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Capítulo 4 de 10

Melquisedec

As Vidas de Jesus

Melquisedec é o mais estranho e misterioso personagem da Bíblia. Citado em livros do Velho e do Novo Testamento, só lhe é atribuída uma aparição: "Este Melquisedec, rei de Salém, sacerdote de Deus Altíssimo, saiu ao encontro de Abraão que regressava da derrota dos reis, e o abençoou. Foi a ele que Abraão ofereceu o dízimo de todos os seus despojos; ele, conforme indica seu nome, primeiro foi ‘rei da justiça’e depois rei de Salém, isto é, ‘rei de paz’. Sem pai, sem mãe, sem genealogia, seus dias não têm começo, sua vida não tem fim. Assemelhando-se assim ao Filho de Deus, permanece sacerdote para sempre" (Hb 7, 1-3). Essa aparição também é confirmada no Livro do Gênese, quando o mesmo se pronuncia: "Melquisedec, rei de Salém, trouxe pão e vinho e como sacerdote do Deus altíssimo, abençoou Abraão dizendo: ‘bendito seja Abrão pelo Deus altíssimo, que entregou os inimigos em tuas mãos’ (Gn 14, 18-20)". Essas passagens dão margem para conclusões interessantes: O personagem Melquisedec é imortal — "seus dias não têm começo, sua vida não tem fim"— e também não é humano —"sem genealogia"— mas semelhante a Cristo em algum aspecto — "Assemelhando-se ao Filho de Deus"— embora não seja Jesus Cristo, como muitos acreditam, pois semelhante não quer dizer igual. Também é dito que Melquisedec é um sacerdote e sempre o será — "Permanece sacerdote para sempre". Na Bíblia existem duas ordens de sacerdócio: A de Levi e a de Melquisedec. A de Levi se originou no seio da tribo dos Levitas, uma das doze tribos de Israel. Seus sacerdotes se sucediam por ordem de descendência. Já o sacerdócio de Melquisedec tinha seus sumos sacerdotes nomeados pelo próprio Deus, e foram dois: Melquisedec e Jesus Cristo. "E assim não foi Cristo que exaltou a si mesmo, fazendo-se Sumo Sacerdote, mas aquele que lhe disse": Tu és meu Filho, eu hoje te gerei. Como diz ainda em outro lugar: Tu és sacerdote para sempre, segundo a ordem de Melquisedec". (Hb 5, 5-6) Fica claro também, que o sacerdócio de Melquisedec é superior ao de Levi, pois até mesmo o patriarca Abraão de quem toda a Israel descendeu, entregou dízimos a Melquisedec. Sobre a questão do dízimo, é interessante observar que essa palavra em tempos antigos não possuía a conotação que tem hoje. No Velho Testamento, por exemplo, tem dois significados: Como ESPÓRTULA (ou OFERENDA) feita a Deus envolvendo altar e cesto, num ritual bastante específico, ou como HERANÇA da terra prometida, entregue a uma parte da tribo de Levi, por esta não ter herdado a terra propriamente dita. Como mencionamos antes, a nação Israelita era dividida em doze tribos, o que denota uma certa falta de coesão. Uma dessas tribos, os Levitas, ficaram encarregados do exercício do sacerdócio, administrando um direcionamento religioso monoteísta para Israel. Como uma parte dos Levitas era formada por sacerdotes, estes não puderam herdar o bem material, TERRA, pois isso entraria em contradição com sua missão religiosa: "IAHWEH (Deus) disse a Aarão: ‘Não terá parte alguma na terra deles e nenhuma parte haverá para ti no meio deles. Eu sou a tua parte e a tua herança no meio dos filhos de Israel"(Nm 18:20). Na prática, então, cada tribo Israelita destinava dez por cento do que produziam aos Levitas. Isso era convertido em construção e manutenção de templos e na subsistência e vestimenta dos sacerdotes. Hoje, a palavra dízimo tem conotação de PAGAMENTO ou DONATIVO, o que não corresponde ao que os levitas recebiam naquela época. O que lhes era entregue, fazia parte da herança a que tinham direito como filhos de Israel. Mas será que Melquisedec foi um personagem importante somente na tradição Judaico-Cristã? A resposta é não. Esse misterioso e intrigante personagem está presente em textos sagrados de diferentes tradições religiosas. Seu mito surge em escritos antigos da Mongólia, da Índia, do Tibet e de outros países da Ásia. Os Muçulmanos também o citam. O nome surge com variações como Melquisedek-Sanat-Kumara, Melk-Tjedec, Righden Jyepo e outros. Em todas essas tradições, o personagem é acompanhado de legendas bastante parecidas, sendo descrito como Rei e Líder Espiritual, monarca de uma nação escondida na Ásia, muitas vezes chamada de Shambala, Shambalah, ou Aghartha. Essas tradições, também o descrevem como detentor dos destinos da humanidade. Como vêem, existem muitas similaridades entre Melquisedec, O Padre João, e o Rei do Mundo. O Papa Alexandre III estudou as similaridades entre o Padre João e o Melquisedec Bíblico. Também teria investigado supostas aparições de Righden Jyepo no território Asiático, e, acreditando na imortalidade de Melquisedec, pensou poder ser agraciado por sua poderosa presença, ou quem sabe... Sua benção! A Ordem de Melquisedec é citada até hoje na cerimônia de sagração dos Papas.

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