar minha crença em Cristo e nos ensinamentos do Novo Testamento. Hoje compreendo centenas de coisas da Bíblia que antes não podia compreender.” Léon Denis – Espíritos e Médiuns 36
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.