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Capítulo 19 de 99
Quem Nos Concede O Livre Arbítrio, Ou Direito De Opção?
Divinismo Prático – Yolanda Santoro
O Espiritismo adverte, ilustra e consola, mas não pode forçar. O sagrado relativo direito de livre arbítrio, bem sabemos, é outorga do Pai a Seus filhos. Portanto, aguardemos que o Tempo faça com que os filhos do Pai se convençam de que devem ser iguais para com Ele, assim como Ele é igual para eles.
Quando qualquer coisa dá-se pela Vontade de Deus, maravilha é. Nossa brutalidade é que nos faz mal interpretar as maravilhas da natureza em geral, onde as glórias estão perenemente expostas. De resto, tudo isso é, em Deus, comum. Para a concepção essa é que devemos marchar. Tenho certeza de que a Deus importa o nosso amor e não a nossa exaltação. A exaltação é filha do estrabismo a que nos votaram os falsos conceitos espiritualistas de todos os cleros, fazendo-nos crer, não que somos partículas conscientes da individualidade e emanadas do próprio Deus, da PRIMEIRA ESSÊNCIA, mas sim como a filhos espúrios, a estranhos inventos que um dia quiseram aventurar-se Deus. Nós somos imagem e semelhança de Deus em ESSÊNCIA, razão por que somos glória espiritual. E se nos concedeu Ele o direito de auto edificação, tanto mais gloriosos devemos nos sentir. Não somos como o elemento amorfo, cujas leis gerais o controlam cem por cento, em forma de automatismos; nós podemos forçar as leis, para precipitar ou retardar, para o bem ou o mal, à custa da consciência individual e do sagrado direito de livre arbítrio. É lógico, portanto, que vamos nos integrando no conceito novo, o monístico, o unitário, e assim nos concebendo como glórias de Deus. Chega de adular e pedir! Chega de bajular e reclamar! Basta de sugerir a Deus que seja ou se faça BOM, JUSTO, MISERICORDIOSO, etc.! Vamos tratar de compreender, que nós é que nos devemos lançar a essas VIRTUDES, descobrindo-nos em nós mesmos! Deus é, em tudo e em todos, a BASE ESSENCIAL, não deixando jamais de ser IMUTÁVEL, diga ou pense o homem como quiser, peça ou não a Deus se faça JUSTO, AMORÁVEL, etc. O homem precisa dar-se ao culto das virtudes inatas que tem por dever fazer aflorar, e não viver a pedir, a clamar, enfim, a proceder como blasfemo, pois quem pensa precisar Deus dos seus avisos, por certo, que blasfema! Ignorar seus gloriosos dons inatos e viver a acusar a Deus, isso caracteriza o religioso em geral! Contra isso devemos brandir nossas armas intelectuais revolucionárias...
Ao estado crístico ninguém vai sem ser pelo evolvimento lento e trabalhoso. Quando dizemos que hierarquia não se discute, no mundo espiritual, estamos dizendo que ninguém poderá ostentar gradação alguma, se no íntimo não a tenha registrado, marcado com o sinete da experiência própria. Todos começamos com as mesmas virtudes divinas em estado potencial; e ninguém jamais obterá favores ou sinecuras em face da Lei de Equilíbrio. Prevalecem, portanto, as leis de livre arbítrio, de responsabilidade e de finalidade. Ninguém poderá escapar ao círculo das leis que engendram, sustentam e determinam. E quem não aprender com as lições dos Grandes Mestres, terá que aprender com as duras lições da vida.
– Então ficaremos de novo com o apóstolo Paulo, ao afirmar que muito nos é possível, mas nem tudo nos convém? – E não prova a palavra de Paulo que o Senhor Deus concede a vida, os ambientes, os elementos de uso, as faculdades intelectivas, o senso de responsabilidade, a Lei Moral, a Modelagem do Cristo, as faculdades mediúnicas e o direito de relativo livre arbítrio, e de tudo isso o espírito deve fazer o melhor uso
possível? Quem não compreende que, para ser bem usado e não mal, é Deus que oferece tudo quanto a chamada Criação material contém?
Os seres e as coisas são partículas do TODO a caminhar com rumo, na vastidão insondável do próprio TODO. As leis e os destinos são, não duvidemos, razões fundamentais inerentes ao fato de existirmos. A possibilidade, que todos têm, de se divinizar, por sublimação, prova que emanamos de Deus e n’Ele vivemos. Fundamentalmente, porém, só Deus é. Porque nós somos o que ELE quer que sejamos. No seio do ABSOLUTO, nosso livre arbítrio também é determinismo. Existimos, temos valores inatos. Desenvolvemos tais valores e usamo-los, mas no círculo que o Supremo nos traça. Nenhuma ação humana exorbita do que leis lhe facultam; e o homem não faz leis! O homem é uma lei do TODO e age como pode dentro do seu quadro, que vai até poder influir nos acontecimentos e nas ações de outros homens.
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.