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Capítulo 20 de 99
O Livre Arbítrio E O Determinismo
Divinismo Prático – Yolanda Santoro
Saliento bem: começa-se completamente passivo e termina-se completamente ativo, ressalvada a condição de perene ligação com o Supremo Automatismo ou Divino Determinismo. Esta questão de determinismo e livre arbítrio, bem pode ser definida por aquela velha figuração: «O espírito é livre para agir, no seio da Ordem Universal, assim como o pássaro é livre para fazer o que queira, no espaço da gaiola». Realmente, determinismo é a sujeição às leis básicas, ao plano geral; depois dessa sujeição basilar ergue-se o livre arbítrio, a vontade pessoal, comportante de responsabilidade. Sempre que a vontade pessoal corroborar com o determinismo, a consequência será feliz; sempre que a vontade pessoal ferir o determinismo ou plano geral, a consequência será nefasta. Na gaiola da vida, portanto, o plano geral é a Lei. Querer sair dessa circunscrição é ferir-se!
Comumente costumamos dizer “se Deus quiser”, quando outra expressão não caberia, fossemos mais honestos funcionários do Senhor, que esta – “se Deus quiser e eu, por consciência do dever, fizer por realizá-lo”. Isto porque, sem dúvida alguma, pesando sobre o TODO RELATIVO o TODO ABSOLUTO, numa demonstração plena de equidade dialética, o quanto determina o Senhor ao funcionário, também delibera este em favor da execução dos feitos. O sagrado direito de livre arbítrio é parte do SUPREMO DETERMINISMO. Uma lei incide sobre a outra e a ação mecânica se desenvolve harmônica, produzindo o bem e conseguindo marcar em favor dos supremos desígnios. Ai daquele que se empenha em proclamar tanto o seu “se Deus quiser”, em nada se empregando para a consumação da Soberana Vontade! Fiandeiro de nulidades é aquele que testemunha ao DETERMINISMO e solapa em si ao arbítrio funcional! Deus é REGRA e nós somos EXECUÇÃO, Deus é LEI e nós TRABALHO; Deus preside e quer, e nós agimos e usufruímos.
Quem se anula como funcionário da VIDA ABSOLUTA prova o quanto é involuído. E aquele que lança mão dos bens da VIDA PLENA e os elabora, a fim do seu e coletivo bem, esse é que é servo fiel. Importa mais compreender o dever pessoal do que incidir tanto no “se Deus quiser”, tão bem exclamado e tão mal atendido. Urge a compreensão desta diretriz: um é o Senhor que manda, e outros são os realizadores práticos da obra. “Se Deus quiser” é lei científico-moral, é consciência teórica do dever; ficar nisso é fraudar! E de fraudar está a humanidade farta, é reincidente milenar! A consumação dos ideais de amor e justiça aguardam o serviço humano de realização prática. Nunca foi Deus a tolher os esforços dos seus funcionários; mas de sempre diz o homem “se Deus quiser”, relativamente a todos aqueles atos, que sabe muito bem só dele, homem, dependem, para que na plateia encarnada haja mais decência e felicidade, e nos rincões da morte mais oportunidades de divinos gozos.
O perdão entre as partes, lembrem-se, coopera com a Justiça, mas não lhe tolhe a função, porque não elimina as causas. A grande questão é não criar caso, é evitar os erros. Erros valem apenas como
desarmonias... E as desarmonias devem ser reparadas. Por isso mesmo, muita razão têm aqueles que conferem mínimos créditos ao relativo livre arbítrio, achando que tudo é questão de Plano Geral, de Supremo Determinismo. Todavia, não têm todas as razões, pois o mesmo livre arbítrio, que é parte integrante do Supremo Determinismo ou Plano Geral, facilitando poucas liberdades, oferece oportunidades múltiplas de ações virtuosas ou criminosas, de onde surtem tremendas dores ou felizes conquistas espirituais. De modo geral, ninguém pode eliminar coisa alguma, nem o poder do Plano Geral nem os riscos do relativo livre arbítrio, porque fundamentalmente é assim. Ninguém é autômato, devendo dar de si a religião ou religação, consoante a Lei de Deus, que é Força Viva regente e não apenas palavras escritas.
Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.