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Capítulo 6 de 10

Referências Bíblicas — parte 1 de 5

As Vidas de Jesus

Na epístola dirigida por Paulo aos HEBREUS, encontramos os seguintes versículos que se referem a MELQUISEDEC, o DIVINO GRÃO SACERDOTE. "Este é Melquisedec, rei de Salém, sacerdote do Deus altíssimo que saiu ao encontro de Abraão, quando este voltava vitorioso da batalha contra os reis, e o abençoou; a ele deu Abraão o dízimo que cujo o nome significa primeiramente "rei de justiça e também rei de Salém, isto é, "rei de paz", sem pai, sem mãe, sem genealogia, que não teve nem começo nem fim de vida, tornado assim semelhante ao filho de Deus, permanece Melquisedec sacerdote para sempre. vejam como este era grande, a quem Abraão, o patriarca, lhe deu o dízimo das melhores coisas (Hebreus,7, 1 ao 4)

Mais adiante diz: "E isto ainda é mais manifesto, se se levanta outro sacerdote à semelhança de Melquisedec, o qual não foi feito segundo a lei do mandamento carnal, mas segundo a virtude de uma vida indissolúvel. Pois se dá testemunho: "Você é sacerdote para sempre, segundo a ordem do de Melquisedec." (Hb,7; l5-17) Muitos foram os sublimes Sacerdotes consagrados conforme a ORDEM DE MEQUISEDEC com JURAMENTO DO PRÓPRIO MELQUISEDEC, de quem se diz: ". . . jure ao Senhor e não se arrependerás: Tu será sacerdote para sempre, segundo a ordem de Melquisedec".Os sacerdotes judeus não eram reis e sacerdotes, e os Reis não foram Sacerdotes. MELQUISEDEC o REI de SALÉM (Salém era uma cidade Pagã), era seu SACERDOTE, e não sacerdote judeu; mas ELE, o Sacerdote do Deus Altíssimo, plena e totalmente alheio a religião judia dos patriarcas, foi quem levou PÃO E VINHO. ABRAÃO recebeu o ato da Transmutação, como também a Palavra Sagrada de IAO, na entrega dos dízimos. O Sacerdote Pagão, Sacerdote e Rei da cidade pagã de Salém, sendo MAIOR que ABRAÃO, abençoou a este, cumprindo-se assim a escritura: "Deve o maior abençoar o menor".O Patriarca Abraão aprendeu do Sacerdote do Deus Altíssimo, de MELQUISEDEC, a sabedoria divina e esotérica que transmitiu ao seu povo. Naturalmente que toda esta sabedoria se encontra transcrita nos livros da bíblia; mas, lamentavelmente para os judeus e "cristãos", como também para os demais "crentes", toda a Sabedoria esotérica de Melquisedec se encontra em chave e a chave só possuem os INICIADOS nos MISTÉRIOS do FOGO e da LUZ, conforme a ORDEM DE MELQUISEDEC. Os dízimos que Abraão deu ao SACERDOTE E REI, são simbólicos, pois neles se esconde o nome sagrado. 10 = I0 1+ 2+ 3+ 4 = I0 1+ 2+ 3+ 4 = 10 = IO O 10 compreende a essência de todas as coisas,o todo.Tudo se estende a unidade, ao UNO O ALFA e OMEGA é o A. 1, A, 0, 1. A. 0. = I. A. O.

IAO, podemos dizer que A literalmente constitui o alento da vida colocado entre o I, que é o princípio masculino ereto, e a forma oval do O, que é o princípio feminino. Este é o ARCANO SOLAR, o ARCANO REAL ensinado por MELQUISEDEC. Toda ciência e sabedoria bíblicas se sintetizam na mística década, no I.A.O., no Grande Arcano Real ensinado pelo Sacerdote do Deus Altíssimo, o Venerável MELQUISEDEC, para a constituição dos FILHOS DO SOL, do CHRISTUS SOLAR, para formar assim com homens e mulheres CRISTIFICADOS, A CIDADE SOLAR, composta por homens e mulheres SOLARES que viveram os ensinamentos do CRISTO, sintetizados nos valores da CRISTIFICAÇÃO.

18 Melquisedec, rei-sacerdote de Salém, isto é, Jerusalém. Salém significa paz (xalom); Jerusalém (Yeruxaláyim) significa "fundação de paz"; era a capital dos Jebuseus que David conquistou. "Trouxe pão e vinho." Após a expedição de Abraão contra os quatro reis orientais que tinham saqueado a zona do Mar Morto, a Pentápole, Abraão e os seus homens armados tinham chegado vitoriosos (v. 16), mas exaustos. O rei de Jerusalém, reconhecido pelo perigo que Abraão afastara das suas vizinhanças, veio ao seu encontro com abastecimentos de pão e vinho para restabelecer as forças das tropas cansadas. Abraão, agradecido por tal atitude, decide recompensar Melquisedec com o dízimo de todos os despojos que trazia da expedição guerreira. A tradição patrística e a Liturgia, viram na oferta de pão e vinho uma figura do Sacrifício Eucarístico; no Cânone Romano pede-se a Deus que aceite o Sacrifício da Missa como aceitou o sacrifício de Melquisedec. Mas podemos perguntar: esta oferta foi um verdadeiro sacrifício, ou um simples auxílio às tropas cansadas? Se é certo que o verbo hebraico, "trouxe", não pertence ao vocabulário sacrifícial, também é certo que Melquisedec era sacerdote e foi nesta condição que trouxe pão e vinho, sendo coerente que tivesse sido oferecido antes em sacrifício, talvez em ação de graças da vitória obtida. Pelo Salmo109 (110) e por Hbr 7, sabemos que Melquisedec é uma figura de Cristo. Também Jesus, o "anti-tipo" de Melquisedec, alimenta os seus soldados cansados na batalha contra os inimigos do Reino, com o pão e o vinho oferecido em sacrifício e que é o "seu Corpo, Sangue, Alma e Divindade". Por isso a Igreja lhe reza: "da robur, fer auxilium"(dá-nos força, traz-nos auxílio).

F. Garcia Martínez Biblica 81 (2000) 70-80 AS TRADIÇÕES SOBRE MELQUISEDEC NOS MANUSCRITOS DE QUMRÁN

As referências à figura de Melquisedec nos manuscritos de Qumran são tão escassas como são na Bíblia hebréia. Melquisedec aparece, claro, no Gênesis Apócrifo da Cova 1 (1QapGen xxii 12-18), uma composição araméia que reescreve o relato de Gen 14. A origem desta composição é incerta, mas não há

nenhum elemento que permita atribuir-lhe uma origem qumrânica . As únicas precisões que o texto arameu aporta com relação ao texto bíblico são a identificações de "Salém" com Jerusalén e a do "Vale do Rei" com

Beth ha-Kerem, assim como a especificação de que é Abraão quem paga o dízimo a Melquisedec . Provavelmente o nome de Melquisedec aparece duas vezes numa composição cuja origem qumrânica me

parece certa, os Cânticos do Sacrifício do Sábado , mesmo que em ambos casos a forma do nome se encontre incompleta e apareça em contextos tão fragmentários que impedem qualquer identificação certa. Nesta composição, Melquisedec (como no Salmo 110) é apresentado como um anjo; é também possível que ele seja o único anjo mencionado pelo nome em toda a composição. Em todo caso, Melquisedec (se a leitura é certa) é apresentado nos Cânticos do Sacriíicio do Sábado como um sacerdote: "[Melqui]sedec,

sacerdote na assemb[léia de Deus]" na reconstrução de Newson de 4Q401 11,3 , e "os chefes dos príncipes

dos sacerdócios maravi]lhosos de Melqu[isedec]" na nossa reconstrução de 11Q17 ii 7 . Devido aos azares de conservação, o nome de Melquisedec não se conservou em uma série de manuscritos nos quais esperaríamos sua presença, já que tratam de seu antagonista, seu oponente angélico, Melki-resha‘ (4Q‘Amram, 4Q280 e 6 7 4Q286) ; mas possuímos um texto da Cova 11 (11Q13) em que Melquisedec é a figura central . Que este texto

é um produto da comunidade de Qumran me parece certo . Podemos, pois, empregá-lo com confiança como representativo da compreensão das tradições sobre Melquisedec na comunidade de Qumran e como exemplo da interpretação da Bíblia praticada nesta comunidade. O texto é conhecido desde 1965, quando A.S. van der Woude publicou uma edição preliminar9, e tem sido tão intensivamente estudado desde então, que é praticamente impossível dizer algo novo sobre ele10. Este artigo apresentará unicamente dois aspectos do texto que ainda não têm sido suficientemente ressaltados e que, na minha opinião, aportam novos elementos ao complexo problema das esperanças messiânicas da comunidade de Qumrán: 1) a ampliação do conceito de uma figura redentora no período escatológico dentro do Judaísmo précristão com objetivo de incluir como agente de salvação uma figura não-humana que podemos designar como "messias"; 2) a identificação do caráter messiânico da figura do "mensageiro" anunciado pelo Profeta Isaías. Mas antes de apresentar estes dois pontos é imprescindível descrever, mesmo que sumariamente, o conteúdo do 11Q13. Deste manuscrito, que pode ser datado de aproximadamente meados do século I a.C.11 e que tem um caráter claramente exegético, foram recuperados 16 fragmentos, agrupados em 11 na edição oficial de DJD 23. A maioria destes fragmentos foram colocados em duas colunas consecutivas (cols. ii e iii). O texto da col. ii descreve os feitos que ocorreram "no final dos tempos"12. Já que de acordo com a compreensão desta frase nos escritos da comunidade (que a emprega para designar a fase final da história em que a comunidade está vivendo) ela pode referir-se a feitos sucedidos no passado, no presente ou no futuro pela perspectiva do autor, este se achava obrigado a precisar que os sucessos de que trata sucederão exatamente "na primeira semana do jubileu que se segue ao jubileu nono", (ii 7) ou, como diz a continuação, "no final do jubileu décimo", o último jubileu da história humana no sistema empregado pelo autor e que equivale à última das setenta semanas de outros sistemas. Estes feitos são descritos por meio de um pesher temático sobre a salvação final13. Em sua primeira parte, o pesher está baseado em Lev 25 (sobre o ano jubilar), Deut 15 (sobre o ano da remissão) e os Sal 7 e 82 (que anunciam o juízo divino). Em sua segunda parte, o pesher cita e explica Is 52 (que proclama a liberação dos cativos). Todos estes textos bíblicos são interpretados e aplicados aos feitos que sucederão no final dos tempos, centrando a atenção nos atos de redenção que livrarão os filhos da luz do domínio de Belial e dos espíritos de sua legião e dos quais o protagonista é Melquisedec. Mesmo que o nome empregado seja o de Melquisedec, nem Gen 14 nem o Sal 110 são citados explicitamente nas partes conservadas do documento14.

1. Melquisedec como "messias" celeste Todos os textos bíblicos citados na primeira parte do manuscrito são interpretados como referindo-se a Melquisedec, apresentado como uma figura claramente celeste, um dos Myhwl)15. Falando dele, nosso texto emprega várias expressões, como "a herança de Melquisedec" (ii 5) o "o ano da graça de Melquisedec" (ii 9), que na Bíblia hebréia são aplicadas a Deus mesmo16, e outras, como "os homens da legião de Melquisedec" (ii 8) que nos outros escritos qumrânicos são aplicadas igualmente a Deus17. À vista do estatuto excelso como figura celeste que nosso texto confere a Melquisedec, não é estranho que alguns tenham compreendido o protagonista de 11QMelch como representando uma hipóstase divina18, ou incluso como uma simples designação da divindade, um nome a mais de seus nomes divinos, "Rei de Justiça"19. Mesmo que estas especulações sejam interessantes e se apóiem em certos elementos presentes no texto mesmo, não parecem poderem se manter ante a clara afirmação de ii 13: "E Melquisedec executará a vingança dos juízos de De[us]", que afirma uma distinção clara entre Melquisedec e Deus; elas ficam igualmente desautorizadas pelo claro paralelismo que o texto estabelece entre a figura de Melquisedec e a de seu oponente celeste Belial, assim como pela oposição entre os exércitos angélicos de ambos protagonistas, uma oposição que se acha enraizada na visão dualista do mundo tal e como é expressa no ‘tratado dos dois espíritos’ da Regra da Comunidade (1QS iii–iv). Se Melquisedec em 11QMelch não é nem Deus nem uma hipóstase divina, é certamente um personagem celeste e excelso. O texto lhe atribui o domínio sobre os exércitos celestes; ele é o chefe de todos os anjos (os Myl) e de todos os filhos de Deus. Ademais, ele é quem conduz a batalha contra Belial e os espíritos de sua falange, e quem executa a vingança divina contra eles. Melquisedec é descrito com os mesmo traços com que a Regra da Comunidade e o Documento de Damasco descrevem o "Príncipe da Luz"20, e como um duplo do Arcângelo Miguel, tal e qual é descrito na Regra da Guerra21. Esta multiplicidade de designações de uma mesma figura não tem nada de surpreendente num contexto qumrânico, posto que a composição conhecida como Visões de ‘Amram22 afirma explicitamente que os dois chefes dos exércitos celestes têm três nomes23, e um dos nomes de quem "domina sobre todas as coisas" é o de Melquiresha‘24, antônimo perfeito de Melquisedec25. Mesmo que descrito como personagem claramente celeste, Melquisedec não é designado "anjo" nos fragmentos conservados26. As origens terrestres do personagem não foram esquecidas completamente e as qualidades primordiais do Melquisedec do Gen 14 (a realeza) e do Sal 110 (o sacerdócio) tem sido conservadas e transferidas ao personagem celeste27. A realeza de Melquisedec está implícita em seu domínio sobre os outros seres celestes e sobre os feitos da luz, mas aparece com maior claridade em suas funções judiciais. 11QMelch aplica-lhe diretamente as primeiras palavras do Sal 82: "como está escrito sobre ele nos Cânticos de David: Elohim se [al]çará na assem[bléia de Deus], no meio dos deuses julgará" (ii 9-10). A continuação do Salmo é aplicada a Belial e a seu séqüito angélico: "E o que di[sse: Até quando] julgareis injustamente e guardareis consideração aos malvados? Selah Sua interpretação concerne a Belial e aos espíritos de sua falange" (ii 11-12). 11QMelch conserva portanto o marco celeste da cena judicial do Salmo e nele é Melquisedec quem julga os oponentes angélicos que favoreceram a injustiça entre os homens. Mas no nosso texto, Melquisedec é também quem julgará a todos os filhos das trevas, posto que a ele se aplicam igualmente as palavras do Sal 7: "E sobre ele disse: Sobre ela retorna às alturas, Deus julgará aos povos" (ii 10-11). nosso texto não só atribui a Melquisedec a função judicial que no texto bíblico era atribuída a Deus, mas também lhe recomenda igualmente a execução da sentencia: é ele quem levará a cabo a vingança divina (ii 13). Apesar de que nosso texto não diz explicitamente que é Melquisedec quem realiza a expiação "em favor dos filhos de [a luz e dos] homens da legião de Mel[qui]sedec" (ii 8) pois o verbo é empregado na forma infinitiva (rpkl), a interpretação mais provável da passagem é que é ele quem é apresentado como o Sumo Sacerdote que efetua os ritos de expiação no Yom hakippurim escatológico28. Não só por causa de podermos perceber no Velho Testamento sobre a concepção de Melquisedec como sacerdote, e porque esta imagem sacerdotal de Melquisedec está atestada nos Cânticos do Sacrifício Sabático, mas porque uma das cópias do Apócrifo de Levi(4Q541 9 i 2)29 emprega a mesma expressão ao descrever as funções do equivalente terrestre do Sumo Sacerdote celeste, o "messias" de Aarão, e porque 4Q266 10 i 12-1330, que permite completar o texto fragmentário de CD xiv 19, contém exatamente a mesma idéia e emprega o mesmo verbo31. Mais importante ainda que a função real e sacerdotal é a descrição da função salvadora de Melquisedec. 11QMelch apresenta o protagonista como o agente de a salvação em um período escatológico. É ele o salvador "dos homens de sua falange", e sua ação inaugura o ano de graça e o dia da paz eterna. Nosso texto

Leitura livre, oferecida pelo Conhecer para Transformar.