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Capítulo 5 de 99

O Uso Da Razão

Divinismo Prático – Yolanda Santoro

A VERDADE é, em si, por demais infinita em profundidade, para que a mente humana a possa tragar de uma vez. Suas manifestações são múltiplas, suas nuances de tal modo amplas, seus tons perdem-se na amplidão fenomênica, que o raciocínio humano atordoa-se aos primeiros vislumbres prurídicos. Porém, amigos, jamais deixeis de lado o sentido racional da vida, para que o senso de lógica, o poder disciplinante, a virtude discernitiva, intervenham sempre em vosso favor, com seu imenso poderio de forças ponderáveis. A razão humana é um sentido da Sabedoria Divina. Aqueles que, pensando ser mais espiritualistas, depõem contra o exercício da razão, por julgar seja a razão humana falha em capacidade objetiva com relação às coisas do espírito ou transcendentes, esses mesmos estão tremendamente errados.

Se a chamada Criação é manifestação para nós tangível do próprio Deus, da Essência Primária, sendo nós emanação, por certo que dispomos de elementos básicos e capacidade para também elaborar, movimentar, dispor, como agentes vivos e inteligentizados, predispostos à cooperação na vastidão mecânica dos fluxos e refluxos da vida. Nada nos inibe de tais obrigações. Sem o concurso da razão, por sua vez, nada poderíamos realizar. Para julgar o que seja Deus, que é tudo o que há, no sentido Manifesto ou Imanifesto do que seja conhecido ou desconhecido, preciso se faz o concurso da razão. Atacar a razão humana, como é hábito de algumas pessoas, por julgá-la jungida aos preceitos e preconceitos humanos, às chaves escolásticas petrificadas, às regras já falhas, isso não se justifica, pois é essa mesma razão humana que, comportando em si elementos incontáveis de valor progressivo, mutável, terá que em si evolver, e, pela auto evolução, conquistar píncaros de capacidade discernitiva.

Afirmar o sentido transcendente não basta para eliminar a necessidade do instrumento humano de investigação, que é o raciocínio, o uso da razão. Chegar a conceber o plano Imanifesto de Deus, em sua infinidade, em sua profundidade divinal, não constitui direito à negação do poder discernitivo, mesmo porque nós somos parte e relação dessa profundidade divinal, sendo a faculdade da razão, uma das mais salientes no quadro geral das ilimitadas faculdades de que somos senhores. Porque numa síntese consistimos em ser e faculdades; mas o despertar lento só nos permite alcançar o poder de síntese, por parcelas. Só há, pois, uma faculdade, uma unidade em geral; mas o desabrochar é por partes. E temos de respeitar os matizes e tons, quer por ser de lei, quer por necessidade indiscutível. Os êxtases espirituais, portanto, não têm por função depor contra o senso de razão. Quem à custa dessa lei, desse fenômeno, quer lançar-se contra o dever de exercício discernitivo contínuo, erra duplamente: Uma vez, por interpretação errônea de uma lei; e outra, por tentar a atrofia de sacratíssima faculdade. Dizer o que se repete, por aí, de boca cheia, que a intuição supre tudo, isso é tremendo erro de cálculo. Mesmo nas esferas superiores da vida, onde fácil se torna o poder catalítico mais intenso, e a consequente absorção da Verdade em sua Fonte de Origem, faz-se preciso o uso do discernimento, para efeito de aplicações. Encontrar os elementos é uma coisa; colocá-los em ordem é outra. Quanto mais se busca nas origens, tanto mais se encontra, mais puro, mais abundantemente. Mas, para aplicar tais

elementos nos meandros complexos da variedade infinita de planos hierárquicos, isso demanda acurado estudo, quer com relação aos meios onde dever aplicá-los, quer relativamente aos seres em particular. Demais, amigos, tudo se aplica por cadeias de hierarquias. E o que em cima era geral, era simples, torna-se embaixo particular, específico, complexo. A nuvem não se desfaz em gotas e gotículas? Uma laranja, dada por um pai, para ser repartida entre cinco filhos, tendo ela por acaso nove gomos, não demanda fracionamento? E seria fácil de tudo dividi-la, com exatidão integral, encarando o problema das células? Pois assim mesmo se passa, amigos, entre conhecer, ter em mãos os elementos e distribuí-los convenientemente. Há que ponderar muito, sem dúvida. E sem o concurso da razão humana, dessa faculdade que precisa de contínuo progresso, como dar-se a essa desincumbência?

Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.