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Capítulo 22 de 99

Caminho Para O Aprendizado De Si Mesmo

Divinismo Prático – Yolanda Santoro

— Confiar em Deus é um modo indireto de confiança própria, assim como a confiança própria é um modo indireto de confiar em Deus. O normal, para a melhor eficiência, é cultivar o dialetismo — cultivar as duas confianças. Isto, porque determinismo e livre arbítrio sempre marcharão paralelamente, na vida e nas necessidades de todas as criaturas. — Então, confio em tudo e em todos.

— Mas sempre procurando discernir os fatores, não é assim? O Universo total é ação, e ação demanda inteligência e ordem. Não pode haver caotismo integral; é impossível que haja automatismo cem por cento; logo, não só devemos conhecer as forças regentes, como devemos aprender a ser forças determinadoras. Os espíritos são os agentes de Deus. O Universo e tudo quanto ele comporta é movimentado por espíritos. Ninguém tem, portanto, direito a negligenciar. Com apenas agentes negligentes, como conduziria Deus o Universo manifesto?

O livre arbítrio é um direito e não uma questão de favor ou desaforo, de amor ou raiva.

Há no fundamento de todo homem uma lei que convida ao aprendizado de si mesmo. O que é o homem em face da ORIGEM e da FINALIDADE, do cultivo dessa lei é que aprenderá. Ela o compele à universalidade, em compreensão, em moralização, em aplicação de si mesmo. Cair em misoneísmo degradante, atolar no lamaçal do angustismo sectário, explorar a fé ou pretensa fé de quem quer, tudo isso é lidar contra a lei que obriga ao conhecimento, até onde ela mesma o permita, flexível que é, dado o relativo livre arbítrio. Mas, que sucederá, um pouco além da fronteira vencida, quando o ciclo de forçamento se tenha esgotado? Que acontecerá ao homem em si vencido, por tentar luta vitoriosa contra a lei de progresso contínuo? Convulsão pessoal para o homem, convulsão coletiva para as civilizações. Desordem espiritual, moral, mental, intelectual, material; desordem política, social e econômica – guerras! O homem de qualquer civilização deve aos cleros organizados, noventa ou mais por cento de suas dores e atrofias progressivas. Quem dogmatiza e disso faz comércio ou meio de vida, nunca será amigo de seu semelhante, porque o bem está no progresso contínuo, no encontro do homem com o ESTADO BÁSICO, por identidade vibratória.

FERRAMENTA DE ADMINISTRAÇÃO DA PRÓPRIA EVOLUÇÃO: A Verdade e a Virtude não são artigos de fé fabricados pelo homem; elas são o extrato de toda a Onisciência, Onipotência e Onipresença de Deus; cumpre, pois, a cada filho Seu, realizá-las em si mesmo. Nenhuma instituição humana, nenhum homem, ninguém pode roubar esta realidade a qualquer filho de Deus. Porém, tudo depende do esforço de cada um, pois a cada um permite, o relativo livre arbítrio, o tornar-se juiz em causa própria.

O Bem e o Mal colocam-se diante dos filhos de Deus, como as iniciações antigas ensinavam, para que estes fossem vencendo, triunfando, divinizando seus caracteres. A Lei de Deus, os Dez Mandamentos, bem que dizem o que é necessário fazer, para jogar bem com o sagrado relativo direito de livre arbítrio, para triunfar contra o Mal à custa de praticar o Bem.

De toda e qualquer forma, o século vinte encerra uma das marcas que assinalam grandemente a lenta caminhada humana sobre a espiral evolutiva. (...) Origem divina, individualidade e organização do caráter. Tudo gira em torno desses pilares e só se poderá subir ou descer em seu bojo. Aí se volta a criatura aos píncaros do Amor e da Ciência, se fizer por isso, como aí se projetará aos abismos da mais variada ordem, se também a isso quiser dedicar-se. O pêndulo é o sagrado direito de livre arbítrio, o órgão motriz cuja capacidade cessa quando se atinge a fronteira das faltas ou o seu limite máximo. Nisto é que há necessidade de muita atenção – saber como usar tão responsável instrumento, elemento de tamanha magnitude, através do qual tanto se pode construir o Céu como se pode chafurdar nos tredos abismos. Quem meter o livre-arbítrio a funcionar no rumo da Lei, muito bem; esse terá encontrado o caminho certo e a estrada límpida. Mas aquele que fizer em si, através das obras, serviço de contradição, esse terá que se entender com os rigores da judicatura básica. Tudo poderá ser esquecido, menos a vigência da Lei no plano das obras em geral. Nunca cessará a vida espiritual e jamais deixará de ser presente a Lei. Julgar certo ou errado, bom ou ruim, bem ou mal, antes de agir, tal é a máxima obrigação da criatura que atingiu o grau de consciência individual. Em última hipótese, deve compreender que será

sempre juiz em causa própria, que jamais poderá se furtar à responsabilidade do ato praticado, bom ou ruim, a fim de ser recompensado.

Convém entender isto com todo o rigor MORAL possível, porque muitos são os que falam em Processo Evolutivo, porém o perfeito conhecimento está muito acima do que imaginam. No seio do processo evolutivo, diremos, o espírito começa nada sabendo e podendo, para terminar tudo em si mesmo administrando, por Delegação Divina, em virtude do Sagrado Direito de Relativo Livre Arbítrio. Deus quer entenda-se bem, que Seus filhos sejam juízes-em-causa-própria, até atingirem o ESTADO DE UNIÃO TOTAL, quando de inteligências individuais se transformarão em INTELIGÊNCIA ÚNICA. Primeiro, ninguém é menos do que centelha de Deus, e, depois, ninguém deixará de ser DEUS EM DEUS. O Processo Evolutivo contém tudo isso, em ORIGEM DIVINA, MOVIMENTO E EVOLUÇÃO, E SAGRADA FINALIDADE.

O reequilíbrio é por obras, por isso é que Deus oferece oportunidades, condições e situações, etc. Não consideremos as tentações, da parte de Deus, mas sim os testes a vencer. Não é função de Deus vencer os testes para quem quer que seja, nem de Cristos ou espíritos conscientes. Se alguém CONHECE A VERDADE E PRATICA O BEM, certamente terá ajuda para o triunfo em suas lutas. Deus dá os elementos, mas a realização tem que ser do espírito. A tentação INTERIOR é sempre pior do que a exterior, entendam bem. Portanto, que ninguém culpe a Deus, ou a quem quer que seja, pelos seus descuidos ou vontade proposital de entregar-se ao erro. Isso é que Jesus ensinou, acima de tudo pelo Seu Divino Exemplo. Não atirou responsabilidade alguma em Deus, que por Suas Leis Fundamentais garante o relativo livre arbítrio aos espíritos. Não olvidem que direitos significam deveres. E se assim não fosse, Deus seria surdo ou errado, ou mesmo maldoso, porque a Humanidade está cheia de gente que vive repetindo o Pai Nosso, e que pratica crimes, desde os assassinatos em massa, até aos mais depravados costumes. Deus quer assim: “Conhece-te e realiza-te”!

LIVRES ATÉ PARA ERRAR... Agora, é certo, me perguntarão se as leis possuem dois lados, um para ser bem e outro para ser mal usado. Eu digo que sim, pois, embora a lei seja sempre una em seus fundamentais atributos, nós somos relativamente livres para por ela fazer bom ou mau uso de nossas próprias possibilidades. O caminho pelo qual se vai é o mesmo pelo qual se vem. A lei da dialética em tudo reina, a força dos contrários embeleza o universo! Graças a ela, podemos analisar e discernir, confrontar e deduzir, vindo a amar o profundo mecanismo das leis divinas. Graças ao poder da dialética, ou da força dos contrários, podemos pensar muito e muito avançar, procurando discernir, até onde possa ir o livre arbítrio, e quando deixe de ser atuante o Supremo Determinismo. Sabendo que tudo é parte do Supremo Determinismo, ficamos, então, mais credenciados para respeitar religiosamente ao poderoso direito de relativo livre arbítrio.

Não se apoquente, portanto, ao defrontar um irmão que se desvia, depois de saber o que é melhor; isso é triste, mas é possível, porque todos podemos jogar, até certo ponto, com o relativo livre arbítrio. E o erro de um tempo representa a dor de outro tempo, restando ainda, como consequência, a experiência para outros tempos, talvez para a eternidade!

Os que se erguem à custa de sofrimentos são aqueles que necessitam perder no domínio do livre arbítrio; os que se valem do Amor e da Sabedoria são aqueles que se aumentam nesse direito relativo, mas fundamental. É hora, portanto, de se dar cabo de ladainhas ronceiras, e de se honrar ao que por si mesmo é honra!

Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.