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Capítulo 23 de 99

Consequências De Más Escolhas

Divinismo Prático – Yolanda Santoro

A missão progressiva do filho é tornar-se reflexivo das Virtudes Divinas. Que prenda celestial é o espírito! Que de glórias divinas contém o filho de Deus! Quem poderia, em seu estado de embrião psíquico, como podemos qualificar o homem padrão, dizer das luzes que no âmago lhe conclamam ao ensejo libertador? E, todavia, eis que se agarra aos entraves do caminho, parece que num esforço terrível, para se tornar escravo das vagas duendes, com quem partilhar das paragens sombrias, dos sítios escuros onde agouros infernais recordam fastos macabros e cenas bestiais. Como se atira nas lamas e nos gemidos o filho de Deus, pelo simples fato de pensar que a Lei é apenas composição decorativa, enquanto pensa com orgulho e mil empáfias que sua passageira liberdade poderá um dia afrontar os Divinos Alicerces do Universo Infinito! Importa, entretanto, que no âmago do homem se trave a luta titânica entre o que está para trás e o que está na frente; importa, segundo a linguagem antiga, que o Anjo sujeite o animal; que o espírito vença a impetuosidade vegetativa da carne e das infelizes tendências inferiores, tendências que se foram recalcando, registrando durante a viagem que se fez pelos reinos anteriores. Se o instinto foi a arma com que pudemos vencer noutros tempos, cumpre agora que a inteligência lhe apare as arestas, a fim de que essa força primitiva se converta aos poucos no maravilhoso poder intuitivo dos tempos porvindouros. Quem não luta para transformar o primitivo em força subliminal, claro que ficará sujeito a seus guantes; a regra é simples, embora demande esforço pertinaz.

Verdadeiramente, reside aqui a grande falha: todo aquele que olvida seus deveres para com a lei de relativo livre arbítrio terá que se defrontar, hora mais, hora menos, com as sérias consequências que daí se originam. Ninguém vive a esmo e recebe o Céu à custa de milagres, mistérios ou arengas jaculatórias; o fim glorioso está vinculado ao exercício íntimo, ao esforço intransferível.

O Céu é de ordem íntima e ninguém o terá sem trabalho! Com o direito de individualidade se casa o dever de organização do caráter. O livre arbítrio relativo nos garante apressar ou retardar o desenvolvimento interno. Eis tudo, em linhas gerais. Fica, entretanto, bem entendido, que falo da criatura entrada no plano hominal; os que se acham ainda para baixo, e não têm consciência individual, esses nada devem perante a Lei Moral. A Lei é para os responsáveis, para aqueles que já podem saber o que para si mesmos é melhor. A divisa entre o plano da inconsciência e o da consciência individual é esta – quem sente para si o que é melhor, não tem o direito de ferir o bem estar do próximo. É por isso que Jesus partiu da justiça natural, afirmando que se não deve fazer aos outros, assim como não gostaríamos que os outros nos fizessem.

Quanto são respeitáveis as leis de causa e efeito. Quem se faz melhor, recalca-se de melhoras, tem para si e para dar, porque as conquistas de caráter são como o fermento, tendem a reproduzir, aumentar, sempre no mesmo sentido. Assim, também, com os defeitos, com as tristes marcas cármicas. Tudo se torna lastro, o bem ou o mal, a virtude ou o vício, tangendo a criatura naquele rumo e ritmo, por vezes repelindo elementos renovadores bastante capazes, por vezes quebrantando ânimos, provocando abalos consideráveis, atirando a criatura ao abismo das atrofias de ordem moral, transformando a entidade num pária qualquer, endereçando-a às regiões dolorosas, aos rincões tenebrosos, para mais tarde atirá-la no regaço das vidas rastejantes, dos aleijões e das torturas horríveis. É a Lei Geral, com a sua força, com o seu poder, valendo por aquilo que a fizeram valer, impondo a rigor os produtos da livre escolha, as validades do direito de relativo livre arbítrio. Quem, portanto, não quiser se haver com agravos e torturas, que não os cometa. Depois de agir, provocando naturalmente o desfecho da Soberana Lei, só através de vigorosa ação inversa é que se poderá alterar a situação e o rumo embalador. E isso, como está a confessar, é bastante difícil, é penoso, chega a parecer impossível.

O livre arbítrio de hoje, mal usado, sem dúvida que virá a ser no amanhã o triste determinismo ou cruel destino. Devemos acabar com essa coisa de julgar a Deus como um vingador. De fato, pelo que virá a poder estudar, compreenderá que a dor, de ordem qualquer, espiritual, moral, mental, intelectual ou física,

decorre sempre de obras más, de ações vis. Como já tivemos oportunidade de conversar, Deus será mesmo o CÓDIGO INABALÁVEL; mas nós seremos tudo o mais que comporte o programa judiciário em execução. Embora a maioria o não possa compreender ainda, mas nós temos em nós mesmos tudo: Juiz, jurado, réu, acusação, defesa, condenação, apelação, etc.

Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.